segunda-feira, fevereiro 27, 2017

Levado ao Colo




Há pessoas que adoram a mudança.Quanto a mim, resisto-lhe como se eu fosse um denso e polido rochedo granítico há muito cravado nos rápidos de um rio, recusando mover-se na sua luta contra as leis da Física por nenhuma outra razão inútil que não a própria luta, a própria resistência. É bom de ver então que ser avisado, sem alerta, de que fui colocado numa escola a 350 km de casa, um facto cuja probabilidade só se pode equiparar à revelação de que Bruno de Carvalho é um líder sério e ponderado, disparou no ringue da minha cabeça remates contraditórios. Por um lado, a surpresa de que o inesperado ainda me pode bafejar, que a engrenagem da minha vida não é tão pré-definida como sempre julgo, que por uma vez, de maneira positiva, os factos jogam a meu favor - um emprego, hoje em dia, acaba por ser um golpe do baú. Por outro lado, remover-me do que é familiar, , ser eremita num local isolado, tudo isto exponencia a solidão interior que por norma me consome e enche na combustão de um fogo negro cuja brisa mais macia pode logo explodir a aspereza e agressão da minha própria personalidade pacman. Aceitei, no entanto, porque por uma vez devo ser prático; porque me convenci de que, tendo estado na Madeira um ano, cinco meses no litoral alentejano são brinquedo; porque o dinheiro pode ser importante nalgumas partículas da vida; porque tornar a minha vida desconfortável é algo que faço desde a minha adolescência e que por uma vez o seja no bom sentido; porque me tem custado, cada vez mais, viver na vergonha de ser e estar desempregado enquanto toda a gente em meu redor tem um emprego e uma vida feita, filhos e companhia, uma ideia definida daquilo que faz e quer enquanto eu morrinho dentro de mim.

Tudo isto pesou e me contrariou o instinto, levando-me a abdicar de pequenas vitórias que vinha conseguindo. Não tenho espírito de emigrante, sou demasiado acomodado , inflexível e falta-me a agilidade e estoicismo que tanto nos caracterizam como Portugueses, um povo de emigrantes. Ainda assim, tenho feito um trabalho de sapa nos últimos anos para me demolir indo contra mim e como tal, aqui vos escrevo de Colos, pequena vila alentejana (pequena é uma palavra mais operativa do que alentejana), onde a pasmaceira é não só um lema como um desígnio municipal a ser inscrito no brasão. Como descrever? Bem, imaginem a longa recta de alcatrão com duas curvas no final e casas brancas baixas, atarracadas, apertadas numa guarda de honra de tijolo e adobe: é isto. As mercearias chamam-se drogarias, o campo de jogos está invariavelmente vazio, as ruas de empedrado, as cegonhas são drones que patrulham em voo rasante e longos bicos a planície antes de pousar nos ninhos. Acessos entediantes, por entre montes alentejanos e no mapa, Colos fica equidistante de Odemira e Milfontes e antes que pensem que sim, que finalmente há animação e civilização, o meu conselho é que coloquem tudo em perspectiva: qualquer uma delas faz Coimbra parecer Nova Iorque e Tóquio em fusão; e já agora, a rede de telemóvel é tão estável quanto a saúde mental de Madonna e o sinal de Internet tem a força de um jogador de futebol quando sente um leve toque nas costas. Viver por aqui é um exercício de ascetismo e isolamento, como se me entregasse a um retiro espiritual de reavaliação da minha vida e talvez precise disso, de cortar com algumas árvores que se enraízaram em mim, podar outras, ignorar umas quantas e reposicionar-me. Esquecer pessoas, dar a outras o espaço que merecem e decidir como organizar as restantes,

Aqui também encontrei uma rotina boa e uma função, o prazer de, quando em vez, espantar os alunos com conhecimento, colegas disponíveis e relaxados, boa gente que quer receber e fazer-nos sentir bem e também o prazer do quotidiano, guiar em rectas intermináveis com boa música e o meio de nenhures abraçando-me e dizendo que se calhar vai tudo correr bem, que de duas semanas virei a casa e estarei com os meus, que lá por baixo também há vida, que se calhar viver a novidade é tão parte da vida como as cabeçadas. Quero acreditar em tudo isto; mas também gostava de não confundir a minha casa com as restantes 5 iguais que estão ao lado. Por isso, um passo de cada vez.

sexta-feira, fevereiro 17, 2017

As linhas que o destino me escreve


Lembro-me que tinha uns 13 anos, talvez, e tudo começou com blocos de folhas de linha. Na escola, a professora de Língua Portuguesa decretara que todos os períodos devíamos escrever um texto subordinado a qualquer tema que quiséssemos. Porque os números nunca quiseram nada comigo, virei-me então para as letras, uma vingança sanguínea escarlate e começou aí então uma saga que duraria toda a minha vida: o Bruno agarrado a cadernos e papéis, de caneta em punho, traduzindo para o plasma branco mundos e palavras e aspirações e desejos e ocasionalmente tornando real, em frases, o que não conseguia iludir-se de julgar possível na própria realidade. Aquilo que se iniciou por um garoto, no seu quarto, colando as influências do que via e lia, gamando a séries e filmes conceitos apenas para refundi-los noutro enquadramento (aquilo que Tarantino faz e o eleva a demiurgo para alguns) chegou hoje a um homem adulto - em idade - destilando para o mesmo vazio todas as ervas daninhas que lhe trepam os muros da cabeça, as sebes do coração, a abertura da boca que deve explodir na ideia e acaba sempre por canalizar o estalo para o meu amigo mais fiel: a Escrita. Assim, com maiúscula.

É irónico que alguém como eu, que granjeou entre os seus mais próximos a fama de artífice das palavras, sinta a dificuldade de expressar o quão fundamental escrever é para mim. É no geral desconhecido que eu sou, na minha raiz, uma pessoa tímida e adversa a revelações e aproximações e a minha existência define-se basicamente como uma pessoa que vai caindo aos trambolhões por uma escada abaixo enquanto respira, enquanto procura qualquer tipo de corrimão para se deter e nem sequer sabe onde encontrá-lo. Escrever foi, desde muito cedo, a minha maneira de contactar a realidade e defini-la, o meu canal para os outros, a expressão do que sou e sinto quando a única coisa que consigo fazer com a boca é desesperar e por resultado agredir outros. As fantasias são o primeiro patrão da criatividade e alimentei-me sempre das minhas, a principal a de que conseguia admiração alheia através da minha caneta, fazendo rir outros com trocadilhos de filmes, levá-los a redescobrir-se em reflexões lidas à fogueira de um acampamento, trocar ideias sobre o mundo em suportes digitais ou tão simplesmente atalhar através da minha timidez em conversas ao longe com objectos de desejo e pulsão feitos femininos. Palavras, para mim, sempre significaram estar mais próximo, até de mim mesmo. As folhas e os ecrãs solitários são o meu mais longo e original psicólogo, teias de mim e das ideias em análise e levando-me a uma loucura aceitável e perigosa, mas também a elogios alheios e lágrimas de outros quando consigo cristalizar isso num raro texto quase perfeito. Quando penso em mim estendido na cama, com uma caneta azul, roubada ao meu pai, em punho, levando por vezes a minha mãe a questionar-se sobre o seu filho mais velho e o que raio a cabeça lhe ditava e tornava, vejo como esta minha relação com as ideias em frases atravessa todos os grandes momentos da minha vida, de como só consigo que o mundo seja mundo quando o puxo para a intimidade de um ponto final. De como muitas das pessoas que me preenchem foram puxadas por esta minha habilidade, de como criei nelas uma ideia de mim através desta projecção hipnótica que é a navalha gramatical que entra fundo na pele e causa as feridas mais lentas.

Por isso, enquanto os meus conhecidos e amigos me viram apenas desfilar uma caneta algures, na verdade estendia-me e mostrava-me, e acreditem que já escrevi em todo o tipo de locais, desde paragens de camioneta em Espanha até yurts no Quirguistão, desde falésias Algarvias até rochedos beirões, na privacidade do meu quarto e no espaço público de todo um grupo rindo e vivendo enquanto que eu, num canto, só pareço conseguir disfrutar da realidade em colocação distante da mesma. A ironia daquilo que me faz viver duplamente, que me esguicha alegria quando é tudo, também me torne um bocadinho de nada por me confortar na falsidade da ilusão. Se escrevo, vivo, mas também não vivo. Paradoxo das letras. Já fui muita coisa como escritor, ganhei dinheiro através disso, já me enganei também e enganei outros, já conquistei e fui arrasado pelo que coloquei em palavras, até escrevi um livro partilhado, já fiz delas quase tudo. Para além dos números, a sua escrita foi uma forma de contornar também as duas mãos tamancos que possuo e me tornam imprestável nos trabalhos manuais. Mas hoje, de máquina em punho, também isso foi corrigido e fico apenas com um único motivo para escrever.

Dois, se quero ser justo, Um deles sou eu, realizando-me por intermédio desta expressão, procurando respostas e indagando, chegando até a amar com palavras, se tal é possível, fazer delas carícias à distâncias, beijos gráficos e explícitos, a declaração máxima e transparente de um vulcão que treme na sua insegurança; a outra é quem lê e quem procura, quem espera por mais de mim, quem pára porque tem uns minutos, quem se mostra curioso e num exercício de voeyeurismo, espreita as minhas cortinas e tosse com o pó. É para esses que, de quando em vez, decido não lidar com a realidade de frente e opto por uma rotunda em forma de teclado. Escrever é muito isto também: inventar qualquer coisa pela qual vale a pena acordar no dia seguinte e simplesmente tornar-me numa espécie de alquimista das minhas imperfeições. O que lêem aqui é sempre a minha versão da pedra filosofal: bruta como só as pedras, mas com aquele bocadinho de esperança de quem transforma o seu chumbo em ouro e julga que está para durar.

terça-feira, fevereiro 14, 2017

A minha casa


Sou o produto de dois pais que se esfalfaram a trabalhar desde cedo, acabando eu por provar que as maçãs podem cair bem longe da árvore, e por isso cresci mimado por algo que meu colega de escola da cidade nunca soube o que era: uma casa com vários andares, ou como o planeamento urbano gosta de chamar, uma vivenda. Rés-de-chão, primeiro andar e sótão, assim ordenados. O meu pai demorou três a nos a construí-la, com a ajuda de amigos e alguns profissionais, mas sempre ouvi histórias das obras e do esforço que ele fez para conseguir um dia estar defronte dela, inteira, com a sensação de projecto cumprido. Por isso, desde que não me lembro que vivo aqui. Nunca fui uma criança que saísse muito de casa, mesmo vivendo na aldeia. Os meus amigos de infância contavam histórias de assaltos a pomares e corridas na linha de comboio, espalhos de bicicleta e saltos destemidos no poço do Almegue, mas sempre me agarrei a livros e brinquedos, a olhar para o tecto do meu quarto, a explorar a minha casa em recantos e pormenores. Lembro-me bem dela antes de ser do que é, azulejos que já não moram, alcatifas que deram em tacos, o meu quarto como já não existe, paredes azul-claras, mobiliário de placas de madeira, os meus brinquedos alinhados como se fossem soldados na defesa da minha criancice. A memória de tudo isto é também uma casa, tem a sua morada na minha cabeça.

Uma casa tem o seu ritmo e a sua respiração, a sua vida. Desde a adolescência que mantenho uma lista das pequenas derivas que fazem destas paredes e betão uma pessoa, os pormenores e os sons que funcionam em mim e são hábito. A gravidade profunda dos pés que sobem os degraus de mármore da minha escada exterior, o fogo mantido do velho esquentador na cozinha, a sofreguidão das torneiras exteriores - velhas e soltas, qualquer toque um pretexto para soltar um rio - a impossibilidade progressiva que tem sido fechar uma porta pelos constantes defeitos das mesmas, abrir a porta exterior da cozinha com tosse engasgada, um sótão cheio de tralha que durante tanto tempo pareceu assombrado a uma criança, a banheira antiga com a sua ferrugem visível, as manchas de humidade irrevogáveis, as estatuetas de Guardas Fiscais na sala do andar de cima, a porta do meio do armário do meu segundo quarto que só fecha com chave girada, o reboliço na loja quando mais do que uma pessoa caminha, a minha cama que range ainda que ninguém se deite em cima, o reflexo da luz quando penetra nas frinchas do meu estore e reflecte numa cómoda com espelho oposta criando a sensação de não ter paredes, o tilintar dos talheres na cozinha do rés-do-chão anunciando que a comida está quase pronta... É um álbum completo, com lados A e B, e em 34 anos que puxo, pensei que não havia segredos entre nós, entre dois produtos dos meus pais, entre mim e o meu irmão mais velho de cimento e tijolo.

No entanto, a surpresa não pede licença, nem se anuncia com antecedência. Enquanto tomava um duche, há uns dias, sentindo a água quente amolecer-me a carne ao ponto do filet mignon, os meus olhos cruzam-se com a janela da minha casa de banho, um rectângulo pequeno que dá para a casa do meu vizinho e, obliquamente, me permite observar a linha do horizonte. Passava das seis da tarde, não sei precisar melhor, e porque os hábitos são tiques da teimosia, a música disfarçava-se por entre a água, porque desde há vinte anos, é-me impensável fazer a minha higiene sem acompanhamento sonoro. É a minha maneira de ser adulto. Einaudi tocava "Primavera" e enquanto penso em fantasmas e assombrações que sempre me agarram nesses momentos, e nessa semana com a força do que crava unhas, sou cegado por uma luz. Enquanto os meus olhos se habituam, o meu cérebro rapidamente sabe que é o sol e abrindo a janela, vejo a estrela que nos acompanha a submergir no mar fictício lá longe. As nuvens ocultam-no, mas o hidrogénio queima mais forte, mostra-se e marca presença e de repente as pedras da muralha caem, o pouco que há de adulto soçobra e a mesma criança que cresceu fascinada com um imenso mundo de três andares exclama: consigo ver o pôr do sol enquanto tomo banho. É algo de praia, mesmo, como se Ceira fossem as Caraíbas. Ceiraíbas, portanto. Com Einaudi, a hidromassagem garantida, a minha mente perdida em divagações, a leve vertigem da vida que se questiona, um corpo que se entrega ao acaso, é mágico, inesperado e consigo ver no que é familiar a pequena surpresa do encanto mágico da descoberta. Recordo outros pormenores da casa, transitórios, pormenores de amores e beijos na intimidade do meu quarto, tão bálsamo quanto a água tépida, tão quentes quanto o sol, tão enfeitiçados quanto os meus olhos. Fazem também parte de uma casa, como se o amor pudesse ser uma outra camada de realidade, de existência, uma casa dentro de uma casa, e aquele pôr-do-sol me lembrasse que nada está escrito e fechado, que há mais por descobrir até naquilo que se pensa repassado.

Seco-me com a toalha, já o sol sumiu, mas não todas estas memórias. Memórias da D e da L e de outras letras, memórias de sorrir em criança e chorar em adulto, de ver nascer o meu irmão e morrer o meu pai, de sentir que tudo passa como água por um ralo, que pelos canos é colocada algures num reservatório, daí para um rio e se renova num ciclo aquático. Como se a minha casa fosse corpo presente, espírito ausente, mas ambos em permanência; e perto do dia dos Namorados, enamoro-me da minha morada e para mim está tudo bem: o amor é, para mim, o tempo que se aplica naquilo que se gosta e a minha casa está comigo desde que eu era apenas amor em células. Um beijo em cada parede é pouco.

quinta-feira, fevereiro 02, 2017

Declinações curtas do desejo


Sinto sempre que o meu corpo respira um pouco aos tropeções quando o teu está por perto, como se de uma lomba fizesses montanhas, como se o teu olhar fosse um tremendo rio onde posso escorregar sem cuidado, como se a tua forma entontecida pela embriaguez me desse voltas na minha, geometricamente desalinhada, eternamente em ângulos graves, mas preso nas tuas palavras que dançam à minha frente cheias de ambiguidades. É tudo isso que torna a queda no colchão mais longa do que um simples deitar, aqueles segundos que vão da verticalidade à horizontalidade um prelúdio de hipóteses, de opções. A tua cama é sempre uma tômbola, embora uma única coisa apenas nunca é aleatória: o velcro das nossas peles, presas em roupa, procurando um enganche que não está lá mas se pressente, uma cola que não se evapora e espera assim o seu direito a brilhar.

E certos uivos fazem sentidos em certas estepes, a mais evidente sendo aquela que conduz do teu umbigo até ao omphalo do teu mundo. Queres dois dedos de conversa, mas à falta de língua, uso-a gestual e entre nervuras e algodão, entre montanhas de esponjoso sangue feito carne, de um lençol de apetite, de uma caixa de Pandora que esconde como maior dos males a barreira entre as nossas pulsões, o meu indicador aponta e tu segues e num silêncio escuro, apagado, incandescente em três mil suspiros que se entranham nos meus dois ouvidos e me conduzem cinco mil litros de febre ávida por todo o corpo, nalguns casos seguindo e noutros permanecendo, dois dedos que dão a mão à palmatória à tua respiração, dois dedos que acampam à entrada e questionam, perguntam, indagam acerca da electricidade com que o teu olhar faz faíscar o quarto. Não o vejo, mas cravou-se algures no nosso espaço e reflecte tudo o que me pedes e mesmo o que te negas e resgatas naquele prolongado momento em que decides que nem eu sou eu, nem tu és tu: somos apenas um hábil par de dança que mazurka fogo onde mais arde. “Parvo”, e nem sequer é uma palavra, nem sequer tem som, é respiração que de alguma forma se conseguiu articular enquanto a tua mama se diverte no recreio da minha mão, uma língua que insiste e persiste em tatuar a tua orelha em pontos de erógeno arrebatamento, dentes trincando o teu lóbulo pendente, as pontas digitais que de uma massa de terminações agradáveis do corpo em forma de bico constroem uma torre que suspira por mais, duas conchas encaixadas uma na outra em marcha de seda, pretextos para toque, uma ameaça de que conto até dez e depois termina, e dás por ti desejando que dez se seguisse a um milhão, e não a nove, e cada número traz consigo um globo de viagens e divagações na superfície da maresia que te cobre, crepitando um vulcão, uma mão que procura fingindo desinteresse um periscópio que espreita a superfície, e é como se fosse tudo um desenho a carvão que a tua boca consegue colorir num Impressionismo cuja tua expressividade eleva a forma de arte.


“Vamos dormir, já é tarde” e sim, concordo, é tarde demais até, mas demasiado cedo, porque a beleza de tudo isto está na contradição do que se quer e do que se faz e de como, num altar de quatro pernas, no rodovalho de lençóis e edredons, procuras a minha proximidade e conduzes as minhas mãos, os meus braços e em controlo remoto a minha boca à linha onde o conforto e a inquietação se juntam para agarrar a vida pelos cabelos; e como sempre, desastrado, faço-o. Mas estou careca de saber que não é isso que nos despenteia.