Do as I say not as I do because The shit so deep you can't run away I beg to differ on the contrary I agree with every word that you say Talk is cheap and lies are expensive My wallet's fat and so is my head Hit and run and then I'll hit you again I'm a smart ass but I'm playing dumb Standards set and broken all the time Control the chaos behind a gun Call it as I see it even if I was born deaf, blind and dumb Losers winning big on the lottery Rehab rejects still sniffing glue Constant refutation with myself I'm a vicitm of a catch 22 I have no belief But I believe I'm a walking contradiction And I ain't got no right
Numa viagem de autocarro, nessa carreira de lendas infinitas que é a 10 - Ceira, percorro a rotunda da Solum, local de tráfego intenso a qualquer hora do dia. Talvez por isso, dois carros da polícia, PSP, estão colocados em duas das entradas. Admiro-me eu: mas queres lá ver que sempre temos polícias que querem fazer cumprir a lei? No espaço de tempo em que passo da constatação à surpresa, dois carros passam as faixas da rotunda de um lado ao outro sem um pisca; uma carrinha cruza a passadeira quando já estão 3 peões a atravessar; e um camião fica a milímetros de abalroar um Audi e enfaixá-lo contra o muro da ESEC. E penso: as fardas da polícia são engraçadas, mas não assim tão giras que sirvam para desfiles de moda.
Este início de 2008 começou com atrozes dúvidas, relativas a assuntos que não são atrozes. A nossa capacidade como seres humanos é precisamente esse toque de ampliar o dramatismo das coisas. Para dar uma prenda a mim próprio, fazer-me sentir seguro, revi "Pulp fiction", uma daquelas coisas coisas que lava os olhos e os ouvidos de qualquer espectador comum. Já não lhe punha a vista em cima há uns anos, e como em qualquer óbvio candidato a clássicl, a coisa ainda funciona: diálogos quase perfeitos, estilo distinto, boas interpretações, cenas memoráveis e citações imediatas. Tudo o que faz um filme durar está ali. É tentador aplicar a Tarantino a palavra génio. Hoje, no meio da tralha dentro de um DVD que um amigo meu fez o obséquio de gravar, encontro um documentário acerca da obra de Stanley Kubrick. Eis um realizador que, apesar de já ter visto praticamente toda a obra, é um daqueles deliciosoos mistérios que estou sempre à espera de ter vontade para descobrir. Porque uma coisa é ver os filmes de alguém, outra é descobri-los realmente. Apercebi-me da subtil diferença entre os dois conceitos quando tive de reduzir o fascínio que a obra de David Fincher me provoca num trabalho escrito de 50 e tal páginas. É desumano fazer isso, traçar um mapa, e com legendas, da nossa sensibilidade e identidade fílmicas; e no entanto, agradeço não ter sido obrigado a igualm empreitada com Kubrick. Só confrontado com a enormidade do demiurgo norte-americano, mesmo tendo este uma lista de filmes relativamente curta, é possível um cinéfilo aperceber-se de como funciona a cabeça de um realizador total. Cada um tem o seu modelo de realizador e escolhe aqueles de quem gosta nesse modelo: há quem goste dos visuais; dos palavrosos; dos sentimentalões; dos secos; dos que dominam a técnica. Há gostos para tudo. No final do documentário, relembrei o que senti quando vi cada uma das obras de Kubrick e apercebi-me o quanto gostava dele e o quão difícil seria categorizá-lo. Apenas uma palavra me parecia justa: génio. Eis um epítet abusado hoje em dia. Qualquer um pode tê-la chapada na cara. Muito poucos a merecem. Não vou estar aqui a discutir a definição de genialidade, mas comecei a pensar se Tarantino e Kubrick merecem ser ambos chamados de génios. Acho "Pulp fiction" um filme praticamente perfeito, uma obra inovadora, que nos deu, quanto mais não fosse, a noção de que a conversa de chacha pode ser ouro cinematográfico. Mas olhando para toda a obra de Tarantino até agora (e esta obra tem pelo menos "Cães danados " e "Jackie Brown" como produtos de categoria), é fácil entender o abismo que existe entre ambos. Qualquer obra de Kubrick desde Spartacus foi praticamente sempre a estender os limites do género e do estilo de filmar, para além de, em casos específicios, ele estar uns dez anos à frente de tudo o que se fazia no cinema. Isso é génio. Tarantino é muito bom, qualquer um vê. Mas há tipos que estão para lá do que é ser bom, bem além da excelência. E esses merecem todo um vocabulário à parte.
Apesar de não ser um fã daqueles, gosto bastante da obra de David Cronenberg, para lá de todas as reflexões intelectuais que lhe queiram atirar sobre a desconstrução que faz do corpo através de pressupostos tecnológicos e a relação com a tecnologia e o metal, e essa coisada toda. O homem fez "A mosca", "Videodrome", "Scanners" e "The dead zone". São bons filme,s para lá de qualquer intelectualidade. Se quiserem, Cronenberg é uma espécie de Lycnh, mas musculado e definitivamente mais acessível: Lynch navega por terrenos estranhos, claro, mas dentro dos limites alargados da sua própria estranheza. Cronenberg aplica-a directamente no quotidiano: "Naked lunch" é uma trip psicadélica de veneno para insectos e "Crash", um filme choque que não tem nada aspecto de filme choque, mistura sexo, acidentes de automóvel e pessoas que parecem ter perdido a noção da sua própria carnalidade. Porra, agora sooei intelectual. Foi por isso com surpresa que Cronenberg estreou, há 3 anos, "A history of violence", um filme que aparentemente nada tem a ver com ele: seco, simples, normal. No entanto, a tirarmos a primeira camada, Vemos que Cronenberg está afinal a analisar um tema simples e que tem muito a ver com ele: a violência como um vírus que afecta quem lhe toca. "A history of violence" é, basicamente, o que acontece quando se tenta fugir da violência e não se consegue. Em "Eastern promises", Cronenberg entra num segundo round com temática violenta, mas aqui o ângulo de abordagem é outro: pegando numa das únicas organizações mafiosas em que Scorsese não meteu a mão, a russa, e situando-se em Londres (uma Londres muitíssimo subtil, sem os pontos turísticos habituais), o realizador canadiano conta a história de uma parteira, Anna Ivanovna (Naomi Watts), que assiste uma adolescente a dar à luz. Esta mrre, mas o bébé sobrevive e Ivanovna, querendo impedir que o órfão caia nas malhas da adopção, tenta encontrar os parentes da morta. Para isso, tem apenas o diário da jovem, e é assim que dá com Semyon, um russo dono de um restaurante e que é, sem ela saber, líder uma família dos vory e zaconne. Semyon tem um filho, Kirill (Vincent Cassel), que é o seu subalterno principal e cujo guarda-costas e principal amigo é Nikolai (Viggo Mortensen). A procura começa a partir daqui. O filme é um portento de economia narrativa, estabelecendo personagens e relações importantes com eficácia: ocasionalmente, surge a voz-off da morta, lendo passagens do sue diário que nos confronta com a sua procura do sonho europeu, algo que sabemos de antemão ir acabar mal. É a partir da sua história que o mundo do crime é abordado, pelo contabando e a maneira como as mulheres são transformadas em objecto pela crime. A morte do sonho é um tema que perpassa o filme. Nikolai, Anna e Kyrill, não revelo porquê, são 3 exemplos. E não querendo voltar à mesma história, quanod nos é dito no filme que a história da vida de um criminoso russo é contada através das suas tatuagens, está claro que esta fita tem uma relação muito próxima com o corpo e as suas mutações. Na verdade, no caso de Nikolai, a definição da história que é contada pelo nosso corpo, é ainda mais premente. Vejam o filme e dpeois falamos sobre este ponto. Cronenberg consegue realizar um thriller sem artifícios de thriller, de tal forma joga com as ligações entre os personagens e as emoções que daí advêm. Isto, meus amigos, não é para todos. Armin-Mueller Stahl é um chefe criminoso ameaçador, enquanto sustenta o ar de avô; Vincent Cassel faz de Kirill um miúdo que quer a aprovação do pai e parece um miúdo irresponsável e frágil sem a presença de Nikolai, que é um irmão e objecto de um estranho desejo; mas a grande interpretação do filme é Viggo Mortensen, que, tal como em "A history of violence" é muito mais eficaz na subtileza do que na intensidade evidente do seu registo. Em "Eastern promises", Mortensen acerta o sotaque, a pose, o estilo, mas acima de tudo enche o personagem de pequenos pormenores de humanidade, enquanto corta dedos e degola pescoços. Convencer-nos de que é um homem como nós enquanto causa estas barbaridades é obra. E a cena em que, completamente nu numa sauna, defronta dois chechenos, vai ficar com o espectador muito depois de ter visto o filme. É uma garantia pessoal.
Questões artísticas e intelectuais à parte, é um Cronenberg em versão contida, mesmo comovente (e como é raro utilizar este adjectivo com Cronenberg, mas é plenamente m,erecido), mas ainda assim um Cronenberg vintage, um grande filme para quem não goste de ver cabeças a explodir, homens transformados em insectos e insectos humanos. Para isso, a gerência recomenda os Cronenbergs sem Mortensen.
Vou começar este post por deixar claro uma coisa: eu acho que ajudar pessoas é bom. Opinião polémica, não é? Nada tenho contra quem gosta de ajudar aqueles que precisam, mesmo que "aquele que precisam" seja uma categoria tão alargada que pode englobar quem passe fome e quem não tem sexo há mais de dois anos. Os bons samaritanos podem levar a sua vida. Posto isto, passemos ao que me vai transformar num saco de porrada. Passou ontem na RTP uma reportagem sobre um grupo de voluntários que a AMI levou a um campo no Senegal chamado Ren Mao. Não vi a reportagem completa, apenas excertos, mas os alegres convivas, como se fossem os sete anões, estavam contentíssimos da vida por ir para um continente tão carenciado, como alguém disse, ajudar. O doutor Fernando Nobre, presidente da AMI portuguesa, chamava a atenção para os problemas, algo com que ele lida, e vai continuar lidar mesmo quando os sete anões tiverem de voltar ao conforto do seu lar com clima controlado, o seu frigorífico Siemens carregado de comida e o seu sistema de água canalizada. Pelo meio, um homem tomava banho de água fria com uma caneca e demonstrava aquele ar de "vim para a selva, isto é que é ser homem duro", e uma senhora lavava os dentes sem ter um lavatório à frente e parecia voltar a contactar com o seu Homo Habilis há muito perdido. Ah, e pelo meio, criancinhas que eles ajudavam. Em que é que isto pode irritar qualquer pessoa de bem? E em que é que isto me pode irritar, separemos já agora as duas coisas? Simples: o tom do discurso e a pose de quem pensa que ajudar é uma coisa fashion. Falam todos em "Vou fazer isto, porque achei que seria uma experiência engraçada", ou "Retiro tanto disto, é algo de diferente." Algum deles diz "Hei, mas está aqui gente que, daqui a 15 dias quando me for embora e tiver belas histórias para contar aos meus amigos, ainda vai estar a passar problemas e a ter de percorrer 12 km a pé para ter acesso a uma garrafa de água"? Não: só falam em como aquilo os transforma e fazem com que a experiência de ir a África para aquela ocupação seja como umas férias, em que, pronto, passam menos tempo na praia. Aliás, pelo discurso, nota-se também que se acham a dádiva branca de Deus para um continente negro que se afunda. Ou seja, o velho ideal europeu de ser luz num mundo de trevas. Colinialismo no seu estado puro. Não tratar quem ajudam como pessoas iguais a eles, mas como uns sortudos pelo facto de aqueles portugueses se terem lembrado de parar por ali e dar-lhes uma mãozinha. Na verdade, muitos pagaram para ajudar. Já estive envolvido numa ou noutra tarefa de solidariedade e trabalho em prol de alguém. Não paguei, mas também não fui a África, até porque em Portugal há várias associações e obras que precisam de voluntários. Infelizmente, não fica tão bem referir isso em conversas, pois dizer "Fui ajudar em África. Coitadinhas das crianças, aquelas casas nem têm telhado, blá, blá, blá." tem muito mais pinta, e ajuda a engatar miúdas. Lembrem-se de todos os grandes altruístas: so much fuss about them it's crazy. Eu acho que a caridade não é nenhuma experiência: é uma atitude. Não é algo que se decida fazer num Verão e voltar para cá como se nada fosse. É uma coisa de todos os dias. Não sou nenhum bom samaritano, muito, muito longe disso. E não me consigo preocupar com toda a miséria do mundo. Desculpem, mas se fizesse isso, não conseguia funcionar. Acho até que as pessoas que realmente fazem a diferença na vida dos outros não aparecem nos jornais, e eu tenho vergonha de, ao dizer que já participei em meia dúzia de acções de solidariedade, poder ser comparado com elas. Isto porque essas pessoas não fazem as coisas para se sentirem bem, ou completarem um sonho qualquer, ou porque o seu umbigo precisa de uns centímetros extra (talvez um dia sejam esmagadas pelo peso do seu próprio ego); nem acham que porque são ricos, têm de ajudar os pobres. Fazem as coisas, porque sinceramente mais ninguém as faz e porque está certo. E normalmente, essa é a única razão pela qual as pessoas se devem vangloriar de fazerem o que quer que façam.
E mais uma vez que ressalvo que a zurizdela não é contra o acto em si: é contra a pose. Ajudar é importante. Mas sugiro que comecemos por ajudar aquele nosso amigo que está a 5 metros de nós e evoluamos até ao desconhecido, que está a 5000 quilómetros. Fica a sugestão.
Todos os anos têm uma designação: Ano do deficiente, ano da luta contra os caçadores de focas, ano internacional de sodomização de castores... Todos querem que todos os anos sejam importantes. O ano de 2008 não será excepção e pelo menos no meu caso, tem já um título que penso ser apelativo. O ano orgasmo. Perguntam-se porquê? Let me enlighten you.
5ª e última season de "The wire" 4ª season de "Lost" Novo álbum dos Green Day Uma nova série documental sobre OVNI em Portugal coordenada por el grande master professor Joaquim Fernandes "Indiana Jones and the kingdom of the crystal skull" Novo filme de "The X-Files" "The curious case of Benjamin Button", de David Fincher
Quem se matar em 2008 vai parar directamente ao Inferno, sem apelo.
Gostei deste ano. Não, não é engano. Leram mesmo bem: escrevi que gostei de alguma coisa relacionada com a minha vida em geral. Será vírus? Será doença? Não sei. Este é um daqueles posts que pode projectar este blog para lá da aura de "blog queixinhas" que já tornou folclore para quem o lê. Experimentei coisas novas, o que é raro; consegui superar alguns momentos bem depressivos com alguma classe e voltar ao mais alto nível. Deu tempo até para conhecer pessoas novas. Engraçado. 2008 pode ser ainda mais engraçado, penso.
Queira apenas destacar um dos melhores slogans que aí anda. Entenda-se que seria o melhor na categoria "slogan que não se deve ouvir enquanto se está a comer". Falo do anúncio a umas saquetas chamadas Imodium, que combatem esse flagelo que aflige alguns de nós ocasionalmente e que se acusa de diarreia. O slogan é "Pare a diarreia antes que a diarreia o páre a si". Simples, directo, estapafúrdio. Português, pois claro.
Na ronda que faço pelas livrarias, buscando prendas de natal que de ano para ano se tornam uma espécie de caixa de brasas sobre a qual eu tenho de andar e esperar não me queimar nas chamas das minhas próprias dúvidas, reparo que há um número cada vez maior de livros que querem contar a história secreta dos Templários. Acho que me pronunciou em nome de um grande número de pessoas quando digo: estamos fartos. Exijo que alguém escreva a história pública dos Templários, que, no meio de tantas teorias da conspiração, está a ser violentamente ostracizada e esquecida. Quandoe ssa obra for publicada, eu me declaro como mais que provável comprador. De certa maneira, será o meu Graal pessoal.
"Lost" retoma ao serviço dia 31 de Janeiro. Estas são as boas e as más notícias. Os argumentistas que se ponham a pau com a greve, senão quem~os põe a pau sou eu. Ora bem, para marcar o tempo que falta para o evento que vai tornando o Natal nesta terra menos deprimente do que é costume, postarei aqui, todas as semanas, duas das novos fotos promocionais desta 4ª temporada. Comunguem comigo deste espírito.
Um dos fenómenos mais fascinantes da Internet é a blogosfera feminina. Não estou a falar em termos gramaticais, claro, pois a palavra blogosfera é do género feminino. Aliás, facto curioso que partilha com o vocábulo "escrita", e o facto da actividade de encadear letras ter estado até muito recentemente fora do alcance das mulheres. A blogosfera feminina está recheada de blogs interessantes. Neles, podemos encontrar mulheres que são inteligentes, espirituosoas e falam de temas da actualidade com leveza e estilo. Apresentam um à vontade com o sexo que de tão natural que é, quase prescinde a utilização da expressão "à vontade". Reconhecem que se enganam e que erram. E é isto o que há de fascinante neste ambiente: estas mulheres praticamente não existem na realidade. Para fins argumentativos, isto não é uma daquelas falácias que pretende provar o seu oposto: ninguém está aqui a dizer que, precisamente, os homens reaus são tudo aquilo que está em cima descrito. Nem mesmo a parte do sexo. Mas é curioso como é tão raro encontrar na vida real mulheres assim. Há váriasrespostas para este enigma: o primeiro é que, decididamente, não conheço as mulheres certas. É possível. Algumas das raparigas mais interessantes que conheci fi-lo nos últimos anos, fora do meu ambiente natural. A segunda é a de que a Internet é, de facto, uma óptima máscara para quem tem um certo problema com a sua verdadeira personalidade e encontra ali um lugar seguro para ser quem bem lhe apetece. Também é provável. A terceira hipótese é a de que este blog, um blog escrito por um homem, com temas másculos e, muito frequentemente, mariquinhas, é profundamente chato e aí sim, a história da comparação é válida, porque esses blogs de mulheres são infinitamente mais sumarentos em comparação.
Retiro o que disse. Na verdade, e quem é cliente habitual sabe-o, tenho tantas nóias como uma mulher normal, estado normal. Uma mulher normal com SPM era bem capaz de mastigar este blog e deita-lo fora com uma baforada de fogo se aqui escrevesse.
Deixem-de desde já sossegar-vos, ou fazer uma dsfeita, conforme o caso específico: esta ausência não se deve ao facto de ter visto a luz (vulgo Jesus Cristo, ou aquela voz na cabeça da Joana Solnado quando ela se esquece de tomar os mdedicamentos para a Tourette). A escrita no blog tem sido, como devem notar, mais espaçada. Moleza, falta de temáticas, fraca participação do 12º jogador nas discussões que se lançam: qualquer uma dessas razões está certa e errada em simultâneo, como quase tudo o que nos preenche a vida. Quanto ao fim de semana, aos que se preocuparam em verificar como ia o meu processo zen de "Vive la resistance", foi interessante. Eu gosto de conhecer pessoas novas, enquanto tenho tendências de eremita, mas quem aqui passa, sabe que sou cheio de paradoxos. Logo, foi uma oportunidade de ver homens e mulheres a reagir ao que era ançado, de maneiras diferentes, com sentimentos variados. Passei a respeitar mais as pessoas que, ao contrário de mim, crêem no Deus católico, pois encontrei casos de gente que acredita sinceramente em algo, e sente as coisas, ao ivés de debitar lugares comuns e dizer que coisas só porque são bonitas ou porque fica bem ouvir; gente que diz que sim, que acredita em Deus, mas só porque não acreditar não é bem a onda deles. Portanto, à falta de melhor, o contrário tem de servir. Num curso que, final, também faz parte do escutismo, foi curioso encontrar muita gente que nunca tinha sido escuteira e que olhava para mim, que tenho 16 anos de mirim fardado, como quem espera ouvir palavras sábias e conselhos, algo que definitivamente não é o meu papel. Na verdade, eu sei pouco disto e não tenho nada o perfil de sapiente e grande chefe. Eu sou mais o agent provocateur. Indirectamente, oq eu aquelas pessoas me vão dizendo é que está na altura de crescer mas é, e deixa de ser fogareiro. Foi como eu disse: aprende-se sempre algo nestas coisas, e o importante é não ter medo da novidade: apenas aceitá-la ou bater-lhe, conforme a situação. E sim, vou continuar a fazer humor com a religião. Por alguma razão passei o fim de semana inteiro e fazer cenas de "A vida de Brian".
O anúncio das nomeações para os Globos de Ouro marcam o arranque a sério da época de adivinhação e profecia que rodeia os Oscars. Na verdade, a publicação dos prémio do National Board of Review já levantara alguma poeira, mas só agora os oráculos do careca dourado podem entrever o futuro com o um pouco mais de clareza. Mas só um pouco mais, porque neste negócio, como é sabido, ninguém sabe de nada; e este ano tudo está turvo. Por esta altura, na edição anterior, tínhamos já praticamente certezas de vencedores. Este ano, as nomeações são uma corrida em campo aberto. Em Melhor filme, por exemplo, há talvez duas certezas: "No country for old men", o western dark dos irmãos Coen,está lá. O mesmo podemos dizer de "Sweeney Todd", musical de Tim Burton que saltou da Broadway para o cinema e tem conquistado a crítica. A partir daqui, especulação: poderá "There will be blood", o longo filme de 3 horas de Paul Thomas Anderson, entrar? Conseguirá "American gangster" vencer o cepticismo geral relativamente à sua qualidade? "Será que "Michael Clayton", thriller de advogados de Tony Gilroy surpreender? E "Atonement", o correspondente de 2007 a "O paciente inglês"? POderão filmes estrangeiros como "The kite runner" e "The diving bell and the butterfly" ter hipóteses? E o surpreendente "Juno", comédia independente e critical darling deste ano? É o velho jogo de previsões. Mais para o início do ano, um esmiuçamento mais específico surgirá. Aguardai e sereis recompensados com mais uma odse de incerteza.
Pela primeira vez desde há muito tempo, vou faltar a uma actividade de escuteiros do meu agrupamento. Isto para ir a outra: um fim de semana que emula um retiro espiritual e tenta que os seus participantes sintam uma presença qualquer, quiçá uma mão fria na nuca, o que é, convenhamos, desagradável. É melhor parar com estas piadas. Ainda alguém lê isto e me denuncia aos organizadores. Já fugi de incêndios, já fiz rappel e slide, já desci escarpas e mergulhei e lagos gelados. Coisas radicais e perigosas. No entanto, nada me desperta este temor como este fim de semana. Respiro fundo e entro num estado zen. Porque claramente, fins de semana espirituais e o meu actual estado de espírito têm tanto a ver como o fair-play com o Futebol Clube do Porto. Mais uma vez, é melhor calar-me. Um último desejo: que Deus no guarde, saúdinha e tenho a ligeira impressão de que tudo isto, afinal, me vai faezr algum bem. Não sie qual, mas vai. Acontece sempre que estou com medo de alguma coisas.
Estar à conversa até às 4 e tal da manhã. Acho que a última vez que me aconteceu, falava-se aí de uma revolução qualquer contra os espanhóis, encabeçada pela casa de Bragança.
As Produções Fictícias estão a promover uma votação de algum interesse: os cinquenta melhores programas de sempre da televisão portuguesa. Entenda-se que têm de ser de produção portuguesa. Ao início, sorri de mim para mim, pois pensei que, se calhar, dez bastavam. No entanto, ao pensar no assunto e ler as diversas opiniões, dei-me conta que estav errado. Mesmo arranjar 10 para fazer este post foi complicado, pois escolher um top próprio é sempre difícil: é uma tarefa de relativismo e temos semprede estabelecer os nossos critérios. No meu caso, acho que não existem critérios fixos. Antes de me chamarem qualquer nome, lembrem-se que a frase que acompanha este blog é "I'm a complex guy, sweetheart". Os programas seguem sem nenhuma ordem em especial.
"Herman Enciclopédia" - Toda a gente ainda utiliza hoje uma ou outra expressão retirada dessa Herman Enciclopédia. Tinha um elenco como nunca mais se reuniu num programa de comédia (para além de Herman, Miguel Guilherme, José Pedro Gomes, Maria Rueff, Joaquim Monchique, Lídia Franco, Vítor de Sousa...) e personagens de charneira: Diácono Remédios, Henrique Melga, os organizadores da Expo 97... Quando vejo Herman a fazer algo de mau, lembro-me que ele um dia fez isto. E convenhamos: para quem lhe quer dar pontapés nos tomates por isso, a "Herman Enciclopédia" é o maior protector de tomates que existe.
"O tal canal" - O primeiro Herman, um programa cómico que rebentou com o que se fazia na altura e cuja trepidação ainda hoje se faz sentir na televisão. O nosso correspondente à estreia dos Monty Python em Inglaterra. Os Gato Fedorento nunca existiriam se um dia um senhor chamado Herman Kripahll não se tivesse lembrado de criar o menino Nelinho, o Estebes, o Tony Silva e esse senhor incontornável dos media que é Professor doutor Oliveira Casca. O país reflectido num programa de comédia.
"Polícias" - Em 50 anos incrivelmente pobres no que toca à ficção dramática nacional, esta série destaca-se com naturalidade como a melhor coisinha que foi feita por cá. Uma variação da estratégia da RTP da série de ficção histórica, esta passava-se nos nossos dias e acompanhava polícias do final do século XX. Curiosamente, também era escrita por Moita Flores! Vítor Norte, João Lagarto, Maria João Luís, Luís Esparteiro, António Pedro Cerdeira... Tudo o que é bom; e foi o mais próximo que tivemos de diálogos bem construídos e escorreitos.
"Horizontes da memória" - Não sei se foi ele que me fez gostar de História, mas apesar de não apreciar muito José Hermano Saraiva como historiador, é inegável a categoria dos seus programas, e também os dotes naturais de comunicador que tem. Apesar de ultimamente os seus programas serem pouco mais do que a divulgação turística de alguns locais, ainda me lembro quando era mais "piqueno" e me sentia fascinado com as exlicações do professor Saraiva.
"Duarte e companhia" - Uma das nossas grandes séries de culo, daquelas que eram más de propósito, porque só assim é que eram boas. A prova é que, anos depois, ainda vibramos com o dois cavalos vermelho, a Joaninha, o Rocha, o Átila, o Padrinho...A nossa grande referência de pop-culture televisiva, e o upgrade necessário a outra grande série que não podemos de maneira alguma olvidar: "Zé Gato". E fujam, que vem lá a mulher do Duarte.
"Rua Sésamo" - Sem ela, a nossa infância teria sido uma pasmaceira. E basta isto.
"Fenómeno" - Um programa que passava na RTP 2, praticamente ignorado pela generalidade do público, mas uma grande bomba, um cruzamento entre trabalho jonralístico, documentário e ficção, dedicado à temática do paranormal em Portugal. Apresentando provas, casos, e não crenças, "Fenómeno" não nos dava soluções: apenas nos questionava sobre a possibilidade de sequer haver soluções. Para além disso, tinha como host um dos actores mais subaproveitados que cá temos, cara habitual dos anúncios da Yorn: Alfredo Brito
"Gato Fedorento - Série Fonseca" - Um OVNI na altura em que estreou: ainda me lembro de contar sketches a amigos meus e estes não se rirem, nem acharem piada. Passados uns meses, a coisa rebentou e andava em todo o lado. As outras séries que fizeram têm coisas muito, muito boas, mas esta foi a novidade absoluta quando estreou.
"Claxon" - Mais uma série ignorada, com o grande António Cordeiro a fazer o personagem homónimo, Margarida Reis (lembram-se?) como mulher fatal e Ricardo Carriço a iniciar a carreira, numa série noir à portuguesa. Pormenor: o inspector de polícia chamava-se Bob Caroço e todos os episódios, repetia a frase: "Eu é que sei desta merda toda!!!" Carriço viria a fazer a inovadora série "Major Alvega" uns anos mais tarde.
"Palavras ditas" - Mário Viegas era espantoso, e conseguiu transformar a poeisa em algo de acessível e cool. Um programa que estava uns anos à frente do seu tempo e que ainda hoje faria sentido. Há pouco tempo, houve um upgrade interessante, também na RTP, com "Voz".
Ok, 10. E faltam aqui alguns, de certeza. É a vossa parte: quais são, para vós, os 10programas portugueses de sempre?
O Governo já veio a terreiro congratular-se com o facto de no passado ano lectivo apenas aterem sido agredidos 185 professores ou funcionários nas escolas lectivas, pelo que constitui um decréscimo relativamente a anos anteriores. Acho que alguém no executivo de Sócrates leu o meu post comparativo entre humoristas e jornalistas e ordenou aos assessores de imprensa que fizessem um texto humorístico para provar que a realidade pode ser engraçada. Só assi consigo entender esta congratulação: como se fosse uma piada. De facto, que alguém ache um avanço que mais do que zero professores levem bofetões dos alunos é um mistério. Enquanto aluno, nunca bati em nenhum professor e embora fantasiasse com isso durante um ou outro intervalo; enquanto professor, nunca fui agredido, nem nunca estve perto disso. Mas também, tenho 1,88m e barba, o que me faz mais bad boy do que realmente sou. As teorias educacionais habituais de que as crianças são bondosas inatamente e que os professores serão sempre respeitados porque são rpofessores não funcionam comigo. Enquanto este estado de coisas assim andar e os alunos até passarem de ano porque os professores quase o são obrigados a fazer, estamos bem. A desproporção de forças continuará. E para o ano, o número descerá certamente. Assim como assim, o número de alunos também diminiu anualmente.