segunda-feira, abril 05, 2010

Ah, destes outra vez... Vou ali pôr Tokyo Hotel a tocar e já volto!


A minha visão do mundo assenta em pilares sólidos. Uns são jónicos, outros coríntios; alguns ainda são de mármore de Carrara. Um dos principais, porém, é feito de granito e nem sequer foi trabalhado. É um bloco bruto, puro, de orige,m não modificado e rijo. É feio como o caraças e ninguém gosta de vê-lo, mas ele por ali continua, pois nuncalevou uma marretada suficientemente forte para ir abaixo. Esse pilar tem um post-it escrito a dizer "Ninguém me curte".
Tem muitos anos, este pilar, e fundações imensas. Não sei de onde veio, e já várias vezes me perguntei quem o arrancou e de que formação rochosa surgiu ele, vigoroso, indestrutível e dominante. Muito tempo matutei nestas questões. Cheguei a pensar que num acesso de loucura, eu próprio fiz este pilar; ou que, num twist digno de "Fight lub", o pilar não existe e eu é que o vejo lá; que tal como o Jack do filme, se eu der um tiro no pilar, ele deixa de existir e posso cirandar por aí. A verdade não é essa. A verdade é que por cada ocasião em que penso "Esta merda tem de ir abaixo", aparecem logo vinte betoneiras de cimento a fixá-lo ainda com mais força. Gostava de percebê-lo e estudá-lo, para, enfim, tentar destruí-lo, ou pelo menos transladá-lo para um local mais discreto e menos importante que as minhas fundações. No entanto, é impossível.
Costumo chamar a este pilar o meu inimigo escondido. Porque o é. É um adversário contra o qual luto diariamente. Nunca sei se me diz a verdade, se me fala mentiras através dos buracos por onde o vento sopra e dá ilusões de vozes. O certo é que ele estálá: parado e imponente, inamovível e sem que possa fazer algo para desviá-lo. Houve tempos em que escrever me ajudava. Agora, nem isso. Ultimamente, pensei que conviver aliviava o fardo. Um pouco, mas não o suficiente para que não haja dias em que me apetece adormecer e acordar uns dias depois. Não sei se preciso de truques novos para lidar com este pilar ou simplesmente ignorá-lo. Porque de uma coisa sei: ele vai continuar, a cada dia que passa, com mais calhaus fixá-lo, um após o outro, enquanto se vai tornado a única coisa que consigo ver debaixo de mim. Tenho a certeza que não caio; mas andar sobre brasas nunca pode sr uma experiência agradável. A não se quer se seja um faquir havaiano; e eu tenho a certeza de que nunca estive em Honolulu.

P.S: Parte de mim sabe que mereço esta coisa de estar sozinho. Mas a outra parte de mim que é implicativa, pequena mas com força, não se quer conformar com isso. Acho que é aí que está a raiz do problema: o conflito entre aquilo que mereço e aquilo que parte de mim julga dever merecer. Apelo a mediadores de conflitos entre personalidade que intervenham em sugestões de solução para este conflito quase tão gravoso como os que decorrem no Corno de África.

terça-feira, março 23, 2010

Omedetou, mestre Akira


Perfeccionista para lá do aceitável, intratável, arrogante, mas acima de todos os seus defeitos, um realizador genial. Imperador Kurosawa faria 100 anos, se fosse vivo.Bruno de Figueiredo, a secção de comments é tua para escreveres o post que sou incapaz de lavrar.:)

The fog of war


Estreou há uma semana um dos grandes eventos de media deste ano: "The pacific", a mini-série da HBO que vem com a recomendável chancela "Dos mesmo produtores de "Band of brothers". É como quem diz, Steven Spielberg e Tom Hanks."Band of brothers", para quem sofreu de privação sensorial nesta última década, ou simplesmente não liga a boa televisão, é a extraordinária criação de dez episódios que retrata as desventuras da Easy Company, desde que entram na recruta, passando pelas suas deambulações no teatro de operações europeu da 2ª Guerra Mundial, e acabando no último dia da guerra. É um marco do género, é a guerra como ela é, na sua dureza e violência, mas também camaradagem e espírito de sacrifício. Ficou certamente na memória de quem a viu. Por isso, "The pacific" era aguardada com grande ansiedade.

Depois de ter visto o segundo episódio hoje, estou mais à vontade para fazer uma apreciação. Em primeiro lugar, tenho visto gente a cair na facilidade da comparação com "BoB". É natural fazê-lo, mas apesar de virem as mesmas mãos, são dois tipos de besta muito distintas. "BoB" acaba por ser, à distância, o feel good da guerra: permanecemos com o mesmo grupo de personagens a série toda (camaradagem), conhecemos razoavelmente a história desta Guerra na Europa (identificação pessoal) e é um facto que a guerra na Europa foi de um tipo diferente, com combates em moldes tradicionais, de espera e avanço.Para além disso, havia uma noção da importância daquilo que se conquistava: eram países, logo alvos que compreendemos.

"The pacific" não tem nenhuma destas vantagens. Acompanha maioritariamente três personagens (John Basilone, o herói de guerra; Robert Leckie, o escritor metido nas trincheiras; Eugene Sledge, o rapaz doente que quer desesperadamente servir o seu país) e por isso, é muito mais esporádico e subtil na camaradagem; passa-se no espaço do Pacífico, que é praticamente desconhecido para o espectador comum de séries e filmes de guerra, envolvendo um inimigo muito diferente dos nazis em mentalidade e que envolveu táctias de guerrilha e resistência; e o que os soldados fazem é basicamente conquistar... calhaus. Nâo parece tão apelativo.

Mas é, pelo menos para mim. "The pacific" é a fusão possível entre dois dos melhores filmes de guerra de sempre: "Saving private Ryan" e "The thin red line". Envolve a brutalidade e realiasmo violento de um, e a meditação sobre o que é a guerra e porque parece tão natural à condição humana de outro. O espaço de selva, no regresso ao que é mais primitivo e despojado no ser humano, acentua essa reflexão. O tema é o da resistência do espírito humano, contra os elementos, as doenças e a pressão de numa questão de dias, um leiteiro ser confrontado com a obrigação de se tornar uma máquina assassina no outro lado do mundo. Por isso,passa tempo com os soldados antes de estes serem mobilizados. É menos sobre ser herói e mais sobre relações humanas.

Para os amantes de adrenalina, o primeiro episódio tem apenas uma escaramuça (e uma in-joke muitoóbvia para quem se habituou à visceralidade e tiques de "Saving private Ryan", maso segundo apresenta uma longa sequência que mostra a particular brutalidade e carnificina que se desenrolaram em Guadalcanal,o primeiropalco de batalha abordado na série. É todo um desenrolar de morte e tiros e confusão que nos deixa tal e qual como aqueles soldados: verdadeiramente abananados. E, se numa época em que quase tudo o que vemos na televisão nos quer dar o conforto de estarmos numlugar seguro, algo nos consegue fazer sentir realmente qualquer coisa, para mim já vale muito a pena. Mal posso esperar pelas restantes oito partes de "The pacific"!

segunda-feira, março 22, 2010

Dêem um prémio ao homem!


Dizer que esta carta do Papa, a condenar os padres irlandeses que cometerem pedofilia e assumindo vergonha, mostra coragem é tão lógico como afirmar que os alemães que reconheceram que Hitler até matou uns quantos judeus durante a 2ª Guerra Mundial são uns gajos com um par de tomates imenso.
Quando a coisas mais lógica parece um acto de coragem, parece-me um certo sinal de bater no fundo moral. E o pior é que este posto vem logo a seguir a um anterior que abordava o mesmo tema.

quinta-feira, março 18, 2010

Admiração


Os jornais dizem em parangonas "Oliveira e Costa vai mesmo a julgamento". Eu penso que é realmente triste quando o facto de um criminoso ser realmente julgado virar notícia.

sexta-feira, março 12, 2010

Óbitos


O meu avô morreu de segunda para terça. Isto em termos técnicos, se entendermos a morte de um ponto de vista biológico como o fim dos trabalhos do corpo e transformação do respectivo em cadáver. Na verdade, o meu avô morreu há alguns anos, quando o seu cérebro, devido a complicação de um acidente de mota que ele teve há algumas décadas, lhe pregou a partida definitiva e enterrou aquilo de que eu me lembro dele no pior cemitério de todos: a própria mente. Roubado de si próprio, incapaz de funcionar por si mesmo, o meu avô estava num lar e de cada vez que o visitava, procurava nos olhos dele qualquer coisa que se pudesse assemelhar ao passado. Mas o passado, quando queremos recuperá-lo, acaba sempre por fugir-nos. Só aquele que não interessa é que cai sobre nós aos trambolhões.
Os olhos são um pormenor que me liga ao meu avô. De facto, e recuando três ou quatro gerações, eu e ele somos as únicas pessoas do lado familiar da minha mãe a não ter olhos castanhos. Acho que sempre senti que, de certa forma, algo dele tinha entrado em mim, geneticamente falando. Conseguiu desviar-se de quatro filhos, e encaixou em mim, o seu primeiro neto. Nada mais apropriado, pois vivi equilibradamente entre os meus pais e os meus avós maternos até aos dez anos. Com a morte da minha avó há três anos, e com a dele agora, a infância parece ainda mais longínqua. A memória ainda é a única defesa que temos contra o tempo, mas quando se perdem as referências, parece que também se perde a memória. Ainda mais quando a pessoa que conhecemos já não existe no cadáver que vemos num caixão há algum tempo.
Ainda assim, sem sabê-lo, o meu avô acabou por confortar-me na morte. Há algum tempo que venho a duvidar que o que quer que gere os meus sentimentos está irremediavelmente partido. Há alturas em que devia ser suposto sentir algo e simplesmente pareço um bloco de calcário, mas menos giro quando sujeito a transformação. Mas quando eu vi o caixao do senhor Carlos Albino a descer para a cova, uma arreliação qualquer começou a nascer e de facto, o avô Carlos confirmou que sim, que ainda sou humano. Até quando? Não sei. De qualquer forma, é bom que descubra. Ou então a ausência de eu mesmo é outra coisa que terei de partilhar com ele.E de certeza que, mesmo debilitado da mente, ele teria compaixão suficiente para querer que isso me acontecesse.
Uma coisa é morrer obrigatoriamente; outra é por opção. Esta última é muito mais cadavérica.

segunda-feira, março 08, 2010

O desmancha-prazeres


Entro já a pés juntos e digo que acho que o mulheres a celebrar o dia da Mulher é algo de tão, tão engraçado! Falarem do feminismo e das conquistas das mulheres, nesse mundo onde os homens são vilões saídos de filmes de capa e espada, e no final de contas, saltam aos pinotes com um gesto de paternalismo e condescendência. É giro, isso.
Gosto de ouvir falar do "ser mulher" nos dias de hoje. É basicamente o mesmo que sempre foi, mas com salários. É triste, mas é verdade. Poucas mulheres conseguem escapar ao seu próprio ghetto, e fazem-no porque, normalmente, percebem que ninguém quer ouvir falar de guerra de sexos. Olhem Kathryn Bigelow, por exemplo, que se tornou ontem na primeira mulher a ganhar o Oscar de melhor realização: ela não ganhou o Oscar por ser mulher, ou por querer ser feminina. Ganhou porque construiu o melhor filme dos nomeados, numa área que tem muito pouco de gaja. Foi bem sucedida, porque é competente e não anda a fazer alardes feministas. Como o dia da Mulher.
Enfim, mulheres... Diz-se que são enigmas, e é adequado, porque têm várias semelhanças com a série "Lost": oferecem mais perguntas do que respostas, suhjeitam-nos a uma experiência intensa num ambiente selvagem e a sua ausência de clarificação diexa-nos frustrados, mas quando é bom, há poucas coisas no mundo que me deixam mais aos saltinhos como se tivesse acabdo de comer peta-zetas. Embora as peta-zetas me sejam mais acessíveis.

domingo, março 07, 2010

Previsões: parte 2


Melhor actor secundário e actriz secundária: Na verdade, são duas categorias tão óbvias que prevê-las é perder tempo. Christoph Waltz, por "Inglourious Basterds", e Mo'nique, por "Precious", são os dois vencedores mais óbvios da noite

Melhor actor: Em teoria, Jeff Bridges tem este na sacola. Tem tudo a seu favor: é admirado por todos, há o sentimento que lhe devem um prémio e a sua interpretação é mesmo boa. Quem poderá estragar a festa é Colin Firth, por "A single man". Mas não contem com isso...

Melhor actriz: Ora cá está o primeiro imbróglio da noite; e quem diria que chegávamos ao dia da cerimónia a escrever a expressão "Sandra Bullock é a principal favorita à vitória"? Mas é verdade! Sozinha, conseguiu meter um filme banal nos dez nomeados e tem um charme que resulta estrondosamente com os votantes, superando mesmo Meryl Streep. No entanto, Sandra Bullock a ganhar um Oscar parece ainda algo de demasiado estranho para aceitar de repente. E embora tenha um apoio considerável, é prciso não esquecer que do outro lado há "la Streep". Sim, já ganhou dois Óscares, mas o último foi há quase 25 anos. Os Óscares são mais admiração do que outra coisa. Bullock está nomeada só à conta disso. Mas será suficiente para poder ganhar? Bullock tem alguma vantagem, mas suspeito que Meryl Streep poderá dar a volta. Num terceiro cenário, os votos podem dividir-se e uma terceira opção surgirá. Aí, Gabby Sidibe, em Precious", está muito bem posicionada

Melhor realizador: Por muito que queiram retorcer esta categoria, não me parece que haja grande escapatória e Kathryn Bigelow fará história, ao tornar-se na 1ª mulher a ganhar este Oscar. Lee Daniels, o realizador de "Precious", e Jason Reitman, por "Up in the air", estão logo fora. Tarantino e Cameron são os adversários óbvios, mas ninguém curte muito Cameron, e Tarantino está predestinado a tornar-se no Scorsese do século XXI. Bigelow ganhou o DGA e mesmo os seus adversários dizem: "Dêem o Oscar à mulher". Ajuda que o filme seja extraordinário e que o trabalho de Bigelow seja o principal responsável por isso.

Melhor filme: Ora aqui está a grande discussão da noite. A lógica aponta para o navio no qual irei até ao fundo, mas confusões de secretaria lançaram a confusão na última semana de votações e posição do meu "The hurt locker" parece frágil quando entramos neste domingo decisivo. Campanhas negativas por parte das equipas que gerem "Avatar" e "Inglourious Basterds" (os malvados Weinstein) abanaram o pequeno David, que enfrenta sucessos comerciais e mastodontes comerciais. A luta nesta categoria é essencialmente entre o filme de Kathryn Bigelow e Avatar. Na minha opinião, é um confronto pela alma do cinema. De um lado, um filme tecnicamente revolucionário, que muda as regras do jogo cinematográfico, fazendo rios de dinheiro com novas tecnologias; por outro, um filme sobre a guerra do Iraque, muito bem feito, excelente naquilo que faz dos filmes obras de arte: argumento, realização e realização. "Avatar" não tem nomeações em categorias de interpretação, nem de argumento. Tem uma base de suporte técnico. "The hurt locker" é levado pela crítica. Tem ganho prémios em argumento e realização e há uma noção de que é um dos melhores filmes do ano. No entanto, o seu baixo box-office é um grande handicap naqueles que são os prémios dados por uma indústria.
Por isso surgem dúvidas, mas eu aposto no meu cavalo até ao final: "The hurt locker" vencerá melhor filme. Num mundo perfeito para quem realmente gosta de cinema.

Previsões: parte 1


Os Óscares deste ano são, ao mesmo tempo, os mais fáceis de prever na generalidade(aparentemente... porque ninguém sabe de nada) e aqueles que mais convulsões têm sofrido. Nos últimos anos, tem acontecido aparecer um filme que lidera a matilha durante toda a temporada de prémios, para depois chegar aos Óscares e ganhar com naturalidade o de Melhor filme, e tornar-se o filme mais ganhador da noite. Este ano, tal não tem acontecido. A liderança tem rodado entre vários filmes, em diversas alturas cruciais (nomeadamente entre "Avatar", "The hurt locker" e "Inglourious Basterds") e é um facto que chego a este fim de semana sem certezas de quem levará o galardão máximo.
Como em tudo, terei de me guiar pelo meu instinto. Ele não é muito confiável, mas numa altura em que todos os cenários parecem lógicos, é uma medida tão certa como qualquer outra. Na verdade, tomarei uma atitude de carácter e irei ao fundo com o meu barco. Mas lá chegaremos
Passar-se-á o seguinte: deixarei os meus palpites em categorias técnicas, de filme de animação e documentário, numa primeira parte, e demorarei um pouco mais nas principais, mas essencialmente nas duas grandes incógnitas da noite. Vamos à primeira parte.

Melhor curta-documental: "China's unnatural disaster: tears of Szichuan"
Melhor curta de animação: "A matter of loaf and death"
Melhor curta: "The door"
Melhor canção: "The weary kind" - do filme "Crazy heart"
Melhor caracterização: "The young victoria"
Melhores efeitos visuais: "Avatar"
Banda sonora: "Up" - Michael Giachinno
Melhor guarda-roupa: "Nine"- Colleen Atwell
Melhor montagem sonora: "The hurt locker"
Melhor som: "The hurt locker"
Melhor direcção artística: "Avatar"
Melhor montagem: "The hurt locker"
Melhor fotografia: "The hurt locker" - Barry Ackroyd
Melhor documentário: "The cove"
Melhor filme de animação: "Up"
Melhor filme estrangeiro: "El secreto de tus ojos" (Argentina)-alternativa: "Un prophet" (França)
Melhor argumento adaptado: "Up in the air" - Sheldon Turner e Jason Reitman
Melhor argumento original: "The hurt locker" - Mark Boal (mas iguais hipóteses tem Quentin Tarantino...)

sábado, março 06, 2010

People vs luminary


A pessoa que um dia quiser apresentar um caso em tribunal a favor de me tornar o maior inepto em conhecer raparigas que jamais existiu tem excelentes hipóteses de contsurir um sólido caso nesse sentido. Lembrei-me hoje disto enquanto me mediam a tensão arterial. Yes, random thought...

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Family values



Gostava de deixar aqui uma dúvida. Já aqui admiti várias vezes que sou algo burrinho, e no que toca ao funcionamento da sociedade, sou um armário de pinho envernizado. Vi imagens de manifestações do um movimento anti-casamento gay (que, segundo os seus organizadores, não anda ali para discriminar ninguém... quero reforçar isto) algures em Lisboa. Exigem um referendo à recente lei que permite o matrimónio entre duas pessoas do mesmo sexo, enquanto saltam e pulam ao som de "We are family". Queria deixar a estes senhores apenas um apontamento relativo à banda sonora: o tema escolhido pode falar de família, mas se tivessem escolhido o "YMCA", dos Village people, teria sido menos gay.
A minha dúvida prende-se com a argumentação usada para justificar este movimento, vá lá, cívico. Segundo eles, o casamento gay vai destruir a Família. Sim, sim, Bruno, é preciso ser muito estúpido para não perceber isto. OK, está bem, mas sigam as minhas inquietações até ao final.
Fui criado por um pai e por uma mãe. Pode-se argumentar que sou uma prova de que as famílias heterossexuais não são assim tão fiáveis quando criam filhos, mas isso toda uma outra discussão que não envolve os meus pais. Lembro-me que a minha mãe várias vezes me alertou contra vários perigos, desde drogas até nunca aceitar boleias de estranhos. Nunca por nunca me recordo de tê-la ouvido dizer "Bruno, tem cuidado quando saíres à rua, que os gays andam aí e querem dar cabo da gente!"
Não sei como é que os gays podem destruir famílias. Será que roupa demasiado vistosa mirra o esperma dos heterossexuais? Demasiada cultura de musicais impede primeiras comunhões? Desconheço. Mas gostava de compreender melhor esse flagelo da sociedade, se me ajudassem. Falo dos movimentos cívicos patetas, claro.
Obrigado.

sábado, fevereiro 20, 2010

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Carvalhal no Facebook


Um original encontrado aqui.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

It's time to really get lost


Em 2004, sacrifiquei a minha amla num altar de onde devia ter recuado mal vi as primeiras imagens. Isto porque me apercebi que era um altar que estava condenado a adorar, e adorar, e adorar. Li na revista Entertainment weekly que esta série, aparentemente muito boa, estava a fazer grande sucesso. Tinha actores bem parecidos e grandes avlores de produção, mas era acima de tudo um mistério. I'm a sucker for enigmas; e o nome parecia dizer tudo e não dizer nada: "Lost".
Hoje, "Lost" é, provavelmente o maior fenómeno televisivo da década. É a pop culture inovadora e forte, numa era de geeks e nerds. Servi alegremente de hospedeiro deste vírus e infectei mais gente com isto. Penei por vários anos, tive de aguentar desaforos infindáveis ("Heroes é melhor do que "Lost"!!"), mas qual John Locke em redor de uma escotilha aberta, a minha paciência foi recompensada e posso contar aos meus netos que quando era mais novo, presenciei um milagre televisivo quase sempre consistente, uma série que é não só um thriller muito bem construído e uma história com personagens complexos e interessantes, mas também um brutal enigma metafísico desenhado para quem gosta de se dedicar paralelamente aalgo de inútil. "Lost" é isto. Regressa hoje, nos Estados Unidos, e amanhã surgirá por aí por acidente. Excepto que não será acidente. Tudo acontece por uma razão.

domingo, janeiro 31, 2010

Nomeações para os Óscares


A Academia de Artes e Ciências cinematográficas revela, na próxima terça-feira, os nomeados deste ano para os Óscares. Como já vem sendo tradição, este blog aventura-se em terrenos adivinhatórios do cinema e lança os seus palpites relativamente aos possíveis nomes anunciados. Este ano, há uma importante alteração ao esquema geral das coisas: os Óscares alargam o seu leque de cinco nomeados para dez. Isto significa a entrada em competição de filmes que, possivelmente, nuca teriam hipótese de outra maneira, e torna a corrida deste ano muito mais imprevisível do que poderia ser.
Sem mais delongas, aqui ficam as minhas apostas.

Melhor filme de animação (pela primeira vez, vamos ter cinco nomeados, porque conseguiu-se cumprir um mínimo de 15 filmes a concurso)

"Up"
"Coraline"
"The fantastic Mr. Fox"
"The princess and the frog"
"9"

Melhor actor secundário

Christoph Waltz - "Inglourious basterds"- O principal favorito à vitória
Matt Damon - "Invictus" - Recompensa que tem uns dois anos de atraso
Stanley Tucci - "The lovely bones" -Um vilão absolutamente horrível, por um daqueles actores invisíveis que sabe sempre bem honrar com uma nomeação
Woody Harrelson - "The messenger"- Desde o início que tem sido consistenmente indicado em prémios percursores
Christopher Plummer - "The last station" - A nomeação mais frágil, mas parece-me que o misto de veterania e papel real lhe valerá a nomeação

Melhor actriz secundária

Mo´nique - "Precious" -A favorita à vitória final
Anna Kendrick - "Up in the air" - Consistente desde o início de temporada de prémios
Vera Farmiga" - "Up in the air"- Este é um filme de actores, uma dupla nomeação não surpreenderá
Melanie Laurent - "Inglourious Basterds" - Neste filme que é claramente apoiado por actores, como o indicam o prémio do SAG, alguém será nomeado. Aposto em Melanie Laurent, porque acredito que haverá uma surpresa na categoria. E essa surpresa poderá incluir Diane Kruger.
Penelope Cruz - "Nine" - No difícil quinto lugar, aposto que aparecerá alguém do elendo de "Nine". É um filme de actores, e Penelope Cruz será a que terá melhor hipótese. Ela ou Marion Cotillard. E nunca, nunca descartar Julianne Moore, em "A single man".
Melhor actriz

Meryl Streep- "Julie and Julia" - La Streep está garantida
Sandra Bullock - "The blind side" - A rival de La Streep este ano, também (medo!)
Carey Mulligan - "An education" - A jovem revelação britânica está também garantida
Gabby Sidibe - "Precious" - Confirmada
Emily Blunt - "The young Victoria" - O traiçoeiro quinto lugar. Na minha opinião, isto é entre Emily Blunt e Helen Mirren, em "The last station". Ambas são britânicas e interpretam personalidades reais. No meu caso, a aposta em Blunt é uma questão de feeling.

Melhor actor

Jeff Bridges - "Crazy heart" - Certinho, e o provável vencedor
George Clooney" - "Up in the air" - Confirmado, a estrela de "Up in the air" e um daqueles gajos de quem toda a gente gosta
Morgan Freeman - "Invictus" - O respeitadíssimo Freeman a interpretar Mandela num filme de Eastwood. É como seguir uma fórmula.
Jeremy Renner - "The hurt locker" - Ele carrega "The hurt locker", o grande favorito dos Óscares deste ano
Colin Firth - "A single man"- Desde que recebeu o prémio de Melhor actor em Veneza que Firth está na linha da frente, mas cuidado com a ultrapassagemd e Viggo Mortensen, em "The road"

Melhor realizador

Kathryn Bigelow - "The hurt locker" - A favorita à vitória neste momento e a primeira mulher com uma hipótese real de ganha ro Oscar de melhor realizador
James Cameron - "Avatar"- Garantido, com o filme mais rentável da história
Quentin Tarantino - "Inglourious basterds" - O auteur terrible também está garantido num filme adorado por actores
Jason Reitman" - "Up in the air" - Um filme clássico que cai bem entre realizadores conduzirá Reitman à sua segunda nomeação em três anos
Lee Daniels - "Precious" - A lógica indica que Daniels ocupe este lugar, mas um bichinho na minha cabeça alerta para Neill Blomkamp, realizador de "District 9", numa possível surpresa
Melhor filme

"The hurt locker"
"Avatar"
"Up in the air"
"Inglourious basterds"
"Precious"
"District 9"
"Up"
"Invictus"
"An education"
"A serious man"

Aqui é a categoria mais divertida de prever. Penso que os cinco primeiros filmes são caso encerrado. A partir daí, é um jogo de adivinhar. Pelos prémios percursores e feeling geral na indústria, "District 9" receberá uma nomeação, algo impensável há uns meses. A Pixar, que no ano passaod esteve à porta com "Wall-E", conseguirá finalmente sair do ghetto da animação com "Up". "Invictus" é um filme tão tradicionalmente oscarizante que me parece impossível ficar de fora. "An education" preenche a quota britânica, que ultimamente tem dominado os Óscares. O último lugar é uma grande incógnita."A serious man", dos Coen, parece-me ter a dianteira de momento, mas dois candidatos podem destroná-lo: "Star Trek" (sim, leram bem: "Star Trek") ou "A single man", a obra moody de Tom Ford. É preciso ter atenção.

sábado, janeiro 23, 2010

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Possuído

Se eu quisesse tirar esta música da mona, até era capaz. Mas muito honestamente, para o Bornéu com a racionalidade, e deixem-me estar aqui possuído à vontade. Preferencilamente pela Marion Cotillard, nada contra os homens que compõem os Franz Ferdinand.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Virgem Santísima, Jesus Senhor, o Diabo a sete!


Não é o meu estado civil, mas sou agnóstico. É a melhor forma de definir espiritualmente. Não tenho grande crença em Deus, ou deuses, mas não estou completamente convencido de que vivamos no mundo material. Dou o benefício da dúvida e reservo-me ao direito de não ser dogmático.

Não quero com isto dizer que não me abespinhem as religiões, ou que não as ache ilógicas ou parvas. Na sua grande maioria, são-no. Aquela em que fui criado, a Católica, é um imenso de novelo de falta de sentido, tudo muito bem embrulhado com uma Trindade Santíssima que não convém questionar. Na fase final da adolescência, era um ateu irritado e irritante. Achava que tinha de enfiar aquilo em que acreditava pelos olhos das pessoas adentro, como se estivessem adormecidas. Escusado será dizer que isso me causou dissabores (e ainda causa). Foi aí que decidi estar mais caladinho no que toca a estas coisas e dar um ar neutro, que não compromete. Com a minha decisão de me ter tornado dirigente escutista, esse ar neutro mostrou ser ainda mais necessário.

No entanto, há coisas que me irritam profundamente, para lá de tudo; e outras que mostram ser absolutamente necessário quebrar a minha neutralidade e partir a loiça. Nesta segunda categoria, está uma lei irlandesa que entrou em vigor no primeiro dia do ano, e que está a ser cohecida como "a lei da blasfémia". Reduzindo ao básico, afirma que a blasfémia é um crime punível legalmente. A definição deste crime é lapidar: blasfémia é considerado todo e qualquer acto que pela sua publicação ou proclamação possa ofender intencionalmente as crenças religiosas das pessoas. Se o arguido for condenado, pagará uma multa que pode ir até aos 25.000 euros.

A palavra medieval é várias vezes usada sem razão, mas aqui é totalmente aplicável: isto é o regresso à Idade Média das teocracias e de uma separação muito obscura entre o estado laico e a religião. Estávamos habituados a ver isto nos EUA e, de uma forma mais exagerada, em certos estados árabes (numa ironia, no mês de Dezembro, o ministro irlandês Michael Martin chamara à atenção, numa ruenião da UE, para a falta de tolerância religiosa no mundo árabe). Claramente, os irlandeses têm memórica curta, porque nunca devem ter tido problemas com luas religiosas...

Está na altura de acabarmos com o politicamente correcto e dizer: basta!! Há um direito a ser-se respeitado por crenças religiosas, mas eu quero ver contemplado o direito à descrença e à liberdade de proclamar isso se assim apetecer. Não me importa que se diga que há coisas absolutamente parvas na religião. Porque há! Nas mãos de homens, é hipócrita, é selectiva e discriminatória. A Bíblia diz que a sodomia é crime? Diz pois; mas no Levítico, comer crustáceos (como o camarão) dá direito ao Inferno. Se querem guiar a vossa vida pelo que diz um livro, ao menos sejam honestos e levem-no à letra. Querem-me dizer que Cristo é amor e aceita todos? Tudo bem, mas vamos falar então de quando Cristo manda dar uma volta àqueles que não o aceitam; querem afirmar que S. Paulo metece ter esse S. antes do Paulo? Supimpa, mas vamos falar do seu lado misógino e de filho da mãe invejoso. Se vamos levar tudo o que existe à letra na religião, discutam-se as coisas abertamente e chamem-se as coisas pelos nomes. Isto não é blasfémia: é ser honesto. Porque no mundo religioso, a verdade pode ser a pior ofensa de todas.

Sinto-me agradecido por Portugal, país bastante religioso, me permitir escrever isto num sítio público sem temer represálias; agradeço que haja pessoas de bom senso a não me expulsarem de um local por estas mesmas razões, quando têm toda a legitimidade insitucional para fazê-lo. Mas esta lei da basfémia, nascida em plena União Europeia de valores e liberdade para todos, pode ser a primeira peça de dominó que começará a cair. Já vi esse dia mais longe. E se não posso rezar para que não aconteça, posso ao menos barafustar. Enquanto for à borla.

P.S Fica o seguinte e interessante artigo - http://blasphemy.ie/2010/01z/01/atheist-ireland-publishes-25-blasphemous-quotes/

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Flying to 2/2/2010 - The Lost supper


Este poster promocional da última temporada de "Lost" chuta rabos; e merece especulação teórica. Por isso, may the games begin!

What goes around, comes around


Estive novamente em sabática. Vários motivos originaram isso e ainda vos devo dois tops da década que passou. Estão a ser elaborados, tenhai paciência. Retomarei com programação habitual, para gáudio de alguns.

Há uns tempos, neste belo pedaço de prosa (http://lostintheisland.blogspot.com/2007/11/modas.html), saltei de bastão em punho sobre cadernos Moleskine. Uma boa amiga minha provou-me que de facto, aquilo que dizemos se pode voltar contra nós quando menos esperamos. Deu-me uma prenda, que muito agradeço, em forma de um dilema de valências várias.
Primeiro, prendou-me com um objecto que critiquei aqui. Obviamente, vou usá-lo. No fundo, fez-me pensar bem no que aqui escrevo; e tendo passado este ano num exercício de auto-censura acerca de algumas coisas, temo ficar sem temas sobre os quais discorrer.
Em segundo, há que reconhecer que saber previamente que aquilo é uma espécie de Maserati dos cadernos me causa problemas. Usá-lo passou a ser uma coisa elevada, de necessidade específica apenas para assuntos decentes, tiradas interessantes, ideias geniais. Isto é algo que, vamos lá com honestidade, não abunda em mim. Terei o ocasional rasgo neste blog, mas no dia a dia, o meu cérebro ando meio que adormecido e torpe. De facto, 2010 vai ser um ano em que empreenderei uma busca pelo meu encéfalo.

Pensando bem, talvez este Moleskine seja o submarino ideal para tal coisa. Não é amarelo, é bem preto, mas foi-me dado com carinho, de certeza. Se há coisa que preciso respirar nma busca pelo meu cérebro, acho que é isso mesmo.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

A maçonaria com GPS


Desde o dia sete de Julho deste ano que me iniciei numa espécie de irmandade secreta, que em nada contribui para a minha ascensão social. Fui desviado por amigos, pois até participara nas suas iniciativas sem ser membro, e fiquei fascinado em como uma coisa tão simples e mesmo infantil podia enfeitiçar tanto homem feito adulto. Eles têm códigos próprios, nomes específicos de irmandade e até cumprimentos especiais, como DNF ou FTF. Têm objectos de adoração, chamados geocoins e travelbugs, que guardam como os Templários guardavam Jerusalém. Tratam os não iniciados de forma diferente, apelidando-os de muggles, mas raros são aqueles que usam de preconceito contra eles, preferindo tentar convertê-los à sua causa. Andam por aí com aparelhómetros da mão à procura de tupperwares, invólucros de rolos fotográficos e outras embalagens que designam como containers.
São gente estranha.
Eu, como gajo estranho, tinha de aderir, pois claro. Criei para mim um desses nomes próprios da irmandade e agora saio ocasionalmente em aventuras por sítios e lugares, ocasionalmente olhando a morte nos olhos (como descrevi há uns dias), conhecendo pessoas e acima de tudo, recuperando um certo sentido de mistério de deslumbramento que só se alcançam viajando e conhecendo sítios novos. Faz até lembrar escutismo, mas aquele que fazia quando era bem mais novo, em caças ao tesouro.
Esta coisa chama-se Geocaching. Rouba tráfego de satélite que até pode servir para salvar vidas só para encontrar umas vulgares caixinhas. Quanto mais penso, mais me lembra a Maçonaria. Mas duvido que alguma vez tipos de barrete, frontal e impermeável venham a influenciar os destinos de Portugal

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Não há cá boas festas para ninguém...

...mas se eu tivesse um grama de espírito natalício no meu corpo, seria algo tipo isto.

terça-feira, dezembro 22, 2009

domingo, dezembro 13, 2009

O Geocaixão


Tornei-me já há algum tempo aficcionado do geocaching, uma brincadeira/desporto/maluqueira/substituto de droga (riscar o que não interessa) que me levou a comprar um GPS que não me servirá para mais nada que não isto. Investimentos que dão frutos: esse era o meu nome do meio até o meu pai ter sugerido Simões.
O geocaching consiste em caixas que uns escondem e outros procuram através de coordenadas GPS. Alguns geocachers (o nome das criaturas que brincam a isto) colocar-me-ão em fogueirs por reduzir o jogo a esta simplificação, mas é exactamente o que a coisa é. Eu fazia disto nos escuteiros, chamava-se "Caça ao tesouro". Aqui, juntamente com uma maior elaboração dos esconderijos, não tenho é de andar fardado nem pretender que tenho crenças que não possuo.
Costumo praticar isto com uns amigos e vamos por aí cachar. Bela vida. Só que há uns dias, ia-se transformando, numa bela morte.
Estávamos nós a percorrer um trilho pelo meio do mato, quais sete anós (só que sendo cinco), num final de tarde que já parecia noite cerrada, quando a coisa se deu. Um passo dado em segurança que rapidamente se transformou numa queda livre barreira abaixo.
Não sei se me apercebi do que estava a acontecer, honestamente. Sei que apesar de estar a mergulhar para uma morte certa, não gritei, disseram-me mais tarde. Apenas me viram desaparecer, e pensaram que era brincadeira. Eu também devo ter pensado isso.
Uns quatro, cinco metros depois, aterrei em algo que me pareceu folhagem. Como disse, era de noite, estava escuro. Mas sei que havia mais espaço para preencher até ao chão. Passara lá de dia e tinha essa memória. Aquele colchão estava parado ali, em pleno ar, como uma mão estendida para apanhar as minhas costas. Uma pessoa mais impressionável teria sido obrigada a reconsiderar a sua falta de fé. Trepei barreira acima e encontrei os meus companheiros incrédulos, a perguntar-me se estava bem. Não tinha um arranhão e na minha cabeça, aquilo fora tão anormal como acordar de manhã.
Isso foi o mais estranho. O não sentir nada de anormal. Aliás, eu não senti o que quer que fosse durante o tempo de queda: não senti medo, raiva, tristeza. Nem sequer senti que podia morrer e isso ter grande consequência nop meu estado de consciência. Era como se me fosse indiferenre morrer ou viver. Talvez tenha sido choque, não sei. Mas essa é a coisa que guardo desta experiência: será que não tenho não vontade de viver? Sei que não quero morrer. Devo estar num limbo entre estas duas coisas.
Enquanto não descubro a solução disto, faço caixas. Pode ser que nalgumas delas esteja a solução do enigma.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

A década dos zeros - Televisão, 1


A década que finda agora em 2009 marca um renascimento da televisão como meio de entretenimento. Assistimos a uma idade de ouro da ficção televisiva, principalmente na ficção dramática. A quantidade de boas séries desta década parece uma improbabilidade estatística. O mais impressionante é que podemos encontrar qualidade não só em programas criados e desenhados para serem obras de arte em si, mas também naqueles que,procurando audiências, não descuram o seu valor como objectos artísticos.
Não sendo minha especialidade teorizar largamente sobre media e afins, é melhor passar ao que este post quer tratar: as séries em si. Nesta primeira parte, deixam-se quatro séries que, na minha opinião, definiram a década que passou. Não serão necessariamente as melhores, por isso calma lá com os cavalinhos. São apenas pistas que marcaram os 2000´s, lançando modas e tendências.

"24" - A série criada por Joel Cochran e Joel Surnow foi a primeira vítima do 11 de Setembro. Uma das histórias que se desenrolava no episódio piloto retratava a queda de um avião no deserto de Mojave,e à conta da brincadeira, a sua estreia foi adiada um mês. Foi um prenúncio para o que "24" simbolizou: o drama televisivo em maior sintonia com o espírito político do seu tempo. Aparte a sua estrutura dramática revolucionária (cada temporada são 24 horas de um mesmo dia, cada episódio uma hora em tempo real), teve em Jack Bauer o reflexo da administração Bush: um homem patriota até à medula, que acredita que na altura de parar o "mal", os meios justificam os fins e que quem comete um crime, atira os seus direitos pela janela. No entanto, foi a primeira a preconizar um presidente negro, um presidente mulher e na mudança dos tempos, a vilanizar um presidente totalmente bushiano em espírito. Sem ela, o cinema de acção seria diferente do que é hoje, e a adrenalina televisiva das séries de acção não existiria com a mesma pujança.

"CSI" - Da lavra de Anthony E. Zuiker e Carol Mendhelsson, "CSI" abriu uma caixa de Pandora, que parece inesgotável na sua fartura de criar ficções em redor da ciência forense aplicada a investigação criminal. O pai de todos os "procedurals" da década que agora finda é muito simples e tem uma fórmula intemporal: crime cometido, investigação realiza-se, criminoso apanhado. A sua diferença reside no foco que existe no trabalho que habitualmente era subentendido em séries policiais, ou seja, o de laboratório. "CSI" junta a fórmula antiga e a moderna de forma eficaz, utilizando um estilo de realização apelativo e a beleza sinistra de Las Vegas para se criar e criar um sucesso que gerou duas spinoff (em Miami e Nova Iorque, cada uma com um estilo independente, nomeadamente a versão capitaneada pelo inenarrável Horatio Caine), mas nenhuma superior à original, e Gil Grissom continua a ser a razão pela qual tantos espectadores se sentem atraídos pelo original. "CSI" apela ao nosso instinto básico de vermos os malvados sempre punidos e sem ela, não haveria toda um década de crimes por resolver por dezenas de polícias ficcionais.

"House" - Hoje já não é novidade, mas quando surgiu, "House" era uma série irreverente. Seis anos já deram para nos habituarmos ao rezingão da bengala, mas em 2004, haver um personagem arrogante e abrasivo a liderar uma série era diferente. Não é que fosse a primeira vez que tal acontecia: "Profit", uns anos antes, usara este esquema, mas fora um fracasso. Nas comédias, o esquema é habitual. "Seinfeld" utiliza 4 personagens principais cheiinhas de defeitos e picuinhices, mas a comédia lida melhor com estes personagens como fonte de riso. Agora, o drama televisivo, e ainda por cima hospitalar, a ser varrido por sarcasmo e ridicularização? Parecia blasfémia! Mas vingou, provando que o nosso gosto como espectadores mudou bastante. "House" tem também alguns dos one-liners mais inspirados pós-Woody Allen e em Gregory House/Hugh Laurie um das melhroes combinações personagem/actor da década, numa fusão estranha entre comédia e construção dramática que resulta estrondosamente. Sem "House", não haveria "Lie to me", "Mental" ou mesmo "Dexter".

"Lost" - Uma série que mistura uma ilha bizarra, viagens no tempo, ursos polares, ficção científica, foca 14 personagens e ainda por cima segue um esquema de serial, nunca por nunca poderia dar um produto de sucesso em televisão. Isto seria verdade, se não tivesse surgido "Lost" para subverter a lógica de que uma série de grandes audiências tem de ser obrigatoriamente simples, episódica e com episódios com história contida. A criação de Damon Lindeloff e J.J Abrams surgiu do nada, com a adrenalina dos melhores thrillers, a complexidade de um enigma bem esgalhado e um tratamento dramático de personagens que nunca é esquecido por todas as reviravoltas da história. Este equilíbrio entre o apelo da nerdland e aquilo que faz o gosto do espectador comum fez com que "Lost" tivesse uma média de 15 milhões de espectadores na primeira season e apesar de o número ter vindo sempre a decair, foi gerindo o culto com o arrojo de quem sabe estar a contar uma história e não cede perante ninguém. É preciso tomates para isto. Sem "Lost", não existiriam "Heroes", "Flashforward", ou a nova versão de "V".

segunda-feira, novembro 30, 2009

Opções


Não porque há tanta excitação em redor da saga "Twilight". É uma coisa bastante simples de facto, e possível de finir numa frase: é a escolha que uma adolescente tem de fazer entre bestialismo e necrofilia.

O destino será cumprido



Esta promo está sensacional e encapsula em meio minuto quase tudo o que me leva a delirar com "Lost.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Um prego pelos tímpanos


Agora toda a gente fala das escutas a Sócrates e de como elas são ilegais e o camandro. É tudo uma treta. Se escutar Sócrates fosse ilegal, então escutar Ricardo Pereira a falar português seria desumano!

sábado, novembro 21, 2009

Espirros colados com muco


A tosse é o novo preto, e não coloco isto como uma afirmação estética. É uma declaração de ostracização. De cada vez que estou no meio de um aglomerado de gente e decido tossir (ou melhor, decide a minha boca por mim), sou olhado de lado como se fosse um afro-americano a passear-se pela Georgia ou Alabama nos inícios do século passado. A diferença é que não anda aí nenhum grupo de indivíduos encapuçados a querer o meu sangue: eles hoje usam fatos hazmat e não andam tão disseminados pelas avenidas.
Tenho uma simples constipação. É uma coisa que me dá todos os anos durante o Inverno e já a espero resignado, antecipando espirros que me deslocam a retina, ranho suficiente para encher os diques holandeses e uma espécie de deserto do Atacama que se instala pela minha garganta abaixo. Pensei que estávamos todos habituados a ela. Infelizmente, esta gripe A veio alterar o paradigma (quem pensava que este blog se andava a afastar da intelectualidade rejubila, pois o uso da palavra paradigma em textos eleva-os automaticamente ao nível ensaístico superior). Tossidor é como se fosse um leproso e cria à sua volta uma certa área de segurança, o que não dispiciendo quando nos encontramos em elevadores e detestamos contacto corporal desnecessário.
A minha constipação já me é desgradável, a última coisa de que precisava era deste estigma que se tem de carregar apenas porque o nosso nariz está tão atulhado que cria o reflexo de fungar. Já me basta com a constipação arrede grande parte da minha coerência interna; não necessito que me arruine a externa também. E porque é que estão a ler esta encasinação toda? Por causa dela mesma, da maldita fungadora espirradora.
Hum... talvez a designação de epidemia não seja tão exagerada assim então...

quarta-feira, novembro 11, 2009

40 anos


A minha infância agradece profundamente.

terça-feira, novembro 10, 2009

"Fight club"


Um tipo com a mania das importâncias como eu tem obrigatoriamente o dia em que calhou nascer. 9 de Novembro tem de tudo: eleições históricas, atribuições de prémios Nobel, golpes de estado decisivos, assinaturas de armistícios e, o mais conhecido, quedas de muros que durante décadas separaram a capital de um determinado país do centro da Europa.
Há uma década, uma outra efemérida juntou-se a esta lista: estreou em Portugal um filme que concentrava em si a angst do fim de século, um certo mal-estar entre pessoas com a idade a rodear os trinta anos, e que se viria a tirnar o filme definitivo de culto para o século seguinte. Lembro-me de ter ido mais um amigo meu vê-lo, cm celebração do meu aniversário. Atraiu-me porque gostava do realizador e o trailer pareceu-me enérgico e divertido. Quando saí daquela sala, estava transfigurado. O filme batera-me com determinada força e soube aí, de certeza, que iria estar a falar de "Fight club" durante muito tempo.
Revi-o na semana passada e fiquei espantado pelo facto de o seu poder anárquico não ter desaparecido. De facto, continua a manter a sua subversão dez anos depois, mostrando que o mundo não mudou tanto assim e que certas coisas na natureza humana se mantiveram inalteradas: o materialismo, um certo desenraízamento e uma falta de tomates para mudar as coisas. Outra das suas forças continua também, que é a incapacidade que temos de categorizá-lo. É um thriller? É um filme de luta? É uma comédia? O que defende afinal? Valores de esquerda? Valores de direita? E será que defende alguma coisa? De qualquer forma, consegue ser um paradoxo interessante: um anúnio de publicidade muitíssimo bem feito, estilizado, acerca do materialismo.
As razões que o levaram a transformar-se num filme de culto definitivo também esperam teorização. "Fight club" foi inicialmente um fracasso comercial; quando os executivos da FOX, o estúdio que o produziu, viram o produto final, começaram a perguntar-se como teria sido possível terem dado luz verde a uma obra tão transgressora. Raramente se terãolido críticas tão revoltadas a um filme, principalmente do ponto de vista moral. Nem Michael Bay, que faz pornografia artística, terá alguma vez tido tal reacção. O filme estreou na pior altura possível, poucas semanas depois do tiroteio no liceu de Columbine, e falava a uma geração de alienados, que viam outros como eles a embarcar alegremenete em actos que podem ser considerados terroristas. No entanto, teve uma fortíssima recepção em DVD, vendendo seis milhões de cópias, e entou na cultura popular. A frase "The first rule fo Fight Club is you do not talk about Fight Club" é facilmente citável, entre outras tiradas do filme ("I'm Jack raging bile duct"; "You're not your fucking kakhis!"); o estilo de moda de Tyler Durden, ícone stylish encarnado por Brad Pitt, com o seu casaco de cabedal vermelho e as suas camisas havaianas, inspirou estilistas e o cidadão comum; e a proliferação de mitos urbanos acerca de clubes de combate reais garantiu a sua imortalidade. Para além disso, segundo Chuck Palahniuk, o autor do livro que dá origem ao filme, é o filme de namoro perfeito. Fincher descobriu que, estranhamente, são as mulheres jovens que mais atingem o sentido de humor do filme, talvez por este girar em torno da postura macho da criatura masculina.
Um enorme filme, e isso é o que interessa, para lá de todas as teorias e relevâncias socio-políticas. Fincher no topo das suas faculdade, Pitt e Norton com uma química imparável e um final que dispensa qualquer epíteto de tão emblemático: em 11/9/2001, eu recordei-me disto. Não pode ter sido por acaso.


P.S: Tim Burton pode ser o marido e rei do estranho, mas ninguém utilizou tão bem a bizarria inerente a Bonham-Carter como David Fincher o fez neste filme

sábado, outubro 31, 2009

O etíope de Celas 1


Porque estou a comer que nem um desalmado neste restaurante? Primeiro, porque não sou eu pagar; em segundo, porque na semana passada, em plena reunião de condóminos no meu prédio, soou-me estranha a quantidade de casacos que estavam a depositar na minha cabeça. Quando inquiri os presentes acerca do facto, susto e horror encontraram as minhas interrogações, pois nas palavras emotivas de Anacleto Parlímpio, nunca em toda a história ouvira um cabide falar, tirando uma conversa fantasmagórica com o espírito do seu falecido irmão, onde trocaram receitas e massas e o defunto lhe aconselhou excelenteslocais onde se pode estacionar na Baixa sem ser multado.
Tive obviamente de provar que era um ser humano de pleno direito e quase falhei, quando escolhi como comprovativo entoar "Magníficos dias atlânticos", dos Ban, em folclore transmontano, o que lançou rumores que era afinal um papagaio. No entanto, um médico presente analisou-me e sossegou a plateia, embora inicialmente estivesse convencido de que eu podia ser uma cómoda Luís XVI.
Porque fui confundido com um cabide? No caso da senhora Argamindo, cuja idade não sei, mas ainda se lembra de uma altura em que Salazar era parecido com Diogo Morgado, isso deve-se a uma miopia equivalente à do Mr. Magoo; no caso dos restantes, a minha magreza sub-saariana. Os gordos queixam-se de serem maltratados e gozados pelo seu físico, mas gostava de perguntar quantos deles foram declarados propriedade de Desporto Escolar enquanto crianças e utilizadospara bater recordes nacionais do lançamento da vara. Possuo este mal enquanto criança e tem sido difícil conviver com ele. Ninguém sabe se é genético ou culpa minha, mas o facto é que o meu tio moldavo fizera uma carreira bem-sucedida como papel de parede. Os meus pais nunca me negaram amor e carinho, e a minha mãe achava o meu estado particulamente extraordinário, principalmente porque tínhamos sempre falta de paus de espetada em casa. Mais: os gordos fazem choradinho, mas toda a gente tem na memória uma figura cheia com qualquer qualidade redentoras. O gordo bonacheirao, por exemplo. O gordo generoso, por exemplo. Os magros são sempre magros e por serem tão finos, condenados a escapar pelas frinchas da nossa memória. E no mundo da moda, se uma modelo tiver mais peso, é porque anda a comer muito; se for esquelética, tem uma doença nervosa. O gordo é associado a nações poderosas, como os Estados Unidos; o magro é geograficamente recambiado para o Sudão ou para a Etiópia. É uma enorme cruz a carregar ser magrela e ao contrário dos gordos, não temos massa corporal suficiente para carregá-la.

Programas de televisão deprimentes


"Kellyfamilyfornication"

"Cheers, aquela taberna prestes a ser fechada pela ASAE"

"Favela sésamo"

"ALF - Assassino Limitado com Facas"

Any suggestions?

quarta-feira, outubro 28, 2009

segunda-feira, outubro 26, 2009

quinta-feira, outubro 22, 2009

A resposta


A polémica originada pelas declarações sempre ponderadas de Saramago está à vista, mas a resposta mais contundente chegou hoje, e acaba com a discussão: Jesus espetou cinco ao Everton e mostra ser, sem sombra de dúvidas, a verdade e a vida.

sábado, outubro 17, 2009

Sugestão da semana: "Glee"


Premissa: Numa escola secundária norte-americana, um professor de espanhol Will Schuester, tem um sonho: ressuscitar o Glee Club, o correspondente escolar a um grupo de coristas da Broadway. O seu problema é acaba por se deparar com todo um conjutno de estereótipos de freaks de escola: o paraplégico nerd, a gorda, a gótica, o gay não assumido e ainda uma rapariga que até é gira, e ninguém sabe muito bem porque a põe de lado, até se descobrir que tem dois pais gays. O desafio de Schuester e criar um Glee Club que consiga ganhar os campeonatos regionais e vai ter de procurar artistas noutro lado. Pelo meio, a sua mulher engravida, e não engravida; tem a professora responsável pelas cheerleaders disposta a fazer-lhe a vida negra; e uma professora da escola que tem graves problemas com germes está apaixonada por ele.

Opinião: "Glee" é uma série de risco, porque arrisca embarcar num género que nunca conseguiu ser bem sucedido em programação semanal: o musical. A última tentativa, "Viva la Laughlin", fracassou miseravelmente, apesar de ser apadrinhada por Hugh Jackman, e contar ocasionalmente com a sua participação. No entanto, parece-me que desta vez a coisa poderá resultar: a série é cómica, com um pé bem fincado na sátira a produtos do género "High school musical", o musical nunca usa artifícios do género "Agora o gajo está a sonhar e pessaol vai bailar", porque incorpora maioritariamente números de palco e aproveita músicas existentes, em novas versões, o que pode garantir sucesso junto do público. A escrita é um dos pontos fortes da série e nota-se o dedo de Ryan Murphy, o criador de "Nip/Tuck", que é co-criador de "Glee". Ajuda que os intérpretes tenham, na sua maioria, experiência musical na Broadway e que, por uma vez, correspondem ao estereótipo que representam. O destaque vai, no entanto, para alguém que não tem um único número musical na série, e que é a actriz Jane Lynch, a coisa mais engraçada da nova temporada televisiva, que trata as brilhantes linhas de diálogo que lhe dão como um ourives judeu trata os diamanetes que lhe chegam em contrabando a Antuérpia.

Recomenda-se a: Apreciadores de musicais, pessoas que precisem de desopilar o juízo e pessoas de bom gosto no geral

terça-feira, outubro 13, 2009

Dízimo

Obama, dá esse Nobel fajuto a esta mulher, que resolveu um problema maior do que o teu clube de fãs!

segunda-feira, outubro 12, 2009

Aleluia!


Se isto contribuir para o fim dos circos? E que mal traz isso ao mundo?

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1404848

terça-feira, outubro 06, 2009

Justice be served


A Suíça é um país no centro da Europa que é conhecido, entre outras coisas, pelos seus queijos. Por isso, nada mais apropriado do que ser o palco de uma ratoeira que foi montada a Roman Polanski no dia 27 de Setembro, quando este, numa ocasião rara, saiu de França, onde está instalado desde 1977, para receber um prémio de carreira no festival de cinema de Zurique. A razão que levava Polanski a viver praticamente cativo em território gaulês foi a mesma que levou ao fechar da ratoeira: a fuga do realizador dos Estados Unidos, há 32 anos, sob acusações de violação de uma menor.
Primeiro, vou já esclarecer uma coisa que poderá não parecer evidente: não acho piada a violações, e também me faz espécie a violação de menores. Por estranho que isto possa parecer, podemos estar contra estes crimes horrendos e ter uma posição favorável a Polanski neste assunto. O que está aqui em causa não são as nossas posições morais, mas sim a imoralidade subjacente a um caso que, se os EUA tivessem juízo, deixavam morrer e ser esquecido, porque é vergonhoso para o seu sistema legal. A imprensa aborda o caso pela rama, com parangonas: Polanski violou uma menor e fugiu. Claro que, como disse Faulkner, os factos e a verdade raramente são a mesma coisa.
Polanski enfrentou o tribunal em 1977, de facto, e foi punido: declarou-se culpado, e aceitou um acordo entre a procuradoria geral californiana e os seus advogados, que lhe trocava o tempo que teria de cumprir na prisão, 30 anos, por uma estada de 90 dias numa clínica psiquiátrica. Pode parecer-nos estranho este acordo, mas grande parte das acusações eram muito ténues: a menor dissera que não fora violada ( o que mudava o quadro penal por completo para sexo com menor, que é um crime mais leve no sistema judicial americano), as acusações de drogas podiam ser perfeitamente atribuídas a outras pessoas presentes na mesma casa (como Jack Nocholson...) e qualquer advogado minimamente competente teria conseguido defender Polanski com dois factos simples, capazes de solciitar a simpatia de um júri: a sua mulher, Sharon Tate, fora assassinada pela família Manson três anos antes, e a simples infância de Polanski, sobrevivendo ao gueto de Varsóvia e vendo os pais morrer à sua frente às mãos do exército nazi, poderiam fazer um júri deliberar a seu favor. Para além disso, quando foi a última vez que viram uma estrela a ser condenada?
Polanski aceitou cumprir os 90, presumivelmente para se curar destes desvios. No entanto, o juiz Lawrence Rittenband, que presidia ao caso, foi o protagonista da manobra que acelerou o desfecho conhecido. Rittenband nunca escondeu que desejava ardentemente enfiar o polaco na prisão. Um procurador, David Wells, que nem tinha nada a ver com o caso, ajudou-o a mudar a sentença, à revelia, para a sua forma original de 30 anos de prisão. Sabendo disto, Polanski meteu-se no primeiro avião e fugiu para França, país do qual tinha obtido cidadania tempo antes. No documentário de 2008 "Roman Polanski: wanted and desired", Wells assume isto publicamente. Claro que mal Polanski foi detido em território suíço, vei dizer que tinha mentido... Se eu estivesse no lgar de Polanski, mesmo culpado, tinha feito o mesmo se sentisse que me estavam a tirar o tapete. Isto não é nada mais do que o espectáculo degradante do processo judicial nas teias mediáticas, mais do que o alcançar ou não de justiça. Linda Geitmer disse no documentário acima mencionado que o maior dano nesta situação não lhe foi infligido por Polanski, mas sim pelos jornalistas e toda a máquina legal que quis condenar um "playboy polaco", um "anão malvado" explorando o seu sofrimento. "Forget it, Jake. It's Chinatown".

Uma palavra final para a Suíça, um país que visitei várias vezes e admiro de um ponto de vista turístico e cívico, mas acho dos países mais moralmente hipócritas do mundo. Este país, que agora se arma em paladino da justiça, foi o mesmo que aceitou nos seus bancos, sem pestanejar, ouro que os nazis roubaram aos judeus durante a 2ª Guerra Mundial, e o manteve durante o restante século XX, repelindo qualquer tentativa legal de revertê-lo às vítimas do Holocausto. A sua neutralidade de fachada é hipócrita, de facto. É irónico que tenha levado a mão à consciência precisamente contra um judeu que viveu na pele os horrores do extermínio nazi. A História tem, muitas vezes, destas coisas poéticas. Mas Harry Lime, personagem do filme "The third man", resumiu bem a falta de relevância da Suíça e da sua chata neutralidade: "In Italy, for thirty years under the Borgias, they had warfare, terror, murder and bloodshed, but they produced Michelangelo, Leonardo da Vinci and the Renaissance. In Switzerland, they had brotherly love, they had five hundred years of democracy and peace—and what did that produce? The cuckoo clock."
Por último, e tendo em conta esse grande festival de cinema de Zurique, digam-me o nome de um grande filme suíço. Só um.
Pois, bem me pareceu...

sexta-feira, outubro 02, 2009

Risca da lista!


Da minha lista de "Coisas que tenho impreterivelmente de fazer antes de quinar", já posso retirar "Ver a minha banda preferida ao vivo"; e que grande concerto! Foi aquilo que eu pensei que ia ser, e ainda mais. Foi uma experiência extraordinária, desde as esperas das filas, até sair do concerto com as pernas a não me quererem obedecer por ter puxado demasiado por elas. Precisava de um par delas novas no final.
Billie Joe Armstrong é um dos grandes frontman da actualidade no que toca a espectáculos ao vivo. O homem não deixou ninguém estar parado durante as duas horas e um quarto que aquilo durou, e leva o conceito de interactividade ao máximo, chamando elementos do público para tocar guitarra e cantar música, ou mesmo participar em encenações e brincadeiras com pistolas de água. No fundo, ele não é apenas um músico: é também um espectador como eu, e por isso, sabe exactamente o que os espectadores mais esperam do concerto.
Adorava repetir esta experiência, e seja qual for a próxima data portuguesa dos Green Day, só posso dizer que já vêm atrasados!

Pontos altos:

- "Boulevard of broken dreams", com o público a cantar metade da canção sem que a banda tivesse hipótese de tocar qualquer instrumento.
- "Welcome to paradise", o momento em que os fãs de sempre, como eu, realmente entraram nas músicas que foram ali para ouvir
- "Brain stew", porque é uma daquelas músicas que dá sempre cabo de mim

Ficaram a faltar estas cinco, pelo menos

- "When I come around"
- "Peacemaker"
- "Walkking contradiction"
- "The grouch"
- "Warning"

E é assim.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Ajudem-me!


Eu tenho 5 seasons de "Lost" no lombo e não consegui entender nada do discurso de Cavaco Silva na 2ª! Alguém me ajuda?