O que vou dizer pode soar polémico, e se calhar até é, tendo em conta o escritor envolvido na afirmação. Mas a conclusão parece-me ser tão lógica que não posso evitar escrevê-la: José Saramago é um escritor que pertence a Hollywood. Pronto, já o disse. Saramago, cujo temperamento pessimista, atitude iconoclasta e afiliação esquerdista extrema, não é, à partida, homem que se preste a relações com a meretriz babilónica que é a meca do cinema. Mas o facto é que boa parte dos seus livros parte de gimmicks que se assemelham à noção de high-concept pitch surgida na década de 80, em que um filme pode ser resumido pelo seu ponto de partida. "Speed", por exemplo, é "Die Hard on a bus". Os livros de Saramago são assim, redutíveis numa frase que ecerra em si o conceito que o faz mover. O Homem duplicado. Jangada de pedra. "Ensaio sobre a cegueira", com a sua piscadela de olho aos clássicos de ficção científica apocalíptica, estava a pedi-las. Nunca li o livro, confesso, e também não apreciador de Saramago. Mas ter como ponto de partida uma cegueira generalizada da Humanidade, vinda do nada, que destrói a sociedade como a conhecemos é uma ideia altamente cinematográfica. Por muito que a escrita de Saramago possa ser mais complexa e profunda que aquilo que um filme pode exprimir, o filme é uma tradução literal e fiel daquilo que me parec consistir o principal sumo de toda a alegoria: a cegueira. O mérito vai para Fernando Meirelles, um realizador que passou de muito interessante para extraordinário. Diz-me quem leu o livro que a obra não era filmável, mas Meirelles e o seu director de fotografia, Cesar Charlone, transportam para o filme a cegueira que contamina a maior parte dos personagens, através de planos de câmara bizarros, uma vasta paleta de brancos e um desfocar do mundo. Isto é uma tarnsferência da obra literal, do espírito das letras para aquilo que a imagem cinematográfica tem de melhor. Isto é uma das coisas que me agrada num realizador: quando as suas imagens e o seu estilo contam metade da história. Nós sentimos a cegueira, e talvez por isso a nossa empatia com os personagens que sofrem dessa condição é total. Meirelles e Don Mckellar (um tipo que escreveu e realizou um filme de 1999 chamado "The last night", sobre as últimas horas do mundo, onde também entra Sandra Oh, participanete em Blidness", e até David Cronenberg faz uma perninha num memorável e estóico papel) mantêm as ideias principais do livro e do próprio escritor. Por isso o filme é duro, sujo e pessimista. Acho que pedir a Saramago que tenha uma visão luminosa do mundo é demais. A base do filme é que se o mundo mergulhar na selva, o homem é mau e nada se poderá resolver. Ou seja, o ser humano não é bom por natureza, naquilo que é um conceito típico de Direita usado por um escritor tão eminentemente esquerdista. Toda a estrutura do filme se baseia nessa ideia e é isto que a sustenta. É corajoso da parte de Meirelles que faça um filme assim, com poucas hipóteses de redenção e de colocar um sorriso de paz nas nossas caras. São duas horas de murro no estômago, de mergulho ao horror da Humanidade, com violações, homicídios, raiva e sacanice a rodos; e o mais curioso é que a reacção do espectador dá razão ao autor. Há alturas em que queremos ver a raiva a tomar o controlo. Somos cegos. Somos contaminados pela mesma cegueira que afecta os personagens do filme. Destaque óbvio para Julianne Moore, uma das actrizes mais corajosas que conheço, e para Mark Ruffalo, num papel de contenção que balança toda a tragédia pela qual passa no filme. O grande protagonista do filme é realmente Fernando Meirelles, um homem que depois de "Cidade de deus" e "The constant gardener", parece-me incapaz de fazer realmente um mau filme. É agradável vê-lo abandonar a sua habitual estratégia de câmara que treme para encetar alguns planos belíssimos da cidade em ruínas e um cena cliché de qualquer filme apocalíptico (chove...) é transformada pela sua câmara em algo de belíssimo. O único grande defeito que se lhe pode apontar é que parece haver algum desnorte narrativo durante o quarto de horas seguinte a uma cena fulcral do filme que envolve um incêndio.
Um filme que não é certamente para todos. Haverá quem goste e quem odeie. Na verdade, é preciso ter estômago e olhos programados para o filme. É um pouco como sinto em relação à escrita de Saramago.
Não sei de imagem que o tempo não destrua não sei de ti se atravessas a rua vem ter comigo sempre que for preciso fala com a voz fala com o choro fala com o riso diz o que é preciso
Viva quem vive com a cabeça aperrada e dispara bala contra o medo apontado viva quem luta com a cabeça ao contrário p´ra ver também um pouco do lado do adversário do lado contrário
E viva o dia em que já não precisas de reis nem gurus nem frases-chave nem divisas o dia em que já não precisas de reis nem papás nem profetas nem profetisas
Ei,ei que é do rei o rei foi-se, o rei vai nu ei, ei, viva eu, viva tu
Não sei de imagem que o amor não persiga não sei de ti se não fores minha amiga faz o que queres que se queres é preciso faz o melhor fá-lo com loucura e com juízo faz o que é preciso
Viva quem muda sem ter medo do escuro o desconhecido é o irmão do futuro viva quem ama com o coração aos saltos e mesmo assim vence os seus altos e baixos e os altos dos seus sobressaltos
E viva o dia em que já não precisas de reis nem gurus nem frases-chave nem divisas o dia em que já não precisas de reis nem papás nem profetas nem profetisas
Ei, ei que é do rei o rei foi-se, o rei vai nu ei, ei, viva eu, viva tu
Confesso que ainda não me habituei à realidade de ser possível que David Fincher, homem cujo celulóide beijo languidamente, seja nomeado para o óscar de melhor realizador este ano, culpa de "The curious case of Benjmain Button". Não me iinterpretem mal: o homem é um génio, e este filme vai possivelmente deixar-me num estado próximo de destroço humano, quando o vir, e assomar à saída completamente salgado da minha torrente de lágrimas. No entanto, ver o "enfant terrible" a ser aceite pela máquina é uma experiência ainda desagradável. Mas hei, este ano, a corrida ao careca dourado está tão bizarra que nada me espanta. Mas esse é um assunto para outro post. Fincher é um homem do cinema, da realização, de contar histórias. Por mais bizarros que sejam os eues filmes, epor mais variados os temas, o interesse dele é a pulsão narrativa de encadear acontecimentos, pondo ao serviço deste supremo dever de um realizador de cinema o seu arsenal inquestionável de habilidades técnicas. Como disse na minha crítica ao mesmo, "Zodiac" era um objecto dos anos 70 preso no século XXI, e isto deve-se a esse factor. Ele é um clássico iconoclasta, um tipo destinado a fazer avançar o cinema como arte narrativa. O homem é isso tudo, mas não é uma coisa: um relações públicas. estamos a falar do tipo que, quando instado a comentar a sua experiência em "Alien 3", respondeu elegantemente que preferia ter cancro do cólon a realizar outro filme. A sua habilidade (ou inabilidade) no tratamento da imprensa irá certamente estar mais em foco agora que "Benjamin Button" se começa a assumir como o filme que vai dominar os Óscares deste ano, pelo menos no que toca às nomeações. A habitual ronda de imprensa que os possíveis nomeados têm de fazer todos os anos colocará um deus pessoal meu contra hordas de jornalistas. No primeiro round, aquando da apresentação à imprensa do filme, no sábado, o cenário começou-se a montar. Perante várias perguntas acerca das suas motivações para fazer este filme em específico (que, à partida, parece tão longe das suas áreas de interesse), Fincher encolhia os ombros e respondia que gostara da história. Só isso.AO invés de se lançar em grandes discursos destinados a arrastar os media, Fincher foi simples, honesto e ele mesmo. Que mal há em querermos pôr o que sabemos ao serviço de uma boa história? Jornalistas criticaram-no por este simplismo, mas talvez seja por isso que eu gosto cada vez menos de njornalistas e cada vez mais de Fincher.
Não dão descanso a Obama. O homem ainda nem começou a trabalhar e já querem envolvê-lo na luta contra a pirataria ao largo da costa oriental de África. O Messias do século XXi a ter de resolver problema dignos do século XVIII... É dose.
Depois das últimas declaraçãoes públicas de Manuela Ferreira Leite, onde esta sugere, com ironia ou sem ela, que talvez o país precise de meio ano sem democracia para ir ao sítio (sequela da também deliciosa "As notícias não deviam ser escolhidas pela comunicação social", assim sem particularizar, no geral), percebo quando ela diz que quer transformar o PSD numa alternativa a este governo. Acho que vão mudar o nome para PSN, como Nacional. Piada nazi à parte, é lamentável que a belíssima das finanças faça cair mais uma esperança que cidadãos como eu, os ingénuos, têm na política: que com mulheres, isto até ia. Afinal, é a mesma coisa, como a actual ministra da educação faz questão de provar de cada vez que decide desencantar uma medida política. Acho que ambas precisam de uma avaliação urgente.
Este fim de semana, tornei-me dirigente da grande família do CNE. Pelo menos,era o que dizia o papel que li na Promessa; e se eles dizem, pronto, deve ser. Ouvi falar muito de responsabilidade, mas o facto é que sinto a mesma. Acredito que ser "promovido" indicie que se espera mais de nós, mas isso não quer dizer que antes esperasse menos de mim mesmo. É mudança não em mim, mas na percepção que os outros têm de mim agora. Ok, menos filosofia. Foi um belo fim de semana, um agradecimento a quem preparou e quem veio de fora para ver o menino a ficar nervoso, e a quem me fez sentir surpreendido por reparar que cresci. Às vezes, penso que passa despercebido, até a mim mesmo. Preciso que mo lembrem, e felizmente, cada vez mais gente não se importa de fazê-lo. E uma coisa boa nestas coisas é que volta-se sempre com muitas prendas para casa. É o meu lado de criança a manifestar-se.:)
Lerão várias críticas ao novo Bond, e embora seja difícil encontrar uma que seja má, descobrirão bastantes que são, no máximo, tépidas. Baseiam-se num motivo: é um filme com muita acção e pouca história. Eu cá acho que este filme é um dos poucos filmes que vi sem cenas de encher chouriços. Assume-se como complemento do anterior "Casino Royale" (começando exactamente onde o outro acabou) e prescinde de pinderiquices que atrasem uma história de vingança que todos queremos violenta e brutal. Por uma vez na nossa vida de mortais, entramos num sítio onde esperams justiça célere, embora a saibamos desumana. Acho que é por isso que gosto de filmes de vingança. Estes jogam com um instinto humano primordial, o da retribuição; e quando se mata a mulher amada de um agente secreto que tem uma natural renitência em abrir sequer o seu coração, os problemas sucedem-se. James Bond, nessa espiral, arrasta tudo, desde os maus da fita (a organização QUANTUM), o próprio MI6, a CIA, as pessoas que encontra, assumindo-se sempre como um bruto de primeira. Daniel Craig (cada vez mais um Bond à altura, e nalguns momentos superior, de Sean Connery). Ele eleva o personagem de Bond ao seu devido lugar: o de supremo badass. Connery abordou ao de leve esta faceta, Moore nem falemos dele e Pierce Brosnan era suave demais. Timothy Dalton, no muito subvalorizado "The living daylights" andou muito perto, mas Craig assume-o com uma naturalidade desconfortável. Um tipo insulta-o, ele pontapeia-o e rouba-lhe a mota. Mais tarde, atira um segurança de um prédio apenas porque sim; e pelo meio, vai matando quem lhe apareça da Quantum, ao invés de as capturar para fazer perguntas. Isto é Bond duro, frio, implacável. Por isso o filme não tem muita história palavrosa: a acção é a história, o turbilhão e a violência são o estado de espírito de Bond. Há uma intriga ecológica sólida e interessante, que serve como m´boil vilanesco, mas o que interessa aqui é descobrir se Bond sai do seu próprio poço negro. Craig é, obviamente,o centro do filme e o seu grande trunfo. Quando aparece no ecrã, em gloriosa masculinidade, os testículos dos espectadores masculinos desintegram-se ao nível do átomo. Está tudo na sua pose, no seu olhar, e ele fica tão bem aos murros e a destruir-se contra paredes como num smoking, numa das mais belas sequências do filme, a envolver a ópera "Tosca", cuja intriga de vingança tem paralelos com este filme, e que entra directamente para a antologia da saga. Neste aspecto, Marc Foster revela-se uma escolha correcta. Não que seja novidade colocar realizadores habituais de filmes independentes a controlar blockbusters, mas Foster traz como grande trunfo uma precisão maníaca ao nível da montagem (a merecer nomeação para Óscar) e uma sensibilidade própria, que possibilita essa magnífica cena na ópera e o facto de Camille, a Bond girl (eficientemente interpretada pela ucraniana Olga Kurilenko, que vou deixará verdadeiramente shaken and stirred se assistirem ao filme "Le serpent") ser a única em toda a história das aventuras de 007 que este não leva para cama. Porque não há motivo, porque tudo tem de fazer um sentido, porque eles são almas gémeas de almas torturadas e procuram acima de tudo o seu lugar de felicidade. O seu Quantum of solace. Foster faz as opções certas e confia no diabólico Dan Bradley para dirigir a segunda unidade e fazer com a acção de Bond aquilo que fez com a acção de Bourne: delirante, visceral, tão real que dói ao espectador. Isto nas paisagens exóticas a que Bond já nos habituou. O único defeito que se pode apontar é alguma falta de divertimento do próprio personagem, talvez. Mas nem semprea a vingança pode ser divertida. Espera-se que no próximo, Bond tenha uma selva mais colorida para poder caçar mais livremente. Longe da vingança, longe do negrume; mas nunca fora do turbilhão.
Dr. Dre é um dos grandes moguls do hip-hop moderno. Este homem produziu álbuns de quem é alguém no mundo dos beats: Jay-Z, Eminem, Snoop Dog, Nas, 2Pac, 50 Cent, Busta Rhymes... Enfim, uma galáxia negra de rimas. No entanto, antes de produtor, Dre era rapper, e em 1991, publicou o seu álbum de charneira "The cronic", onde por entre provocações a gangs rivais (que fazem parte da história dos conflitos entre rappers de Los Angeles), podemos encontrar uma faixa que diz bastantes verdades acerca da relação entre homens e mulheres. Chama-se "Bitches ain't shit" e na altura, apesar da colaboração de outros 4 mânfios, entre os quais Snoop Dogg, passou despercebida. Conta as desventuras habituais de rappers de sucesso, com idas à prisão, discos de platina, festas e mulheres que felaciam por dá cá aquela nota de 100 dólares.
No entanto, claramente, uma lírica do calibre da de Dre merecia um tratamento mais épico. Ben Folds foi um visionário e no seu álbum de covers Supersunnyspeedgraphic, the Lp, fez serviço público e deu-lho. Folds transforma "Bitches ain't shit" naquilo que, para mim, e em alturas específicas da minha vida recente, se tornou num hino, numa atitude e numa filosofia de vida, partilhada por alguns outros discípulos destas sábias palavras. O melhor é que Folds não altera uma palavra à letra original e apresenta uma música de tom delicodoce, com um letra absoluta imunda, e no entanto tão verdadeira acerca de alguns factos da vida. O prodígio foi tanto que a música ganhou uma vida e culto próprios e muita gente acredita actualmente que foi Folds quem escreveu o original, tanto que o músico já anunciou que vai deixar de tocar a música em público, pois quando se passeia com os filhos, os fãs dirigem-se-lhe como "that Bitch guy". Que um caixa de óculos da pop consiga ofuscar um rapper bling-bling de alta roda, eis a prova da maravilha desta cover.
Buffy: Does it ever get easy? Giles: You mean life? Buffy: Yeah. Does it get easy? Giles: What do you want me to say? Buffy: Lie to me. Giles: Yes, it's terribly simple. The good guys are always stalwart and true, the bad guys are easily distinguished by their pointy horns or black hats, and, uh, we always defeat them and save the day. No one ever dies, and everybody lives happily ever after. Buffy: Liar.
Um site que vistio regularmente lança a pergunta: qual o filme que mais vezes vos faz discutir com os vossos amigos? Seja por gostarmos demasiado dele ou odiarmo-lo quando toda a gente o adora. Vou responder à questão, alargando-a para séries de televisão.
Acho que, cinematicamente falando, o assunto que me leva a lançar em apaixonadas e dementes defesas é não um filme, mas toda uma corrente cinematográfica: o cinema de acção brutalista da década de 80. Sempre rebaixado à condução chunga e alimentícia, acredito que há exemplares que merecem uma revisão crítica urgente por olhos atentos. O filme "Predador", de JOhn McTiernan (já aqui classificado como o filme mais másculo de sempre) é um clássico do híbrido ficção científica/acção, com tudo no sítio,inclusivé Scwarzenegger, cuja falta de talento dá toda uma outra dimensão de inferioridade humana perante a natureza. É fácil defender o existencialismo sob a forma de arte e ensaio, mas com frases como "If it bleeds, we can kill it", sublinhando a fragilidade da vida biológica, obra maior é defender filosofia e poesia no meio da acção grunha. É por isso que "Die hard", que é indubitavelmente um dos filmes maiores dadécada de 80 e a melhor fita do género de todo o smepre, será sempre olhada de lado, embora injustamente.
No que toca à televisão, é fácil e por alguns conhecido que defendo até à morte a genialidade de Joss Whedon, o criador de "Buffy,a caçadora de vampiros" e "Angel. O homem criou um consistente universo criativo, onde qualquer um dos personagens principais dava uma série em si. A prova é "Angel", que segue o personagem homónimo, saído do Buffyverse, e que embora menor, é ainda assim interessante e aborda todo um lado dark que raramente se vê na TV. Para além disso, Buffy é uma das mais complexas personagens femininas criadasem qualquer médium, arrumando em espessura psicológica qualquer uma das senhoras de "o sexo e a cidade", individualmente ou em colectivo. Quem quer ganhar a vida a escrever coisas saber reconhecer nas palavras de Whedon o tipo de mensagem que envolve termos filosóficos e linguagem popular. Um homem que faz isso, e se entretém a usar o género fantástico como metáfora para os dramas humano, merece o meu e o vosso respeito.
E vocês? Quais os vossos assuntos de discussão cinéfila/tvéfila entre amigos?
Eu anseio e temo por este dia. Anseio porque é o meu dia de anos, e eu gosto de sentir a passagem do tempo, pelo menos enquanto não me sentir velho; temo, porque o eterno medo de ser ignorado e posto de lado assume o dobro das proporções neste dia. Ser esquecido num dia onde esperamos ser lembrados dói mais. A coisa não começou mal, tenho de admitir ese não tivesse bom senso, poderia ter um dia de aniversário como já não tinha há muito... Ainda assim, não se está a perder nada. Amanhã são mais umas horas oficiais como aniversariante e se alguma miúda gira que conheço me quiser oferecer um strip, está à vontade. Olhem que sou amigo e até estou a dar indicações de prenda!
Mais a sério: parabéns a vocês por suportarem estes 26. Lamento informar-vos, mas esperam-vos alguns mais...
Não é para ser desmancha-prazeres, mas no fundo, eleger Obama como Presidente em 2008 nada tem de revolucionário. Afinal, ele é um negro contratado para limpar a merda que alguns ricaços brancos fizeram. Been there, done that, civilization.
Do nada, eles saltam das covas onde juramos tê-los enfiado para não mais lhes pôr a vista em cima. Enganámo-nos quando nos enganámos que eles jamais nos voltariam a enganar. Mas, trapaça das trapaças, aí estão eles de novo. Fantasmas do passado, fantamas com formas bem definidias, daquelas que poderiam fazer publicidade a algumas marcas de lingerie. Eu tenho um bom sistema de remoer paixões não concretizadas, afinal o meu modo de viver o amor, aquele no qual sou um consumado profissional e dou uma cadeira, explicações e consultas online. Mas parece que algo falhou desta vez, porque ela está de volta, pelo menos por uns dias, só para me assombrar, só para ectoplasmar a minha cabeça quando eu não preciso nada disso.
1 - O homem tem vindo a dizer, durante os últimos dois anos, que a esperança estava caminho. Pensei que ela chegasse quando o elegessem, mas até agora, a doida ainda não me bateu à porta. Ainda não és presidente e já começas a quebrar promessas? Vê lá, meu!
2 - Isto vai fazer esquerdistas embandeirar em arco, apregoando que a América foi liberta de governantes tiranos e de uma espécie de fascismo encapotado, mas o facto é que o que separou Obama de McCain foi exactamente o mesmo factor que separou Bush de Kerry: o factor humano. Mais do que ideias, eles representam alguém com quem o eleitor estabelece empatia. Tentar vender Obama como um elitista foi um erro crasso por parte dos Republicanos, uma estupidez asinina que é mais uma numa enorme pilha fumegante que se amontou nos últimos dez anos. Ah, e Sarah Palin. Escuso-me a comentar esta senhora, já aqui o fiz...
3- Agora que o negro lá está, alguma comunicação social quer pintá-lo de branco. "Ele é um como nós!" Yeah right...
4 - A esperança ainda não chegou, as estradas ainda não estão alcatroadas a ouro, não há caviar em todas as casas... Afinal, Obama é humano!
O Cover up desta semana traz-nos uma lenda por direito próprio, um homem que marcou uma geração e que ainda hoje é o símbolo de algo de indefinível, algures entre o burlesco e o ridículo. Falo do eterno capitão Kirk, William Shatner, artista polivalente, pois já provou ser um péssimo actor e também um péssimo cantor. O homem tem covers absolutamente péssimas e um dia, talvez ponha aqui a versão de "Rocket man" para comprová-lo. No entanto, tudo o que é horrível tem um momento de brilhantismo e Shatner encontrou o genial Ben Folds, que lhe produziu em 2007 "Has been", um álbum de covers com participações interessantes de bons músicos. Um delesé Joe Jackson, que entra em dueto com the Shat no imortal tema dos Pulp "Common people", trocando o tom Eurodisco da banda inglesa de Jarvis Cocker por um lado operático dramático que é absolutamente épico. Ficam as duas para comparação:
Na passada semana, andei a compôr a minha tese de mestrado, qual perdigueiro em busca de uma presa, farejando, esgadanhando e no final de tudo, preso numa caixa com espaço apenas para se deitar sem poder coçar pulgas. Esta última parte é metafórica, atenção. Nunca fiz nada de semelhante. Os trabalhos académicos que fiz foram mínimos e o mais extenso que fiz nem sequer foi na área de História, mas sim de cinema. Não era difícl, convenhamos. Ponham-me a falar sobre cinema e é provável que, tudo transcrito, faça o Guerra e Paz parecer o Almanaque das Missões. O meu maior medo era o de que a tese fosse um animal demasiado complexo. Não é, mas que dá um trabalho do caraças, dá, principalmente quando trabalhamos contra o relógio e temos uma orientadora que é uma das sumidades nacionais na matéria que estamos a tratar e os dois melhores alunos do nosso grupo do Mestrado estão a trabalhar com ela. Se tudo o resto quebra, uma coisa resiste em mim, e essa coisa é um ego intelectual do tamanho do mar dos Supersargaços. Estes dois pequenos pormenores abalam essa fundação do meu ser e fazem-me ter dúvidas, aquelas coisas bonitas que me assaltam com a mesmo frequência com quem penso acerca de mulheres. Logo, é pressão a dobrar. Eu não cedo sob pressão, mas não posso dizer o mesmo da minha cabeça, e por isso, andei como que zombie cerebral durante cinco dias, nem sequer saíd e casa para não me humilhar perante os outros. Já me acontece em demasia quando estou plenamente funcioonal, quanto mais nestas condições. Mas o trabalho resultou: dois capítulos feitos e um prazo alargado para terminar o que falta. Não estamos nada mal para o que eu pensava. Mas eu presumo sempre o pior. Respirei no fim de semana, nem sequer pensei na tese. Descomprim com escuteiros, metade da primeira temporada da série "Angel" e uma ida ao cinema, felizmente acompanhado, para ir ver "W.", um filme inesperadamente tépido de Oliver Stone. É bom de ver, mas não esperem um grande filme. Josh Brolin como o nosso Geogre W., no entanto, está fenomenal. Hoje, volto à carga. Durante mais uma semana.Perdoem-me outro silêncio prolongado, mas aperentemente, vou doar o meu corpo à ciência mais cedo do que esperava.
Queria aqui deixar um alerta à Liga Portuguesa de Futebol: façam uma nova verificação dos estádios, porque alguns não estão em condições. Ontem vi um pouco do Guimarães-Benfica, e pareceu-me que o campo do Dn Afonso Henriques estava inclinado como o camandro, e sempre para o mesmo lado. O futebol é para ser jogadoe m superfícies planas. Fica a nota.
Um aviso prévio: é aproveitar que este poderá ser o meu último post num largo período de dias. Razões a serem explicadas posteriormente. No Cover-up desta semana, voltamos a nossa atenção para um dos grandes clássicos dos anos 70: "Hotel California", dos Eagles. Este tema tem sido alvo de várias interpretações de terócios da músicas e alguns janados, que tentam, sem um consenso, descobrir o sentido da música: alguns acham que é um hino amargo à Califórnia decadente e psicadélica dos seventies; outros, o relato de alguém que está num hospício; a teoria de que esta canção é escrita por um serial-killer tem tamvém os seus adeptos.O cancro, Satanás e um hotel gerido por canibais são também avançados. "Hotel california" tem tido outro tipo de interpretações, nomeadamente as musicais. Bandas como os Rascall Flats ou os Gamma Ray criaram a sua própria visão deste tema, entre outras bandas e artistas mais desconhecidos, mas apenas uma conseguiu criar uma cover que quase alcança o peso mítico clássico do original. Na sua génese, "Hotel California" conta a história de uma viagem; por isso, nada mais apropriado que um grupo cigano, nómada por Natureza, ter a sua oportunidade de lançar a música cigana e flamenga no meio do folk-rock norte-americano. A honra cabe aos conhecidos Gipsy kings, expoente máximo da cultura cigana na década de 80, que fazem de "Hotel california" o descrever de um sonho: pegar nas guitarras e na tralha toda da família, conquistar a Europa e depois tomar os EUA de assalto. O delicios videoclip, que envolve camiões, camionetasa, benção de um avião e histeria em recintos fechados é como o relato do triunfo da etnia cigana e da sua cultura. No entanto, este tema não seria o mesmo se não tivesse sido escolhido pelos irmãos Coen para símbolo de um dos personagens mais memoráveis do seu excelente "The big lebowsky", um dos filmes mais bizarros dos anos 90. O nome do personagem? Jesus Quintana. Traços idiossincráticos? Craque do bowling, gosto duvidoso na escolha de guarda-roupa e passado como pederasta. Fica o vídeo como bónus.
O Tribunal Constitucional norte-americano acabou agora mesmo de decidir: este ano, não há votos para ninguém. A decisão está guardada para a pista de dança.
Dizes-me que olhe para a parede branca. Eu não posso conter um riso desconfiado. Desde que compraste aquele livros de psicologia barata, escritos pelo Gustav Eriksson, ou Erik Gustafsson, nunca mais foste a mesma. Quando te conto os meus problemas, tiras algo do teu arsenal de truques baratos, guardados nessa mochila que carregas como quem parece carregar um peso qualquer que não gosta de deixar por aí. Mas não te deixas convencer com a minha cara descrente. Dizes que já nasci com ela e que vais mudá-la, nem que seja à força de cinzel. Nem o meu lema pessoal "Podes mudar o mundo, mas não me mudas" te demove. Por isso, desta vez com uma voz menos melosa e sem o teu sorriso enzimático, repetes: olha para a parede branca. Eu olho e maravilha das maravilhas, é branca. Uau. Posso-me ir embora? Não, não posso. Dei a resposta errada. A parede não é branca.
Ela pode ser doida. Pode não, é. Toda a gente se lembra do que aconteceu na festa de anos do Marco. Lá por se acreditar num mundo cheio de cor, isso não implicava que o pobre do rapaz tivesse de encontrar os seus cães como se tivessem saído de um catálogo da Benetton; e melhor é nem mencionar viagens de balão, porque ainda hoje estou para explicar aos meus pais como é que dois tijolos lhe entraram telhado adentro. Há maneiras mais civilizadas de resolver desacordos relativamente a pontos de vista. Principalmente quando estes envolvem o ciclo sexual dos louva-a-deus. Voltei a concentrar o meu olhar e continuava a ver brancura. Por muito que confiasse nela, acreditava mais nos meus olhos. Não querendo desfazer, eram mais giros, e se ambos tivessem duas pernas, podiam muito bem disputara a capa da FHM com qualquer mulher gira que lá aparecesse, e também com a Luciana Abreu. OK, desisti. O que há na parede que não seja branco? Não te vês na parede? Muito bem: agora, para além de questionar a sua sanidade e a sua visão, tinha de questionar todos os seus professores de Física, que façharam redondamente na missão de lhe inculcar os fundamentos e leis do tempo e do espaço. À medida que este joguinho decorria, esquecera o que me tinha levado a assentar o meu arredondado rabo naquele cadeira. Para mais, uma boa prateleira e um cabelo sedoso só conseguem compensar uma série de características evaporadoras de libido, e ela já me revelara gostar da carreira de Eddie Murphy pós 1990. Só aí, uma das mamas tinha deixado de ter valor. Levantei-me e tranquei o meu olhar no dela. Ela percebeu que eu a estava a chamar de doida.
Ok, ela não é assim tão perspicaz. Penso ter murmurado uma qualquer referência ao Júlio de Matos e ela não é burra. Mas é parva. Disse-me que se só via branco, não podia estar comigo. Detestava quem não via o mundo a cores. E virou-me as costas para se ir embora. Tudo por causa de uma parede branca. É mesmo à gaja, nem faltava o gesto dramático e grandiloquente. Talvez devesse namorar um arco-íris, atirei-lhe. Persegues um sonho, nunca ninguém verá tantas cores como tu. Ela parou. Reuni as palavras sonho e cores numa frase descrente. Era como se tivesse cometido blasfémia. Virou-se na minha direcção, furiosa e caminhou, com a mão levantada, preparando um estalo. Ela era assim, de extremos. Fora o que explicara aos dois GNR a quem ela furara os pneus do jipe, na procissão da Rainha Santa. Agarrei-lhe a mão e encostei a minha cara à dela, deixando alguns milímetros de segurança. Ela respirava, quente, com um ligeiro odor a pizza de cebola e queijo. És patética. Procuras cores em vez de as criares. Tens uma parede branca e pedes-me para ver cores, quando as podíamos estar a pintar. É como a Floribela, excepto eu não tendo o cabelo louro nem uma criada gorda.
Não sabia se ia chorar, se ia rir. Mas beijou-me, com uma língua que imitava as pinceladas nervosas de Van Gogh. Se aquele beijo tivesse demorado mais dez segundos, ter-me-ia feito um esboço dos desenhos da Capela Sistina no meu céu da boca. Vamos lá então, disse ela. Ainda te lembras onde moro, não lembras? Porque não sou eu que vou a conduzir e tu vais ter muita dificuldade em prestar atenção à estrada no caminho. Não tinha percebido nada. Nem queria perceber. Tudo começara numa parede branca. Bem, o importante é o que se segue; e se fizer a coisa bem feita, ela vai ficar de todas as cores.
Os Ukulele Orchestra of Great Britain são uma banda constituída por 7 pessoas, 6 a tocar ukulele, que é uma guitarra havaiana parecida com o nosso cavaquinho, e outro que dedilha viola baixo, embora os restantes membros gostem de corrigir com "ukulele baixo". Para além de também comporem originais, os UOGB fazem covers, volta e meia; e covers, ainda por cima, bizarras, são uma perdição pessoal. Por isso, eles têm a honra de despoletar a nova rubrica deste blog, candidata a ter um dos nomes menos originais de toda a história da blogosfera. No Youtube, podem descobrir alguns dos pequenos exercícios irreverentes destes britânicos (o twist que eles dão a "Smells like teen spirit" é delicioso, mas este tema tem tantas versões, e tão diferentes, que merecerá todo um conjunto de posts à parte), mas o que me leva a palavrear isto é uma variação híbrida de ukulele e jazz da canção "Wuthering heights", cantada com trinado falsete de quem está a sentir os seus tomates a serem esmagados pela acção de um torno mecânico por Kate Bush. Para quem não conhece o original, que mereceu um dos videclips definitivos da década de 80, aqui fica:
E agora, a releitura de 2007. Senhoras e senhores, os UOGB.
Ontem dei por mim uma sala de cinema a ver "Burn after reading", dos irmãos Coen. Um filme divertido, uma comédia idiota sobre gente ainda mais idiota. Acho que ninguém escreve personagens idiotas como aqueles irmãos, e quando um burgesso que trabalha num ginásio responde pelo nome de Chad Feldheimer e é interpretado por um Brad Pitt com o desequilíbrio mental de alguns dos seus melhores papéis ("12 macacos", "Fight club"), estamos bem. Principalmente quando Clooney é, no filme, um atrasado mental quase do mesmo nível. Quase, disse eu. Bom filme, à parte, esta sessão ficou marcada por um facto bizarro que nunca me acontecera: até onde a minha vista conseguia alcançar, eu era a única pessoa naquela sala que não tinham ninguém a acompanhá-lo; e quando falo em ninguém, falo na dimensão romântica do termo. Não havia amigos, não havia conhecidos ou parentes (quer dizer, podiam ser parentes, mas assim sendo, seguir-se-ão brevemente bébés com duas cabeças). Apenas e só namorados. A constituição portuguesa não o pode prever, mas este género de facto pode causar celeuma entre pessoas como eu, que tinham entrado naquela sala com o puto intuito de se esquecer de problemas e não vê-lo chicoteados na cara, de cada vez que desviava o olhar do ecrã. A fugra era impossível: ao meu lado, um rapaz, que claramente pensara que a fita era com Chuck Norris, cobrava à namorada o facto de esta ter algum gosto na escolha de filmes e penso que lhe terá feito um molde da cara em saliva. Não sei se deu tempo, o intervalo só durou sete minutos. Este género de coisas deixa-me desconfortável. Isto é como ser pau de cabeceira num encontro, mas neste caso envolvendo dezenas de casais. Numa outra fase, podia estar pior, mas felizmente têm-me alimentado o ego às pazdas nos últimos dias. No entanto, fica aqui o meu pedido a quem de direito: salas diferenciadas para casais e solteiros. Esqueçam lá a história das quotas das mulheres no parlamento: esta sim, seria discriminação positiva, da mais necessária para o equilíbrio mental de toda uma nação.
Quero assumir duas coisas que aparentemente toda a gente gosta e eu, com toda a honestidade, não suporto. Ambas fazem parte da esfera musical e como tal, chicoteiam-me os tímpanos, que, parece, são coisas frágeis e sensíveis. Logo, são facilmente estimuláveis, para o bem e para o mal. Ainda estamos a falar de música, certo? A primeira: os Delinda. Não me venham com a história de renovação do fado, da junção entre música popular e um toque de pop. Aquele grupo não é nada disso. São dois gajos com uma guitarra, miúda vestida de Floribela, a armar-se ao popular e com paleio intelectual e muita pose. Na canção "fon fon fon", anunciam alegremente que detestam erudição e adoram o popularucho; e no entanto, enunciam as variações Goldberg, de Glen Gould, frequentam o CCB e a Gulbenkian só para passear (a razão pela qual alguém vai a um destes sítios para ver obras de arte e é qualificado de erudito é algo que me escapa) e têm grande parte da sua base de apoio nos críticos, que se entretêm a descrevê-los em termos que o próprio Foucault não desdenharia. Em suma, são hipócritas; tudo aquilo que, por exemplo, os Gogol Bordello não são. Tocamos instrumentos populares? Tocamos, sim senhora; aproveitamos a tradição de música balcânica? Ora pois aproveitamos!; temos algum preconceito contra o intelectual? Claro que não. Hoje em dia, parece vigorar o princípio "Paliniano" de que o que é intelectual é mau e inimigo da verdade, como se os intelectuais fossem monstros inacessíveis que desprezam a maralha e ditam o bom gosto. Os bons intelectuais não; os pseudo-intelectuais sim. Como os Delinda. A segunda coisa é a música "The story", de Brandi Carlile, a tal que parece ter sido fruto de uma limpeza da garganta da vocalista através de um piaçaba. Ideal para quem viveu ou gosta de histórias de amor assolapadas. Da última vez que fui ao cinema, uma mulher fez o favor de a cantar em plena sala durante os anúncios. Esta não sei explicar porque não gosto. Mas há qualquer coisa na voz da mulher que me irrita e na ideia de dramatismo que a música parece transmitir.
O Diagram Prize foi criado em 1978 e destina-se a premiar a obra com o título mais estapafúrdio do ano editorial. É atribuído anualmente pela revista inglkesa Bookseller. Este blog apresenta aqui um top 10 pessoal dos nomes mais incríveis que este prémio aconchegou desde os seus princípios, tão fantásticos não só pelo que são, mas pelos potenciais fantásticos livros que escondem:
10 - How to avoid huge ships
9 - Higlights in the history of concrete
8 - Bombproof your horse
7 - People Who Don't Know They're Dead: How They Attach Themselves to Unsuspecting Bystanders and What to Do About It
6 - The Book of Marmalade: Its Antecedents, Its History, and Its Role in the World Today
5 - The Big Book of Lesbian Horse Stories
4 - The Madam as Entrepreneur: Career Management in House Prostitution
3 - Oral Sadism and the Vegetarian Personality
2 - Proceedings of the Second International Workshop on Nude Mice
1 - How to Shit in the Woods: An Environmentally Sound Approach to a Lost Art
Depois do debate entre candidatos a vice-presidente e candidatos a presidente, eis que a América assiste a um terceiro embate: é dada a palavra aos presidentes ficcionais.
Passo uns dias a escrever muito pouco e hoje, uma overdose de posts. É como se fosse maníaco-depressivo, mas sem a parte da mania e sem a parte da depressão. Honestamente, deicidi empenhar-me verdadeiramente no monstro que se auto-apelida de obra de génio universal, mas que eu chamo de tese (ou exterminador, conforme o grau de desespero na altura). É uma decisão arriscada, passar de uma velocidade lentinha para a vertigem do hiperespaço, mas tenho pelo suficiente para passar por Chewbacca.
No entretanto, já se começaram a espalhar rumores sobre a tese. Há já opiniões sobre o que poderá ser e apostas acerca da sua qualidade ou falta dela. Este blog conseguiu obter a opinião generalizada, que o autor subscreve quase por inteiro.
Este blog poderá vir a entrar proximamente no negócio das t-shirts. A estampa de uma das verdades imutáveis universais deste blog, que consabidamente é "BITCHES AIN'T SHIT", tem vindo a ser discutida de há uns tempos para cá, tendo sido apenas interrompida após uma pausa sabática de um dos seus mentores. Por isso, passou-se já há discussão de uma segunda possibilidade que se deixa aqui aos leitores para apreciação e discussão. Não é uma verdade imutável, mas é algo que volta e meia apetece bradar, seja no emprego ou àquela pessoa cuja morte através da passagem de rolo compressor não satisfaria completamente o nosso sadismo. Neste momento, identifico-me com ela, porque estou num estado mental específico, em que o meu organismo não carbura bem a tristeza: transforma-a de imediato em raiva, e sendo assim, assenta bem neste belo estado de espírito que me torna num digno candidato a viver eternamente fechado num bunker. Sem mais paleio, eis o espirituoso dizer:
If I kiss you where it's sore Will you feel better, better, better Will you feel anything at all
Born like sisters to this world In a town where blood ties are only blood If you never say your name out loud to anyone They can never ever call you by it
If I kiss you where it's sore Will you feel better, better, better Will you feel anything at all
You're getting sadder, getting sadder, getting sadder, getting sadder And I don't understand, and I don't understand But if I kiss you where it's sore If I kiss you where it's sore Will you feel better, better, better Will you feel anything at all
Eu desonfio muito seriamente da independência deste pedaço de terra do tamanho do Cabouco, mas hei, isso sou eu. Parece-me que se abre um precedente perigoso e tal, direito internacional, histórias muito mal contadas da do final da década de 90 e início do século XXI. Mas tais considerações, vou guardá-las para um post em preparação sobre países que não são países, mas que querem ser. É um tema mais engraçado do que parece.
Este anúncio da Quercus envergonha quem, neste momento, anda a criar publicidades para telemóveis cada vez mais decadentes. Consciência e uma brutal criatividade no mesmo prato da balança. Sigam o link.
Vem aí coisa má. Não possuo nenhum sentido-aranha, nem sou Nostradamus, mas há qualquer coisa aqui dentro que se enche como uma bolha e estás prestes a rebentar. É um certo mal-estar que se dirige a toda a velocidade contra a minha vida, batendo nos destroços actuais e transformando tudo num certo cenário apocalíptico. Estou com essa súbita impressão agora. Porra, não me vai passar.
Chiça, que dói quase fisicamente.
Como era mesmo o título daquele livro de António Nobre?
... ao post anterior. Comparar Paul Newman ao Camilo não é a melhor maneira de mostrar a importância da morte deste enorme actor. Muitas vezes se fala de James Dean e Maron Brando, que fazem parte da mesma geração de Newman, como actores que definiram o que era a interpretação, que reinventaram o ofício e são referências. Mas Newman foi tão moderno quanto eles, apenas com a diferença de que era incrivelmente discreto no que toca ao seu trabalho e à sua vida, e ao invés de ser símbolo de rebelde sem causa, era um rebelde com causas, tendo como prova as várias instutuições de caridade que criou ao longo da vida. Longe de se considerar em primeiro um actor, considerava-se um ser humano, definido não por boas intenções, mas por acções concretas. Esse é o vazio que deixa Newman: o exemplo de alguém que compreende o poder que o seu nome "sonante" tem no mundo e a responsabilidade que ele acarreta. Para além disso, como cinéfilo, há "Gata em telhado de zinco quente", há "Butch Cassidy and Sundance Kid"; há "A golpada"; há "A cor do dinheiro"; há "Hud, o mais selvagem entre mil"; há "Cool hand luke"; há "A cor do dinheiro"; há "O veredicto"; há "The hustler". Morre um dos maiores. Dos poucos que ainda sobram. Obrigado, senhor Newman.
Na verdade, foi a uma quinta. O meu irmão tem uma certa habilidade para entreter os pés com uma bola de futebol. Quando digo "uma certa habilidade", estou a ser irmão, pois claro, a diminuir-lhe as capacidades. Já há algum tempo que ele andava com vontade de exibir esse entretém numa equipa de futebol a sério; e descobriu que os júniores do Mirandense, de Miranda do Corvo, estavam a formar uma nova equipa. Após um mês de treinos, eis que surgiu o primeiro jogo, contra os seniores do Operário de Lamas. E aqui acaba a contextualização do post. Obviamente, fui ver o prodígio em acção. O que eu tenho em auto-comiseração, tem o meu irmão em confiança, e a forma como ele fala do seu talento fá-lo parecer o Cristiano Ronaldo, sem o cabelo parolo, mas semelhante estampa física. Por isso, afastei-me do meu portátil e da minha tese e desloquei-me, em romaria com o resto da família, ao pelado do Mirandense. O estádio resume tudo aquilo pelo qual me sinto fascinado pelo futebol regional: um estádio que tem uma entrada com bilheteira e um porteiro, mas está completamemte aberto do lado oposto; uma caldeira de água quente alimentada e lenha; um campo de areia sem as marcações de linhas; uma baliza meio caminho entre uma bancada e o campo, proporcionando um perigo de traumatismo craniano ao lateral mais esbaforido. Instalei-me nas bancadas e atrás de mim, alguns miúdos que tinham treinado uns minutos antes instalavam-se para ver a partida, ainda de fato de treino, cabelo molhado saído do chuveiro, toda uma cultura própria na antevisão do desafio. Mas antes, uma pequena discussão sobre os melhores sítios para jogar Black jack no concelho de Miranda do Corvo. Só depois soube que Giggs e Rooney jogavam nos júniores do Mirandense Aparentemente, o meu irmão não era o único craque do bando. Quando as duas equipas entraram, percebi que Rooney e Giggs eram alcunhas derivadas de parecenças físicas; mas aquele tipo de parecenças que leva a que, ocasionalmente, eu seja confundio com o Brad Pitt na baixa de Coimbra. O jogo começou. O meu irmão actuava a extremo-direito, mas a bola não lhe chegava. Assim, o jogo não tinha interesse. Foi aí que se deu o momento, quando pude assistir ao vivo, a cores e, infelizmente, a cheiro, à chegada do famoso Vítor do Poste. Para quem não conhece, fica a figura:
Pude comprovar que o homem é mesmo especialista: não se sentou atrás do seu fiel companheiro, mas sacou um fora-de-jogo no lance no primeiro golo do Lamas, o seu clube. A fazer ver a muito árbitro. Aqui está alguém que vive o futebol a sério, que gesticula e berra lá para dentro, enquanto manda piadas acerca da orientação sexual de alguns espectadores. Pelo meio, no banco do Mirandense, alguém começa a tentar repetir o seu belo discurso n' "A liga dos últimos". Vítor do Poste, com a calma dos sábios, corrige-o: "Não é "Nós é que sabemos. É a gente é que sabemos!" Se o futebol fosse um espírito maligno, Vítor do Poste substituiria Linda Blair em "O exorcista". Enquanto destrinça, dá orientaçoes, e a coisa resulta: o gurda-redes do Mirandense manda um frango e o Lamas chega a 2-0. Entretanto, a bola chega em condições ao meu irmão pela primeira vez em todo o jogo. O puto fez o que sabe: deixou três tipos com o dobro do físico dele a comer poeira, puxa a culatra atrás e toma lá disto. O guarda-redes adversário, com umas estranhas botas à Vegeta, defende a custo. Mas os benjamins espectadores que assistiam na bancada erguem-se e abrem a boca. Um diz: "Foda-se, o gajo papou 3." Vira-se outro: "Claro, meu, é o Cristóvão. O gajo joga de caralho!" Passado pouco tempo, acabou a 1ª parte. Entretanto, vim-me embora, que eram quase dez e ainda não tinha jantado. Futebol é futebol, mas não me dá de comer. No final, ficou 3-1 para o Lamas. O golo do Mirandense foi do Cristóvão, num estoiro de fora da área, que deve ter provocado novo orgasmo aos bambinos que assistiam. E chegado a casa, o herói do jogo vinha cansado. Quis ir a um convívio no pólo II, mas a mãe não deixou. Arremeteu-se ao cansaço e foi dormir. As comparações podem ser muito bonitas, mas ao menos, o Cristiano Ronaldo leva uma gaja para casa no final da partida.
Fontes bem colocadas informaram este blog que a GALP vai responder à iniciativa de protesto contra o aumento do preço dos combustíveis de não abastecer neste Sábado: na sexta-feira anterior, vai dobrar o númeor normal de clientes.
Semana e tal de ausência e o homem regressa com quê? Com séries, pois claro. No entanto, perante os resultados dos Emmys de ontem, a pertinência é muita.
"MAD MEN"
Aquela que os Emmy consideraram como a melhor série de 2008 é isso mesmo: a melhor série deste ano. Desenrolando-se na passagem da década de 50 para a de 60, ou seja, no percurso que iria acabar com a liberalização dos costumes, a luta pelos direitos civis e a emancipação da mulher, "Mad men" faz da sua temporalização um aspecto importante da trama. Isto significa, claro, que para se gostar deste série, é também preciso gostar de pensar naquilo que se está a ver. O centro da acção é uma agência de publicidade em Nova Iorque, um antro masculino por excelência, onde o fumo dos cigarros, o tilintar do gelo e os fatos impecáveis se misturam com o flirt declarado e a piada sexista, nos tempos em que a expressão assédio sexual ainda estava algures enterrada num buraco. Não há ilusões: os homens são senhores do seu mundo, e os executivos de publicidade, os chamados Mad men, são o perfeito protótipo disse. Nesta agência em específico, a Sterling and Cooper, o exemplo acabado deste modelo de homem é Don Draper: o macho alpha do escritório, tem uma mulher uns dez anos mais nova, linda de morrer, dois filhos que parecem saídos de um poster americano, é o publicitário mais respeitado da empresa e tem vitalidade suficiente para ter um séquito de amantes. Na Sterling Cooper, temos também Peggy Olson, secretária de Don e claramente uma mulher com mais miolos do que muitos homens; Pete Campbell, fuinha que vê em Draper um herói; Roger Sterling, um dos donos da empresa e o buddy por excelência de Draper; Joan Holloway, abelha mestra da colmeia das secretárias; e mais laguns publicitários e artistas que compõem a equipa do nosso macho alpha. Claro que como qualquer boa série, há sempre um outro problema; e nesta, a questão é que o impecável, cool e fleumático Don Draper pode não ser exactamente Don Draper... O criador da série, Matthe Weiner, fazia parte da equipa criativa que fazia mover "The sopranos" e isso nota-se: "Mad men" é, provavelmente, a série onde se passam mais coisas nas entrelinhas, onde uma frase com sete palavras pode muito bem condensar meia página de coisas que não são ditas em voz alta. É um desafio constante desfrutar plenamente da série, pois exige atenção e cuidado com pormenores. Por exemplo, há uma personagem que é gay, e isto percebe-se muito bem antes de ser mostrado, praticamente desde o primeiro episódio. A combinação entre uma escrita detalhada e um conjunto de actores esplêndido faz com que "Mad men" seja um portento de subtileza. É também a série indicada para feministas não-fanáticas, que acima de tudo percebam que estão a ver o embrião das lutas que travaram a partir daí: a série é também sobre a relação entre homens e mulheres, sobre os papéis que ambos os sexos desempenhavam na sociedade da altura e sobre a altura em que as mulheres acordam para a vida. Algumas, pelo menos. Mas acima de tudo, tudo gira em redor de Don Draper, numa fantástica interpretação de Jon Hamm, um actor que não conhecia de lado algum e que no seu estilo, que pode ser definido como um George Clooney taciturno, projecta a mistura de carisma e ao mesmo tempo de vazio que Draper tem. É difícil definir Draper, mesmo com série e meia já vista, e isso é um triunfo de Ham, que consegue "não representar" que o comum actor desesperaria à procura de um subtexto para mostrar que está actuar alguma coisa. Encontrar o vazio de Draper e a sua vontade de sentir alguma coisa é o triunfo pessoal de Hamm, muito justamente nomeado para os Emmy deste ano, tendo perdido para Bryan Cranston, outro espantoso actor de "Breaking bad", série de que falarei proximamente. No elenco de "Mad Men", destaque para Elisabeth Moss e Christina Hendricks, como Peggy e Joan, duas mulheres de craveira superior, mas diferentes em ambições pessoas, John Slattery, o rei do engate de meia idade Roger Sterling, uma raposa grisalha que sabe bem os terrenos que pisa e como ler pessoas e January Jones como a esposa de Draper, a prova de como as bimbas louras são na verdade um disfarce forçado de tempos em que a mulher bomba era tudo o que se queria. "Mad men" recomenda-se vivamente para quem gosta de complexidade naquilo que vê. Exige paciência, exige respeito, exige dedicação. Mas é uma enorme recompensa para quem gosta de coisas boas. Para quem gosta de ser surpreendido com pequenos pormenores e acima de tudo, para quem gosta de ler pessoas. Essa é a chave desta série.
Esta nova experiência do CERN, com o acelerador de partículas, fascina-me, apenas porque não a percebo. Óbvio que não me refiro à componente científica (qualquer uma dos meus antigos professores de Físico-Química vos poderá explicar, sem equações e paradoxos envolvidos, que eu sou a prova da teoria da Relatividade: sou relativamente estúpido), masà necessidade. Não me vou entrar aqui numa diatribe "NASAtica"de dinheiro gasto em ciência cara quando gente morre à fome. Vou mantar a discussão em termos científicos. O objectivo desta experiência é recriar em tubos catódicos as condições do Big Bang, a teoria em vigor sobre a origem do Universo. Primeiro, terá de se saber se houve um Big Bang. Depois, a ter havido, eu não estava lápara assistir ao evento, mas quer-me parecer que aquilo foi coisa de excelso rebentamento. Por isso, permitam-me desconfiar do director do CERN, quando diz que não há perigo nenhum de alguma coisa dar para o torto. Claro que há: quando envolvemos máquinas e radioactivisade à escala daquele acekerador de partículas, as coisas podem acabar mal, horrivelmente mal. No início da Radioactividade como ciência, a comunidade científica também achava que aquilo não fazia mal a ninguém, e marcas de dentríficos até arcescentavam rádio à sua fórmula habitual, garantindo aos clientes que melhorava a saúde das pessoas. Hoje, sabe-se que para mexermos nos cadernos de anotações de Marie Curie, temos de vestir um fatinho protector. É por coisas dessas que desconfio sempre da radioactividade. Acho que o ser humano tem a tendência para brincar com coisas cujo potencial não entende realmente. Depois, porque é que queremos saber tudo sobre a origem do Universo? A meu ver, isto é uma daquelas ambições que vem do Iluminismo, das ambições megalómanas da Ciência, que quer descodificar e desbravar tudo. É estranho que assim seja, pois a quantidade de coisas que sabemos sobre o nosso próprio planeta é de uma pobreza atroz. Pode ser pouca ambição, mas entre saber as origens do Universo e conseguir prever tremores de Terra com exactidão, as minhas prioridades estão estabelecidas; entre procurar o bosão de Higgs e resolver, de uma vez por todas, a questão das alterações climáticas, sou um realista; entre desvendar os segredos da matéria e os segredos de um tumor maligno, embora ambos sejam mais importantes que os segredos de "A última ceia", acho que só um deles pode realmente prolongar a vida. Conclusão: a Ciência é espectacular, permite-me estar aqui a cortar nela através de um computador e de uma linha telefónica, mas é claramente mais cabeça no ar do que eu, e isto é dizer alguma coisa.
A segunda metade do ano cinematográfico costuma ser normalmente dedicada aos filmes com potencial de premiação, nomeadamente com potencial de Óscares. A época de blockbusters ficou para trás e tem de se esperar pelo Natal para encontrar um ou outro espécime, que vai rareando cada vez mais nesta altura. É por isso que este post que destaca alguns dos potenciais bons filmes que estrearão entre este mês de Setembro e Dezembro no mercado norte-americano (vamos estender estreias até ao mês de Março em Portugal) focará maioritariamente fitas sérias ou pelo menos substancialmente artísticas.
"BURN AFTER READING"
Depois da consagração nos Óscares (com 3 prémios só à sua conta), os irmãos Coen seguem "No country for old men", que é pouco menos do que deprimente em termos de ambiência, com uma comédia que promete ser perfeita para apreciadores do desmiolado em celulóide, e que envolve um agente da CIA demissionário, um CD que aparentemente tem segredos governamentais, dois donos de um ginásio e Geroge Clooney como bronco de serviço. Apesar de terem ficado famosos quando entram negrume adentro, os manos têm no currículo belas comédias como "The big Lebowsky", "Raising Arizona" e "Oh brother, where art thou". Brad Pitt, George Clooney, John Malkovich, Tilda Swinton e Frances McDormand. constituem o elenco.
"RIGHTEOUS KILL"
Um motivo para se ver este filme? Al Pacino e Robert de Niro como uma dupla de polícias. Ou seja, aquela cena no café em "HEAT" expande-se para a totalidade de uma longa-metragem. Acho que isto basta.
"BLINDNESS"
José Saramago adaptado ao cinema por Fernando Meirelles? O bizarro aconteceu. Saramago não é dos escritores de que mais gosto, mas a sua ideia de uma terra de cegos onde uns poucos que vêem têm de ser reis é bastante interessante por si; pegada por Meirelles, um homem que fez duas longas-metragens arrebatadoras ("Cidade de deus" e "O fiel jardineiro"), pode vir a resultar numa fita poderosa a todos os níveis. A história de uma epidemia que começa a cegar a população mundial e as consequências no teciodo da sociedade actual é interpretada por Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Danny Glover e Sandra Oh.
"APPALOOSA"
O western tem ressurgido em força nos últimos anos. Em 2007, "3:10 to Yuma" foi um enorme sucesso de bilheteira, misturando os temas tradicionais do western com uma abordagem moderna do modo de filmar. Este ano, Ed Harris, que é um extraordinário actor, junta Viggo Mortesnsen e Jeremy Irons, que dispensam adjectivos como intérpretes, e adapta um livro de Robert Parker, que conta a história da disputa entre dois amigos (Harris e Mortensen) e um latifundiário vilanesco (Irons). Homens duros num género duro.
"MIRACLE AT ST. ANNA"
Realizar filmes de guerra é uma estreia para Spike Lee, realizador pária que voltou a cair nas boas graças do mainstream depois do sucesso de "Inside man". Para que a transição não fosse muito forçada, a história é sobre um esquadrão totalmente composto por soldados negros, algures em Itália, em plena 2ª Guerra Mundial. Para não variar, Spike Lee já começou a irritar gente. Clint Eastwood levou no maço por causa de "Flags of our fathers" e os Coen apanharam por tabela. Os italianos, esse povo que pouco tem de racista, também já se mostrou algo incomodado em ver Lee a rever-lhes a sua história do conflito. É esperar para ver, principalmente quando este filme começa a cheirar a Oscar.
"RELIGULOUS"
O realizador de "Borat" e Bill Maher, indivíduo que está para a Direita como a sarna está para os cães, num documentário declaradamente ateísta, onde ambos percorrem o mundo, questionando o porquê das crenças religiosas das pessoas? Mas este parece ser o filme incendiário do ano!
"ROCKNROLLA"
Guy Ritchie, depois de duas sovas da críticas seguidas, com "Swept away" e "Revolver" (que, batam-me, achei ser um filme interessante) regressa ao estilo que lhe trouxe a reputação: gangsters perdidos em bolandas pelos subúrbios de Londres. Soa a repetição, mas "Snatch" e "Lock, sotck and two smoking barrels" são dois grandes filmes de entretenimento até mesmo no Usbequistão. Gerald "300" Butler, "Idris "The Wire" Elba e depois Tom Wilkinson, Thandie Newton e Jeremy Piven embarcam na viagem, com uma estrela de rock drogada e a máfia russa em disputa com gangsters ingleses. Já se parece mais com os filmes de Guy Ritchie que conheço.
"BODY OF LIES"
Um thriller sobre o combate ao terrorismo no Médio Oriente, realizado por Ridley Scott e protagonizado por Leonardo Dicaprio e Russel Crowe. O suficiente, penso.
"W."
O actual presidente dos EUA ainda não saiu do cargo e já há um biopic feito sobre a sua vida. Oliver Stone é o realizador e isso já põe as pessoas de pé atrás. No entanto, há que lembrar que este é o mesmo homem que fez "Nixon", um execelente filme sobre o homónimo chefe de estado e que acabou por ser um estudo de personagem justo e surpreendente, quando se esperava o pior, e era fácil entrar pelo pior. Apesar do retrato facilitista que dele tentam fazer, Stone é um autor complexo e a interpretação de Josh Brolin como Dublia Bush parece acertar na mouche. Para mais, temos toda a entourage da mitologia Bushiana presente, e o filme estreia por altura das presidenciais de 2008.
"CHANGELING"
Clint Eastwood envereda pelo thriller sobrenatural, anos depois de "Play misty with me". Aqui, Angelina Jolie é a mãe de uma criança que desaparece de casa. Semanas mais tarde, a polícia devolve-lha. O problema é que... não é a mesma criança! Tem, pelo menos, um ponto de partida interessante.
"QUANTUM OF SOLACE"
Quem diria que algum dia conseguiriam reinventar James Bond? E que o homem mais criticado em antecipação, quando se anunciou que ia vestir a pele de 007, seria afinal o único capaz de pedir meças a Sean Connery? (Ok, eu pressenti esta segunda quando vi "Layer cake"; mas esqueci logo de seguida, por isso não foi coisa séria). "Casino Royale" foi um caso tão sério que se chegou a falar, com toda a naturalidade, de Daniel Craig podia ser nomeado para melhor actor. "Quantum of solace" é, pela primeira vez na franchise, uma continuação directa do filme anterior, e a direcção pertence ao ecléctico Marc Foster, que entre outros, fez "Finding neverland" e "Monster's ball". Desta vez, Bond procura vingança pela morte de Vesper Lynd e vai atrás do consórcio corrupto por detrás das acções de "Casino Royale". Blond Bond is back... with a vengeance.
"AUSTRALIA"
Baz Luhrman, a maníaca mente que arquitectou "Moulin rouge" e "Romeo and Juliet", experimenta agora o épico, com este filme que pretende abordar um capítulo da história do seu país, a 2ª Guerra Mundial. Nicole Kidman é uma dama inglesa que herda uma enorme quinta na Austrália e tem de aceitar, pela sua inexperiência, a ajuda de um rancheiro interpretado por Hugh Jackman. Imaginar Hugh Jackman de camisa de ganga entreaberta deve fazer ventilar algumas das leitoras, mas para os restantes, Luhrman nunca fez um filme feio e o mínimo que se pode esperar de "Australia" é uma delícia visual que supere "Moulin rouge". Para além disso, será interessante ver o que um esteta puro e iconoclasta fará com um género tão tradicional como é o épico.
"MILK"
Gus van Sant regressaa o mainstream, com este biopic sobre Harvey Milk, vereador da câmara de S. Francisco na década de 70 e que ficou para a história como o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos EUA. Sean Penn interpreta Milk e pelo trailer, parece estar o Penn do costume, ou seja, excelente. James Franco, o ubíquo Josh Brolin e Emile Hirsch completam o cast de um filme altamente falado para a Oscar season que se avizinha.
"DEFIANCE"
Ed Zwick é um paladino de causas e de histórias esquecidas pela História, e depis de "The last samurai" e "Blood diamond", volta a pegar em factos pouco conhecidos: aqui, a resistência judaica aos Nazis na Bielorrússia. Se o tema parece à partida o costume no que toca a Holocausto, o casting levanta interesse: Daniel Craig, Liev Schreiber e Jamie Bell fazem de irmãos coragem, que de armas na mão, tentam escapar com um grupo de conterrâneos judeus para paragens mais seguras. Se Zwick não ceder às tentações do último quarto de hora de "Blood diamond", isto pode dar certo. Destaque para a direcção de fotografia do português Eduardo Serra.
"THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON"
David Fincher e fábulas românticas são dois conceitos normalmente incompatíveis. No entanto, este filme pode mudar isso: a adaptação de uma short story de F. Scott Fitzgerald, sobre um homem que nasce velho e percorre a sua vida sempre a rejuvenescer para morrer bébé é bizarra só por isso, e um conceito altamente interessante. Brad Pitt interpreta a personagem principal e Fincher rodeia-o por Cate Blanchett, Tilda Swinton e Julia Ormond. Blanchett parece interpretar o grande amor da sua vida e abordar todas as questões metafísicas e humanas relacionadas com o estranho padecimento de Benjamin Button será certamente a grande força do filme, tendo em conta os gostos de Fincher. O filme demorou dois anos a ser feito, sendo que Fincher estava envolvido em simultâneo com "Zodiac" e a supervisionar os efeitos especiais relativos às várias fases de rejuvenecsimento da perosnagem de Brad Pitt, numa minúcia demiurga típica do realizador. Por todos os motivos e mais alguns, é o meu filme de 2008.