segunda-feira, outubro 15, 2012

Cordeiros



Reli palavras que te escrevi há alguns meses, e não sei quando fui mais parvo: se na alturas em que as pus num papel, se no momento antes em devia ter sido concreto e achei que um caderno era a melhor forma de mostrar o fogo de artifício de chinês que me deixa a mente embicada quando te olho. Esperar é um trapézio, mas escrever é uma rede de segurança que torna longa a espera. Eterna, mesmo. As palavras não são um atalho, apenas uma longa rotunda que prolongam a circulação, com duas faixas, e cuja saída pode ser muito, muito perigosa pelo trânsito numeroso e persistente.
É mais confortável sentar-me e ler o que te queria dizer. O que pensei que te quis dizer, e o que guardei por adorar jogas às escondidas comigo mesmo. À espera que me marques.
Um dois três Bruno.
Mas continuo escondido. É da maneira que o jogo se prolonga.

1 comentário:

Juliana Lobo disse...

também já incorri na escrita como segurança e parece-me plausível querer que o coração tb assim esteja: "seguro". mas a corda é bamba e a espera é um risco. então, se não for apenas poesia, não deixe que a rotunda te coloque num círculo vicioso.