sexta-feira, maio 14, 2010


A visita do Papa levou a um fenómeno que acho curioso, e a cujo desenrolar assisto principalmente em redes sociais. De súbito, as pessoas descobriram a sua posição no que toca à religião; e uma grande parte assume com orgulho um certo ateísmo ou uma coisa que acho algo idiota que é a do catolicismo não-praticante (já explico porque acho idiota, até porque tnata porradinha vou levar, ai Jesus... pimba, blasfémia! Este homem não pára!). Boquinhas à Igreja abundam; Deus não existe e há dúvidas sérias sobre se Jesus Cristo não será tão real quanto os 3 porquinhos e o Lobo Mau; e de repente, Bento XVI é o grande responsável pelos males do mundo.

Na televisão, as pessoas acorrem em magote para ver passar um homem que simboliza não uma religião que prega o Amor como principal virtude, mas sim uma organização granítica e cheia de artrose, que se orgulha de ser a intermediária entre uma entidade divina superior e todos nós que somos a ralé e a escumalha do mundo, que será apenas remida se acreditar nela e seguir, claro, o que aquele senhor de branco diz.

Acho isto profundamente engraçado, porque vivo entre estes dois mundos. Sou um agnóstico assumido. Ainda não me conformei ao materialismo duro, e ainda procuro algo que façla sentido dentro de mim. Já percebi que não o encontrarei na Igreja Católica, ou em nenhuma variante do Cristianismo. Por outro lado, tenho de dar a cara pelo rumo desta instituição que acho ridícula, pois faço parte de um movimento católico que cada vez mais afirma a sua fé e se coloca ao serviço das entidades eclesiásticas. A minha consciência não sobrevive bem com flip flops de atitude. Infelizmente, como tenho descoberto ultimamente, ela vai-se habituando. Isto não me é muito gravoso no geral. Considero-o até um sacrifício de carácter que muitos católicos fiéis não desdenhariam.

Uma coisa que me supreende é o abespinhamento que certos sectores têm a atitudes da Igreja. Já aqui o fiz neste blog, mas quanto mais penso, mas tenho a atitude "Para quê chatearmo-nos?". Gays, porque é a hipocrisia católica relativamente ao vosso casamento vos chateia? Se a lei permite, o que interessa a opinião de velhos raquíticos? Têm o pássaro, cuidem dele; e porque andar a protestar por causa da recusa em aceitar que o preservativo não é um instrumento de Satã? Querem um bom protesto? Peguem na vossa cara-metade (melhor, para chatear, peguem em alguém que não seja a vossa cara-metade), metam uma carapuça e catraquem à vontade.

O que nos conduz à observação do primeiro parágrafo: o católico não-praticante. Um católico não-praticante é um agnóstico, basicamente: crê numa entidade superior, aceita uma existência mística, espiritual ou transcedente e recusa o materialismo. Isto pode ser polémico, mas uma parte importante do catolicismo são os ritos e as crenças dogmáticas. Não falo de crer no que a Igreja diz (é uma comunidade de homens), mas sim no que diz a Bíblia, que sendo certo que é um livro escrito e eleccionado por seres humanos, é assim de caras a base uma fé. É o defeito de ser uma religião do livro, mas quem aceita as regras do jogo e se vê como membro da equipa, deve jogar segundo as regras.
Pelo que referi no terceiro parágrafo, não sou o melhor arauto destas coisas, obviamente. Mas a minha ligeira hipocrisia não faz dos outros coerentes. Faz deles o que são por natureza: indecisos.

No cômputo geral, girinha a visita do Papa. Linda, para quem foi só vê-la; um pesadelo, para quem viu a sua vida alterada por causa dela. Mas esse é um dos clichés de razões da Igreja para as maldades que acontecem na nossa vida: os caminhos do Senhor são misteriosos e ele coloca-nos testes de fé. Mas da úlima vez que verifiquei, os testes eram demónios a sério, não agentes da PSP; e os primeiros são de certeza muito mais credíveis.

sábado, maio 08, 2010

Promoção 1

Associamos a promoção mais ao cinema do que ao pequeno ecrã. Normalmente, somos brindados, neste segundo médium, por fotos simples com o cast principal e o suficiente para sabermos ao que vamos: mistério, romance, o que raio é aquela xaropada de "Grey's anatomy". No entanto, de quando em vez, a arte e o sentido de humor chegam à publicidade das séries de televisão. Ficam aqui alguns exemplos.







A excitação da vida militar

Uma verdadeira tragédia


Na semana passada, estreei-me em plenas funções na capacidade de actor trágico. Tivera, há uns bons anos, uma ligeira aventura por tais territórios, mas muito basicamente, limitava-me a ser humilhado em palco, e morto fora dele. Tendo tudo em conta, acabava por não ser um grande esforço de fingimento de actor, pelo que me acontecia nessa altura.
No entanto, este ano, meti na cabeça que queria fazer algo de diferente. Eu sou espectacular quando essa ideia me começa a escarafunchar o cérebro. Da última vez que isso aconteceu, acabei com uma putativa tese no colo, que nunca mais consigo despachar. Tenho a capacidade de planeamento de uma harpa e isso acaba sempre por me sair caro. No caso de que falo neste post, saiu-me do corpo e do próprio orgulho. Um papel dramático envolve, claro está, drama; e este, o de um rei que (SPOILER ALERT)encontra a mulher morta quando chega a casa, expulsa o filho e depois, acaba por matá-lo e ter de lamentá-lo, ( FIM DE SPOIELR) obriga-me a exercitar certos músculos do meu coração que estão povoados de mini-aneurismas vários: tristeza, luto, dor, evitar cantar a mim próprio "Bitches ain't shit". Eu não sou muito bom a exprimir tristeza de qualquer tipo. Sou mais sorumbático e chateado, não tanto "ai ai ai, choro e ranger de dentes". O que este papel me obriga a fazer, de actuação para actuação, é ser um fingidor. Sei que não sinto completamente aquilo, por isso faço figura de urso, umas caras de tristeza, embasbacamento e raiva, e tento que a plateia à minha frente acredite naquilo. Ou pelo menos, não pense "Meu, aquele Diogo Morgado é mesmo bom actor comparado com este gajo!".
A noite de estreia foi um exercício de fingimento perfeito. À minha volta, gente tremendamente nervosa, a perguntar-me se também estava.; eu, o centro estóico em mundos a tremelicar, dizia que não, que nunca ficava nervoso, e parecia o Mourinho no centro do relvivado em Milão, a olhar o medo nos olhos. No entanto, por dentro, depenava-me todo. Quando me junto com a tristeza, as probabilidades de espectáculo deprimente aumentam tão vertiginosamente quanto o decote da Scarlett Johansson. Havia excelentes hipóteses de aqui o menino entrar em palco, vestindo uma roupa que se assemelha ao bibe da primária de um garoto transmontano, e descarrilar uma peça que vinha a correr bem até então, pelo simples motivo de ser simplesmente mau. É o tipo de coisas que pode fazer pessoas mais impressionáveis fazer esculturas de matéria fecal nos joelhos.
A coisa, vá lá, nem me correu mal. Ao que parece, ninguém ficou a pensar que estava a apertar flatulência em palco, e isso só pode ser bom. Apesar de ter sido numa tragédia, foi engraçado sobreviver a um certo arrepio de medo que me atravessou a espinha durante algumas semanas; e ter de beijar uma rapariga em palco, ainda por cima com os meus pais a ver (pergunta de pai no jantar do dia seguinte: "Ouve lá, mas tu beijaste mesmo aquela rapariga? Está bem, está...") e de trabalhar com um grupo de pessoas que achincalho todas as semanas, mas que no fundo, até nem são más de todo.
A sério: isto não sou eu a fingir. Disfarço, mas não sou assim tão bom.

quinta-feira, abril 29, 2010

"Kick-ass"


"Kick-ass" é um filme em cuja palavra "demência" pode ser usada para explicar basicamente o que nos inspira, enquanto o vemos. Porquê? Poderão ler em várias críticas coisas que envolvem palavras como "meta-diegética" e "desconstrução". São giras, mas claramente uma tentativa de intelectualizar o parzer culpado de se gostar de um blockbuster. A BD de Mark Millar e John Romita na qual o filme é baseado presta-se a isso, a essa análise. Mas quem é honesto, admite que o filme é demente, porque tem uma miúda de onze anos a matar mauzões como se não houvesse amanhã.
Mas lá chegaremos. O filme conta em traços gerais a ideia parva que um adolescente nerd tem de se transformar um super-herói. Para ele, basta vontade e um fato parolo enviado pelo correio. Claro que o primeiro pensamento é "Oh não, mais um daqueles filmes em que não damos nada pelo herói e afinal, ele sempre teve os poderes dentro dele", mas o filme rapidamente afasta essa ideia e enquanto se entretém a satirizar os fenómenos de popularidade internética, mostra-nos que o adolescente, Dave Liszewski, é mesmo tótó. É quando os verdadeiros heróis do filme surgem que a coisa passa do mundo adolescente para o dos super-heróis a sério. Big Dady e Hit-girl, um pequeno prodígio da matança que com a sua katana dupla, entra realmente a matar no filme, têm, ao contrário de Kick-ass, capadidades para deter criminosos. Mas também muito pouca sanidade. rapidamente os três entram em rota de colisão com o mafioso da cidade, Frank d'Amico, e também o seu filho, Chris.
A mensagem do filme é simples: "Sem grande poder, vem uma grande responsabilidade", um riff aos filmes do Homem-Aranha. Matthew Vaughn, o realizador, é um cruzamento bizarro entre o John Woo de Hong-Kong e um Michael Bay com juízo: aproveitando habilmente um orçamento relativamente magro, ele transforma "Kick-ass" num pequeno concentrado de loucura visual e de história, com Nicolas Cage a imitar o Batman de Adam West e Hit-girl, a miúda acima referida. Ela mata gente, diz palavrões à bruta e aceita a destruição como brincadeira. No entanto, nunca nos esquecemos de que ela é realmente uma miúda, como se fosse a filha perdia da noiva de "Kill Bill" e a Mathilda de "Léon". Isto pode abespinhar moralistas e gente que considera que sempre que se mostra uma arma num filme, as pessoas correm a matar algué, mas é no fundo um espelho da nossa própria identidade fílmica, de aceitar a violência nos filmes como algo de normal e natural. Nesse sentido, o filme é mais paródia ao cinema violento do que ao cinema de super-heróis. Mas consegue ser bem sucedido em ambos os esforços. Louva-se também o retrato mais ou menos natural do que é a vida de um nerd numa escola, sem exageros. Há apenas uma sub.-intriga envolvendo homossexualidade que achei meio cliché... Mas que ainda assim, tem a sua piada.
É um filme que se recomenda a quem gosta de entretenimento delirante e não tem uma sensibilidade particular a um ou outro tabu. Ah, e não fica revoltado quando vê isto:

http://www.youtube.com/watch?v=BGxLHyk6_h4

terça-feira, abril 27, 2010

Mariquinhas


Ao que parece, um vulcão islandês decidiu tossir o catarro cá para fora, atrapalhar a vida dos europeus e passar por uma coisa assustadora e perturbante, capaz de alterar as vidas quotidianas das pessoas. Este blog,apenas para colocar as coisas na sua devida perspectiva, tem o prazer de apresentar cinco erupções vulcânicas ocorridas nos tempos recentes (os últimos 2000 anos) que arreliaram bem mais do que este escarrinho de nada.

Tambora, 1815 - Um festival. Apenas e só, a maior erupção registada desde a invenção da escrita. 160 quilómetros cúbicos de cinzas explidas, no total. Em 1816, não houve Verão em todo o mundo, porque as cinzas ainda se encontravam em suspensão na atmosfera. Ah, e o pormenor de terem ficado 71.000 mortos pelo caminho, entre os resultantes da erupção propriamente dita e os restantes em consequência de efeitos derivados da mesma. Ah, e Tambora fica na Indonésia, o que não impediu que fosse o principal causador da pior fome do século XIX no Hemisfério Norte europeu e norte-americano. Uma jóia de vulcão.

Krakatoa, 1883 -Continuamos na Indonésia para mais um festival de destruição.Uma erupção tão poderosa que destruiu todo o vulcão e a ilha onde este se encontrava. Explosões tão violentas que foram ouvidas em Perth, Austrália, a 3500 km de distância, e nas Ilhas Maurícias, a 4800 km. A pressão causada pela poderosa explosão final rebentou com tímpanos de marinheiros no estreito de Sunda, Indonésia e foi registada em barómetros por todo o globo, inclusivé cinco dias depois do evento, oq ue não é admirar, visto que a velocidade calculada da onda foi de 1086 km/h. O vulcão expeliu cinza a uma altura de 80 km. Parte dessa cinza, ainda ardente, caiu numa ilha próxima e matou perto de 1000 pessoa,s num fenómeno raríssimo. O resultado mais evidente desta erupção é a existência de Krakatau, uma ilha mais pequena do que Krakatoa, completamente formada pela lava desta erupção.

Hatepe, 180 - Na Nova Zelândia, este brincalhão achou que seria espectacular expelir 120 kuilómetros cúbicos de material piroclástico e assim, transformou os céus de Roma numa vermelhidão brilhante. A coluna da erupção tinha 50 km de altura, o que a transforma numa das maiores erupções dos últimos 5000 anos.



Monte Pelée, 1902 - Na Martinica, arquipélago de ilhas paradisíacas no Pacífico, houve show de bola: a erupção mais detsruidora do século XX; mais de 30.000 mortos; uma cidade destruída por completo apenas à conta de piroclastos; na rota directa do vulcão, sobreviveram apenas dois indivíduos.

Nevado del Ruiz, 1985- Um dos principais cuspidores do grupo de vulcões andeanos, esta coisinha colombiana com nome fofo entrou em actividade séria, derretendo as calotas glaciares que estavam no seu topo. O resultado foi uma avalanche de lama e lava que soterrou por completo a cidade de Armero, no sopé do vulcão. 23000 mortos, na segunda maior tragédia vulcânica do século XX, e a quarta da História.

sábado, abril 17, 2010

Pequenino


Gosto de sentir uma música a tamborilar dentro de mim. Como se tocassem isto num piano que está algures entre os meus queixos e o meu umbigo.

terça-feira, abril 13, 2010

Como descarrilar um país

Trailer Cinema "Pare, Escute, Olhe" from Pare, Escute, Olhe on Vimeo.



Uma das minhas actividades preferidas na minha carreira de escuteiro desenrolou-se para as bandas de Trás-os-montes. Alguém achou que seria uma ideia danada percorrer a pé as margens do rio Tua. Bendita a pessoa e a ideia. Tive a oportunidade de visitar aquela que continua a ser, para mim, uma das mais belas zonas de Portugal, e percorrer um pedaço de caminho único: a linha de caminho de ferro do Tua. As suas curvas sinuosas a contornar montes, os seus carris estreitos onde não parece caber um comboio e a vista sobre o rio que lhe dá o nome são três razões, entre mais, que levam quem por lá caminha (e na altura em que o fiz, ainda não era ilegal) a julgar que passou um portal qualquer e entrou num dimensão à parte.
Li há algum tempo no jornal que esta expressão que utilizei, "pedaço de caminho único", poderá deixar de fazer sentido literalmente: planos de construção de uma barragem ameaçam submergir esse pedaço único de história portuguesa. Não estou a exagerar. A contrução da linha do Tua fez parte de um plano, que alguns chamaram ambicioso, de acabar com a desertificação do interior transmontano e criar assim uma ligação com o resto do país, evitando o envelhecimento populacional. Como parece que esse problema está mais do que resolvido, resolveu-se em primeiro desactivar a Linha e agora querem ver-se livres dela metendo-a debaixo de água. É assim que s eplaneia o rumo e o futuro de um país.
Pode-se chamar a isto de crime. Um crime ambiental, social e de roubo de identidade. Mas tem sido prática em Portugal desactivar esta linhas ferroviárias de média e pequena dimensão e apostar em ferrovias de alta velocidade e grande dimensão. Como se ligar Portugal ao país vizinho fosse mais importante do que manter as pequeunas comunidades nacionais interligadas. Quase como se no slato para a Europa, Portugal se esquecesse de si mesmo e de aquilo que o compõe.
Como já se viu, não sou nenhum especialista em reflexões. Por isso, recomendo o visionamento do documentário de que deixo o trailer neste post. O realizador é Jorge Pelicano, o mesmo de "Ainda há pastores?", e tem todo o ar de poder ser algo de muito interessante sobre esta matéria. Quando lhe puser a vista em cima, logo me alongarei sobre este assunto. Porque embora não seja fascinado por comboios, sou fascinado por beleza; e o betão não me faz cócegas do lobo frontal.

Um blog que tem andado a dormir

segunda-feira, abril 05, 2010

Ah, destes outra vez... Vou ali pôr Tokyo Hotel a tocar e já volto!


A minha visão do mundo assenta em pilares sólidos. Uns são jónicos, outros coríntios; alguns ainda são de mármore de Carrara. Um dos principais, porém, é feito de granito e nem sequer foi trabalhado. É um bloco bruto, puro, de orige,m não modificado e rijo. É feio como o caraças e ninguém gosta de vê-lo, mas ele por ali continua, pois nuncalevou uma marretada suficientemente forte para ir abaixo. Esse pilar tem um post-it escrito a dizer "Ninguém me curte".
Tem muitos anos, este pilar, e fundações imensas. Não sei de onde veio, e já várias vezes me perguntei quem o arrancou e de que formação rochosa surgiu ele, vigoroso, indestrutível e dominante. Muito tempo matutei nestas questões. Cheguei a pensar que num acesso de loucura, eu próprio fiz este pilar; ou que, num twist digno de "Fight lub", o pilar não existe e eu é que o vejo lá; que tal como o Jack do filme, se eu der um tiro no pilar, ele deixa de existir e posso cirandar por aí. A verdade não é essa. A verdade é que por cada ocasião em que penso "Esta merda tem de ir abaixo", aparecem logo vinte betoneiras de cimento a fixá-lo ainda com mais força. Gostava de percebê-lo e estudá-lo, para, enfim, tentar destruí-lo, ou pelo menos transladá-lo para um local mais discreto e menos importante que as minhas fundações. No entanto, é impossível.
Costumo chamar a este pilar o meu inimigo escondido. Porque o é. É um adversário contra o qual luto diariamente. Nunca sei se me diz a verdade, se me fala mentiras através dos buracos por onde o vento sopra e dá ilusões de vozes. O certo é que ele estálá: parado e imponente, inamovível e sem que possa fazer algo para desviá-lo. Houve tempos em que escrever me ajudava. Agora, nem isso. Ultimamente, pensei que conviver aliviava o fardo. Um pouco, mas não o suficiente para que não haja dias em que me apetece adormecer e acordar uns dias depois. Não sei se preciso de truques novos para lidar com este pilar ou simplesmente ignorá-lo. Porque de uma coisa sei: ele vai continuar, a cada dia que passa, com mais calhaus fixá-lo, um após o outro, enquanto se vai tornado a única coisa que consigo ver debaixo de mim. Tenho a certeza que não caio; mas andar sobre brasas nunca pode sr uma experiência agradável. A não se quer se seja um faquir havaiano; e eu tenho a certeza de que nunca estive em Honolulu.

P.S: Parte de mim sabe que mereço esta coisa de estar sozinho. Mas a outra parte de mim que é implicativa, pequena mas com força, não se quer conformar com isso. Acho que é aí que está a raiz do problema: o conflito entre aquilo que mereço e aquilo que parte de mim julga dever merecer. Apelo a mediadores de conflitos entre personalidade que intervenham em sugestões de solução para este conflito quase tão gravoso como os que decorrem no Corno de África.

terça-feira, março 23, 2010

Omedetou, mestre Akira


Perfeccionista para lá do aceitável, intratável, arrogante, mas acima de todos os seus defeitos, um realizador genial. Imperador Kurosawa faria 100 anos, se fosse vivo.Bruno de Figueiredo, a secção de comments é tua para escreveres o post que sou incapaz de lavrar.:)

The fog of war


Estreou há uma semana um dos grandes eventos de media deste ano: "The pacific", a mini-série da HBO que vem com a recomendável chancela "Dos mesmo produtores de "Band of brothers". É como quem diz, Steven Spielberg e Tom Hanks."Band of brothers", para quem sofreu de privação sensorial nesta última década, ou simplesmente não liga a boa televisão, é a extraordinária criação de dez episódios que retrata as desventuras da Easy Company, desde que entram na recruta, passando pelas suas deambulações no teatro de operações europeu da 2ª Guerra Mundial, e acabando no último dia da guerra. É um marco do género, é a guerra como ela é, na sua dureza e violência, mas também camaradagem e espírito de sacrifício. Ficou certamente na memória de quem a viu. Por isso, "The pacific" era aguardada com grande ansiedade.

Depois de ter visto o segundo episódio hoje, estou mais à vontade para fazer uma apreciação. Em primeiro lugar, tenho visto gente a cair na facilidade da comparação com "BoB". É natural fazê-lo, mas apesar de virem as mesmas mãos, são dois tipos de besta muito distintas. "BoB" acaba por ser, à distância, o feel good da guerra: permanecemos com o mesmo grupo de personagens a série toda (camaradagem), conhecemos razoavelmente a história desta Guerra na Europa (identificação pessoal) e é um facto que a guerra na Europa foi de um tipo diferente, com combates em moldes tradicionais, de espera e avanço.Para além disso, havia uma noção da importância daquilo que se conquistava: eram países, logo alvos que compreendemos.

"The pacific" não tem nenhuma destas vantagens. Acompanha maioritariamente três personagens (John Basilone, o herói de guerra; Robert Leckie, o escritor metido nas trincheiras; Eugene Sledge, o rapaz doente que quer desesperadamente servir o seu país) e por isso, é muito mais esporádico e subtil na camaradagem; passa-se no espaço do Pacífico, que é praticamente desconhecido para o espectador comum de séries e filmes de guerra, envolvendo um inimigo muito diferente dos nazis em mentalidade e que envolveu táctias de guerrilha e resistência; e o que os soldados fazem é basicamente conquistar... calhaus. Nâo parece tão apelativo.

Mas é, pelo menos para mim. "The pacific" é a fusão possível entre dois dos melhores filmes de guerra de sempre: "Saving private Ryan" e "The thin red line". Envolve a brutalidade e realiasmo violento de um, e a meditação sobre o que é a guerra e porque parece tão natural à condição humana de outro. O espaço de selva, no regresso ao que é mais primitivo e despojado no ser humano, acentua essa reflexão. O tema é o da resistência do espírito humano, contra os elementos, as doenças e a pressão de numa questão de dias, um leiteiro ser confrontado com a obrigação de se tornar uma máquina assassina no outro lado do mundo. Por isso,passa tempo com os soldados antes de estes serem mobilizados. É menos sobre ser herói e mais sobre relações humanas.

Para os amantes de adrenalina, o primeiro episódio tem apenas uma escaramuça (e uma in-joke muitoóbvia para quem se habituou à visceralidade e tiques de "Saving private Ryan", maso segundo apresenta uma longa sequência que mostra a particular brutalidade e carnificina que se desenrolaram em Guadalcanal,o primeiropalco de batalha abordado na série. É todo um desenrolar de morte e tiros e confusão que nos deixa tal e qual como aqueles soldados: verdadeiramente abananados. E, se numa época em que quase tudo o que vemos na televisão nos quer dar o conforto de estarmos numlugar seguro, algo nos consegue fazer sentir realmente qualquer coisa, para mim já vale muito a pena. Mal posso esperar pelas restantes oito partes de "The pacific"!

segunda-feira, março 22, 2010

Dêem um prémio ao homem!


Dizer que esta carta do Papa, a condenar os padres irlandeses que cometerem pedofilia e assumindo vergonha, mostra coragem é tão lógico como afirmar que os alemães que reconheceram que Hitler até matou uns quantos judeus durante a 2ª Guerra Mundial são uns gajos com um par de tomates imenso.
Quando a coisas mais lógica parece um acto de coragem, parece-me um certo sinal de bater no fundo moral. E o pior é que este posto vem logo a seguir a um anterior que abordava o mesmo tema.

quinta-feira, março 18, 2010

Admiração


Os jornais dizem em parangonas "Oliveira e Costa vai mesmo a julgamento". Eu penso que é realmente triste quando o facto de um criminoso ser realmente julgado virar notícia.

sexta-feira, março 12, 2010

Óbitos


O meu avô morreu de segunda para terça. Isto em termos técnicos, se entendermos a morte de um ponto de vista biológico como o fim dos trabalhos do corpo e transformação do respectivo em cadáver. Na verdade, o meu avô morreu há alguns anos, quando o seu cérebro, devido a complicação de um acidente de mota que ele teve há algumas décadas, lhe pregou a partida definitiva e enterrou aquilo de que eu me lembro dele no pior cemitério de todos: a própria mente. Roubado de si próprio, incapaz de funcionar por si mesmo, o meu avô estava num lar e de cada vez que o visitava, procurava nos olhos dele qualquer coisa que se pudesse assemelhar ao passado. Mas o passado, quando queremos recuperá-lo, acaba sempre por fugir-nos. Só aquele que não interessa é que cai sobre nós aos trambolhões.
Os olhos são um pormenor que me liga ao meu avô. De facto, e recuando três ou quatro gerações, eu e ele somos as únicas pessoas do lado familiar da minha mãe a não ter olhos castanhos. Acho que sempre senti que, de certa forma, algo dele tinha entrado em mim, geneticamente falando. Conseguiu desviar-se de quatro filhos, e encaixou em mim, o seu primeiro neto. Nada mais apropriado, pois vivi equilibradamente entre os meus pais e os meus avós maternos até aos dez anos. Com a morte da minha avó há três anos, e com a dele agora, a infância parece ainda mais longínqua. A memória ainda é a única defesa que temos contra o tempo, mas quando se perdem as referências, parece que também se perde a memória. Ainda mais quando a pessoa que conhecemos já não existe no cadáver que vemos num caixão há algum tempo.
Ainda assim, sem sabê-lo, o meu avô acabou por confortar-me na morte. Há algum tempo que venho a duvidar que o que quer que gere os meus sentimentos está irremediavelmente partido. Há alturas em que devia ser suposto sentir algo e simplesmente pareço um bloco de calcário, mas menos giro quando sujeito a transformação. Mas quando eu vi o caixao do senhor Carlos Albino a descer para a cova, uma arreliação qualquer começou a nascer e de facto, o avô Carlos confirmou que sim, que ainda sou humano. Até quando? Não sei. De qualquer forma, é bom que descubra. Ou então a ausência de eu mesmo é outra coisa que terei de partilhar com ele.E de certeza que, mesmo debilitado da mente, ele teria compaixão suficiente para querer que isso me acontecesse.
Uma coisa é morrer obrigatoriamente; outra é por opção. Esta última é muito mais cadavérica.

segunda-feira, março 08, 2010

O desmancha-prazeres


Entro já a pés juntos e digo que acho que o mulheres a celebrar o dia da Mulher é algo de tão, tão engraçado! Falarem do feminismo e das conquistas das mulheres, nesse mundo onde os homens são vilões saídos de filmes de capa e espada, e no final de contas, saltam aos pinotes com um gesto de paternalismo e condescendência. É giro, isso.
Gosto de ouvir falar do "ser mulher" nos dias de hoje. É basicamente o mesmo que sempre foi, mas com salários. É triste, mas é verdade. Poucas mulheres conseguem escapar ao seu próprio ghetto, e fazem-no porque, normalmente, percebem que ninguém quer ouvir falar de guerra de sexos. Olhem Kathryn Bigelow, por exemplo, que se tornou ontem na primeira mulher a ganhar o Oscar de melhor realização: ela não ganhou o Oscar por ser mulher, ou por querer ser feminina. Ganhou porque construiu o melhor filme dos nomeados, numa área que tem muito pouco de gaja. Foi bem sucedida, porque é competente e não anda a fazer alardes feministas. Como o dia da Mulher.
Enfim, mulheres... Diz-se que são enigmas, e é adequado, porque têm várias semelhanças com a série "Lost": oferecem mais perguntas do que respostas, suhjeitam-nos a uma experiência intensa num ambiente selvagem e a sua ausência de clarificação diexa-nos frustrados, mas quando é bom, há poucas coisas no mundo que me deixam mais aos saltinhos como se tivesse acabdo de comer peta-zetas. Embora as peta-zetas me sejam mais acessíveis.

domingo, março 07, 2010

Previsões: parte 2


Melhor actor secundário e actriz secundária: Na verdade, são duas categorias tão óbvias que prevê-las é perder tempo. Christoph Waltz, por "Inglourious Basterds", e Mo'nique, por "Precious", são os dois vencedores mais óbvios da noite

Melhor actor: Em teoria, Jeff Bridges tem este na sacola. Tem tudo a seu favor: é admirado por todos, há o sentimento que lhe devem um prémio e a sua interpretação é mesmo boa. Quem poderá estragar a festa é Colin Firth, por "A single man". Mas não contem com isso...

Melhor actriz: Ora cá está o primeiro imbróglio da noite; e quem diria que chegávamos ao dia da cerimónia a escrever a expressão "Sandra Bullock é a principal favorita à vitória"? Mas é verdade! Sozinha, conseguiu meter um filme banal nos dez nomeados e tem um charme que resulta estrondosamente com os votantes, superando mesmo Meryl Streep. No entanto, Sandra Bullock a ganhar um Oscar parece ainda algo de demasiado estranho para aceitar de repente. E embora tenha um apoio considerável, é prciso não esquecer que do outro lado há "la Streep". Sim, já ganhou dois Óscares, mas o último foi há quase 25 anos. Os Óscares são mais admiração do que outra coisa. Bullock está nomeada só à conta disso. Mas será suficiente para poder ganhar? Bullock tem alguma vantagem, mas suspeito que Meryl Streep poderá dar a volta. Num terceiro cenário, os votos podem dividir-se e uma terceira opção surgirá. Aí, Gabby Sidibe, em Precious", está muito bem posicionada

Melhor realizador: Por muito que queiram retorcer esta categoria, não me parece que haja grande escapatória e Kathryn Bigelow fará história, ao tornar-se na 1ª mulher a ganhar este Oscar. Lee Daniels, o realizador de "Precious", e Jason Reitman, por "Up in the air", estão logo fora. Tarantino e Cameron são os adversários óbvios, mas ninguém curte muito Cameron, e Tarantino está predestinado a tornar-se no Scorsese do século XXI. Bigelow ganhou o DGA e mesmo os seus adversários dizem: "Dêem o Oscar à mulher". Ajuda que o filme seja extraordinário e que o trabalho de Bigelow seja o principal responsável por isso.

Melhor filme: Ora aqui está a grande discussão da noite. A lógica aponta para o navio no qual irei até ao fundo, mas confusões de secretaria lançaram a confusão na última semana de votações e posição do meu "The hurt locker" parece frágil quando entramos neste domingo decisivo. Campanhas negativas por parte das equipas que gerem "Avatar" e "Inglourious Basterds" (os malvados Weinstein) abanaram o pequeno David, que enfrenta sucessos comerciais e mastodontes comerciais. A luta nesta categoria é essencialmente entre o filme de Kathryn Bigelow e Avatar. Na minha opinião, é um confronto pela alma do cinema. De um lado, um filme tecnicamente revolucionário, que muda as regras do jogo cinematográfico, fazendo rios de dinheiro com novas tecnologias; por outro, um filme sobre a guerra do Iraque, muito bem feito, excelente naquilo que faz dos filmes obras de arte: argumento, realização e realização. "Avatar" não tem nomeações em categorias de interpretação, nem de argumento. Tem uma base de suporte técnico. "The hurt locker" é levado pela crítica. Tem ganho prémios em argumento e realização e há uma noção de que é um dos melhores filmes do ano. No entanto, o seu baixo box-office é um grande handicap naqueles que são os prémios dados por uma indústria.
Por isso surgem dúvidas, mas eu aposto no meu cavalo até ao final: "The hurt locker" vencerá melhor filme. Num mundo perfeito para quem realmente gosta de cinema.

Previsões: parte 1


Os Óscares deste ano são, ao mesmo tempo, os mais fáceis de prever na generalidade(aparentemente... porque ninguém sabe de nada) e aqueles que mais convulsões têm sofrido. Nos últimos anos, tem acontecido aparecer um filme que lidera a matilha durante toda a temporada de prémios, para depois chegar aos Óscares e ganhar com naturalidade o de Melhor filme, e tornar-se o filme mais ganhador da noite. Este ano, tal não tem acontecido. A liderança tem rodado entre vários filmes, em diversas alturas cruciais (nomeadamente entre "Avatar", "The hurt locker" e "Inglourious Basterds") e é um facto que chego a este fim de semana sem certezas de quem levará o galardão máximo.
Como em tudo, terei de me guiar pelo meu instinto. Ele não é muito confiável, mas numa altura em que todos os cenários parecem lógicos, é uma medida tão certa como qualquer outra. Na verdade, tomarei uma atitude de carácter e irei ao fundo com o meu barco. Mas lá chegaremos
Passar-se-á o seguinte: deixarei os meus palpites em categorias técnicas, de filme de animação e documentário, numa primeira parte, e demorarei um pouco mais nas principais, mas essencialmente nas duas grandes incógnitas da noite. Vamos à primeira parte.

Melhor curta-documental: "China's unnatural disaster: tears of Szichuan"
Melhor curta de animação: "A matter of loaf and death"
Melhor curta: "The door"
Melhor canção: "The weary kind" - do filme "Crazy heart"
Melhor caracterização: "The young victoria"
Melhores efeitos visuais: "Avatar"
Banda sonora: "Up" - Michael Giachinno
Melhor guarda-roupa: "Nine"- Colleen Atwell
Melhor montagem sonora: "The hurt locker"
Melhor som: "The hurt locker"
Melhor direcção artística: "Avatar"
Melhor montagem: "The hurt locker"
Melhor fotografia: "The hurt locker" - Barry Ackroyd
Melhor documentário: "The cove"
Melhor filme de animação: "Up"
Melhor filme estrangeiro: "El secreto de tus ojos" (Argentina)-alternativa: "Un prophet" (França)
Melhor argumento adaptado: "Up in the air" - Sheldon Turner e Jason Reitman
Melhor argumento original: "The hurt locker" - Mark Boal (mas iguais hipóteses tem Quentin Tarantino...)

sábado, março 06, 2010

People vs luminary


A pessoa que um dia quiser apresentar um caso em tribunal a favor de me tornar o maior inepto em conhecer raparigas que jamais existiu tem excelentes hipóteses de contsurir um sólido caso nesse sentido. Lembrei-me hoje disto enquanto me mediam a tensão arterial. Yes, random thought...