segunda-feira, outubro 24, 2011

Senna


Nunca gostei de Fórmula 1, mas quando era criança, adorava Ayrton Senna. Nem sei bem porquê, talvez pelo capacete. Não tinha idade ou gosto por carros suficiente para perceber o que tornava o brasileiro um comedor de asfalto tão excepcional. O homem ganhou muita coisa, no período em que, precisamente, ainda tinha idade para me maravilhar com heróis no genuíno fascínio que só o período infantil proporciona, e o dia em que ele morreu foi daqueles que me lembro onde estava, o que vestia e até o que estava a comer, enquanto consegui. Fiquei sem apetite quando vi o Williams a espetar-se naquela curva em Imola, num fim de semana embruxado onde o objectivo do cosmos era o de que ninguém saísse com vida daquele circuito. Senna morreu, como qualquer herói trágico, num período de queda, com indícios e ironias trágicas que apontam para a sua morte: conta a irmã que nesse fatídico primeiro de Maio de 1994, Ayrton abriu de manhã a Bíblia, ao calhas, e a citação que lhe saiu na rifa dizia que Deus lhe ia dar o maior dos presentes, Ele mesmo.
O documentário "Senna" do interessante cineasta britânico Asif Kapadia, é um tributo panegírico à carreira do piloto britânico. Fugindo a lugares comuns da técnica documental, Kapadia evita entrevistas e comentário audio, e utiliza apenas imagens de arquivo (algumas inéditas) e as palavras dos intervenientes para contar a história dos dez anos que Senna passou na Formula 1. O que dali sai é uma estrutura de documentário ambiciosa, onde o filme se desenrola como um bom thriller, numa história real quase talhada para ficção: um homem que desafiava a morte em cada guinada de volante, e que acaba mesmo por morrer; teorias da conspiração envolvendo franceses (Alain Prost sai deste documentário como um fuinha queixinhas); ironia trágica que perpassa todos os momentos do filme; um período onde um homem que considerava o seu génio proveniente de Deus combate contra máquinas informatizadas, e perde. Senna surge como um tipo inicialmente ingénuo, que acreditava no puro prazer de conduzir, e que mudou as regras políticas de um jogo que acabou por tramá-lo. Numa era em que o Brasil era sinónimo de pobreza extrema, ele era um herói, visto pelo povo brasileiro como um foco de luz no seu mundo privado de trevas. A razão pela qual demorou quase 20 anos até alguém se lembrar de fazer algo deste género sobre o piloto brasileiro é algo que me ultrapassa.
Quando chega o fim de semana fatídico de Imola, todas as imagens estão carregadas daquela tensão de quem sabe o que vai acontecer; e por isso, quando acontece, o seu impacto não se diminui mas sim amplifica-se. Daí até final, o filme ensaia uma certa dimensão mítica de Senna, e isso é bonito, mas quando desce ao domínio privado, mostrando as imagens da família e amigos de Senna em redor do caixão, e cruzando isso com momentos anteriores do filme, este documentário alcança uma carga emocional rara no género, e deixou-me em lágrimas como muito poucos filmes me deixaram.
Saber que mais nenhum piloto de Formula 1 morreu após Senna apenas acentua ainda mais a tragédia. Como se o brasileiro marcasse o fim de uma era, e nada pudesse ser igual depois da sua passagem na Formula 1. De facto, isso é totalmente verdade.

quarta-feira, outubro 19, 2011

terça-feira, outubro 18, 2011

Obrigatório


Um filme de hora e meia, passado quase totalmente numa sala rectangular pequena. O calor oprime, a chuva lava, e nessa hora e meia, a total realização do peso da possível morte de um homem acumula-se e espalha-se por 11 jurados, perante a resistência de um deles, o número 12, em não concordar com um veredicto unânime de culpado. Não é sobre quem cometeu, mas sobre o porquê de ele não poder ter cometido, sobre a fiabilidade do julgamento humano e também sobre preconceitos terríveis e uma apatia moral que precisa de ser abanada pela vontade de um só homem, magnificamente interpretado por Henry Fonda, que acredita que é seu dever como cidadão preocupar-se com coisas tão importantes quando justiça e o valor da vida de um indivíduo.
E sem ter comícios políticos ou manifestações, atira-nos na cara aquilo que está realmente mal no mundo de hoje, e o que o lançou nesta crise que parece alimentar-se da nossa carne. Lumet exerce, em pleno e calmamente, o poder de uma arte como o cinema.

domingo, outubro 16, 2011

Missing


O meu desaparecimento dos últimos meses tem explicações muito mais prosaicas do que as que provavelmente me valeriam a absolvição por parte da audiência deste blog. Não andei, de facto, enfiado com areia até aos olhos na Líbia, com uma kalashnikov a tiracolo. É mais um sonho de infância que não consegui cumprir, mas penso que uma da partes de crescer é perceber que o único sonho de criança que conseguimos atingir, com alguma certidão, é mesmo ficarmos maiores. Os outros estão sujeitos a negociação com o mercador da existência.
Decidi-me retirar voluntariamente desta banca durante uns tempos. Honestamente, estava a precisar de não escrever alongadamente sobre mim, a minha vida e aquilo em que tenho pensado. Deambulo pelo Facebook, porque é mais ou menos como o corredor da escola, onde passamos o tempo mais a mandar bocas do que a declamar discursos. Por outro lado, o meu hábito de escrever estruturadamente (ou qualquer coisa que possa passar por isso) tem sido zero, pelo que me abstive de nem sequer teclar o que fosse. Por fim, uma maleita que me acompanha há uns meses, e se tem intensificado neste Verão, tem-me tirado o resto da vontade. Um médico diz que é tendinite, outra diz que é artrite. Pelo meio, a minha mão direita parece ter declarado a mim, e gerado o ambiente perfeito para enésimas piadas masturbatórias.
No entanto, o apelo de vários leitores fiéis (os únicos) fez-me reconsiderar os três motivos anteriores, e forçar-me a escrever coisas daquelas que alguns adoram, e outros simplesmente consideram o pretexto ideal para ganharem ainda mais asco. Neste canto, há para todos os gostos!
Siga a marinha, e que comece o 31 da Armada!

sexta-feira, agosto 19, 2011

Predadores


Notícias da Noruega chegam-nos habitualmente uma vez por anos, pelas Calendas do Nobel, mas este ano, o pais nórdico deu-nos uma figura muito pouco silly para figurar como a vedeta da nossa silly season. Um senhor de seu nome Anders Breivik levou demasiado à letra a expressão "passar o Verão a bombar", e ainda acrescentou o massacre em estilo de serviço completo. Breivik tentou justificar-se. Confesso que quando alguém usa o verbo justificar numa situação dessas, os meus ouvidos, habitualmente desligam-se e preferem ligar a Antena 2, de modo a abstrair-me de quanta crueldade o mundo supostamente moderno tem. No entanto, a minha Antena 2 interior não se pode comparar ao domínio que a minha engrenagem de raciocínio tem; e foi assim que penetrei no glorioso mundo da extrema-extrema direita (por respeito à outra, que em vez de matar gente, prefere deixá-la morrer no mar alto). Breivik anunciou que era seu plano criar uma guerra santa contra o Islão e os emigrantes e devolver a Europa aos genuínos europeus.
Não vou aqui andar a dizer o que muitos blogs falaram desde que tais eventos se sucederam. O que quero ressalvar aqui é isto: Breivik, ao contrário de todo e qualquer estadista europeu pós- década de 60, tinha uma ideia para a Europa. Não deixa de ser uma ideia incrivelmente idiota, cheia de ódio e absolutamente desprezível por qualquer pessoa com valores adequados, mas era, ainda assim, uma ideia. Para mais, possuía também um plano, que se entreteve a urdir entre uma leitura do Mein Kampf e uma vista de olhos pelo catálogo da revista "Guns and ammo". Que um homem claramente desequilibrado, e cuja profissão nem sequer tem nada a ver com política, tenha dedicado esforço mental e tempo a pensar naquilo que um conjunto se senhores e senhora já deviam ter solucionado por esta altura é, talvez, um sinal de uma falência política que já não se via há anos. Breivik é o herdeiro de um conjunto de psicopatas no espaço europeu, mas terá sido dos únicos pan-europeus, numa época onde a Europa perdeu um rumo. Obviamente, não defendo que que Breivik é uma vítima destes tempos em que vivemos. Se ele é vítima de algo, é a da sua própria máquina ideológica, que existe noutros países, graças a uma certa retórica de direita e anti-imigração, lançada por políticos que desconhecem claramente os mecanismos da mente humana. Os políticos, que raramente levam a sério as ideias que anunciam, nunca pensam que aqueles que os ouvem não têm a mesma apatia política.
Por muito que nos assuste, o clima político e económico europeu foi criando mais "Breiviks" que pululam por aí, em países tão insuspeitos como a Noruega. Da mesma maneira que a instabilidade norte-americana das décadas de 60 e 70 criou uma série de dementes serial-killers, a crise (não só económica, mas acima de tudo moral) da Europa vai gerar mais dementes que vêem em actos extremos uma solução e uma justificação em si mesma. Onde a crueldade começa a ser sinónima de banalidade; e não estou só a falar de Breivik.

segunda-feira, julho 25, 2011

Tentar comprovar uma teoria

Nunca ganhei o Euromilhões.

(Esperar uma semana a ver se resulta)

sábado, julho 23, 2011

(Alguma d)A minha gente da outra terra

A persistência da memória


Possuo vários defeitos, em maior ou menor escala. Um dos mais intensos e perturbantes é a minha capacidade de me distrair e abstrair da realidade com a mesma facilidade de um peixinho dourado. A minha mãe escreveu uma vez numa coisa de escuteiros que era difícil conviver com um filho para quem a realidade passa para segundo plano. De facto, muitas vezes, o mundo real é apenas um pormenor na minha cabeça. As reflexões a que me entrego, e aquilo em que penso metem-me a quinta mudança em direcção a uma realidade paralela; e nem nós de cordel num dedo, ou cruzes na parte de trás da mão me podem salvar.
Penso que foi por isso que o meu corpo, mais ciente e existente na realidade do que a minha mente (já dizia o velho Konigsberg que a mente tem todas as aspirações nobres e pensamentos profundos, mas o corpo é quem se diverte mais), cirou um mecanismo que prova, sem apelo, de que não podemos fugir ao passado, nem mudar completamente aquilo que somos. Basicamente, convenceu a minha cabeça de que perdi tudo o que trago, o que me obriga a rebuscar bolso, mochila e qualquer apêndice para confirmar o lugar dos objectos. Isto é completamente irracional, até porque em muitas vezes, sei perfeitamente que é impossível ter perdido o que quer quer seja. Mas ali está o alarme, lembrando-me que uma vez distraído, é-se sempre, e que mais vale ter cuidado.
E resulta. Num ano passado fora de casa, nunca perdi qualquer chave, o que, para alguém que um dia foi de ceroulas para a escola porque se esqueceu de que as tinha vestidas, é grande proeza. A evolução existe, mas a persistência da memória é o seu maior obstáculo.

sexta-feira, maio 20, 2011

Que sociedade temos?

O meu entendimento de economia é muito básico. Apesar de ter lido mais sobre ela nos últimos tempos, em parte para perceber a crise, em parte porque a matéria de 8º ano que lecciono envolver algumas básicas noções económicas que tenho de traduzir para miúdos que têm a dificuldade em perceber conceitos simples como "Indica" ou "Refere", não sou um perito em finanças ou funcionamento da máquina monetária que (dizem) suporta o mundo. É uma lacuna, assumo-a, toda a gente tem brechas na armadura.
Uma coisa onde já estou mais à vontade é em ideologias e lógica ideológica. Estudei-a com mais pormenor e atenção, e considero-a bem mais interessante que sociedades anónimas e capitalismo financeiro. Por isso, pergunto: porque é que todas as tentativas de resolver uma crise que, longe de ser só económica, é também social, giram em torno do valor do dinheiro e não do valor da vida de cada um? Porque é que o pensamento é em gerar mais dinheiro para uns poucos fazendo parecer fácil destruir as condições de vida de uns tantos? Porque quando ouço falar em cortar salários, e benefícios sociais, e deixar ao desbarato algo tão necessário para o ser humano como a cultura, essas soluções nos são apresentadas como lógicas.
Podia ir por aí fora a explicar porquê... Mas o quadro está pintado de forma tão óbvia que até me admira como o museu onde se expõe ainda não foi queimado até aos alicerces.

quinta-feira, maio 05, 2011

My kingdom for a norse

Gostei de "Thor", o primeiro dos três blockbusters da Marvel que estrearão neste Verão e, a meu ver, o mais complicado de resultar. Acho que Kenneth Branagh, para sempre ligado ao bardo imortal de Strattford-upon-avon, fez um excelente trabalho em juntar as duas dimensões que se pediam: por um lado o drama mitico-familiar, com um pai e dois irmãos em conflitos dramáticos com textura o suficiente para não serem ocos; e a vertente pipoqueira de grande espectáculo que um filme destes tem obrigatoriamente de ter. Há, de facto, uma simplicidade e ingenuidade neste filme que remetem quase para uma inocência que já não pertence a este tempo, e isso é salutar. Afinal, nem todos os filmes de super-heróis têm de ser "The dark knight", e isso não é necessariamente mau. Uma análise demorada seguirá mais tarde!
Chris Hemsworth faz as vezes de Thor e entre confusões com a SHIELD (a abrir a porta para o filme "The avengers") e o seu irmão Loki, tem tempo para se apaixonar por uma terrestre. Um deus cai de amores por uma mortal. Classic story. Claro que aqui esta terrestre é interpretada por Natalie Portman, e é portanto uma deusa. Twist!

Baseado em factos infelizmente reais

Dirijo-me a um centro de saúde aqui do ilhéu. Dirijo-me ao balcão de atendimento e a senhora sorri e pergunta-me o que desejo. Cometo o erro de abrir a boca e falar sem sotaque. A disposição da senhora muda de imediato e aparentemente não só não faço parte da lista daquele centro de saúde, como nem sequer estou registado no Serviço Nacional de Saúde, e não posso fazê-lo naquele centro de saúde porque era um problema.

E depois sou eu que tenho alguma coisa contra a Madeira.

quarta-feira, abril 27, 2011

O regresso da vingança

Tenho sido um pai, e deve admitir-se isto. Posso dar várias desculpas, mas nenhuma delas pegará; e até são boas. Que diabo, nem são inventadas, têm de ser boas. Mas o facto é que tenho tratado este blog da mesma maneira que o nosso filósofo in chief tratou o país no últimos anos: com a sobranceria de quem é dono disto e pode fazer o que lhe apetece, sem passar cavaco aos habitantes. A diferença é que nenhum de vós fez uma marcha contra mim. Hey, where's the love?
Neste mês e tal, tive a oportunidade de me aperceber de que preciso realmente de um blog. Várias coisas têm acontecido, e sem o blog a funcionar, perco a voz. Não me interessa que o facebook seja mais imediato. Um blog é uma espécie de logbook de que temos cá dentro; o Facebook é mais um livro de cheques (acreditem que é uma metáfora, eu vi "The social network). Por isso, acorro às queixas de vários clientes habituais e tentarei regressar às lides o melhor possível, alertando para que não se desabituem da parvoíce generalizada que aqui impera.
Uma adenda: nos próximos dias, não terei acesso a Internet regularmente nos próximos dias, por isso essa é a melhor desculpa que posso ter. Desculpa não: motivo. Mas andarei mais por aqui, nada temei; ou ao contrário.

terça-feira, março 22, 2011

Luso-alemão


Dize, que a União Europeia começa na solidariedade entre os seus cidadãos. Dizem também que a Alemanha é o paradigma da organização e da boa educação. Dizem também que sou extremamente bem dotado na zona das virilhas; mas na verdade, uso um par de meias dentro das calças.

Relativamente às duas primeiras verdades, devo relatar o que me aconteceu ontem, em pleno 2 (Linha verde, meus caros amigos...) dos Horários do Funchal. Desfrutava eu da brisa da tarde que me enchia de alento, através de uma janela aberta, quando uma manápula enrugada se atravessa no meu campo de visão e fecha a janela. O dono? Um senhor com ar de, no passado, ter servido como animal de estimação de Josef Mengele em Auschwitz. Nada de pedidos, nada de justificações, nadinha. Uma mão rude a desafiar o espaço alheio e toma lá, ó Bruno. Visto que nunca fui conhecido pela diplomacia (e muito menos por baixar a bolinha, mesmo quando isso é o mais certo e recomendável), voltei a abrir a janela. Estava calor, e aquela era, durante o tempo de viagem, a minha janela; e entre eu ter calor e o homem ter frio, a decisão pareceu-me fácil.

Novamente, a mesma manápula ossuda surge à minha frente e desta vez, nem chegou a tocar na janela. Virei-me de imediato e expliquei calmamente ao senhor que não, que não ia sequer tocar naquela janela, porque estava calor. O homem grunhiu durante alguns segundos. Experimentei o inglês, e recebi novos grunhidos. Finalmente, percebi que tinha encontrado o único cidadão alemão em todo o hesmifério norte que não falava inglês. Por fim, tentei a linguagem corporal, que é universal e toda a gente percebe. O senhor levantou-se do seu lugar, e foi sentar-se mais à frente, onde, e isto é bonito, uma janela ainda maior do que a minha estava aberta. Bonito.


Moral da História: Zé Sócrates, nunca me envies para pedinchar dinheiro à Ângela do Reno.

segunda-feira, março 07, 2011

domingo, fevereiro 27, 2011

Bola de cristal dourada


É já hoje a cerimónia dos Óscares. Anseio sempre esta noite com um misto de temor e excitaçao Este ano com mais pois temo uma limpeza por parte de um filme que nao a merece. Mas ja la vamos.
Em virtude do teclado coxo que já referi apontarei apenas as minhas previsoes e quem eu acho que mereceria ganhar dentro dos filmes que pude ver. Mais tarde já com a completa capacidade de expressao tecerei consideraçoes sobre aquele que considero ter sido o melhor ano em termos de filmes desta minha curta carreira de dez anos como vidente de Óscares. Vamos a elas!

Melhor curta-documental: "The warriors of Qiugang"
Melhor curta de animaçao: "Day & night"
Melhor curta-metragem: "The confession"
Melhor cançao: "I I rise"- "127 hours"
Melhor caracterizaçao: "The wolfman"
Melhores eeitos visuais: "Inception"
Melhor montagem de som: "Inception"
Melhor mistura sonora: "Inception"
Melhor banda sonora: "The king's speech" - Alexandre Desplat
Melhor direcçao artística: "Inception"
Melhor fotografia: "True rit" - Roger Deakins
Melhor montagem: "The social network"
Melhor argumento original: "The king's speech" - David Seidler
Melhor argumento adaptado: "The social network" - Aaron Sorkin
Melhor filme de animaçao: "Toy story 3"
Melhor documentário: "Exit through the gift shop" (complicada esta... "Inside job" tem iuais hipóteses)
Melhor filme estrangeiro: "In a better world"
Melhor actriz secundária: Hailee Steinfeld "True grit" (Melissa Leo era a minha favorita até há uns dias... Mas quanto mais penso mais acho provável que a miudita anhe o prémio à la "The piano")
Melhor actor secundário: Christian Bale "The fighter" (e merece completamente! Mas se "The king's speech" começar a limpar o Oscar vai para geoffrey Rush)
Melhor actriz: Natalie Portman "Black swan" (qualquer outra será vergonha para a Academia... e e ela já vai passar por algumas hoje)
Melhor actor: Colin firth "The king's speech" (basicamente porque é uma interpretaçao do caraças e toda a ente gosta dele)
Melhor realizador: David fincher (As probabilidades estao a favor de Tom Hooper depois de anhar o DgA mas eu vou ao fundo com este navio)
Melhor filme: "The kin's speech" (qualquer outro será uma surpresa de proporçoes inéditas na Academia)

Algumas das previsoes sao fluidas. Se "The king's speech" anhar os dois primeiros da noite que sao direcçao artistica e fotografia. entao limpa tudo e ninuém escapa vivo!
Quem me quiser fazer companhia a ver logo we will always have facebook.: the social network! :D

A lista muito pouco escura


10 - "The kids are all ri ht"
9 - "True rit"
8 - "Winter's bone"
7 - "The kin's speech"
6 - "The i hter"
5 - "Inception"
4 - "127 hours"
3 - "Toy story 3"
2 - "Black swan"
1 - "The social network"

Mais escreveria, se o meu teclado estivesse decente. Daqui a uns dias, quando resolver este problema, esticar-me-ei. Amanha, as previsoes.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Flash reviews


Já entrámos na semana que conduz aos prémios do careca dourado e embora o lema geral neste jogo (que não é outra coisa que não isso) seja "Ninguém sabe de nada", já se desconfia que "The king's speech" esteja a caminho da glória, naquele que, por muitos motivos estatísticos, poderá ser um ano incrivelmente atípico. Como é típico, este blog será o vosso guia nesta tempestade de previsões e filmes, na qual facilmente um espectador desatento se perde.

Para começar nesta semana, publicarei as reviews dos filmes nomeados para melhor filme. Relembro que dois deles ("Inception" e "The social network") já foram aqui analisados. Os interessados poderão procurar no blog or essas apreciações.


"Black swan"


Um filme sobre ballet não é coisa me atraia a atenção, por norma; mas um psico-drama interpretado por Natalie Portman e realizado por Darren Aronofsky é uma história completamente diferente. Aronofsky é habitualmente um cineasta visceral. Tirando "The fountain" (um objecto mais de esilo e graça), a sua filmografia é preenchida por filmes arrancados de umas quaisquer entranhas (negras, habitualmente). "Black swan" recupera esse lado retorcido de Aronofsky. Numa conversa, alguém comparava o cineasta norte-americano ao canadiano David Cronenberg, e apenas numa coisa tenho de concordar: ambos têm uma obsessão pelos limites do corpo e as suas mutações. Mas enfim, com este paleio, perdi 10 leitores potenciais.

A história gira em torno de Nina Sayers (Natalie Portman(, uma bailarina, controlada pela mãe, que tem como sonho tornar-se na prima-ballerina da Companhia de Bailado de Nova Iorque. O caminho para obter esse estatuto é conseguir o papel principal de uma nova produção de "O lago dos cisnes" que está a ser encenada por Thomas Leroy, um duro, pouco ortodoxo e intenso coréografo da companhia. Tudo isto coincide com a chegada de uma nova bailarina, Lily, que é tudo o que Nina não consegue ser: livre, desinibida e selvagem, o que a torna numa candidata ao papel duplo de Cisne Branco/Cisne Negro que encabeça o referido bailado.

A partir daqui, começam os jogos mentais, e fronteira entre o que é real e fictício esbate-se. Na verdade, qualquer um com tarimba de Lynch e afins estará mais ou menos preparado para o que se segue, mas centrar a avaliação deste filme na sua capacidade de surpreender é redutor perante o seu poder. No misto entre thriller de horror e ballett, o filme consegue nunca cair e juntar o melhor dos dois mundos. Por um lado, temos o pânico existente no rosto de Natalie Portman, seja pelo medo de não alcançar perfeição ou pela ideia de que possa estar a perder o juízo; pelo outro, o poder emotivo e a delicadeza da obra de Tcahikovsky dançada pela mesma Natalie Portman com absoluta intensidade e dedicação, e emoção suficiente para me seduzir a mim, que ligo tanto a bailado como aos actos de procriação dos varanos de Komodo. Por muito que me digam que o filme é o horror, não posso ddeixar de me sentir estranho, pois comigo efectuou um jogo de sedução até ao final. A história é forte, por vezes incomodativa na forma directa como nos coloca no turbilhão emocional de Nina, mas ao mesmo tempo, é impossível não querer ir atrás e assitir a um desastre prestes a acontecer. E quando acontece, e permite a Nina renascer em si mesma para a magnífica cena final, o impacto é imediato e profundo. Saímos da sala com uma sensação de levza que parece impossível vinda de uma obra tão pesada e forte. mas acontece. E essa coisa que não se consegue explicar, é, para mim, o melhor de "Black swan".

A segunda melhor é a melhor interpretação da carreira de Natalie Portman, sem a qual o filme não funcionaria. A actriz que habitualmente apelido de deusa tem de faezr das coisas de incrível dificuldade: ser uma bailarina credível e mergulhar num mundo de neurose e paranóia que não é facil de transmitir; e é absolutamente bem sucedida em ambos os objectivos. A câmara de Aranofsky assalta-a constantemente, de perto, nos momentos mais íntimos (uma cena de masturbação, em particular, ocorre-me) e Portman expõe-se uma maneira como nunca vi. É um trabalho físico notável, um mergulho no lado ngero (o trocadilho não é intencional) desprendido e absoluto. Se ela não ganhar o Oscar, alguma coisa estará errada. Vincent Cassel (um lobo, para recorrer a outra ópera russa) e Mila Kunis (a natureza desamarrada que Nina apenas consegue vislumbrar dentro de si no início do filme) são também destaques nas interpretações do filme. Darren Aronofsky conduz o filme como se espera: por um labirinto, habitualmente de espelhos, omnipresentes e a apontar a desfragmentação da personalidade de Nina. Usando a direcção de fotografia (excelente) de Matthew Libatique, Aronofsky nunca perde de vista o foco da história e não se deixa iludir por tramas paralelas, como a relação de Nina com a mãe, usando-as para realçar a tranformação do cisne branco em cisne negro, reflectindo o próprio bailado em que se inspira. Se há crítica que lhe podemos apontar, é a de se colar, por vezes em demasia, ao modelo que utilizou em "The wrestler", dando por vezes a ideia de estar a ir por caminhos já trilhados.

Mas fora isso, penso que Aronofsky consegue a proezade juntar as suas marcas pessoas e uma narrativa até convencional de uma maneira apelativa. "Black swan" é um filme forte, mas justificadamente. É convencionalmente não convencional, como quase todos o thrillers sobre personalidade, mas consegue juntar ballet e cinema num objecto que desperta paixões, positivas ou negativas; e Natalie Portman merece tudo o que lhe queiram dar.



sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Concurso "Quem é o maior calhau?"

Whoever wins, we lose!

Verso/Reverso

Como é que os dois tipos mais novos desta foto são também os que parecem mais sérios? E eu e pagaria para ver um buddy movie com Bardem, Bridges e Firth.