sábado, junho 23, 2012
Ronaldo é a melhor coisa que aconteceu ao mundo desde a criação do mesmo
Vive-se por estes dias em Portugal uma guerra civil, que vai passando despercebida, mas que reflecte, mais do que qualquer grupo ou evento, a nação em que nos tornámos. Falo do confronto quase fratricida em redor da selecção nacional e do seu profeta, um burgesso extremamente talentoso com uma bola nos pés cujo nome é Cristiano Ronaldo. Esgrimem-se opinião contrárias, e quem as dá, não pode voltar atrás. O indivíduo que ouse criticar esse grupo de bravos, excelsos e perfeitos protótipos da perfeição será apedrejado na praça pública das palavras com a mesma força com que Bruno Alves varre as pernas dos adversários. Ou estás connosco, ou contra nós; e se estás contra nós, não podes gostar do teu país, nem orgulhares-te dele. Dizer que Ronaldo desperdiça golos fáceis é um crime; chamares a atenção para as desatenções habituais de João Pereira é mais infame do que o Holocausto; e no fim de contas, o Varela, mesmo sem jogar um rabicho nas partidas onde entrou, marcou um golo de sorte que te deve calar a boca e proibir-te de dizer o que seja dessa malta.
Ora, não é isto uma estupidez? Claro que é; mas é uma estupidez que pedimos e a que não podemos fugir! Afinal, quem é que aceitou este paradigma de ligar os humores e feitos de jogadores de futebol à alma de um país? Fomos nós, ajudados por campanhas publicitárias gigantes e a habitual dedicação da classe política em forjar uma ligação com o povo através do desporto, já que não consegue fazê-lo pela competência das suas decisões. Lentamente, caminhámos durante anos até chegar aqui, desde que o Benfica começou a ter sucesso internacional no tempo do senhor grisalho e moralista. Os feitos de atletas são celebrados ad nauseam pela máquina mediática, de uma forma que não se vê noutras áreas, salvo raras excepções.
Quis-me alguém convencer que não é muito diferente do que acontecia há muitos séculos, quando o país rejubilava com façanhas guerreiras, e batalhas épicas. Por muito que o argumento seja falacioso, não é real, e nunca se poderia chegar ao nível do que se vive agora. Custa-me imaginar Afonso Henriques, saído de zurzir violentamente alguns muçulmanos, ameaçando de porrada um alferes só porque este tinha dito que Gualdim Pais era um mete nojo. Provavelmente, o próprio Gualdim Pais tê-lo-ia feito. Mas se formos aler as crónicas da altura, Gualdim Pais era um Chuck Norris, e quem o insultasse... Bem, estava por verdadeira conta e risco. O que interessa é que já fomos portugueses diferentes na forma como convivemos com as críticas dos outros e a sua diferença. O referido Henriques, afinal, permitiu a coabitação entre cristão, muçulmanos e judeus nas suas cidades, dando direitos a todos (e mais deveres a alguns) e compreendendo assim que isto de sermos uma carneirada não beneficia ninguém. Reconhecendo que os judeus tinham o dinheiro e os muçulmanos um assombroso conhecimento tecnológico, criou as bases para um desenvolvimento, embora lento, de um país recém-criado. Algo que outros reis posteriores viriam a desprezar, para mal dos pecados lusos.
É assim tão necessário ligar a qualidade do nosso país à prestação de 23 atletas? Para um povo que presta atenção a poucas coisas extra futebol, talvez. Os golos de Ronaldo são o banho tónico de ego que alguns precisam, e malhar em pessoas que criticam esses emigrados na Polónia e na Ucrânia talvez seja a única oportunidade que alguns sentem de se sentirem superiores a alguém no seus dia a dia, e pôr em prática um dos desportos preferidos dos portugueses: o "fazer ver", também conhecido como o "eu bem te disse!". Se for este o motivo, estes novos hipsters da bola têm a minha simpatia. Mesmo que há um mês e picos, quando saíram convocatórias, tivessem criticado as mesmas lontras que louvam agora. Não considero nada, nem ninguém acima de qualquer crítica; e espanta-me como num país de classe política tão medíocre (e são eles, que nos representam ao máximo naquilo que interessa no exterior), a maior preocupação seja com uns tipos de que dão o couro pelo país, admita-se isso, mas só durante um mês; depois, voltam aos seus clubes para continuarem a ganhar balúrdios e continuar na crista da onda.
Critiquei e critico o que achar válido nesta selecção, e isso não faz de mim mau português. Um verdadeiro patriota questiona, não louca cegamente. Interroga-se e pensa, não se insere num rebanho. Tenho pena que isso sejam defeitos e não qualidades, neste nosso Portugal. E para mais, isto não é uma questão de vida ou de morte, ou um crime de lesa pátria: é futebol. Apenas e só.
E penso que só Jorge Valdano e Luís Freitas Lobo conseguem ver no futebol mais do que ele realmente é.
domingo, junho 17, 2012
Montejunto, 1982
É uma lotaria; principalmente quando a última coisa que esperaria me dá a possibilidade de um emprego.
É um fenómeno.
O olfacto da visão
Há qualquer coisa que me seduz em páginas velhas. Estou a falar de um tipo de papel, que hoje não se usa, a fazer lembrar mais a passagem do tempo do que a branquidão dos espaços nebulosos. Tem um cheiro particular, ao contrário da matéria-prima actual, onde as letras parecem mais inscritas do que impressas. A própria leitura possui um gosto místico, como se absorver fosse uma palavra mais apropriada do que ler quando pegamos em tais tomos.
E o melhor é que não perdem o cheiro; nem sequer o prazer do toque. É pequeno, mas se fosse grande, se calhar não era tão meu.
E o melhor é que não perdem o cheiro; nem sequer o prazer do toque. É pequeno, mas se fosse grande, se calhar não era tão meu.
quinta-feira, junho 07, 2012
Grass roots movement
Já por várias vezes esparralhei nesta parede opiniões acerca da obsessão salazarista que nos percorre, como nação e população. A cada medida política que nos desagrada, brandimos memórias desses tempos e apodamos figuras e situações como perfeitamente naturais num período de Estado Novo permanente onde o 25 de Abril foi apenas um soluço. Penso que, de facto, uma passagem de 50 anos não será suficiente para acalmar este medo, ou arma demagógica, conforme o seu foco de contágio. Penso que o Estado Novo ainda se mantém ainda hoje, não o nego, mas de maneiras muito mais subtis, seja no aparelho económico, ou numa atitude esclerosada de maioria moral que nos afecta mais do que pensamos.
No entanto, ao desenrolar-se um dos mais graves incidentes do Portugal democrático, parece impossível não regressar a esses tempos, como inspiração. A história básica e oficial do "caso Relvas" é já conhecida de todos, e vários opinadores com uma superior capacidade de análise que eu não tenho foram divulgando o seu ponto de vista sobre o assunto, muitas vezes até ao ponto de exaustão. Tenho acompanhado a carreira de Miguel Relvas ao de leve, desde os tempos do Barrosismo, e sempre tive a ideia, penso que correcta, de ser um sabujo sem espinha, que sobrevive no mundo político. Graças à sua amizade de muitos anos com o actual Primeiro-Ministro, ocupa agora um dos cargos principais do aparelho de Estado, e de semana em semana, diz asneiras e contradiz-se. É isto, afinal, o ganha-pão de muitos políticos. Faz parte do seu métier. É por isso que cada vez mais os políticos são não o farol dos nossos problemas, mas sim o palhaço que nos entretém e distrai.
Por isso, o que me preocupa em todo este caso, e a sua verdadeira gravidade, não está no facto de poder ter existido uma promiscuidade e conluio entre indivíduos para favorecimento mútuo. É grave, sim; mas não é novidade; e ao contrário de países como Espanha ou Islândia, ou mesmo Itália, o lusitano povo vem apenas para a rua juntar-se e berrar um pouco. A situação não mudará assim. Onde a canalhice de tudo isto assume proporções épicas é na utilização de um sistema de serviços secretos como perdigueiro pessoal. Novamente, não é caso único numa democracia. No cliché mais democrático do mundo, os EUA, J. Edgar Hoover fez isto durante quase 40 anos; a isto mesmo se dedicaram algumas outras democracias ocidentais no período de Guerra Fria. à medida que a desclassificação de documentos secretos é uma realidade, descobrem-se podres que certamente fariam envergonhar gente moralmente elevada; mas a Guerra Fria é uma espécie de área cinzenta no Ocidente, e varre-se para debaixo do tapete. No entanto, ao explodir em pleno século XXI, num mundo aparentememte pacificado, este escândalo rebenta, e as suas implicações vão muito para além de quem jantou com quem, e quem foi investigado.
Em primeiro, até que ponto são permeáveis os nossos serviços de segurança? Se um simples telefonema de um antigo espião é o que basta para serem accionados mecanismos que deviam servir, puramente, a segurança nacional, como podemos confiar nesta salvaguarda tão importante quando a maior parte dos combates de hoje são contra forças clandestinas organizadas? Em segundo, que tipo de influência junto da nossa segurança podem ter indivíduos que não lhe pertenceram? Levam informações quando se instalam nos seus novos e lucrativos empregos? Usam-na para obter vantagens nos seus negócios? Sendo assim, teremos nós, portugueses, privacidade real? Em terceiro, espanta-me a facilidade com quem um membro do Governo, assim de repente, obtém informações sensíveis com o objectivo de condicionar um dos pilares de uma democracia, por muito doente que esteja nos dias de hoje; e também me espanta a cara de pau desse mesmo indivíduo, que contorce uma narrativa para se adaptar a novos acontecimentos descobertos, e lhe é permitido que continue a exercer um cargo que lhe dá poder de decisão sobre algumas das questões que mais dividem o país, como seja a extinção de freguesias. Os limites de confiança que nós temos nos aparelhos governativos forma esticados ao ponto da não existência, e ainda assim, essa linha que já não existe retesa-se, invisível
John Locke é um filósofo político que aprecio bastante. Sei que não está na moda ler filosofia política. É muito mais giro retirar as nossas posições políticas de comediantes e comentadores de sound-bites; no entanto, por muito que eu adore Jon Stewart, Stephen Colbert e, no caso nacional, Ricardo de Araújo Pereira, sei que os fundamentos daquilo que é a teoria do poder de estado vem de obras que radicam em ideias do século XVIII, como as elaboradas por Locke. Nos seus dois Treatises of Government, Locke expõe basicamente tudo aquilo que é contemporâneo, numa altura em que ainda chamaríamos de moderno. A constituição portuguesa é um índice daquilo que o filósofo inglês escreve, e que homens como Silva Carvalho e Miguel Relvas deviam temer. O princípio mais básico é, claro, o do contrato social, que muito sumariamente explica que a única razão pela qual um Governo tem poder se deve ao contrato estabelecido com as massas de que este só estará bem entregue nas mãos de homens capazes, que governam em função da felicidade e bem-estar dos demais. Defendendo que todos temos direito a Vida, Saúde, Liberdade e Posses, Locke seria um crítico deste estado de coisas se por acaso não tem nascido há 200 e tal anos; e no seu Segundo Tratado, deixa ainda claro, com uma lógica implacável, que quando o poder em questão não cumpre o contrato social, a população tem o direito de pegar em armas e deitá-lo abaixo. Também isso existe na constituição portuguesa.
sexta-feira, junho 01, 2012
Grass roots movement: prólogo
Um dos maiores escândalos do Portugal democrático tem-se desenrolado em frente aos nossos olhos, e a única coisa que os Media nacionais têm feito é montar um circo, a ver quem se arroga em maior palhaço. Amanhã, dsenvolvimentos.
terça-feira, maio 22, 2012
Last House call
É sempre triste quando assistimos ao último episódio de uma série da qual gostamos; mas a noção de "último episódio" pode variar. Por exemplo, o meu "último episódio da série "House M.D." será, talvez, o season finale da 4º temporada. No entanto, para a Fox e mundo no geral, o médico pendurou a sua bengala em definitivo ontem. A nossa diferença de perspectivas assenta num princípio de que já falei por aqui: desde há algum tempo que a série "House" tem sido desinspirada em termos de história, mas interessante em absoluto no confronto épico entre a equipa de argumentistas e Hugh Laurie. Enquanto os primeiros andam há 4 temporadas a tentar destruir um dos personagens de televisão mais complexos, Laurie, com talento e galhardia, tem-no mantido interessante e objecto de curiosidade.
Hoje já não é novidade, mas quando surgiu, "House" era uma série irreverente. Seis anos já deram para nos habituarmos ao rezingão da bengala, mas em 2004, haver um personagem arrogante e abrasivo a liderar uma série era diferente. Não é que fosse a primeira vez que tal acontecia: "Profit", uns anos antes, usara este esquema, mas fora um fracasso. Nas comédias, o esquema é habitual. "Seinfeld" utiliza 4 personagens principais cheiinhas de defeitos e picuinhices, mas a comédia lida melhor com estes personagens como fonte de riso. Agora, o drama televisivo, e ainda por cima hospitalar, a ser varrido por sarcasmo e
ridicularização? Parecia blasfémia! Mas vingou, provando que o nosso gosto como espectadores mudou bastante. Sem ela, não haveria "Lie to me" ou "The mentalist", entre outras. A grande novidade da série era utilizar precisamente o esquema do procedural médico tradicional, mas concentrando o protagonismo num só personagem, que não podia ser mais diferente do clássico bonzinho de bata branca. Correndo o risco de usar demasiadas características particulares e estranhas (ele toma comprimidos a toda a hora! ele usa uma bengala! ele recusa-se a usar bata), o personagem superou tudo isso para se tornar num símbolo daquilo que gostámos de poder dizer e fazer, mas não conseguimos. De facto, até esquecemos que a principal razão pela qual tudo é permitido a House é, precisamente, por ser parte de um trabalho de ficção.
Gregory House é um médico arrogante, cínico, sarcástico, desagradável e ácido que espalha lemas como "Os pacientes mentem, toda a gente mente" ou "Não é o meu dever gostar dos pacientes, é meu dever curá-los". Trata os doentes que lhe vêm parar às mãos com um desdém incrível pelos seus sentimentos e encara-os como puzzles clínicos prontos a resolver. Ele passa quase toda a série sem exibir qualquer característica visivelmente redentora, a não ser a sua absoluta inteligência, que House vê como um dom que lhe desculpa todos os desvarios. Na verdade, House é muito parecido com Sherlock Holmes, e até a dinâmica existente na série entre House e Wilson, o seu melhor amigo, é muito semelhante à que Arthur Conan Doyle estabeleceu para Holmes e Watson, o seu assistente nos livros. House tem falhas como ser humano, mas o seu carácter é marcado por uma deficiência física, o músculo da barriga da perna esquerda morto devido a falha médica, e uma posterior dependência de comprimidos contra a dor. É um handicap físico que lhe causa as suas falhas como ser humano.
No seu melhor, a criação de David Shore teve um ritmo alucinante com série e alguns dos one-liners mais inspirados da última década. De facto, juntamente com o Rayland Givens de "Justified" e da galeria de personagens das séries de Joss Whedon, Gregory House foi porventura o mais espirituoso personagem num drama da década que passou. No seu pior, quando se decidiu a tornar a sua obra naquilo que precisamente parodiava, "House" transformou-se numa ode a um sentimentalismo bacoco que pouco tinha a ver com o personagem. A falta de inteligência de quem escrevia a lidar com a típica fuga da felicidade de House, sem no entanto deixar de construir um arco narrativo de evolução, levou a que Shore e companhia nunca se decidissem se iam dar alguma felicidade ao personagem, ou o deixavam afundar num poço de negrume; e quando se decidiram por torná-lo feliz, nalgumas poucas vezes, acabavam com essa trama em penadas muito mal amanhadas e que destruíam toda uma mística e credibilidade que tinham construído. Não ajuda que dos secundários, apenas Robert Sean Leonard brilhe (e Lisa Edelstein, nos seus melhores períodos como Cuddy). De resto, apenas Olivia Wilde esboçou alguma reacção; e sempre achei estranho que Omar Epps não conseguisse, em oito temporadas, transformar o seu Eric Foreman em algo que ficasse na memória dos espectadores.
Por isso, não lamento que a série acabe. Na verdade, o seu fim foi há já algum tempo, e apenas se estaria a adiar o inevitável. É pena que um dos projectos mainstream mais interessantes da televisão norte-americana se tivesse desviado do seu curso. O seu último episódio oficial, aliás, tem todos os defeitos que a série foi ganhando, e um final que é simplesmente uma fuga (literal e metafórica) para o destino de House, com partes tão fora da lógica do personagem que não pude deixar de pensar que foi um dos jardineiros da Fox quem escreveu aquilo Fica, ainda assim, um personagem absolutamente memorável, que servirá certamente de termo de comparação nos tempos futuros. Mas lá está, isto pode não ser verdade. Porque, como todos sabem, "Everybody lies".
terça-feira, maio 15, 2012
Criancices
Ontem, estava eu sentado, descansadamente numa cadeira, quando me passaram uma menina de um ano para os braços. Fiquei sem saber o que reagir. Era como se me tivessem responsabilizado pela integridade de um vaso Ming, pressão que leva os meus apêndices superiores a tornarem-se gelatina durante uns minutos.
Tentei não entrar em pânico, e peguei nela da mesma maneira que tinha visto uns chimpanzés a segurarem nas suas crias há uns anos, no Zoo de Lisboa. Na minha ideia, as crianças até ao ano e meio são muito parecidas com animais, reagindo mais do que raciocinando e sentindo. A criança não desgostou e espantosamente, não se desmanchou num enorme pranto. Talvez porque eu lhe pegava feito chimpanzé, e ter de facto uma parecença corporal com estes bichos. De qualquer forma, eis que um elemento do sexo feminino estava no meu colo e não desatou a fugir. Está um santo para cair no altar.
A petiz olhou-me várias vezes, admirada. Presumo que tenha reconhecido uma daquelas figuras fábulas que lhe lêem em histórias de adormecer. Eu tentava disfarçar algum desconforto. Não estou habituado a ter nas mãos a parcela mais importante da vida de outras pessoas. No entanto, à medida que os segundos passavam, fui achando a coisa engraçada, e a pensar no quão espectacular pode ser um bébé, principalmente quando os outros são responsáveis por tratar das partes mais chatas de tal encargo. Fazer caretas e brincadeiras faz-nos sempre sentir melhor, quando o bébé ri; no entanto, nunca pude deixar de sentir pena dos indivíduos que assoberbam uma criança com tolices, quando se nota que a última coisa que esta precisa é de meia dúzia de adultos a dizer "olá" com voz ajuda e trautear cantigas e lengalengas num linguarejar que teria feito os ursinhos carinhosos virarem para o lado negro, tal a vergonha.
Ora, foi nesta altura de pensamentos cínicos que a mãe adicionou à cena o adereço perfeito: um biberon cheio de leite. Escapou num mistura de ordem e pedido "Tenho de ir lá, dá-lhe de comer", e desapareceu de cena; e eu fique, literalmente, com a menina nos braços. Olhares nas mesas do baptizado viraram-se na minha direcção, como se fosse pedido a Cristiano Ronaldo que recitasse o primeiro canto dos Lusíadas, e a tragédia iminente salivasse os sentidos na esperança do horror. Fiquei como que um boneco, a quem é dado um adereço a meio de uma cena de improvisação. Lá inclinei o biberon e a miúda, num piloto automático admirável, envolveu-o com as suas mãozinhas de cerâmicas e abocanhou a pipeta. Os seus dedinhos ficaram brancos, da força com que se agarravam ao plástico, e por isso, coloquei a minha mão para dar uma ajuda. Estava o cenário montado: Bruno a dar o biberon a uma bébé.
Choveram as bocas do costume, apelou-se ao meu sentido paternal. Respondi com três ou quatro bojardas roçando a ilegalidade segundos as regras de conduta. Mas nos meus braços, uma criaturazinha que tem algum do meu ADN diluído nas veia, era a expressão e a boca mais dorida de como não estou tão distante assim das habilidades paternais quanto penso. Pelo menos, quando tenho de fazer de pai durante vinte minutos. Ajeitei a garota, numa posição mais sentada, e equilibrei-a no meu joelho, esperando que o leite desaparecesse e nada mais sobrasse do que uma memória de fome num plástico
A Carlota acabou e a mãe, vendo isto, nem sequer a retirou dos meus braços. No entanto, achei que a experiência tinha acabado por ali. Passei-a a alguém e levantei-me para me ir embora. O pensamento de eu não ser a única criança na minha existência assustou-me. Por outro lado, talvez tenha sido por isso não houve choro ao meu colo. O reconhecimento imediato de espíritos irmãos é normalmente um anestésico ignorado pela ciência.
terça-feira, maio 08, 2012
Une baguette
A ideia de ver os Franceses em redor da Bastilha parece-me reminiscente do "Yes. we can" gritado pelos norte-americanos há quatro anos, com aquela pujança de quem estava a ser libertado de uma espécie de escravatura. O tempo passou e Obama não é o Messias, embora conte piadas muito melhor; Hollande parece uma espécie de António Vitorino, mas em ponto grande. Em perspectiva, é o messias que um país tacanho merece.
sábado, maio 05, 2012
The beast killed the Beastie
Não é muito trendy e sensível dizer isto, mas dói-me bem mais a perda de Adam Yauch, o MCA dos Beastie Boys, do que Miguel Portas, que colocou o Facebook em polvorosa na semana passada. Portas era um político, por muito bem intencionado que fosse; os Beastie Boys são uma das bandas para quem olho quando procuro renovação, arrojo e, acima de tudo, qualidade. Ao contrário de qualquer político, os Beastie Boys nunca me desiludiram. Adam Yauch era também bom gajo, ao que parece, e dedicado a causas humanitáras. Portanto, junto as duas dimensões e não pareço tão superficial.
Foda-se, odeio o cancro. Para o caralho com ele.
terça-feira, abril 24, 2012
Molas a fazer de legos
Fez esta semana sete anos que ela morreu. Estranho... Só me lembrei quando me disseram. Como tenho a sua foto no meu quarto, parece-me sempre que ela estás mais viva do que me querem fazer crer. Tenho saudades tuas; e só tenho pena de não te poder criar mais orgulho do que aquele que tinhas em mim.
sábado, março 31, 2012
O segredo é a alma do negócio
Ora, se um autor X publica uma obra chamada "O livro secreto dos nabos de Abrantes", isso não quer dizer que vai deixar de haver segredo, por este se tornar público? E sendo assim, qual a utilidade do material secreto se vai passar a ser usado por toda a gente? Just saying!
terça-feira, março 27, 2012
Descarga

Existe em mim um esquerdista inconformado. Em jeito de piada (ou se calhar não), um amigo meu está constantemente a dizer que sou um radical de esquerda e não admito. Talvez até estivesse destinado desde pequeno a sê-lo, até porque a conformidade com o modelo de regras social nunca foi algo que seguisse; no entanto, quis o meu destino que nascesse de um pai polícia, e de uma mãe que cedo ganhou uma posição de chefia no seu emprego. Portanto, eu sei o que são regras, o que é cumpri-las e a sua importância. Acredito em regras, porque não acho que o simples bom senso pessoal sobre para nos guiar convenientemente neste mundo.
Ora, sendo o meu pai polícia, cresci com relatos da profissão à mesa de jantar, e também rodeado de outros homens fardados que na minha visão de criança, apenas se conheciam por apelidos: o Dias, o Almeida, o Neves, o Cunha... Havia também um "Drácula", mas creio que mais por apodo do que apelido. Sempre conheci polícias. Na sua grande maioria, são tipos que não têm grande amor à profissão de polícia. São pagos todos os meses e não se preocupam ideologicamente com quase nada. Penso que a única ideologia do meu pai é o asco a Cavaco Silva, e posso dizer que me orgulho disso. Tirando isso, fazem da sua profissão é um trabalho das nove às cinco, e regresso a casa.
Achei por isso evidentemente ridículo todo o alarde que se fez em redor da carga policial da semana que passou, numas manifestações ali para os lados do Chiado. O ridículo foi o dramatismo a que chegaram as acusações, juntando tudo num saco, e levantando fantasmas fascistas de suas campas, como se de repente voltássemos 50 anos atrás. Penso que é um problema de que vamos sofrer inevitavelmente até ter morrido toda a gente que viveu sob o jugo de Salazar: Portugal ou é uma democracia plena ou uma ditadura facínora. Os intermédios e os cinzentos não interessam. E quando a vítima é um jornalista, pior ainda. De certeza que é opressão à liberdade de expressão!
Parar e pensar não é socialmente aceite na modernidade. O alarde e o barulho são muito mais cómodos e úteis para ofuscar o bom senso. A carga policial, tão conotada de vilania, respondeu, em primeiro, a um conjunto de arruaceiros que infelizmente transformam um protesto pacífico no seu recreio de grunhice. É impossível controlar esta gente, e já farta até vê-los, mas é inevitável vê-los a danificar propriedade e a perturbar o cidadão comum que protesta, e até aquele mais indiferente que está apenas a beber um café. Uma vez colocada em posição, agiu como é normal numa carga policial: formou cordão e varreu por aí fora quem não saiu do caminho. Apanhou dois jornalistas pelo caminho. Pois... Se fossem dez carpinteiros, eram mais uns; mas como eram os paladinos da verdade e da justiça (wishful thinking, desculpem), tragédia, horror e ignomínia são apenas palavras que mal descrevem o que passou. No meio do acto de ordem, alguns grunhos, com problemas mal resolvidos com a vida e consigo mesmos, decidiram descarregar frustrações diárias em gente que não lhes fez mal nenhum. Estes são, na verdade, aquele a quem se deve apontar o dedo: a cobardia e o uso indevido de autoridade são um mal em qualquer tipo de sistema político. Conotar toda uma profissão com as más atitudes de alguns elementos é um mal geral, e que toda a gente que apontou o dedo a esta carga policial, sofre e se queixa. Mais um caso de não aprender com o que se sofre. Como se o mundo fosse um constante jogo de apontar o dedo até só sobrarem culpados.
Ironicamente, todo este jogo é precisamente aquilo em que o fascismo era bom. O clima de medo e suspeita foi o que garantiu a sobrevivência do Estado Novo durante quase 50 anos. Hoje, olhar para este género de situações podendo medir todos os lados (ou seja, uma das dádivas do Estado Democrático) pode ser um passaporte para sermos chamados de simpatizantes fascistas. 38 anos depois do 25 de Abril, batemos no peito até nos saltarem cravos, mas perpetuamos exactamente os mesmos fantasmas que recusamos deixar dormir em paz. Somos engraçados, nós.
domingo, março 18, 2012
Os tribunais certos

Os anos passam, e apercebo-me finalmente o quão errado estava por me odiar a mim mesmo, ou questionar tudo o que fazia. Não interessa o que fazes agora, interessa o que já fizeste e os filtros dos outros. Contra isso, nada podes fazer. Já foste julgado, e isso é que conta. Segue em frente e aprende que no fim de contas, interessas tu e o julgamento que fazes de ti mesmo.
Vou parar é com esta merda, que pareço o Paulo Coelho.
Ser homem

O dia da Mulher é sempre uma altura de lembrar os direitos das mulheres, e o tratamento que receberam durante séculos. Fala-se de direitos de mulheres, salários e greves; de opressão e exploração. Maldosamente, certos elementos do sexo feminino aproveitam para bradar o quão superficiais os homens são. É, portanto, uma altura para grandiloquência e cabotinismo. Não é diferente de qualquer outra efeméride ou data importante, então.
Há no entanto uma vítima esquecida no meio de toda esta confusão: o homem que não sabe ser homem. Aquele que não encaixa no estereótipo que se faz dos homens, e que existe de facto. O "gajo". O macho. O indivíduo que perante um armário estragado ou um quadro eléctrico defeituoso, pega nas ferramentas e resolve o problema, enquanto lê "A Bola"; que sabe perfeitamente a diferença entre um Golf 1.3 e um Golf 1.8; alguém que sabe preencher um formulário do IRS; que malha um copo só porque os amigos estão em casa. Eu assumo publicamente que não sou este homem.
Não digo isto com o desdém de alguns. O meu pai pertence a esta categoria, e com todo o orgulho. É um senhor simples e que não tem grandes preocupações para lá do quotidiano, o que já sobra, como sabemos. Toda a vida do patriarca Cristóvão Simões girou em torno de uma ideia: suportar a família e resolver os seus problemas. Fossem eles construir uma churrasqueira, ou garantir que eu teria uma educação de luxo que me conduziria ao desemprego. Era o trabalho dele; e quando se reformou com 55 anos de uma carreira ao serviço da GNR, a sua missão estava cumprida. O filho mais velho tornou-se a primeira pessoa a formar-se na família, o mais novo tem todo o ar de ir longe na vida, conseguiu tornar-se dono da sua própria casa, tem as finanças controladas e está casado há 32 anos.. Invejo o meu pai, porque não sei se alguma vez conseguirei ser assim tão realizado nas pequenas grandes coisas que fazem a nossa vida. O que não significa que despreze aquilo em que somos diferentes, e que nunca tiraria de mim mesmo.
Sou apanhado nesta armadilha da masculinidade principalmente quando conheço outros homens, que não têm qualquer hipótese de saber as coisas pelas quais me interesso realmente. Cada homem presume que o outro fala uma linguagem comum. Por isso, se falam para nós acerca daquele escape fabuloso que meteram no jipe e lhes permite trepar seis penedos sem suar, há a expectativa de que o interlocutor perceba exactamente a maravilha dessa tecnologia. O que faço normalmente é disfarçar a ignorância espelhada no vazio do meu olhar com um "Isso é espantoso", ou "Um amigo meu falou-me disso...", dito com tamanha convicção que passou mesmo por membro daquele clube. Eu, claro, não digo muito mais. Fui-me interessando por futebol, porque seria talvez o assunto que compreenderia mais facilmente, para servir de ponte. Não é fácil falar daquilo que refiro como "aquelas coisas". Tornam-nos interessantes durante um período curto de tempo. Depois, passamos a ser como "macacos amestrados", e se tivermos sorte, ficamo-nos por aí. Se tivermos azar, evoluímos para arrogantes, o que só tem piada se tivermos realmente um ego onde caiba a arrogância. O que não é o meu caso.
Fui acusado durante tantos anos de ser um pretensioso intelectual enorme que passei a fazer um esforço hercúleo (que não foi de boa vontade, sou sincero) em perceber este género de coisas, e em dar-me com pessoas diferentes. A ironia da história é que aqueles com quem me dava anteriormente, nos círculos onde a minha pretensiosidade intelectual não só era aceitável como celebrada, me passaram a olhar de lado. Dizer que gosto de futebol é uma punhalada, e qualquer observação mais comum lança dúvidas sobre o meu estado mental. Fui confrontado por alguém que me disse, há pouco tempo, que já tinha sido mais inteligente. É provável, se calhar. Mas não trocaria a experiência a que me entreguei, acho. Não sei se fiquei a perceber mais quem não tem aspirações mais na vida que não sejam ser feliz e passar um bom bocado (e são bem nobres, tais aspirações). Pelo menos, aceitei que é um opção tão legítima quanto a minha de me destruir lentamente até não conseguir tirar felicidade de mais nada.
No entanto, penso que fugirmos daquilo que somos não será a melhor opção, mesmo que aquilo que somos não seja exactamente o que nos deixa confortável para sermos aquilo que queremos ser. No entanto, isso pode ser impossível, e no fim de contas, viver acho que é um pouco conformarmo-nos com a vida tal como a podemos esculpir. Com a matéria-prima que temos, e com as oportunidades disponíveis. Reconhecermos as limitações, e se podemos evoluir a partir daí; aceitarmos o que nos trava, e gerir as nossas expectativas com essa bagagem. Ou então, lutamos contra tudo. O que é o conselho que se dá mais vezes, mas claramente por alguém bem mais ajustado nas suas opções de vida.
Ser homem é mais do que aquele modelo que tracei, claro, embora não deixe de me sentir desconfortável a falar com a maior parte dele. O que as pessoas não percebem é que não vejo isso como o mundo a ser ridículo: encaro isso como a minha própria inabilidade em lidar com o quotidiano. Porque é a resposta mais simples, e não tem nada de errado. Com honestidade, o quotidiano pode ser muito complicado de vez em quando. Mas lá está, é por isso que tenho o meu pai.
segunda-feira, março 12, 2012
sábado, março 10, 2012
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
A culpa é deles

Hoje é dia de festa na blogosfera benfiquista e dos benfiquistas. Aquele clube que todos acreditamos ser o melhor do mundo, independentemente de evidências racionais, comemora o seu aniversário 108. Percebo que confunda algumas pessoas que eu, que me pronuncio como agnóstico e sou desconfiado por natureza, seja do Benfica. Afinal, nenhum outro clube exige ao seu adepto uma devoção ilimitada e cega. Ser do Benfica implica também ser-se adepto porque se é do Benfica: não há ódios a outros clubes a alimentar a paixão. Os outros são os outros, estão no seu canto e cada benfiquista sabe que nunca serão melhores do que nós. Tudo porque, claro, não são o Benfica.
Este era o post ideal para cantar as belezas dos encarnados; ou mesmo tecer a linhas de letras uma ode a essa aparição divina que é Aimar com uma bola nos pés; talvez até cravar uma estaca no Barcelona e provar, por A mais B, porque é que o Benfica da década de 60 é a melhor equipa que jamais pisou um relvado, ou relembrar sagas épicas, como aquele 4-4 em Leverkusen, o melhor jogo que vi na vida.
Podia ser post para isso tudo; mas como sempre na contra-corrente, quero apenas aqui confessar que o incondicionalismo não faz parte do meu benfiquismo. Sim, não foi do Glorioso em todos os 29 anos desta vida. Curiosamente, não é algo que não me orgulhe, porque o Benfica é grande, mas a minha consciência é maior. O culpado não sou eu, e nem sequer o Benfica.
O nome do primeiro meliante ressoa em mim memórias ternas do primeiro gosto por futebol, ao ver jogar o meu primeiro herói dos relvados: Rui Águas. Era um bom ponta de lança, que chegou a fazer dupla à vez com outros dois senhores (Mats Magnusson e César Brito), e cujo pai é ainda hoje um dos grandes ícones no clube. No entanto, em 1988, Rui decidiu que seria uma boa ideia envergar a camisola do FC Porto. Ignorando que isto era um pouco como vestir a Scarlett Johansson com estrume, o jogador pululou alegremente durante duas épocas não como papoila saltitante, mas como estrunfe musculado. Esta pobre criança, inocente nas suas crenças, seguiu-o; e durante dois anos dos quais não me orgulho particularmente, rejubilei com os feitos do conjunto nortenho, numa memória que tento hoje recalcar, sem sucesso, e que me assombra como um fantasma, principalmente quando ouço Pinto da Costa a falar e penso no que me poderia ter tornado.
Voltei a casa, quando Rui, lúcido, redescobriu o bom gosto e voltou à Luz. No entanto, uns anos mais tarde, já eu era um indivíduo com consciência formada (dentro daquilo que podemos imaginar de consciente a caber num tipo que nem tinha feito 18 anos), quando o nome de João Vale e Azevedo enetrou no Benfica e se veio a tornar no sinónimo de fraude, falcatrua e crime. Era como ver um emulado de outras figuras que povoavam o futebol português nessa altura (e aqui, o tempo passado é intencionalmente humorístico). Não conseguindo pactuar com desonestidade, decidi que enquanto Vale e Azevedo estivesse à frente do Benfica, não conseguiria ser adepto. Portanto, durante outro breve período, descobri uma simpatia pelo Rio Ave, que nessa época, nas ondas de Carlos Brito, conseguira terminar a primeira volta apenas com dois pontos, e ainda assim garantir a manutenção na última jornada. Ainda hoje nutro uma enorme simpatia pelos de Vila do Conde.
Mas quando o calvo Corleone de Londres saiu do assento encarnado, dando caminho a um bêbado inveterado, mas ainda assim mais honesto, regressei ao ventre que me aquece e acolhe desde então. Um ventre que me fez descobrir gostosas maneiras de dizer "caralho", e que me entrega a irracionalidade de bandeja, principalmente quando Emerson é titular e a lógica do mundo não existe.
No fundo, para mal dos nossos pecados, o Emerson faz parte dessa equação Benfica, que é tornar o impossível parte do quotidiano. É por isso que nunca podia ser de outro clube.
Parabéns, Benfica.
domingo, fevereiro 26, 2012
Aquelas previsões...

Como é costume todos os anos, deixo aqui os meus palpites para a noite de logo. São pessoas e transmissíveis via blog. Este ano, a escolha de filmes foi fraca... No conjunto, temos filmes quase todos medianos, e nem sequer pode haver comparação com o ano passado, por exemplo. No entanto, no ano da nostalgia de Nosso Senhor 2012, o menos mau parece ser o denominativo comum.
Melhor filme - "The artist"
Melhor realizador - Michael Hazanavicius, "The artist" (Dói-me quase tanto como ver Tom Hooper ganhar no ano passado)
Melhor actor - Jean Dujardin, "The artist" (até ontem, George Clooney teria sido a minha escolha. Mas a marcha do francês parece inevitável. Não sendo má, a prestação do fracn~es é a pior das cinco)
Melhor actriz - Meryl Streep, "The iron lady" (embora possa arder com esta escolha. Cuidado com Viola Davis)
Melhor actor secundário - Christopher Plummer, "Beginners"
Melhor actriz secundária - Octavia Spencer, "The help"
Melhor argumento original - "Woody Allen, "Midnight in Paris"
Melhor argumento adaptado - Steven Zaillian, Aaron Sorkin, Stan Chervin, "Moneyball"
Melhor montagem - Thelma Schoonmaker, "Hugo"
Melhor fotografia - Emmanuel Lubezki, "Tree of life" (Tirando "The artist", quatro excelentes trabalhos de fotografia este ano, mas o de Lubezki é extraordinário)
Direcção artística - Dante Ferreti, "Hugo"
Os dois prémios de som vão para "Hugo"
Melhor guarda-roupa - "The artist"
Melhor banda sonora - John Williams, "War horse" (Ludovi Bource, por The artist" é o provável vencedor, mas recuso-me a escrever isso, com medo de vomitar)
Melhor filme estrangeiro - "A separation", Irão
Melhor documentário - "Paradise lost 3"
Melhor filme de animação - "Rango"
Melhor caracterização - "Harry Potter and the deathly hallows"
Melhor canção - "Man or muppet", Brett Mackenzie
Subscrever:
Mensagens (Atom)










