terça-feira, fevereiro 12, 2008

E os burros somos nós?


Num inquérito feito a 3000 jovens britânicos, 47% afirmaram que Winston Churchill foi uma personagem de ficção. É bom relembrar que Churchill foi o vencedor da variante britânica do concurso "Grandes portugueses" e espero que aqueles que se alarmaram com o facto de Salazar poder ressuscitar e liderar um exército de Pides num assalto deestemido a Lisboa possam agora descansar em paz. A glória é passageira, como dizia Camões.
Mas a juventude britância não se fica por aqui: 27% dos inquiridos acha que Ricardo Coração de Leão não existiu, o mesmo se sucedendo a Florence Nihtingale, Gandhi, Charles Dickens e Cleópatra. Para equilibrar a coisa, 65% crê que o rei Artur era real e liderava uma Távola Redonda de cavaleiros. Ainda segundo este inquérito, há quem ache que Sherlock Holmes se passeou pela Londres do século XX resolvendo crimes; e que Eleanor Rigby, personagem de uma canção dos Beatles, também era de carne e osso. Robin Hood também saiu da ficção para passar à realidade. Não sabemos se com a aparência de Kevin Costner ou Errol Flynn.
Algo em mim deseja que um inquérito deste tipo seja levado em Portugal, mas o desconhecimento generalizado relativamente ao nosso imaginário mítico-histórico faz-me crer que os resultados não seriam tão engraçados. Claro que podemos considerar esta transfiguração de figuras imaginárias em reais pelo nosso eterno desejo ingénuo de realmente acreditar que as referências que temos do Bem sejam realidad,e num mundo que cada vez mais nos parece dar figuras superficias e cenários de pesadelo. A coragem, audacidade e dedicação de Robin Hood; a inteligência e sagacidade de Sherlock Holmes (que tem um interessante paralelo com outra personagem ficcional dos nossos dias, o doutor Gregory House); o carisma do Rei Artur. A nossa sede de imitar modelos leva-nos a crer que este ssão reais.
Infelizmente, a realidade é muito mais intrincada que qualquer obra de ficção. Que o digam Churchill e Gandhi.

1 comentário:

méli disse...

Afinal não foi só em Portugal que se substituíram as aulas de História por pseudo-romances históricos e filmes manhosos... Pode ser que alguém acorde ao perceber a confusão que para aqui vai!!! Assim é difícil criar referências sólidas! :S