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domingo, fevereiro 03, 2008

Ai estás? Então, parabéns!

Há mulheres cuj facto de nos relacionarmos com elas implica que uma parte de nós esteja disposta a esperar tudo, mas mesmo tudo. Sejam quais forem as razões. Embora não a conhecendo pessoalmente, acredito que Sarah Silverman é uma delas. Para quem não conhece, é uma menina que fez um filme satírico intitulado "Jesus is magic", que continha canções como "Give the jew grils toys" e "The porn song".
Para além disso, nos últimos MTV movie awards, teve o gosto de teorizar que Paris Hilton, antes de ir para a prisão, tinha pedido para pintarem as barras de celas de pénis, para se sentir mais confortável. Uma doçura de mulher.
Portanto, quando o namorado Jimmy Kimmel, que apresenta um late night talk-show na ABC fez anos e ela fez uma prenda de anos para lhe oferecer em directo, esperava-se algo de tremendo. No entanto, ninguém estava preparado para isto.

Esta mulher é um mimo.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Os abismos da demência


O que se segue é o relato de uma doença que me afecta de há tês anos e meio para cá. Embora não seja considerada pelos médicos como incapacitante, sinto que me dificulta a minha vivência do dia-da-dia, seja no concretizar de pequenas tarefas do quotidiano, seja na relação com as pessoas. Ao ínício, não me apercebi da sua gravidade, e muito menos da sua existência, mas quando se tornou inegável o seu efeito destruidor e malicioso na minha pessoa, tive de admitir que estava doente. Pesquisas recentes declararam-na incurável e sinto que nunca a conseguirei vencer realmente. O meu consolo é de que somos muitos, e espero que o meu testemunho possa ajudá-los a encarar a vida com naturalidade, mesmo com este problema. É possível, eu sei que é. Pelo menos, tento convencer-me disso.

O ataque mais recente começou há dois meses, e prolongou-se. Estava ao computador e li uma notícia no site IMDB: a 4ª season de "Lost" estreia a 31 de Janeiro. Imediatamente se apoderou de mim uma euforia semelhante aos estados mais positivos da doença bipolar. A vontade de trepar paredes apenas foi impedida pelo triste facto de que não sou o Homem-Aranha; e estive a ligeiros segundos de me sentir verdadeiramente feliz. Aliás, foi esse o momento em que me apercebi, para lá de qualquer outra explicação, que o mal dormente despertara novamente e estava a ter um ataque avassalador e impiedoso da Lostomania

Ao início, aqueles à minha volta julgaram que eu estava a alarmar-me por nada. Há uma piada recorrente sobre mim referindo-se à minha hipocondria. "Quantas doenças já tiveste tu nos últimos anos? Ele foi o sarampo Green Day; ele foi a Indianacela; ele foi a hepatite Zodiac; tu és uma minha de ouro para a indústria farmacêutica!" No entanto, tiveram de se convencer que estava a falar a sério: dava por mim a meter "Lost" em conversas que não tinham nada a ver com o assunto ("E esta medida do Governo de fechar uma série de maternidades? Acham que os Others podem estar ligados a isto por causa do problema com as mulheres grávidas?"), queria baptizar o meu cão de Locke, em honra de um dos personagens da série; tinha crises semelhantes às de Tourette, onde apodava todos aqueles que não vêem "Lost" de "ceguetas, burros que não sabem o que estão a perder"; ou dizia coisas tão assustadoras como "Prefiro um episódio de "Lost" a uma rapariga."

Procurei ajuda. Tentei arranjar vida fora de "Lost", encontrar-me com pessoas, com raparigas. Tentar voltar a ser um homem normal. Infelizmente, não resultava. Via "Lost" em todo lado e quando tse referia algo da doença, reagia com aspereza. Alguém que disse "Um gajo no outro dia disse que eu era parecida com a Kate do "Lost", foi recebida com um "Mas tu estás doida ou parva? Alguma vez te podias parecer com a Kate???" Embrenhei-me em trabalho, mas começava sempre o meu processo de ter ideias para as tarefas com a pergunta "Mas como é que poderei enfiar "Lost nisto"?"; quis ir para a droga, mas à cabeça vinham-me imagens do Charlie na estação Through the looking glass. Nada me desviava do procesos de auto-destruição que tomava conta de mim.

Foi então que chegou 31 de Janeiro. Estava no auge da doença: suores frios, sobre-excitação, o pensamento de que enquanto eu estava a conduzir, alguém, do outro lado do Atlântico, já estava a saber o que acontecia afinal depis de o Jack comunicar com o navio. Um instinto homicida apoderava-se de mim e colocava em risco qualquer condutor que se cruzasse comigo pelo caminho. Mal cheguei a casa, corri para a sala do computador e deixei um recado ao meu irmão, para que tirasse "Lost" assim que acordasse, como se uma divindade qualquer me tivesse dito aquilo ao ouvido e o mundo acabasse se ele não cumprisse essa tarefa. Mesmo enquanto adormecia, passou-me pela cabeça estar até às tantas à espera que alguém metesse o episódio na net e eu fosse o primeiro em Portugal a tirá-lo e a vê-lo. Mal acordei, nem pensei no pequeno-almoço: estaria já o episódio sacado? Desilusão suicida: não.

Revoravoltas e mais reviravoltas, caminhei para um lado e para o outro, tive visiões messiânicas do Eusébio rejuvenescido 40 anos e mostrando aos jogadores do Benfica como se joga à bola.

No momento, em que realmente senti o episódio nas mãos, a doença estava a cavalgar-me pela sveias e cedi ao seu controlo. Abri o ficheiro, carreguei "Play" e quando ouvi aquela voz familiar a dizer "Previously, on LOST...", estive perto do orgasmo.

O que se passou nas horas seguintes é um borrão na minha cabeça. Quando dei por mim, estava a patinar pela Sá da Bandeira abaixo, com um sombrero na cabeça, todo nu e uma guitarra às costas, gritando "You all everybody! You all everybody!"

quarta-feira, janeiro 30, 2008

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Os 10

As Produções Fictícias estão a promover uma votação de algum interesse: os cinquenta melhores programas de sempre da televisão portuguesa. Entenda-se que têm de ser de produção portuguesa. Ao início, sorri de mim para mim, pois pensei que, se calhar, dez bastavam. No entanto, ao pensar no assunto e ler as diversas opiniões, dei-me conta que estav errado. Mesmo arranjar 10 para fazer este post foi complicado, pois escolher um top próprio é sempre difícil: é uma tarefa de relativismo e temos semprede estabelecer os nossos critérios. No meu caso, acho que não existem critérios fixos. Antes de me chamarem qualquer nome, lembrem-se que a frase que acompanha este blog é "I'm a complex guy, sweetheart".
Os programas seguem sem nenhuma ordem em especial.



"Herman Enciclopédia" - Toda a gente ainda utiliza hoje uma ou outra expressão retirada dessa Herman Enciclopédia. Tinha um elenco como nunca mais se reuniu num programa de comédia (para além de Herman, Miguel Guilherme, José Pedro Gomes, Maria Rueff, Joaquim Monchique, Lídia Franco, Vítor de Sousa...) e personagens de charneira: Diácono Remédios, Henrique Melga, os organizadores da Expo 97... Quando vejo Herman a fazer algo de mau, lembro-me que ele um dia fez isto. E convenhamos: para quem lhe quer dar pontapés nos tomates por isso, a "Herman Enciclopédia" é o maior protector de tomates que existe.


"O tal canal" - O primeiro Herman, um programa cómico que rebentou com o que se fazia na altura e cuja trepidação ainda hoje se faz sentir na televisão. O nosso correspondente à estreia dos Monty Python em Inglaterra. Os Gato Fedorento nunca existiriam se um dia um senhor chamado Herman Kripahll não se tivesse lembrado de criar o menino Nelinho, o Estebes, o Tony Silva e esse senhor incontornável dos media que é Professor doutor Oliveira Casca. O país reflectido num programa de comédia.

"Polícias" - Em 50 anos incrivelmente pobres no que toca à ficção dramática nacional, esta série destaca-se com naturalidade como a melhor coisinha que foi feita por cá. Uma variação da estratégia da RTP da série de ficção histórica, esta passava-se nos nossos dias e acompanhava polícias do final do século XX. Curiosamente, também era escrita por Moita Flores! Vítor Norte, João Lagarto, Maria João Luís, Luís Esparteiro, António Pedro Cerdeira... Tudo o que é bom; e foi o mais próximo que tivemos de diálogos bem construídos e escorreitos.

"Horizontes da memória" - Não sei se foi ele que me fez gostar de História, mas apesar de não apreciar muito José Hermano Saraiva como historiador, é inegável a categoria dos seus programas, e também os dotes naturais de comunicador que tem. Apesar de ultimamente os seus programas serem pouco mais do que a divulgação turística de alguns locais, ainda me lembro quando era mais "piqueno" e me sentia fascinado com as exlicações do professor Saraiva.



"Duarte e companhia" - Uma das nossas grandes séries de culo, daquelas que eram más de propósito, porque só assim é que eram boas. A prova é que, anos depois, ainda vibramos com o dois cavalos vermelho, a Joaninha, o Rocha, o Átila, o Padrinho...A nossa grande referência de pop-culture televisiva, e o upgrade necessário a outra grande série que não podemos de maneira alguma olvidar: "Zé Gato".
E fujam, que vem lá a mulher do Duarte.


"Rua Sésamo" - Sem ela, a nossa infância teria sido uma pasmaceira. E basta isto.

"Fenómeno" - Um programa que passava na RTP 2, praticamente ignorado pela generalidade do público, mas uma grande bomba, um cruzamento entre trabalho jonralístico, documentário e ficção, dedicado à temática do paranormal em Portugal. Apresentando provas, casos, e não crenças, "Fenómeno" não nos dava soluções: apenas nos questionava sobre a possibilidade de sequer haver soluções. Para além disso, tinha como host um dos actores mais subaproveitados que cá temos, cara habitual dos anúncios da Yorn: Alfredo Brito



"Gato Fedorento - Série Fonseca" - Um OVNI na altura em que estreou: ainda me lembro de contar sketches a amigos meus e estes não se rirem, nem acharem piada. Passados uns meses, a coisa rebentou e andava em todo o lado. As outras séries que fizeram têm coisas muito, muito boas, mas esta foi a novidade absoluta quando estreou.

"Claxon" - Mais uma série ignorada, com o grande António Cordeiro a fazer o personagem homónimo, Margarida Reis (lembram-se?) como mulher fatal e Ricardo Carriço a iniciar a carreira, numa série noir à portuguesa. Pormenor: o inspector de polícia chamava-se Bob Caroço e todos os episódios, repetia a frase: "Eu é que sei desta merda toda!!!" Carriço viria a fazer a inovadora série "Major Alvega" uns anos mais tarde.



"Palavras ditas" - Mário Viegas era espantoso, e conseguiu transformar a poeisa em algo de acessível e cool. Um programa que estava uns anos à frente do seu tempo e que ainda hoje faria sentido. Há pouco tempo, houve um upgrade interessante, também na RTP, com "Voz".

Ok, 10. E faltam aqui alguns, de certeza. É a vossa parte: quais são, para vós, os 10programas portugueses de sempre?

terça-feira, novembro 06, 2007

O cansaço das palavras

Enquanto insultava Paulo Coelho (sim, podem-me acusar de falta de imaginação) e percorria alguns blogs, perguntei-me quando é que as palavras começam a ser banais. Quando é que as expressões que usamos para transmitir aquilo que é sempre intransmissível perdem o poder e passar a ser letras escritas ou sons falados. Onde estará o momento em que poder poder mágico de um vocábulo é desvendado e assim apagado? É uma pergunta pertinente, porque provavelmente depende de nós. Acho que as palavras são, de tudo o que temos, aquilo que mais directamente depende de nós. Passam de uns para os outros. Na minha boca, esta é fraca; mas na tua é forte, naquela relação que tens com o outro.
Fascinam-me as palavras. Aborrece-me quando começamos a usar as mesmas palavras em situaçõe semelhantes, como se as pessoas fossem iguais para nós. Como se todas no fizessem sentir a mesma coisa. Devíamos ter palavras diferentes, frases diferentes, para que cada pessoa se pudesse sentir especial, mesmo quando o mundo parece ser tudo menos isso.
Já alguma vez uma palavra vos conseguiu fazer passar de um monte de esterco a um prato de arroz doce quente? A mim já. Algumas vezes. Mesmo que a pessoa do outro lado não soubesse que palavras abriam a minha fechadura.
Serão as palavras também intimidade? E que intimidade têm outras elas?
As palavras sabem o nosso limite quando as usamos. Por isso anunciam o génio de quem as sabe usar, mas também denunciam os impostores que querem ser mais do que são através delas.
Por isso gosto das palavras. De um modo secreto, elas são quem as escreve. Mesmo que se tenha de ler nas entrelinhas. Porque aí também existem palavras.
Nós é que não as vemos à primeira.
E não esquecer que as pessoas também têm entrelinhas. Mas estas já são mais complicadas de se ler.
Chegado este ponto, estas palavras estão cansadas. Ou apenas aborrecidas. Imploram-me que páre. Ponto final.

segunda-feira, novembro 05, 2007

Greve

Para quem ainda não sabe, o Sindicato de Argumentistas norte-americano colocou todo o mundo do entertenimento audiovisual em cheque, entrando em greve. Após uma primeira fase onde avisaram das suas intenções e tentaram chegar a um acordo com a Associação de Produtores, com as reinvidicações de maior controlo criativo sobre os seus guiões e um aumento das percentagens no que toca às receitas de venda de DVD. Os produtores, no entanto, não atenderam às exigências, pensando que a greve era um bluff; mas não é; e a greve começou hoje: nninguém que ecsreva para televisão ou cinema vai, até novas ordens, escrever ou teclar o que quer que seja para qualquer produção cinematográfica ou série, o que já está a levar à paragem de vários projectos, e também a afectar a sequência de episódios de programas que estão no ar e outros que ainda não estrearam.
Acho que de súbito, e à força, alguém se lembrou da importância do argumentista. O que está em questão parece-me justo: aquela que, na minha opinião, é a posição mais importante na criação de um filme ou uma série está a ser mal paga, se tivermos em conta no quanto, por exemplo, as séries actuais devem a brilhantes argumentos. O director da Associação de Pordutores veio dizer que acha até que quem escreve é muioto bem pago: 200.000 dólares por ano. Parece muito. Quando confrontado com quanto, em média, um produtor ganha no mesmo espaço de tempo, dispara: "20 milhões... e se for despedido, até pode ganhar mais." Como alguém que quer seguir esta ocupação, estou plenamente solidário com os homens da caneta. Os cabecilhas dos estúdios sabem que o dinheiro não se ganha sem a massa criativa, portanto, inevitavelmente, terão de ceder alguma coisa para que as coisas voltem à normalidade.
Como espectador, no entanto, acho que estes escritores são uns filhos da mãe. Tudo isto vem atrasar belas coisinhas que vão estrear no ano que vem. Se bem que a 5ª e última temporada de "The wire" já está completamente gravada, o memso nao se plica à 4ª de "Lost". POrtanto, vejam lá isso, porque não se brinca com estas coisas, ok? Querem chatear os produtores, tudo bem, esses gajos são uns chupistas. Agora, eu não tenho culpa e já esperei 7 meses por novidades da ilha. A ver vamos se temos de nos chatear...

quinta-feira, novembro 01, 2007

"Pushing daisies"


Apesar de ver muitas séries e de gostar de um número razoável delas, não é muito fácil ser conquistado de chofre por uma. É como quando me apaixono por uma rapariga: há um período em que vou ficando embruxado, não me lembro de alguma vez ter visto uma miúda e imediatamente me ter apaixonado por ela. Por isso não acredito em amor à primeira vista. Já com séries, lembro-me que aconteceu apenas 3 vezes: "Lost", "Millennium" e, óbvio em alguém que é vidrado em fenómenos paranormais, "The X-Files.
Aconteceu novamente esta semana. Não a coisa das miúdas, mas uma série: "Pushing daisies", um OVNI (ainda a remeter para "The X-Files") no meio televisivo actual, o que tendo em conta o eclectismo actual, que vai desde a mais normal "Greys anatomy" à bizarria de "Lost", do esquematismo de "House" ao ulta-realismo de "The Wire", é dizer bastante. O ponto de partida não é novidade: Ned é um miúdo descobre que tem o poder de, com um toque, ressuscitar o que está morto; no entanto, se os ressuscitados alguma vez lhe voltarem a tocar, morrem instantaneamente. Já adulto, e dono de uma loja de tartes, ele usa este poder, algo a contra-gosto, para ajudar um detective privado a resolver homicídios falando com as testemunhas mais fiáveis: as próprias vítimas, que um minuto depois de Ned lhes tocar, voltam á sua condição. Esse minuto é importante, porque se Ned não os devolver À sua condição defunta, alguém nas proximidades morre.
Entretanto, uma das vítimas é o amor de infância de Ned, Chuck (é mulher), e Ned não resiste: ao invés de a reverter à sua situação, mantém-na viva, meesmo sabendo que nunca mais se poderão tocar. Tendo em conta que bastam cinco segundos para o espectador se aperceber que entre Ned e Chuck existe voltagem suficiente para iluminar todo o Parque das Nações durante meses, temos aqui um engraçado imbróglio romântico. A série podia ficar-se por aqui, que um romântico sensível como eu já a seguiria até ao final. Mas não: todo o tom é uma fusão entre "O fabuloso destino de Amélie" e o design da fábrica de Willie Wonka de "Charlie e a fábrica de chocolate". Numa época em que se louvam os grandes dramas pela carga profunda de análise psico-analítica que trazem, sabe bem ver uma série pelo simples prazer de vermos contar uma história que apela ao lado mais soft que há em nós. E todos temos um...
Que isto venha de um dos argumentistas de uma série mediana como é "Heroes", surpreende. Um dos produtores executivos é Barry Sonenfeld e a série é um mimo visual e o contraponto ideal para as agruras do nosso dia-a-dia. Apenas uma preocupação: duvido que os próximos episódios mantenham o altíssimo nível do primeiro. Mas estarei cá para confirmá-lo. Gulosamente.

sexta-feira, outubro 26, 2007

O que tenho andado a ver


"House"

Entrando na sua 4ª tempoarada, e ainda sem dar sinal de "Jump the shark", calão do entertainment aplicado a séries que estão a chegar ao ponto do cancelamento ou final abrupto, a irreverente criação de David Shore regressa ao território que tão bem domina: o da sátira velada ao drama hospitalar. Após uma terceira temporada que tentava levar a série para os terrenos que precisamente parodia, a 4ª abriu com o doutor sarcástico e cínico (identificação pessoal instantânea) sozinho e a trocar teorias com um empregado de limpeza. No segundo episódio, já está a recrutar novos doutores num esquema estilo "Survivor", com direito a spoofs ao reality show e tudo. É nisto que a série faz a diferença, e é por isso que Gregory House é uma das mais fascinantes personagens televisivas dos últimos anos, tendo direito já a ser capa de livros que não têm nada a ver com ele. Um pouco como as palavras "o código da Vinci".
A melhor coisa desta 4ª temporada, no entanto, é mais tempo de antena para a interação emtre House e o seu amigo Wilson, com Hugh Laurie e Robert Sean Leonard a provarem porque são a melhor buddy relationship do actual médium televisivo. Se juntarmos a isto os decotes de Cuddy e frases como a que House usa quando reencontra uma Cameron loura ("The blonde hair makes you look like a hooker. I like it."), temos aí uma coisa que ainda nos vai entreter durante mais algumas semanas.


"Dexter"

É um crime ainda não me ter demorado no blog nesta excelente série, provavelmente a melhor da colheita 2006/2007. "Dexter" tem um surreal personagem principal homónimo, que trabalha como especialista em manchas de sangue na polícia de Miami; tem uma namorada loura e com dois filhos de uma anterior relação; é respeitado pelos colegas; e tem uma irmã que o adora. Existe apenas um pequenino defeito na sua personalidade: sofre da compulsão de matar, tal como alguns de nós têm vontade de roer as unhas ou estalar os dedos. Dexter foi adoptado pelo pai, que cedo lhe descobriu essa falha e a tentou combater incutando no rapaz um código de honra: apenas mataria pessoas que merecessem, ensinando-lhe também todos os truques para não ser descoberto pela polícia. Quando um novo serial-killer, o Icetruck Killer, surge na cidade, Dexter encontrou um adversário à altura.
Isto é televisão de primeira água em tudo, desde a brilhante escrita de argumento, à impecável realização; mas a razão pela qual "Dexter" resulta é a interpretação pouco menos que genial de Michael C.Hall, que retrata Dexter como um criança mal-comportada, que sabe que é mal comportada, mas não tem sentimentos para sequer pensar em ter remorsos. O seu desprendimento relativamente à sua própria humanidade permite-lhe ver o nosso mundo normal com os olhos de um extraterrestre, fazendo-nos pensar nos pormenores quotidianos e reacções humanas que fazem pouco sentido quando analisadas friamente. Por isso simpatizamos com ele: ele não é um freak tal como o entendemos. Na verdade, em muitas vezes, as suas acções soam-nos justificadas e ele parece estar certo nos seus julgamentos.
A segunda temporada, a que ando a ver agora, começa com problemas na rotina assassina de Dexter, pois este terá descoberto, no final da primeira temporada, o sue pior inimigo, aquele que nunca esperaria jamais encontrar: os seus sentimentos. Até agora, o nível continua altíssimo e meter um tipo viciado em matar num programa de narcóticos anónimos é o tipo de coisa pelo qual as pessoas que escrevem séries deviam ser pagas principescamente.


"Californication"

"Californication", de Tom Kapinos, surge numa das modas actuais da televisão norte-americana: meter personagens principais moralmente questionáveis e por quem às vezes é difícil torcer. O Hank Moody de David Duchovny é apenas mais um numa linhagem onde podemos incluir Gregory House, Sebastian Shark, Tommy Gavin ou mesmo o James "Sawyer" Ford de "Lost". Moody é incrivelmente desbocado, egocêntrico e tem uma libido capaz de fazer corar Zézé Camarinha de vergonha. A série faz com que Los Angeles se assemelhe a um McDonalds de mulheres, onde basta alguém chegar e se servir sem fazer perguntas do produto disponivel. Moody vive uma relação tensa com a ex-companheira, mãe da sua única filha, e secretamente tenta ganhá-la de volta, enquanto afoga os falhanços desse desejo em amis mulheres e bebida. Pelo meio, tem o ofício de escritor, mas está bloqueado, após ter escrito um livro brilhante e niilista, que foi adaptado ao cinema como uma comédia romântica com Tom Cruise e Katie Holmes.
Hank Mood só podia ser interpretado por David Duchovny, que vive o personagem em absoluto. Na verdade, Moody é Fox Mulder, mas sem a paranóia por OVNI e um assumir absoluo da libertinbagem interior inerente ao personagem. A série tem bastante coisas boas: a pequena actirz que faz de filha de Moody, Madeline Martin, é um pequeno assombro; a químca entre Duchovny e Natasha Mchelone, a sua ex-companheira, é visível; e as pequenas manias dos fúteis da Costa Oeste abordadas por um sarcástico nova-iorquino são extraordinárias, com especial menção ao sexo. No entanto, parece faltar à série um história mais profunda, que derive de "Ela vai casar-se com o outro, vou fodendo aqui umas gajas enquanto espero a minha oportunidade", e as personagens secundárias parecem-me desparoveitadas, em detrimento de mais "Hank Moody" show. No entanto, é uma boa séria para quem gosta de comédias com um travo amargo, e descobrir como é que alguém moralmente tão retorcido pode na verdade dar um excelente pai e até um bom marido.

sábado, outubro 20, 2007

Grandes momentos de humor 1

Monty Python. 15 segundos de absurda hilariedade. Uma das coisas mais divertidas que já, e nem sei explicar porquê. Como diz Michael Palin, que aparece neste sketch com John Cleese, o segredo está nos carapaus.

sábado, outubro 13, 2007

Um Emmy à parte

O meu momento preferido nas cerimónias de Emmys recentes não é o monólogo incial, nem as piadas sobsequentes, nem memso quando "Lost" ganha algum Emmy: é a atribuição ro pémio para Melhor escrita num programa de variedades. As equipas de argumentistas nomeadas são convidadas pelos produtores da cerimónia a apresentarem-se de uma forma orginal e, sobretudo, divertida. Este ano, todos os nomeados corresponderam às expectativas, como se pode ver em baixo.

Num apontamento pessoal, achei o do programa "The daily show" o mais divertido, seguido de perto por "The Colbert Report"
No entanto, o programa que mais importa destacar é o fantástico "Real time", com o comediante norte-americano Bill Maher. Na linha da sátira política e comentário contundente ao quotidiano nacional e internacional, este talk-show vai bem mais longe que "The daily show", o programa mais conhecido do género e não põe só o dedo na ferida: enfia a mão toda lá dentro e ainda remexe. Para quem não conhece, fica um breve clip que dê vontade de descobrir.

Conando: capítulo 1

terça-feira, outubro 09, 2007

House call 2


Enquanto o Greg bebia tequilha no quarto do paciente, o candidato mormon arengava alegremente sobre as maravilhas de se ser religioso. Greg mantinha-se irredutivel e sarcástico. Quando o mormon começou a entrar em contrandições, sem nunca admitir que o estava a fazer, o Greg teve uma observação de simples lógica:

"Rational arguments don't usually work on religious people. Otherwise, there wouldn't be religious people".

quarta-feira, setembro 26, 2007

House call


Greg voltou a entrar ao serviço ontem e já se saiu com esta:

Cuddy: "Where do you come from?"
Greg: "Apes, if you believe in Democrats"

Nice...

quinta-feira, julho 19, 2007

Where's the love?

Saíram agora as nomeações dos Emmys deste ano. Normalmente, respeito mais estes prémios que os Oscares, pela simples razão habitualmente premeiam a qualidade. Digo normalmente, porque temos também de entender que isto são prémios entregues em grandes cerimónias: o cínico dentro demim percebe porque é que série profundamente boas mas insignificantes ao nível de audiência (como "The wire") nunca aparecem nas principais nomeações.
No entanto, este ano, com um sistema de voto alterado e que dá preponderância ao voto popular (que na prática indica que a qualidade de uma série é correspondente ao número de espectadores que tem), os Emmys foram piores que os Óscares têm sido ultimamente.
Os nomeados para melhor série são "The sopranos" (justo), "House" (série razoável, que é carregada às costas por Hugh Laurie), "Boston Legal" (bem escrita, mas, vá lá, simpática), "Heroes" que teve uma queda a pique no final de temporada) esse violento e mal-cheiroso bozeiro chamado "Grey's anatomy", que, e a generalidade da crítica concorda, teve uma temporada para esquecer. Agradeceu-se deixarem de fora "24", na sua pior season de sempre, mas eu pergunto: onde está "Lost"? Posso parecer parcial, mas só quem não tem olhos na cara não reconhece que a partir do décimo episódio, "Lost" foi a coisa mais criativa que va na TV este ano (e acreditem que vejo muita série!). Onde está "Friday night lights", um drama sobre futebol norte-americano quase demasiado complexo e subtil para passar em sinal aberto? E "Dexter", que, oh desespero, nem sequer está nomeado para melhor actor, num roubo digno de figurar no panteão da indignação que rodeu a ausência de Hugh Laurie no ano passado? E "Rescue Me"? E podíamos continuar por aí fora.
Ok, obviamente estou a ser parcial. Estou a falar do meu gosto. Mas quem me conseguir provar que perante a boa televisão que foi deixada de fora, aquela lista de nomeados faz sentido, ou seja, deve ser chamada de as 5 melhores séries do ano, ganha um prémio. A sério

(E vá lá, Terry O'Quinn e Michael Emerson, o Locke e o Ben Linus, de "Lost foram nomeados. Mas gostava de saber onde está Elizabeth Mitchell, a Juliet. Expliquem-me esta também.)

sexta-feira, junho 08, 2007

Um verdadeiro drama


Apesar do boom recente da televisão norte-americana, em que a percentagem de qualidade média das séries de ficção é elevadíssimo, velhos hábitos continuam a permanecer, minando essa mesma carapaça da qualidade. E o pior desses hábitos é o de sempre, aquele que, no fim de contas, acaba por afectar a relação entre o espectador e o m+édium televisivio: a dependência de audiências.
Nos Estados Unidos, a produção televisiva funciona de forma diferente da Europa. Obedecendo aos princípios de produção em série, cada canal escolhe de uma pilha de argumentos quais serão produzidos, mas apenas um episódio verá a luz do dia. Dessa escolha já de si específica, far-se-á outra ainda mais redutora, quando o episódio for exibido, baseada na suas audiências. Se satisfizerem, encomendam-se mais alguins episódios. Se falharem, a história fica por ali. No entanto, o processo não acaba aqui. Durante a sua exibição, a série pode ser cancelada por falta de espectadores (pelo menos, para os padrões da estação)e quer seja o modelo de 13 episódios ou o de 23, os mais comuns nos EUA, tudo pode acabar sem explicação; ou, numa sentença menos definitiva, mas igualmente prejudicial para o espectador, encurtada abruptamente. Aconteceu com a série "Homicide: life on the street", de que falei há algum tempo neste blog. A primeira season tem 9 episódios, o que é espantoso, e a segunda apenas 4... No entanto, a terceira série tem já 23. Na verdade, apenas o apoio crítico (a série era tão evidentemente boa que foi elevada ao estatuto de clássico logo na sua primeira season) e o facto de ser exibida na NBC, que normalmente apoia os critical darlings, impediu que fosse cancelada logo na sua season inicial. Passa-se o mesmo com "The wire", série de excelência que sobrevive por isso mesmo: ninguém pode negar que aquilo é, em absoluto, a hora da televisão actual com mais qualidade, mesmo que não a considere a melhor série. A HBO, que é um cana de TV por cabo, não deseja eliminá-la da programação, porque sabe que a razão pela qual o público não adere em massa é devido ao carácrter lento, detalhado e cínico do programa. Por muito bom que ele seja, não é o tipo de fenómeno de massas que habitualmente atrai espectadores. Para além disso, o seu contundente comentário social, acerca da evolução (no caso da série, involução) de Baltimore tem servido para lançar a discussão acerca do planeamento urbano e da crmiminalidade nas cidades da Costa Este dos EUA. A relevância social tem também ajudado a salvar a série.



No entanto, nos últimos anos, surgiu uma outra via de salvação para séries que vêem o fim demasiado próximo. O caso de "Firefly", um western desenrolado no espaço, vindo da mente brilhante de Joss Whedon, teve 14 episódios e foi ao ar. A Fox esperava mais e cancelou o programa. Whedon ficou furioso e jurou nunca mais trabalhar com a estação. Acabou por obter a sua vingança, quando as vendas da série em DVD foram demasiado colossais para serem ignoradas, graças a uma mobilização de fidelidade canina entre os fãs, que se auto-denominavam "Browncoats", termo retirado da série, defendendo-na com petições, convenções, sites, cartas, campanhas na Internet, compra de tudo o que se relacionasse com "Firefly"... A sua perseverança foi recompensada: a Universal comprou os direitos da série e encomendou um filme a Joss Whedon, para que pudesse fechar algumas da tramas da série deixadas em aberto.



O capítulo mais recente desta relaçao entre os espectadores e as suas séries de estimação surgiu há alguma semanas, quando a CBS, aparentemente, cancelara a segunda temporada de "Jericho", após um final de primeira temporada tão escancaradamente em aberto que seria crime não dar uma continuação, ou pelo menos, closure, à história. Os fãs pegaram na deixa de um dos personsagens, que responde "Nuts" a outro quando este lhe pede para se render, para enviarem sacas de amendoins para o edifíco da CBS. Foi então que a estação começou a repensar na sua decisão como um erro e quando se viram com 50 toneladas d amendoins nas mãos, acharam que talvez fosse melhor respeitar quem se queixava. Nina Tassler, directora de programas da CBS, anunciou antes de ontem que iriam produzir mais 7 episódios, e se as reacções fossem positivas (leia-se, espectadores), uma seaosn completa seria activada.
Só quem se dedica a uma série verdadeiramente sabe o quanto pode custar algo assim. O espectador normal faz zapping entre séries e pouco lhe importa seguir mistérios e acompanhar episódios como um todo lógico. Por isso, programas como "CSI" ou "House" são dos mais vistos no mundo inteiro: não exigem dedicação.Pelo contrário, o modelo serial, em que se inserem "Lost" ou "Jericho", para dar exemplos modernos, exige outro tratamento por parte das estações, pois os seus fãs exigem um respeito pela sua capacidade de aderir a histórias; ou no caso de "Firefly", a sua capacidade de amar personagens. Daí que a ABC tenha surpreendido toda a gente quando anunciou que "Lost acabrá daqui a 3 seasons, de 16 episódios cada, garantindo assim que os argumentisttas não serão condicionados por golpes de teatro. É uam excelente notícia para todos aqueles que, como eu, realmente amam as suas séries de televisão preferidas. Quase como se fossem pessoas.

quinta-feira, maio 24, 2007

Season finales


Esta semana, duas séries tiveram os seus season finales, "Heroes" e "Lost".
"Heroes" foi chato, pouco excitante, sem surpresas e numa série com super-heróis que até têm poderes porreiros, com o seu clímax na cena fulcral deste episódio, não tem uma única cena de combate decente em toda a série.
"Lost" teve emoção, respostas, surpresas, momentos de humor, pancadaria a sério, vilania, actores decentes e uma surpresa final que é um soco no estômago dos valentes.

Perante isto, a conclusão lógica e científica: "Heroes" é para fracos.

quinta-feira, maio 17, 2007

Season finale


Falta uma semana... para meio ano de sofrimento agonizante.

quinta-feira, maio 03, 2007

Un-fucking-believable! II

Nos EUA, um casal de coreanos, donos de uma lavandaria, foram processados por um juiz. Rzão: perderam um par de calças que lhe pertencia, mas só durante 3 dias. Afastando o bom senso de lado, o juiz achou que esta questão devia ser resolvida nos tribunais e resolveu ser zeloso até à medula. E quanto é que pediu de indemnização? Fez as contas e achou que 65 milhões de dólares seria uma boa maquia...
Quem ficou a rir? Os coreanos, na verdade. A Ordem dos Juízes norte-americana recebeu já dezenas de pedidos para que tal juiz nunca mais fosse nomeado para nada. Nice.
O mais engraçado é que as calças reapareceram passado uma semana, e o casal de coreanos foi levá-las a casa do juiz, na esperança que ele esquecesse o sucedido. Mas um juiz ganha pouco, não é? E as calças deviam ser bordadas a fio de ouro. Ou assim. Ou tinham uma protecção especial para os genitais de platina. A notícia não dizia.

quarta-feira, maio 02, 2007

Golpes de génio I

Há tipos brilhantes, que o são reggularmente e nada podemos faezr contra isso. Joss Whedon é assim. Um dia, decidem exceder-se e dão ao mundo golpes de génio. Um dos que Whedon malhou foi o fabuloso episódio musical de "Buffy, the vampire salyer", intitulado, em homenagem aos musicais da MGM "Once more, with feeling." Misturando a estrutura de um musiscal onde as personagens vão debitando, por entre partes de diálogo normal músicas onde reflectem os seus sentimentos, e utilizando como gimmick um demónio que chega a Sunnydale e tem o poder de pôr todos a a cantar e dançar as suas emoções até arderem, Whedon aborda os dramas pessoais e sentimentos dos seus personagens, sem nunca perder o sentido de ritmo do género. Fica como exemplo este número, "Walk through the fire". Vão perceber o que as palavras chatas não conseguem exemplificar.

sexta-feira, abril 20, 2007

Heróis pessoais - 3


Joss Whedon. Um tipo que acredita no que faz, vai até ao fim do mundo pelas suas criações (e acreditem, ele conseguiu transformar uma série cancelada, "Direfly", num filme "Serenity". Não é para todos!) e, acima de tudo, um gajo mais criativo no dedo mindinho do que todos os argumentistas portugueses juntos. O homem por detrás de "Buffy, the vampire slayer", "Angel e da "referida "Firefly". Um dos melhores autores de onde-liners e diálogos saborosos da actualidade. E um geek assumido. Basicamente, é por isto que ele é um herói. Não é o Gandhi, mas já começa a ter princípios de calvície...