Mostrar mensagens com a etiqueta O fabuloso mundo de.... Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta O fabuloso mundo de.... Mostrar todas as mensagens
quarta-feira, janeiro 30, 2008
segunda-feira, janeiro 28, 2008
Cantar e dançar

Quando eu digo que não tenho jeito para algo, quem me conhece desconfia. É normal eu dizer que não tenho jeito para nada. É mentira. Possuo alguns talentos escondidos, mas que não me são úteis para nenhuma das grandes realizações da vida.
Há no entanto duas tarefas que uma boa parte concordará que nunca me foram destinadas. Acredito que quando o espermnatozóide vencedor da corrida de cavalos vinda do meu pai encontrou o solitário óvulo da minha mãe, ambos terão combinado uma coisa: quem daqui vai ser pode ser extremamente dotado a tudo e mais alguma coisa, menos em cantar e dançar. O vaticínio cumpriu-se: tenho duas barbatanas em vez de pés e penso que a melhor comparação que se pode estabelecer com a minha voz é a sirene da Lisnave.
O encenador na peça em cujos ensaios tenho estado envolvido nos últimosa tempos desconhece este facto. Não por falta de conhecimento, pois relembrei várias vezes esse meu handicap. Ainda assim, insistiu que eu ia faezr um pequeno solo na peça. Entrei em pânico.
Urge demolir um mito generalizado acerca da minha pessoa: eu gosto de cantar. Vá lá, gosto de trautear, entoar, assassinar canções. Isto não inclui temas mirins, e daí o mito. Mas tudo o que pertença ao meu gosto, gosto de o fazer. Mal, mas gosto. É uma maneira de, por momento,s pensar que realmente tenho a voz afinadinha, porque estou a cantar em dueto com Billie Joe Armstrnog, Damon Albarn, a K.T Tunstall ou a Melanie Pain. Qualquer um deles canta melhor que eu e quem sabe, se ao fundirmos os nossos esforços, eu não melhoro. O pânico é, obviamente, devido ao facto de nenhum desdtes cantores estar presente em qualquer das actuações. Logo, o fracasso espreita guloso por mim.
Há no entanto duas tarefas que uma boa parte concordará que nunca me foram destinadas. Acredito que quando o espermnatozóide vencedor da corrida de cavalos vinda do meu pai encontrou o solitário óvulo da minha mãe, ambos terão combinado uma coisa: quem daqui vai ser pode ser extremamente dotado a tudo e mais alguma coisa, menos em cantar e dançar. O vaticínio cumpriu-se: tenho duas barbatanas em vez de pés e penso que a melhor comparação que se pode estabelecer com a minha voz é a sirene da Lisnave.
O encenador na peça em cujos ensaios tenho estado envolvido nos últimosa tempos desconhece este facto. Não por falta de conhecimento, pois relembrei várias vezes esse meu handicap. Ainda assim, insistiu que eu ia faezr um pequeno solo na peça. Entrei em pânico.
Urge demolir um mito generalizado acerca da minha pessoa: eu gosto de cantar. Vá lá, gosto de trautear, entoar, assassinar canções. Isto não inclui temas mirins, e daí o mito. Mas tudo o que pertença ao meu gosto, gosto de o fazer. Mal, mas gosto. É uma maneira de, por momento,s pensar que realmente tenho a voz afinadinha, porque estou a cantar em dueto com Billie Joe Armstrnog, Damon Albarn, a K.T Tunstall ou a Melanie Pain. Qualquer um deles canta melhor que eu e quem sabe, se ao fundirmos os nossos esforços, eu não melhoro. O pânico é, obviamente, devido ao facto de nenhum desdtes cantores estar presente em qualquer das actuações. Logo, o fracasso espreita guloso por mim.
Para aumentar o gozo do fracasso, a dança estará envolvida. Na realidade, os meus dotes de dançarino são semelhantes aos de um castor do Alasca. Bem, eu pensava isto até ontem, quando dei por mim a faltar a metade de uma actividade de escuteiros para participar em algo mais. É um evento que se dá de 1000 em 1000 anos e não queria perdê-lo por nada. A razão? Um workshop de dança teatral grega. Fui lançado a quente numa série de coreografias que confundiu, durante meia hora o centro de coordenação do meu cérebro, e tenho a certeza de que ainda agora, se me pedirem para dar um pontapé numa bola, encetarei um kalamatiano que lançará rumores acerca das minhas preferências sexuais. Devo confessar que fiquei surpreendido comigo mesmo: apanhei os passos com relativa facilidade e estava a fazê-los com uma tal destreza que julguei que o meu verdadeiro eu tinha ido dar uma volta pela baixa de Coimbra, deixando outra pessoa ali para aprender no workshop. Adorava saber dançar, a sério, trocava isso por um ou outro daqueles talentos inúteis que tenho, e este workshop aumentou a minha vontade e, palavra poucas vezes aqui lida, confiança para o fazer. Foi bastante positivo.
E já sabem: se adoram rir, 29 de Abril no teatro Paulo Quintela. Uma comédia engralada. Não é publicidade enganosa, porque se não acharem piada ao texto, está lá uma sirene da Lisnave a abanar-se que vos vai levar aos píncaros do riso.
quarta-feira, janeiro 23, 2008
terça-feira, janeiro 22, 2008
O boneco
Ser esbofeteado no mesmo dia com 4 ou 5 wake up calls em relação à vida. Diferentes maneiras de me chamar banana em praticamente todas as áreas da minha vida.
Foi bom, gostei, experiência de humildade.
Resta saber se terão resultado. Desenvolvimentos em posts futuros.
Foi bom, gostei, experiência de humildade.
Resta saber se terão resultado. Desenvolvimentos em posts futuros.
terça-feira, janeiro 15, 2008
Fashion victim

Sofro de um mal interno que me impede de ser normal e que devia ser contemplado na lei portuguesa, naqueles artigos sobre pessoas com necessidades especiais, um eufemismo poiliticamente correcto e parvo com que o establishment decidiu brindar os cidadãos com deficiência. Porque deficiência é uma palavra muito feia e não soa bem. Mas não é esse o assunto.
A minha doença é a incapacidade quase total em comprar roupa. Não porque goste de andar nun. Aliás, até gosto, em certa situações é totalmente aconselhável, mas o verdadeiro motivo é a minha falta de gosto em moda. Coloquem-me numa livraria e estou em casa; ponha-me numa loja de DVD e eu oriento os clientes todos enquanto resolvo um cubo Rubik. Soltem-me num entreposto de roupa e sentem-se, enquanto esperam pelo desastre a acontecer. Tenho uma crónica falta de conhecimento do assunto. Não me interpretem mal: sei o suficiente para não entrar na Oysho à procura de vestuário para mim, mas sou tão burro que só me apercebo que passei da secção de homem para mulher numa loja de roupa quando chego às coisas mais óbvias que me recordam que já não vejo um par de mamas ao vivo há algum tempo.
Por isso, tenho medo de comprar roupa. Isto explica o facto de o meu guarda-roupa não sofrer uma revisão consistente há mais de cinco anos. Por isso, uma das minhas decisões para 2007 foi então proceder a essa revisão. Tarefa penosa, mas eu estou habituado a isso: todos os anos digo a mim mesmo que hei-de arranjar uma namorada.
As boas notícias é que consegui cumprir 90% dos meus objectivos sem grande dificuldade. O principal, tomar decisões autónomas relativamente ao que comprar, foi cumprido com inesperada desenvoltura e juro que, algures, quando vi um homem a segurar uma camisola com ar de quem a ia experimentar, pensei: "Meu, isso fica-te tão terrivelmente mal!". Eu a mostrar uma opinião sobre moda, a sério. Penso que co o que comprei, posso passar mais um ano, em diferentes combinações, a enganar as pessoas e fazê-las pensar que aquela camisola preta não foi estreada em 1999. Ou então, não.
Um último apontamento: como cliente e consumidor, cabe-me lançar um alerta aos comerciantes da indústria do vestuária para um factor importante no acto de venda. Falo das cabines, vulgarmente designadas de provadores. Existem elementos importantes para quem lá vai experimentar o produto que quer comprar. Nâo adianta terem só cabides e espelhos. Os cabides são muito úteis para casacos e calças com cruzetas agarradas, mas quem quer tentar camisolas tem de desafiar as leis da lógica para poder pendurar lá a sua. Algumas lojas, um númeor reduzido, têm o bom senso de colocar um banco, que para além de servir para nos sentarmos se formos mesmo muito, muiot indecisos na escolha de uma peça de roupa, está mesmo a jeito para colocarmos o que não podemos deixar nos cabides. Faz a diferença. O mesmo se diz com um espelho duplo, que nos permite ver a parte de trás e da frente em simultâneo. Dois serviços mínimos que podem fazer muito pela relação vendedor/consumidor.
Fica a dica de um leigo, com tudo o que isso vale.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Hoje sinto-me assim

Do as I say not as I do because
The shit so deep you can't run away
I beg to differ on the contrary
I agree with every word that you say
Talk is cheap and lies are expensive
My wallet's fat and so is my head
Hit and run and then I'll hit you again
I'm a smart ass but I'm playing dumb
Standards set and broken all the time
Control the chaos behind a gun
Call it as I see it even if
I was born deaf, blind and dumb
Losers winning big on the lottery
Rehab rejects still sniffing glue
Constant refutation with myself
I'm a vicitm of a catch 22
I have no belief
But I believe
I'm a walking contradiction
And I ain't got no right
quinta-feira, janeiro 03, 2008
Eu gosto de ajudar
Vou começar este post por deixar claro uma coisa: eu acho que ajudar pessoas é bom. Opinião polémica, não é? Nada tenho contra quem gosta de ajudar aqueles que precisam, mesmo que "aquele que precisam" seja uma categoria tão alargada que pode englobar quem passe fome e quem não tem sexo há mais de dois anos. Os bons samaritanos podem levar a sua vida.
Posto isto, passemos ao que me vai transformar num saco de porrada.
Passou ontem na RTP uma reportagem sobre um grupo de voluntários que a AMI levou a um campo no Senegal chamado Ren Mao. Não vi a reportagem completa, apenas excertos, mas os alegres convivas, como se fossem os sete anões, estavam contentíssimos da vida por ir para um continente tão carenciado, como alguém disse, ajudar. O doutor Fernando Nobre, presidente da AMI portuguesa, chamava a atenção para os problemas, algo com que ele lida, e vai continuar lidar mesmo quando os sete anões tiverem de voltar ao conforto do seu lar com clima controlado, o seu frigorífico Siemens carregado de comida e o seu sistema de água canalizada. Pelo meio, um homem tomava banho de água fria com uma caneca e demonstrava aquele ar de "vim para a selva, isto é que é ser homem duro", e uma senhora lavava os dentes sem ter um lavatório à frente e parecia voltar a contactar com o seu Homo Habilis há muito perdido.
Ah, e pelo meio, criancinhas que eles ajudavam.
Em que é que isto pode irritar qualquer pessoa de bem? E em que é que isto me pode irritar, separemos já agora as duas coisas? Simples: o tom do discurso e a pose de quem pensa que ajudar é uma coisa fashion. Falam todos em "Vou fazer isto, porque achei que seria uma experiência engraçada", ou "Retiro tanto disto, é algo de diferente." Algum deles diz "Hei, mas está aqui gente que, daqui a 15 dias quando me for embora e tiver belas histórias para contar aos meus amigos, ainda vai estar a passar problemas e a ter de percorrer 12 km a pé para ter acesso a uma garrafa de água"? Não: só falam em como aquilo os transforma e fazem com que a experiência de ir a África para aquela ocupação seja como umas férias, em que, pronto, passam menos tempo na praia. Aliás, pelo discurso, nota-se também que se acham a dádiva branca de Deus para um continente negro que se afunda. Ou seja, o velho ideal europeu de ser luz num mundo de trevas. Colinialismo no seu estado puro. Não tratar quem ajudam como pessoas iguais a eles, mas como uns sortudos pelo facto de aqueles portugueses se terem lembrado de parar por ali e dar-lhes uma mãozinha.
Na verdade, muitos pagaram para ajudar. Já estive envolvido numa ou noutra tarefa de solidariedade e trabalho em prol de alguém. Não paguei, mas também não fui a África, até porque em Portugal há várias associações e obras que precisam de voluntários. Infelizmente, não fica tão bem referir isso em conversas, pois dizer "Fui ajudar em África. Coitadinhas das crianças, aquelas casas nem têm telhado, blá, blá, blá." tem muito mais pinta, e ajuda a engatar miúdas. Lembrem-se de todos os grandes altruístas: so much fuss about them it's crazy.
Eu acho que a caridade não é nenhuma experiência: é uma atitude. Não é algo que se decida fazer num Verão e voltar para cá como se nada fosse. É uma coisa de todos os dias. Não sou nenhum bom samaritano, muito, muito longe disso. E não me consigo preocupar com toda a miséria do mundo. Desculpem, mas se fizesse isso, não conseguia funcionar. Acho até que as pessoas que realmente fazem a diferença na vida dos outros não aparecem nos jornais, e eu tenho vergonha de, ao dizer que já participei em meia dúzia de acções de solidariedade, poder ser comparado com elas. Isto porque essas pessoas não fazem as coisas para se sentirem bem, ou completarem um sonho qualquer, ou porque o seu umbigo precisa de uns centímetros extra (talvez um dia sejam esmagadas pelo peso do seu próprio ego); nem acham que porque são ricos, têm de ajudar os pobres. Fazem as coisas, porque sinceramente mais ninguém as faz e porque está certo.
E normalmente, essa é a única razão pela qual as pessoas se devem vangloriar de fazerem o que quer que façam.
E mais uma vez que ressalvo que a zurizdela não é contra o acto em si: é contra a pose. Ajudar é importante. Mas sugiro que comecemos por ajudar aquele nosso amigo que está a 5 metros de nós e evoluamos até ao desconhecido, que está a 5000 quilómetros. Fica a sugestão.
Posto isto, passemos ao que me vai transformar num saco de porrada.
Passou ontem na RTP uma reportagem sobre um grupo de voluntários que a AMI levou a um campo no Senegal chamado Ren Mao. Não vi a reportagem completa, apenas excertos, mas os alegres convivas, como se fossem os sete anões, estavam contentíssimos da vida por ir para um continente tão carenciado, como alguém disse, ajudar. O doutor Fernando Nobre, presidente da AMI portuguesa, chamava a atenção para os problemas, algo com que ele lida, e vai continuar lidar mesmo quando os sete anões tiverem de voltar ao conforto do seu lar com clima controlado, o seu frigorífico Siemens carregado de comida e o seu sistema de água canalizada. Pelo meio, um homem tomava banho de água fria com uma caneca e demonstrava aquele ar de "vim para a selva, isto é que é ser homem duro", e uma senhora lavava os dentes sem ter um lavatório à frente e parecia voltar a contactar com o seu Homo Habilis há muito perdido.
Ah, e pelo meio, criancinhas que eles ajudavam.
Em que é que isto pode irritar qualquer pessoa de bem? E em que é que isto me pode irritar, separemos já agora as duas coisas? Simples: o tom do discurso e a pose de quem pensa que ajudar é uma coisa fashion. Falam todos em "Vou fazer isto, porque achei que seria uma experiência engraçada", ou "Retiro tanto disto, é algo de diferente." Algum deles diz "Hei, mas está aqui gente que, daqui a 15 dias quando me for embora e tiver belas histórias para contar aos meus amigos, ainda vai estar a passar problemas e a ter de percorrer 12 km a pé para ter acesso a uma garrafa de água"? Não: só falam em como aquilo os transforma e fazem com que a experiência de ir a África para aquela ocupação seja como umas férias, em que, pronto, passam menos tempo na praia. Aliás, pelo discurso, nota-se também que se acham a dádiva branca de Deus para um continente negro que se afunda. Ou seja, o velho ideal europeu de ser luz num mundo de trevas. Colinialismo no seu estado puro. Não tratar quem ajudam como pessoas iguais a eles, mas como uns sortudos pelo facto de aqueles portugueses se terem lembrado de parar por ali e dar-lhes uma mãozinha.
Na verdade, muitos pagaram para ajudar. Já estive envolvido numa ou noutra tarefa de solidariedade e trabalho em prol de alguém. Não paguei, mas também não fui a África, até porque em Portugal há várias associações e obras que precisam de voluntários. Infelizmente, não fica tão bem referir isso em conversas, pois dizer "Fui ajudar em África. Coitadinhas das crianças, aquelas casas nem têm telhado, blá, blá, blá." tem muito mais pinta, e ajuda a engatar miúdas. Lembrem-se de todos os grandes altruístas: so much fuss about them it's crazy.
Eu acho que a caridade não é nenhuma experiência: é uma atitude. Não é algo que se decida fazer num Verão e voltar para cá como se nada fosse. É uma coisa de todos os dias. Não sou nenhum bom samaritano, muito, muito longe disso. E não me consigo preocupar com toda a miséria do mundo. Desculpem, mas se fizesse isso, não conseguia funcionar. Acho até que as pessoas que realmente fazem a diferença na vida dos outros não aparecem nos jornais, e eu tenho vergonha de, ao dizer que já participei em meia dúzia de acções de solidariedade, poder ser comparado com elas. Isto porque essas pessoas não fazem as coisas para se sentirem bem, ou completarem um sonho qualquer, ou porque o seu umbigo precisa de uns centímetros extra (talvez um dia sejam esmagadas pelo peso do seu próprio ego); nem acham que porque são ricos, têm de ajudar os pobres. Fazem as coisas, porque sinceramente mais ninguém as faz e porque está certo.
E normalmente, essa é a única razão pela qual as pessoas se devem vangloriar de fazerem o que quer que façam.
E mais uma vez que ressalvo que a zurizdela não é contra o acto em si: é contra a pose. Ajudar é importante. Mas sugiro que comecemos por ajudar aquele nosso amigo que está a 5 metros de nós e evoluamos até ao desconhecido, que está a 5000 quilómetros. Fica a sugestão.
domingo, dezembro 30, 2007
Erro

Gostei deste ano.
Não, não é engano. Leram mesmo bem: escrevi que gostei de alguma coisa relacionada com a minha vida em geral. Será vírus? Será doença? Não sei. Este é um daqueles posts que pode projectar este blog para lá da aura de "blog queixinhas" que já tornou folclore para quem o lê.
Experimentei coisas novas, o que é raro; consegui superar alguns momentos bem depressivos com alguma classe e voltar ao mais alto nível. Deu tempo até para conhecer pessoas novas.
Engraçado.
2008 pode ser ainda mais engraçado, penso.
Sem preço
Passarmos tempo ao paleio com pessoas com quem gostamos de estar e falar.
Quer dizer, vale 1,50 + 75 c... É fazer as contas.
Quer dizer, vale 1,50 + 75 c... É fazer as contas.
quinta-feira, dezembro 20, 2007
Regresso
Deixem-de desde já sossegar-vos, ou fazer uma dsfeita, conforme o caso específico: esta ausência não se deve ao facto de ter visto a luz (vulgo Jesus Cristo, ou aquela voz na cabeça da Joana Solnado quando ela se esquece de tomar os mdedicamentos para a Tourette). A escrita no blog tem sido, como devem notar, mais espaçada. Moleza, falta de temáticas, fraca participação do 12º jogador nas discussões que se lançam: qualquer uma dessas razões está certa e errada em simultâneo, como quase tudo o que nos preenche a vida.
Quanto ao fim de semana, aos que se preocuparam em verificar como ia o meu processo zen de "Vive la resistance", foi interessante. Eu gosto de conhecer pessoas novas, enquanto tenho tendências de eremita, mas quem aqui passa, sabe que sou cheio de paradoxos. Logo, foi uma oportunidade de ver homens e mulheres a reagir ao que era ançado, de maneiras diferentes, com sentimentos variados. Passei a respeitar mais as pessoas que, ao contrário de mim, crêem no Deus católico, pois encontrei casos de gente que acredita sinceramente em algo, e sente as coisas, ao ivés de debitar lugares comuns e dizer que coisas só porque são bonitas ou porque fica bem ouvir; gente que diz que sim, que acredita em Deus, mas só porque não acreditar não é bem a onda deles. Portanto, à falta de melhor, o contrário tem de servir.
Num curso que, final, também faz parte do escutismo, foi curioso encontrar muita gente que nunca tinha sido escuteira e que olhava para mim, que tenho 16 anos de mirim fardado, como quem espera ouvir palavras sábias e conselhos, algo que definitivamente não é o meu papel. Na verdade, eu sei pouco disto e não tenho nada o perfil de sapiente e grande chefe. Eu sou mais o agent provocateur. Indirectamente, oq eu aquelas pessoas me vão dizendo é que está na altura de crescer mas é, e deixa de ser fogareiro. Foi como eu disse: aprende-se sempre algo nestas coisas, e o importante é não ter medo da novidade: apenas aceitá-la ou bater-lhe, conforme a situação.
E sim, vou continuar a fazer humor com a religião. Por alguma razão passei o fim de semana inteiro e fazer cenas de "A vida de Brian".
sexta-feira, dezembro 14, 2007
Fim de semana alucinante
Pela primeira vez desde há muito tempo, vou faltar a uma actividade de escuteiros do meu agrupamento. Isto para ir a outra: um fim de semana que emula um retiro espiritual e tenta que os seus participantes sintam uma presença qualquer, quiçá uma mão fria na nuca, o que é, convenhamos, desagradável.
É melhor parar com estas piadas. Ainda alguém lê isto e me denuncia aos organizadores.
Já fugi de incêndios, já fiz rappel e slide, já desci escarpas e mergulhei e lagos gelados. Coisas radicais e perigosas. No entanto, nada me desperta este temor como este fim de semana. Respiro fundo e entro num estado zen. Porque claramente, fins de semana espirituais e o meu actual estado de espírito têm tanto a ver como o fair-play com o Futebol Clube do Porto.
Mais uma vez, é melhor calar-me.
Um último desejo: que Deus no guarde, saúdinha e tenho a ligeira impressão de que tudo isto, afinal, me vai faezr algum bem. Não sie qual, mas vai. Acontece sempre que estou com medo de alguma coisas.
É melhor parar com estas piadas. Ainda alguém lê isto e me denuncia aos organizadores.
Já fugi de incêndios, já fiz rappel e slide, já desci escarpas e mergulhei e lagos gelados. Coisas radicais e perigosas. No entanto, nada me desperta este temor como este fim de semana. Respiro fundo e entro num estado zen. Porque claramente, fins de semana espirituais e o meu actual estado de espírito têm tanto a ver como o fair-play com o Futebol Clube do Porto.
Mais uma vez, é melhor calar-me.
Um último desejo: que Deus no guarde, saúdinha e tenho a ligeira impressão de que tudo isto, afinal, me vai faezr algum bem. Não sie qual, mas vai. Acontece sempre que estou com medo de alguma coisas.
quarta-feira, dezembro 12, 2007
Paleio
Estar à conversa até às 4 e tal da manhã. Acho que a última vez que me aconteceu, falava-se aí de uma revolução qualquer contra os espanhóis, encabeçada pela casa de Bragança.
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Os 10
As Produções Fictícias estão a promover uma votação de algum interesse: os cinquenta melhores programas de sempre da televisão portuguesa. Entenda-se que têm de ser de produção portuguesa. Ao início, sorri de mim para mim, pois pensei que, se calhar, dez bastavam. No entanto, ao pensar no assunto e ler as diversas opiniões, dei-me conta que estav errado. Mesmo arranjar 10 para fazer este post foi complicado, pois escolher um top próprio é sempre difícil: é uma tarefa de relativismo e temos semprede estabelecer os nossos critérios. No meu caso, acho que não existem critérios fixos. Antes de me chamarem qualquer nome, lembrem-se que a frase que acompanha este blog é "I'm a complex guy, sweetheart".
Os programas seguem sem nenhuma ordem em especial.
"Herman Enciclopédia" - Toda a gente ainda utiliza hoje uma ou outra expressão retirada dessa Herman Enciclopédia. Tinha um elenco como nunca mais se reuniu num programa de comédia (para além de Herman, Miguel Guilherme, José Pedro Gomes, Maria Rueff, Joaquim Monchique, Lídia Franco, Vítor de Sousa...) e personagens de charneira: Diácono Remédios, Henrique Melga, os organizadores da Expo 97... Quando vejo Herman a fazer algo de mau, lembro-me que ele um dia fez isto. E convenhamos: para quem lhe quer dar pontapés nos tomates por isso, a "Herman Enciclopédia" é o maior protector de tomates que existe.
"O tal canal" - O primeiro Herman, um programa cómico que rebentou com o que se fazia na altura e cuja trepidação ainda hoje se faz sentir na televisão. O nosso correspondente à estreia dos Monty Python em Inglaterra. Os Gato Fedorento nunca existiriam se um dia um senhor chamado Herman Kripahll não se tivesse lembrado de criar o menino Nelinho, o Estebes, o Tony Silva e esse senhor incontornável dos media que é Professor doutor Oliveira Casca. O país reflectido num programa de comédia.
"Polícias" - Em 50 anos incrivelmente pobres no que toca à ficção dramática nacional, esta série destaca-se com naturalidade como a melhor coisinha que foi feita por cá. Uma variação da estratégia da RTP da série de ficção histórica, esta passava-se nos nossos dias e acompanhava polícias do final do século XX. Curiosamente, também era escrita por Moita Flores! Vítor Norte, João Lagarto, Maria João Luís, Luís Esparteiro, António Pedro Cerdeira... Tudo o que é bom; e foi o mais próximo que tivemos de diálogos bem construídos e escorreitos.
"Horizontes da memória" - Não sei se foi ele que me fez gostar de História, mas apesar de não apreciar muito José Hermano Saraiva como historiador, é inegável a categoria dos seus programas, e também os dotes naturais de comunicador que tem. Apesar de ultimamente os seus programas serem pouco mais do que a divulgação turística de alguns locais, ainda me lembro quando era mais "piqueno" e me sentia fascinado com as exlicações do professor Saraiva.
"Duarte e companhia" - Uma das nossas grandes séries de culo, daquelas que eram más de propósito, porque só assim é que eram boas. A prova é que, anos depois, ainda vibramos com o dois cavalos vermelho, a Joaninha, o Rocha, o Átila, o Padrinho...A nossa grande referência de pop-culture televisiva, e o upgrade necessário a outra grande série que não podemos de maneira alguma olvidar: "Zé Gato".
E fujam, que vem lá a mulher do Duarte.
"Rua Sésamo" - Sem ela, a nossa infância teria sido uma pasmaceira. E basta isto.
"Fenómeno" - Um programa que passava na RTP 2, praticamente ignorado pela generalidade do público, mas uma grande bomba, um cruzamento entre trabalho jonralístico, documentário e ficção, dedicado à temática do paranormal em Portugal. Apresentando provas, casos, e não crenças, "Fenómeno" não nos dava soluções: apenas nos questionava sobre a possibilidade de sequer haver soluções. Para além disso, tinha como host um dos actores mais subaproveitados que cá temos, cara habitual dos anúncios da Yorn: Alfredo Brito
"Gato Fedorento - Série Fonseca" - Um OVNI na altura em que estreou: ainda me lembro de contar sketches a amigos meus e estes não se rirem, nem acharem piada. Passados uns meses, a coisa rebentou e andava em todo o lado. As outras séries que fizeram têm coisas muito, muito boas, mas esta foi a novidade absoluta quando estreou.
"Claxon" - Mais uma série ignorada, com o grande António Cordeiro a fazer o personagem homónimo, Margarida Reis (lembram-se?) como mulher fatal e Ricardo Carriço a iniciar a carreira, numa série noir à portuguesa. Pormenor: o inspector de polícia chamava-se Bob Caroço e todos os episódios, repetia a frase: "Eu é que sei desta merda toda!!!" Carriço viria a fazer a inovadora série "Major Alvega" uns anos mais tarde.
"Palavras ditas" - Mário Viegas era espantoso, e conseguiu transformar a poeisa em algo de acessível e cool. Um programa que estava uns anos à frente do seu tempo e que ainda hoje faria sentido. Há pouco tempo, houve um upgrade interessante, também na RTP, com "Voz".
Ok, 10. E faltam aqui alguns, de certeza. É a vossa parte: quais são, para vós, os 10programas portugueses de sempre?
Os programas seguem sem nenhuma ordem em especial.
"Herman Enciclopédia" - Toda a gente ainda utiliza hoje uma ou outra expressão retirada dessa Herman Enciclopédia. Tinha um elenco como nunca mais se reuniu num programa de comédia (para além de Herman, Miguel Guilherme, José Pedro Gomes, Maria Rueff, Joaquim Monchique, Lídia Franco, Vítor de Sousa...) e personagens de charneira: Diácono Remédios, Henrique Melga, os organizadores da Expo 97... Quando vejo Herman a fazer algo de mau, lembro-me que ele um dia fez isto. E convenhamos: para quem lhe quer dar pontapés nos tomates por isso, a "Herman Enciclopédia" é o maior protector de tomates que existe.
"O tal canal" - O primeiro Herman, um programa cómico que rebentou com o que se fazia na altura e cuja trepidação ainda hoje se faz sentir na televisão. O nosso correspondente à estreia dos Monty Python em Inglaterra. Os Gato Fedorento nunca existiriam se um dia um senhor chamado Herman Kripahll não se tivesse lembrado de criar o menino Nelinho, o Estebes, o Tony Silva e esse senhor incontornável dos media que é Professor doutor Oliveira Casca. O país reflectido num programa de comédia.
"Polícias" - Em 50 anos incrivelmente pobres no que toca à ficção dramática nacional, esta série destaca-se com naturalidade como a melhor coisinha que foi feita por cá. Uma variação da estratégia da RTP da série de ficção histórica, esta passava-se nos nossos dias e acompanhava polícias do final do século XX. Curiosamente, também era escrita por Moita Flores! Vítor Norte, João Lagarto, Maria João Luís, Luís Esparteiro, António Pedro Cerdeira... Tudo o que é bom; e foi o mais próximo que tivemos de diálogos bem construídos e escorreitos.
"Horizontes da memória" - Não sei se foi ele que me fez gostar de História, mas apesar de não apreciar muito José Hermano Saraiva como historiador, é inegável a categoria dos seus programas, e também os dotes naturais de comunicador que tem. Apesar de ultimamente os seus programas serem pouco mais do que a divulgação turística de alguns locais, ainda me lembro quando era mais "piqueno" e me sentia fascinado com as exlicações do professor Saraiva.
"Duarte e companhia" - Uma das nossas grandes séries de culo, daquelas que eram más de propósito, porque só assim é que eram boas. A prova é que, anos depois, ainda vibramos com o dois cavalos vermelho, a Joaninha, o Rocha, o Átila, o Padrinho...A nossa grande referência de pop-culture televisiva, e o upgrade necessário a outra grande série que não podemos de maneira alguma olvidar: "Zé Gato".
E fujam, que vem lá a mulher do Duarte.
"Rua Sésamo" - Sem ela, a nossa infância teria sido uma pasmaceira. E basta isto.
"Fenómeno" - Um programa que passava na RTP 2, praticamente ignorado pela generalidade do público, mas uma grande bomba, um cruzamento entre trabalho jonralístico, documentário e ficção, dedicado à temática do paranormal em Portugal. Apresentando provas, casos, e não crenças, "Fenómeno" não nos dava soluções: apenas nos questionava sobre a possibilidade de sequer haver soluções. Para além disso, tinha como host um dos actores mais subaproveitados que cá temos, cara habitual dos anúncios da Yorn: Alfredo Brito
"Gato Fedorento - Série Fonseca" - Um OVNI na altura em que estreou: ainda me lembro de contar sketches a amigos meus e estes não se rirem, nem acharem piada. Passados uns meses, a coisa rebentou e andava em todo o lado. As outras séries que fizeram têm coisas muito, muito boas, mas esta foi a novidade absoluta quando estreou.
"Claxon" - Mais uma série ignorada, com o grande António Cordeiro a fazer o personagem homónimo, Margarida Reis (lembram-se?) como mulher fatal e Ricardo Carriço a iniciar a carreira, numa série noir à portuguesa. Pormenor: o inspector de polícia chamava-se Bob Caroço e todos os episódios, repetia a frase: "Eu é que sei desta merda toda!!!" Carriço viria a fazer a inovadora série "Major Alvega" uns anos mais tarde.
"Palavras ditas" - Mário Viegas era espantoso, e conseguiu transformar a poeisa em algo de acessível e cool. Um programa que estava uns anos à frente do seu tempo e que ainda hoje faria sentido. Há pouco tempo, houve um upgrade interessante, também na RTP, com "Voz".
Ok, 10. E faltam aqui alguns, de certeza. É a vossa parte: quais são, para vós, os 10programas portugueses de sempre?
Etiquetas:
O fabuloso mundo de...,
Small screen
quarta-feira, dezembro 05, 2007
Apontamentos de uma ida ao shopping
Senhores da Taschen: eu gosto muito dos vossos livros sobre pintura. A qualidade de impressão é de realçar e as palavras dedicadas aos pintores e períodos artísitocos neles abordados são de quem entende da coisa, não querendo ser inacessível. No entanto, gostava de chamàr a vossa atenção para para o seguinte facto. Picasso, Dali, Miró e Van Gogh não são os únicos pintores da História da Humanidade. Outros homens do pincel igualmente bons também se entretiveramk a rabiscar umas coisas e têm uma história de vida tão ou mais complicada. Por isso, dêem a este leitor a benesse de editar dois brutais calhamaços dedicados a Chagall, como o fizeram para os senhores atrás referidos. Está na altura de acabar com o monopólio dos gostos artísticos. Fica a nota.
Descubro o maior drama estético das mulheres com o vestuário do Inverno: manterem-se quentes e confortáveis, enquanto tentam não parecer terem 10 anos a mais.
A Sony, que editou todas as temporadas de "Seinfeld", devia levar uma malha das antigas, porque arranjou maneira de encaixotar todo o material Senfeldiano numa caixa apetecível, que inclu um coffee-book table (piada da série), um livro com descrições de cada episódio e toda a reunião do elenco 9 anos após a série ter acabado. Tudo isto mais barato doq ue se com´prássemos as edições individuais. Estou a deixar de ser master of my domain.
Eu tenho um sério problema em comprar roupa. Já o sabia, mas acho que está a ganhar contornos de fobia. Acho que já não faço uma revisão ao meu guarda-roupa há uns 5 anos. Este Dezembro, está na altura de enfrentar medos.
O Natal não é, definitivamente, a minha época do ano. Prefiro os outros meses em que as pessoas não têm de disfarçar o cinismo.
Porque há miúdas giras que estão sentadas em mesas com o olhar mais solitário deste mundo? Acho que estou a ser ignorante e ofensivo em simultâneo sem o saber.
Girls. Ponto final e adenda ao parágrafo anterior.
Descubro o maior drama estético das mulheres com o vestuário do Inverno: manterem-se quentes e confortáveis, enquanto tentam não parecer terem 10 anos a mais.
A Sony, que editou todas as temporadas de "Seinfeld", devia levar uma malha das antigas, porque arranjou maneira de encaixotar todo o material Senfeldiano numa caixa apetecível, que inclu um coffee-book table (piada da série), um livro com descrições de cada episódio e toda a reunião do elenco 9 anos após a série ter acabado. Tudo isto mais barato doq ue se com´prássemos as edições individuais. Estou a deixar de ser master of my domain.
Eu tenho um sério problema em comprar roupa. Já o sabia, mas acho que está a ganhar contornos de fobia. Acho que já não faço uma revisão ao meu guarda-roupa há uns 5 anos. Este Dezembro, está na altura de enfrentar medos.
O Natal não é, definitivamente, a minha época do ano. Prefiro os outros meses em que as pessoas não têm de disfarçar o cinismo.
Porque há miúdas giras que estão sentadas em mesas com o olhar mais solitário deste mundo? Acho que estou a ser ignorante e ofensivo em simultâneo sem o saber.
Girls. Ponto final e adenda ao parágrafo anterior.
quinta-feira, novembro 29, 2007
Experiências com a morte

Objectivamente, a pior experiência que já vivi, muito mais do que coisas amorosas ou relacionais, muito mais do que notas de faculdade ou problemas com os pais, foi quase ter sufocado até à morte. É, por muito que blogs EMO e gente propensa a lançar alertas de suicídio queria enraivecer os seus sentimentos, a segunda pior coisa que nos pode acontecer, apenas suplantada pelo acto efectivo de falecer.
Isto deu-se há uns anos, era um jovem já com pêlos no peito e tinha 15 anos. Numa caminhada nocturna que se deu numa actividade de escuteiros, fugíamos de um fogo, embora não fosse isso que me pusesse em perigo a vida. Quer dizer, se em vez de andarmos, tivéssemos ficado deitados, já era um caso diferente. Mas decidimos andar, atabalhoadamente, sem grande nexo. Isto, claro, deu alguma bronca. No meu caso, que estava desidratado, descambou para o pior. Nervoso, deu-me para vomitar. O problema é que o meu corpo estava em modo de escassez de líquidos, o que fez com que o vómito, perdoem-me o grafismo, ficasse preso na minha garganta. O resultado lógico, está claro, foi a minha total incapacidade em respirar. Para quem nunca experimentou, nem tente imaginar, porque não vale a pena. É cem vezes pior do que imaginam: a impotência em não conseguirmos fazer nada, a sensação de que podemos ficar ali e acabou e a cara das pessoas à nossa volta, cujo terror triplica o nosso. Não é bonito. Felizmente, um dos escuteiros que me acompanhava percebia uma ou duas coisas de primeiros socorros e aplicou-me com sucesso a manobra de Heimlich, provavelmente um dos únicos tipos alemães de que gosto a sério. Consegui expelir o monte de vómito duro e após ter bebido alguns goles de água, pude seguir o meu caminho, porque, enfim, dizem que o fogo pode queimar. Era uma teoria lançada na altura que ficou comprovada este ano na Califórnia.
Nunca me esqueci disto. Esperava nunca mais a repetir. Mas o que é certo, é que já vivi algo de próximo depois. Várias vezes. Ao acordar, o que torna a coisa ainda mais poética, porque se acordar é o mais próximo que podemos ter de ressuscitar numa vida normal, ressuscitar para sentir a morte logo a seguir é incrivelmente frustrante. Embora não seja frequente, acontece-me dormir com os braços debaixo do meu peito, virado de barriga para baixo. Quando isto me dá, durante o sono, tenho um despertar incrivelmente assustado: abro os olhos, o ar não entra nem sai, não me consigo mexer, não consigo falar. Sou um cadáver, com a diferença de que os cadáveres normais não sentem metade da aflição que esses pequenos segundos me provocam. Depois, com alguns truques que fui aprendendo, vou desentorpecendo, e alguém parece girar a chave de ignição para que o meu corpo funcione mais uma vez.
Penso nesta pequena experiência quando não me sinto bem com a minha vida e me sinto triste. Porque se eu tenho a capacidade para "vencer" essa morte, de saltar sobre ela e ter a oportunidade de experimentar a vida, porque me hei-de sentir tão triste e cabisbaixo naquelas ondas que são como as monções, que me assolam o interior e me inundam numa coisa triste que eu nunca sei o que é, só sei que não é tristeza? Não sei, mas também me faz morrer um pouco.
No entanto, da próxima vez que "vencer" a morte, sei que vou ressuscitando esse pouco que morreu. Porque a minha alegria é feita de esperanças parvas.
E nesta frase, em vez de complexo, sou um humano normal.
quinta-feira, novembro 22, 2007
Pontos de vista
Neste anúncios, algumas raparigas verão uma mulher bonita a ser explorada pela gigantesca máquina comercial da indústria de lingerie; alguns homens elogiarão uma fêmea a que não medo de explorar e brincar com a sua sexualidade; eu vejo a Heidi Klum, a fazer piadas com as mamas e a brincar com elas para gáudio de alguns. Nos quais me incluo.
segunda-feira, novembro 12, 2007
Dívida paga

Norman Mailer morreu este fim de semana, um dos eternos membros da antecâmara do Nobel, o grupo de escritores que todos os anos vão ganhar o prémio, mas que nunca conseguem. Lobo Antunes também por lá costuma parar, uma vez por ano. Mas enquanto o português ainda pode esperar qualquer coisa, Mailer já não, por motivos que a generalidade da crítica considera imbatíveis.
Relembro Norman Mailer por razões estranhas. Embora o ache um excelente escritor, não sou um especialista ou fã acérrimo. Só li dois livros da sua lavra, "Os nus e os mortos" e "A canção do carrasco". É uma personalidade fascinante, em toda a sua misoginia, provocaçao gratuita e desafio constante das normas vigentes, para além do seu comportamento em sociedade ser pouco menos que excessivo. Fundou o "Village Voice", megafone da inteliggentsia norte-americana, e pelo caminho, tornou-se um dos clichés das décadas de 60 e 70: o judeu revoltado. Mailer, no entanto, é tudo menos um cliché: bruto como as casas, intenso, enfant terrible e genial. Talvez tenha sido por tudo isto que nunca ganhou o Nobel, e que Saramago ganhou: não discutindo os seus méritos ou deméritos artísticos, o Saramago personalidade é chato e nem o facto de estar ligado a um partido de oposição clandestino numa ditadura lhe dá uma aura carismática ou especial. É um tipo que foi viver para Espanha e de vez em quando, diz barbaridades. Figo também era assim.
Então porque estou a lembrar Mailer? Porque lho devo. Há anos que estou para acabar de ler uma obra do escritor e sinto-me mal com isso. Não falo de dois ou três anos: é um espaço intemporal vergonhosamente mais extenso, tão vergonhoso que não o vou revelar aqui. Em minha defesa, posso dizer que a obra, "O fantasma de Harlot", é um monstro com a modéstia de 1361 páginas, o que, tendo em conta que tenho mais livros para ler e costumo abocanhar vários ao mesmo tempo, é de respeito. Mailer tem uma escrita cativante, mas outros escritores também, e esses escritores são mais comedidos na extensão do que têm para contar. Logo, ando a pousar e levantar este livro num movimento perpétuo de leitor que embora não desistente, tem um déficit de atenção extremo.
Mas fica aqui prometido, em público, que o relato de Mailer da história da CIA não será esquecido na minha agenda cultural. Antes que o fatntasma de Mailer me enfie "O fantasma de Harlot" pelo olhos. O homem que esfaqueou a segunda mulher numa festa da sociedade era homenzinho para isso.
sexta-feira, novembro 09, 2007
O tempo
terça-feira, novembro 06, 2007
Modas

O Moleskine é o caderno da moda. Capa preta dura, fitinha de elástico negra para melhor prender as páginas, compartimento para guardar as folhas soltas: enfim, o próprio Macgyver certamente usava um. Nós é que nunca o vimos.
Com os Moleskine vem um papelino a contar a enda do caderno, que não envolve dragões, nem sequer Leonardo da Vinci, mas ainda assim lá adiantam que Vincent van Gogh e Ernest Hemingway usaram esse mítico canhenho. Van Gogh deu um tiro no próprio peito; Erneste Hemignway abocanhou uma caçadeira e disparou. Ou seja, ambos se suicidaram. Isto deverá animar os utilizadores.
Por enquanto, não penso em Moleskines. Não é que eu seja anti-moda: sou mais um fora de moda. Na verdade, acho que a minha criatividade já não funciona sem os míticos cadernos de capa preta de cartão do Continente. Custam menos de 1 euro e também se pode lá escrever. Penso que Belmiro de Azevedo já os terá utilizado; e estamos a falar de um tipo que está na lista da Forbes dos 500 mais ricos do mundo.. Não escreveu o "Adeus às armas", mas também não está mal.
O cansaço das palavras
Enquanto insultava Paulo Coelho (sim, podem-me acusar de falta de imaginação) e percorria alguns blogs, perguntei-me quando é que as palavras começam a ser banais. Quando é que as expressões que usamos para transmitir aquilo que é sempre intransmissível perdem o poder e passar a ser letras escritas ou sons falados. Onde estará o momento em que poder poder mágico de um vocábulo é desvendado e assim apagado? É uma pergunta pertinente, porque provavelmente depende de nós. Acho que as palavras são, de tudo o que temos, aquilo que mais directamente depende de nós. Passam de uns para os outros. Na minha boca, esta é fraca; mas na tua é forte, naquela relação que tens com o outro.
Fascinam-me as palavras. Aborrece-me quando começamos a usar as mesmas palavras em situaçõe semelhantes, como se as pessoas fossem iguais para nós. Como se todas no fizessem sentir a mesma coisa. Devíamos ter palavras diferentes, frases diferentes, para que cada pessoa se pudesse sentir especial, mesmo quando o mundo parece ser tudo menos isso.
Já alguma vez uma palavra vos conseguiu fazer passar de um monte de esterco a um prato de arroz doce quente? A mim já. Algumas vezes. Mesmo que a pessoa do outro lado não soubesse que palavras abriam a minha fechadura.
Serão as palavras também intimidade? E que intimidade têm outras elas?
As palavras sabem o nosso limite quando as usamos. Por isso anunciam o génio de quem as sabe usar, mas também denunciam os impostores que querem ser mais do que são através delas.
Por isso gosto das palavras. De um modo secreto, elas são quem as escreve. Mesmo que se tenha de ler nas entrelinhas. Porque aí também existem palavras.
Nós é que não as vemos à primeira.
E não esquecer que as pessoas também têm entrelinhas. Mas estas já são mais complicadas de se ler.
Chegado este ponto, estas palavras estão cansadas. Ou apenas aborrecidas. Imploram-me que páre. Ponto final.
Fascinam-me as palavras. Aborrece-me quando começamos a usar as mesmas palavras em situaçõe semelhantes, como se as pessoas fossem iguais para nós. Como se todas no fizessem sentir a mesma coisa. Devíamos ter palavras diferentes, frases diferentes, para que cada pessoa se pudesse sentir especial, mesmo quando o mundo parece ser tudo menos isso.
Já alguma vez uma palavra vos conseguiu fazer passar de um monte de esterco a um prato de arroz doce quente? A mim já. Algumas vezes. Mesmo que a pessoa do outro lado não soubesse que palavras abriam a minha fechadura.
Serão as palavras também intimidade? E que intimidade têm outras elas?
As palavras sabem o nosso limite quando as usamos. Por isso anunciam o génio de quem as sabe usar, mas também denunciam os impostores que querem ser mais do que são através delas.
Por isso gosto das palavras. De um modo secreto, elas são quem as escreve. Mesmo que se tenha de ler nas entrelinhas. Porque aí também existem palavras.
Nós é que não as vemos à primeira.
E não esquecer que as pessoas também têm entrelinhas. Mas estas já são mais complicadas de se ler.
Chegado este ponto, estas palavras estão cansadas. Ou apenas aborrecidas. Imploram-me que páre. Ponto final.
Etiquetas:
O fabuloso mundo de...,
Obra feita,
Small screen
Subscrever:
Mensagens (Atom)
