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terça-feira, novembro 06, 2007

O cansaço das palavras

Enquanto insultava Paulo Coelho (sim, podem-me acusar de falta de imaginação) e percorria alguns blogs, perguntei-me quando é que as palavras começam a ser banais. Quando é que as expressões que usamos para transmitir aquilo que é sempre intransmissível perdem o poder e passar a ser letras escritas ou sons falados. Onde estará o momento em que poder poder mágico de um vocábulo é desvendado e assim apagado? É uma pergunta pertinente, porque provavelmente depende de nós. Acho que as palavras são, de tudo o que temos, aquilo que mais directamente depende de nós. Passam de uns para os outros. Na minha boca, esta é fraca; mas na tua é forte, naquela relação que tens com o outro.
Fascinam-me as palavras. Aborrece-me quando começamos a usar as mesmas palavras em situaçõe semelhantes, como se as pessoas fossem iguais para nós. Como se todas no fizessem sentir a mesma coisa. Devíamos ter palavras diferentes, frases diferentes, para que cada pessoa se pudesse sentir especial, mesmo quando o mundo parece ser tudo menos isso.
Já alguma vez uma palavra vos conseguiu fazer passar de um monte de esterco a um prato de arroz doce quente? A mim já. Algumas vezes. Mesmo que a pessoa do outro lado não soubesse que palavras abriam a minha fechadura.
Serão as palavras também intimidade? E que intimidade têm outras elas?
As palavras sabem o nosso limite quando as usamos. Por isso anunciam o génio de quem as sabe usar, mas também denunciam os impostores que querem ser mais do que são através delas.
Por isso gosto das palavras. De um modo secreto, elas são quem as escreve. Mesmo que se tenha de ler nas entrelinhas. Porque aí também existem palavras.
Nós é que não as vemos à primeira.
E não esquecer que as pessoas também têm entrelinhas. Mas estas já são mais complicadas de se ler.
Chegado este ponto, estas palavras estão cansadas. Ou apenas aborrecidas. Imploram-me que páre. Ponto final.

quinta-feira, junho 14, 2007

Crossroad

Hoe, quando reescrevia pela enésima vez algo que, a pouco e pouco, me está a faezr odiar ecsrever, apercebi-me de que a minha maneira de ecsrever está presa. Encontra-se num pequeno labirinto, montado a meias entre aquilo que sou e aquilo que construo ser. Porque por entre as curvas do labirinto, as minhas letras e as minhas linhas vêm carregadas de ácido, de sarcasmo e do puro prazer em inflitra-se nas coisas para as corroer. O que, para mim, não é necessariamente mau. Mas estas mesmas letras e linhas esqueceram-se de que conseguem fazer outras coisas, bem menos agressivas e que se conseguem fazer dedos e acariciar os outros. Acho que me fui esquecendo de ecrever carícias.
Não que não consiga. Mas ultimamente, as minhas mãos recusam-se a fazê-lo, e aquela voz em mim que me dita, não ao ouvido, mas talvez à parte da cabeça que me quer enganar, que devo pôr cá fora, anda chateada. Anda sempre, quer-se dizer. Há-de haver alguma coisa que a pica. Coisinhas parvas umas vezes, danadas de outras, mas sempre em forma de algemas. E o que escrevo não foge daqui, as palavras, como que presas com Super Cola 3, não se agilizam e encarreiram-se todas no mesmo sentido. Por isso, sinto ao mesmo tempo que sei escrever e que sei alinhar letras, como na primária. Coisas que fazem sentiod gramatical, mas que não me fazem sentido naquela grande visão que tenho. E nessa altura apercebo-me de que nem isto devo saber fazer. E pergunto-me que talento tenho. Nenhum, penso. E o ciclo recomeça. A levar-me por sítios diferentes, mas que acabam no memso sítio: aquele imenso branco em que nada escrevo; e o gigantesco negro onde não encontro uma ponta de felicidade. Acho que um e outro deviam casar. Fazem o par perfeito.
E com palavras construo labirintos. Como este aqui em cima, este labirinto estúpido e sem jeito, que quero chamar de texto, mas cujo bom gosto me impede de o fazer. Talvez seja um post. Já se escreveu tanta treta neste blog a que se chamou post. Este deve ser outro.

terça-feira, junho 12, 2007

Mudanças

O blog ganhou nova cabecinha. Parabéns ao senhor J.P, que se está a tornar web-designer profissional. Quando o mundo não precisar de esquentadores, já sabes o que deves seguir.
E convenhamos: se este blog tinha de possuir estilo, só se fosse outra pessoa a fazê-lo.

domingo, junho 10, 2007

Blog trivia 1

Num pequeno apontamento que pode alterar ligeiramente o design deste blog, recordei-me do título que dei a este meu estafermo, o infame "I'm a complex guy, sweetheart". Para quem não sabe a origem, aqui fica esse momento sublime em que a frase se pregou na minha cabeça. Atentem lá para o meio do vídeo.
Uma maneira subtil de reafirmar "BAS".

sexta-feira, junho 08, 2007

Irregularidade

Este post tem-se pautado pela irregularidade exibicional. A equipa técnica pede desculpas pelos útlimos jogos e promete voltar à melhor forma, quando ganhar ritmo competitivo. As lesões estão praticamente debeladas, mas há sempre a hipótese de nos ressentirmos novamente. A ver vamos. Até lá, quando não nos doa cabeça.

quarta-feira, maio 09, 2007

Vale a pena?


Acho que sim. É trabalhoso chegar ao post 500, há dias em que não me apetece escrever nada e há semanas inteiras em que a minha capacidade de escrever equivale à de um rapaz de 4 anos com Progeria. Mas ler comments a um post nosso ainda é das sensações mais recompensadoras que tenho: um verdadeiro rush de adrenalina. E servir os outros também. E poder ter um espaço para escrever, mesmo que ninguém ligue nenhuma.
Mas felizmente há quem ligue.

Humildade


Refugiando-me nas estatísticas do meu blog, pensava que era o maior, que tinha aqui uma coisa como deve ser, interessante, bem escrita e do camandro. Distraídamente, através do blog de uma amiga, comecei a visitar outros espaços da blogosfera através de endereços nos comentários e tenho a concluir isto:

Complex women: 100 - Complex guy: 0

terça-feira, maio 01, 2007

É só começar, dizem...


Tenho aos meus pés uma mala preta, daquelas de trazer ao ombro, com dezenas de relatórios da UE, avaliando as condições da Hungria para entrar nese Clud Med de nações. Desde que a minha orientadora, há 5 meses, me disse que o meu trabalho necessitava de uma base documental, em vez do habitual exercício intuitivo em que normalmente me saio bem (e que dá a ilusão, aos meus professores, de que posso vir a ser aquilo que a civilização ocidental se acostumou chamar de aluno brilhante), temia este momento: pegar em paleio institucional, muitas vezes rasando termos económicos que me vão obrigar a libertar da minha preguiça, e ler, analisar, sublinhar, disecar e reduzir o espírito de um país a meia dúzia de critérios. Não parece bonito assim escrito, e é ainda mais chato de faezr na vida real.
Eu tenho de admitir que gosto do exercício de fazer trabalhos escritos, e dizer isto agora vai fazer com que seja objecto de gozo infinito. Gosto mesmo. No sentido em que me obriga a escrever, enquandrando o meu estilo anárquico numa estrutura rígida como é a do trabalho académico: formatação, citações, notas de rodapé, blá, blá, blá. É quase como se me obrigase a orrdenar o meu caótico ser pensante. A minha professora de Português do Secundário, uma das duas professores que me influenciou na vida (o que, tendo em conta a percentagem de docentes que tive, diz muito do nosso sistema de ensino), aconselhou-me o Latim para fazer isso. Nãp segui o conselho dela, e hoje apercebo-me de que estava errad. ter-me-ia dado disciplina, que é uma coisa que me falta. Mas assim muito.
E é preciso disciplina para embarcar numa tese sobre Europa de Leste, área em que a bibliografia existente é quase nula no nosso país. Vou ter de improvisar. Adoro improvisar. Tenho-me dado bem. Esperam-me 11 meses a dar uma de Macgyver dos Mestrados.

sexta-feira, abril 27, 2007

Blank


Ando desinspirado. Eis porque o blog tem andado, bem, anoréctico. Ou pelo menos, mais Paris Hilton do que é normal. Coisas confusas bailam-me na cabeça... Este fim de semana vou tentar pôr tudo em ordem. E depois, o estaminé deve voltar á vebrorreia normal. No entretanto, e nas entrelinhas, mil perdões.

terça-feira, abril 24, 2007

So far...

O counter que coloquei neste blog tem servido, essencialmente, para me encher o ego. As estatísticas dizem que uma média de 40 pessoas diferentes visita diariamente este blog. Sinceramente, obrigado. O número surpreende-me por demais, porque significa que há 40 pessoas que devoram o seu tempo a vir à Internet e ler baboseiras. Mas se o blog de Pacheco Pereira tem milhares de visitas, porque não?:) Mais a sério, muito obrigado. Vou tentar manter este bicho... interessante.
Numa nota mais de pânico, o counter discrimina também a origem das visitas. Se a maior parte é feita a partir de Portugal, outros países gostam de complex guys: Brasil, Estados Unidos, canadá, Malásia, China, Alemanha, Inglaterra, Holanda e, razão para temer a minha segurança, Irão. Gostava de dizer isto à CIA: aquilo sobre os americanos serem influenciados por uma cuktura de armas e de serem estúpidos... Estava a brincar, hã? Vocês são os maiores, a oligarquia, perdão, democracia mais perfeita do mundo. Só gostava de deixar isto claro. E obrigado, mas já tenho férias marcadas para Caldas da Felgueira: Guantanamo vai ter de ficar para outra altura.

sexta-feira, abril 20, 2007

Rush

Já me alonguei neste blog, por variadas vezes, da dor que é escrever. Mas digo-vos, há poucas coisas melhores do que sentir que tivemos uma ideia brilhante, e de que essa ideia vai resultar. É quase orgásmico.

quarta-feira, abril 04, 2007

Coisa triste

Querer fazer algo que marque, que seja mesmo bom, mas no processo de realização desse objectivo, percebermos a enorme falta de talento que temos para isso. É como uma espada a arder pelos olhos dentro.

domingo, março 25, 2007

A frustração

Sento-me na cadeira, defronte do portátil. À minha frente, um ficheiro Word chamado "Invocação" cruza os braços e espera que eu faça alguma coisa. De preferência, acrescentar-lhe paralavras; e para falar verdade, eu até quero; e até até escrevo. No entanto, 5 minutos depois, apago e reescrevo. E volto a apagar. É assim a minha rotina quando me tento dedicar a escrever a tal série de televisão de que aqui tenho falado. Porque é horrível não sentirmos uma joltada de energia quando lemos aquilo que escrevemos, aquele formigueiro de que está ali alguma coisa de jeito. Eu ando em permanente luta à procura desse formigueiro, mas não está fácil.
Reviro a minha percepção do processo criativo e tento descobrir como é aqueles argumentistas brilhantes das séries que vejo desencantam diálogos brilhantes aparentemente do nada. Não consigo descobrir como, e desespero um bocadinho mais. Quando começo a duvidar da minha escrita, começo a duvidar das minhas ideias; e depois disso, o poço de inseguranças que sou eu funciona em cadeia e encarrega-se do resto.
Dizem que a caneta é mais forte que a espada. Não sie qual delas dói mais, mas ambas matam a cabeça.

quinta-feira, janeiro 04, 2007

Amostra grátis

Aqui há umas semanas, coloquei neste blog, em rigoroso exclusivo, a abertura do primeiro epiódio de uma série de televisão que vou tentar impingir a alguém, a ver se a ficção nacional deste país não é só novelas, séries históricas do Moita Flores e cães polícias. Hoje, com o episódio +raticamente terminado, deixou uma peça de diálogo para os interessados. Enjoy!

ANDREIA
- Gosta de escrever?

DAVID
- Distrai-me.

ANDREIA
- Escreve sobre o quê?

DAVID
- Coisas que não existem.

ANDREIA
- Fenómenos paranormais?

DAVID
- Não, raparigas decentes, empregos de sonho e um ponta-de-lança matador no Benfica.

MARGARIDA
- Se não acredita em raparigas decentes, porque é que escolheu vir connosco, em vez de com o Luís e o João?


DAVID
- Porque ao contrário do que o meu caderno possa dar a entender, ainda gosto de raparigas.

ANDREIA
- O sentido de humor não é uma das qualidades mais evidentes da Margarida. Olá, eu sou a Andreia. E tu?

DAVID
- David Mendes. Prazer em conhecer-te.

ANDREIA
- Vês, Margarida? É assim que as pessoas simpáticas se comportam.

(David sorri)

ANDREIA
- Qual a piada?

DAVID
- Não é normal dizerem que sou simpático.

ANDREIA
- Isso é porque as pessoas gostam mais de apontar o pior que o melhor.

DAVID
- É uma tendência… Também chegou ontem à Oroboros?

ANDREIA
- Não, estou cá há dois meses, mas noutro departamento. Só há uma semana é que fui integrada no NLDR.

DAVID
- Qual é a sua especialidade?

ANDREIA
- Informática. Já trabalhei na Dependable Systems.

DAVID
- Bem, para lá estar, deve ser mesmo boa.

ANDREIA
- Desenrasco-me, obrigado. E você?

DAVID
- Bem, vai parecer ridículo, mas aparentemente eu sou o historiador do departamento.


ANDREIA
- História? É interessante.

DAVID
- Sim, mas aparentemente inútil, comparado com informática e as vossas outras especialidades.

ANDREIA
- Esta era a tua deixa para falar, Margarida…

(Ela olha pelo espelho interior para David)

MARGARIDA
- Bio-Medicina. É a minha área

ANDREIA
- E também trabalhou dois anos na Interpol. Isso ela não diz, mas não é por modéstia…

MARGARIDA (interrompendo)
- Li os seus trabalhos, David.

DAVID
- Leu?

MARGARIDA
- Sim, pedi-os ao Cris, quando soube que haveria a hipótese de surgir um novo membro no NLDR. São bastante interessantes.

DAVID
- Obrigado. Acho eu.

MARGARIDA
- A Andreia tem um espírito aberto, como você. Acho que ela ia gostar deles.

ANDREIA
- A Margarida é algo céptica, caso não tenha reparado…

DAVID
- Deu para notar… Os meus professores também são e gostaram.

MARGARIDA
- Eu também adoro literatura de ficção… Isso não quer dizer que acredite nela.

sábado, novembro 25, 2006

Work in progress

Está em construção permanente, e ainda vai ser sujeito a revisão e cortes, mas este é o texto, em voz-off, que abrirá o primeiro episódio da série que estou a criar e que tentarei, até às últimas consequências, transformar em realidade. Um exclusivo deste blog..

“Lendas, em Portugal, sempre as houve; e estas juntas com milagres aparecem à farta nos vários compêndios de mitos e narrativas que por aí podemos encontrar. Desde moiras encantadas, cavernas misteriosas, locais históricos com muito mais do que se pode pensar, até a própria Virgem Maria sobre uma azinheira e mesmo um rei que, talvez imortal, há-de regressar um dia sobre um cavalo numa manhã de nevoeiro. O nosso país foi abençoado pelo dom da imaginação e felizmente não falta colorido à nossa cultura e à nossa História. Daí que, quando se ouviu falar de um sobreiro mágico no Alentejo, toda a gente encarou tal notícia com um sorriso, havendo mesmo quem elogiasse a inventiva mente por detrás de tal enredo.

Em S. Marcos da Serra, localidade alentejana onde toda esta história tem lugar, não se falou de outra coisa durante meses: acidentalmente, a dona de uma pequena propriedade junto à auto-estrada descobrira no seu território um entroncado e torto sobreiro que parecia normal. Mas quando investigado mais de perto, notou-se que possuía um estranho perfume entranhado na sua casca, levemente remanescente do das rosas. Isto começou a atrair curiosos: toda a gente queria ver o prodígio e cheirá-lo ao vivo. Antes de local de curiosidade, era o singelo ponto de encontro de um grupo de populares que ali se reuniam para rezar o terço e por isso não tardou até chegar o primeiro relato místico. Com efeito, um homem, numa dessas sessões de reza, escreveu, em êxtase, algumas linhas que eram atribuídas a Nossa Senhora, em que ela se confessava culpada daquele milagre e pedia que transformassem aquele local num espaço digno e santo. Surgiu ali o grupo de culto do sobreiro de São Marcos da Serra.

Curiosamente, o pároco local não se quis aproveitar da situação: negou a santidade de tudo aquilo, acusou o grupo de brincar com as expectativas das pessoas e aconselhou a população a ignorar o sobreiro. Os factos vieram a comprovar que o velho pároco era muito ingénuo: primeiro, as pessoas da terra converteram-se; depois, chegava gente de toda a parte para rezar naquele sobreiro, beijá-lo, tocá-lo, deixar figuras de santos e da Santíssima Trindade; seguiram-se as sessões de terço semanais, nas tardes de domingo. Quem a visse agora, deparava-se com uma árvore repleta de papéis, rodeada por uma cerca, onde antes estava um anónimo sobreiro, muito descansado. Mandou-se analisar a cortiça e os cientistas explicavam tal odor como a intervenção de um fungo. Quando questionados acerca da possibilidade de tudo aquilo ser um embuste, em que o perfume da árvore era artificial e colocado por alguém, os homens de ciência, do alto do seu pináculo, limitaram-se a retorquir que isso implicaria que teria de haver uma pessoa que despejasse baldes inteiros de fragrância todas as noites, pois em condições naturais, o perfume ter-se-ia evaporado e desaparecido no dia seguinte. A prova que faltava para desmascarar esta teoria veio com a intervenção inesperada de um camionista. Certo dia, estacionado o seu camião à beira da auto-estrada, como bom português, saiu de rompante do veículo, armado com um balde de água e uma toalha. Passou por toda a gente e começou a esfregar o sobreiro com força, bradando:
- Vocês vão ver! Vou tirar esta porcaria toda! Vão ver como é uma patranha!
Mas o certo é que quanto mais ele esfregava, maior era o cheiro no ar e mais poderoso se tornava. Uma vitória para os sempre crentes e uma derrota para os cépticos simples. Porém, a ciência não desarmava e mantinha a explicação do fungo. A eterna luta entre ciência e religião, que é afinal a grande luta dentro das nossas cabeças e da nossa natureza humana, tinha aqui mais um campo de batalha.
Mas a pergunta mantinha-se, apesar de toda a fé: de onde vem essa força?

segunda-feira, setembro 18, 2006

Oscaralho


Se há dias falei do "Notícias do Tintin", o meu currículo como espalha-brasas não estaria completo sem referir o meu projecto, ainda assim, mais bem sucedido. Falo, claro, dos Óscares, ou Oscaralhos, conforme as pessoas a quem perguntarem. Surgidos, em moldes diferentes, no longínquo ano de 1997, numa pequena brincadeira numa actividade de escuteiros afectada por um dilúvio em Casal da Azenha, apenas chegaram a si mesmo, e à sua primeira cerimónia a sério em 1999. 4 pessoas juntaram-se-me: o Longuinho, o J.P, o Sapo e a Rita, a flor no meio da ervas daninhas. O objectivo era igualmente brincar, transformando títulos de filmes conhecidos de todos em trocadilhos com pessoas ou acontecimentos que se haviam destacado ao longo do ano. O método manteve-se durante as suas 6 cerimónias, e quem diria que chegaríamos tão longe.
A Comitiva, esse grupo de bravos que ousou fazer algo assim, foi mudando ao longo dos anos, mas felizmente sempre conseguiu arrancar algumas gargalhadas, superiores à ameaças de violência física... Durante os vários anos, guardam-se títulos míticos: "Os Saros"; "Máriotrix"; "Gangs da Foz do Mosteiro"; "A parasita social"; "Capitão rabi"; "Hannibal Marmelo Marrelo"; "Bodychupa"; "As betas de Charlie"; "Mandíbulas"; "MIB - Men in Binho"; "Ceira witch project"; "Capitão Dureza"; "Contraste's 11"; "Constantónio"; "O saxo e a cidade"; "O senhor e a senhora Fabry"; "Lara Diogo: Tomb Raider"; "A Rita já não está aqui"; "O talentoso Sô Zé"; "Eduardo Língua de Tesoura";
"O planeta dos Pacacos"; "A metamorfose"; "Clonagem"; "Os fitazuis"; "O diapasão"; "Hora de pintas"; "Onde pára a mal-empregadinha"; "Os piratas do Tua - a maldição da Alheira"; and so on, and so on... Todos os projectos têm um fim, este parece ter encontrado o seu. Se houvese justiça, teria acabado como começara: depois de uma dia à Suíça. Mas ninguém disse que a vida é justa. No entanto, longa vida aos Oscaralhos!



sábado, setembro 02, 2006

Trip down memory lane

Andava eu aqui a organizar todo o trabalho escrito que tenho no computador, desde escrita criativa até textos académicos ou escolares, quando encontrei os originais de um projecto pessoal que me deu imensos problemas, mas também um tremendo gozo na sua escrita. Falo de um jornal de notícias falsas chamado "Notícias do Tintin", que foi uma tentativa, sem qualquer objectivo sério, de emular o jornal "Inimigo Público", que funcionava um pouco nos mesmos moldes. Se bem que o meu era incomparavelmente mais pequeno e, convenhamos, menos inspirado, obrigou-me a escrever humor a sério, a nível de estrutura de texto, procurando greir punch-lines e piadas, e a achar formas originais de chamar à atenção o ridículo de algumas coisas ou o brilhantismo de outras.
O "Notícias" trouxe-me, como disse, vários problemas: algumas pessoas focadas pelo que escrevia sentiram-se ofendidas, mesmo que eu jurasse a pés juntos que nunca tinha sido essa a minha intenção, e era verdade. Aparentemente, ganhei uma fama crescente ao longo dos anos (cimentada por outro projecto, esse mais mítico, chamado "Óscares") de que ando neste mundo para insultar as pessoas. Enfim... Foi a minha experiência mais próxima com esse problema que são os limites do humor. Com o que se pode brincar, com o que não se pode... E como coisas que toda a gente fala, mas nas costas, deixamd e ser aceitáveis quando são pronunciadas alto. Cometi um erro, o de assumir que podia escrever aquelas coisas e passaria impune, mas aprendi bastante sobre a natureza humana nas publicações deste jornal. Sobre a natureza dos outros e sobre a minha própria; e tendo em conta que publiquei coisas sobre mim próprio, em que a estupidez e eu andávamos intimamente associados, não guardo recordações de ter feito aquilo para azucrinar quem quer que seja. Para mim, era simplesmente um divertimento. Para outros, aparentemente, era muito giro quando eu brincava com outras pessoas, mas passava a ser um crime quando brincava com eles. É compreensível: todos somos assim.
O jornal teve umas 10 edições e só me arrependo de uma ou duas notícias. Talvez duas: uma logo na primeira edição, pelo timing que se revelou, como sempre no meu caso, errado, e outra porque levou a mal entendidos por, bem, sarcasmo superlativo, o que foi errado, e que em mim não se deve estranhar. Achei o balanço muito positivo a um nível pessoal, e deixei de o fazer porque não gosto mesmo de arranjar confusões (mais um mito sobre mim que cai, assim). É por esta razão, e por outras razões que abandonei tambéms os Óscares. Eu costumo brincar com tudo, e às vezes quem está à nossa volta não gosta que assim seja. Está no seu direito.

segunda-feira, junho 19, 2006

Deserto


A minha mente criativa anda assim há uma série de semanas... Não tenho grandes ideias, ando mole e sem iniciativa. Eu já sou perguiçoso por Natureza, mas ultimamente tenho-me sentido despojado de ideias e o blog tem-se ressentido disso: não fossem o spam e o habitual "hate mail" (João F., és a segunda alma deste blog), isto andaria pelas ruas da amargura. No entanto, e como irrompendo sei lá de onde, eis que uma nova torrente de pensamentos me invade e me sinto de novo pronto a escrever qualquer coisa. Portanto, vamos a isso.

quarta-feira, março 08, 2006

Terror



Quero escrever várias coisas ao mesmo tempo, mas as ideia snão saem para nenhuma delas: tenho uma carta para acabar e não lhe acho o fim; uma ideia para uma séride de televisão cujo início teima em não se desenrolar; um argumento para um filme que não enocntra maneira de fugir a cliché; uma pequena história sem ideias para lá serem metidas; e um post que à medida que o ecsrevo me atemoriza, pois tenho a escrita presa. Socorro! Quero que se faça luz!

domingo, janeiro 08, 2006

Nunca tive jeito...

... para escrever poemas. A única vez que o fiz foi num trabalho de casa de Português, no 11º ano, em que nos era sugerido que construíssemos poesia à boa maneira dos Rommânticos. Não o sie de cor, mas versava a tamética da morte, do suicídio e do amour fou. Enfim, uma coisa bem ao jeito daquela malta. A minha profesora gostou e por uns tempos, até pensei ser capaz de o fazer. sim, porque aquela mulher foi a pessoa que mais me influenciou no que escrevo, pois acreditou em mim e nas minhas capacidades e me convenceu que eu tinha imaginação suficiente para criar um estilo de escrita próprio e que servise a minha criatividade. Ela tinha razão. Bastou apoiar-me. Coisa rara.
No entanto, quando mais olhava para o poema, mais me convencia de que era muito artificial. Obedecia à métrica e tudo. Sabia, em mim, que a poesia seria aquela área da escrita onde nunca tocaria. Ainda hoje sou capaz de escrever histórias e contos, peças e guiões, ensaios e trabalhos científicos, sempre com elogios e olhando para eles com um grande orgulho, mas a poesia não. Talvez qualquer dia arrisque e faça alguma coisa. Tente. Mas neste momento, sinto que não sou bom a isso. Não tenho pureza de alma suficiente, ou igual capacidade de mentir ou fingir, para poetizar o que quer que seja. Além disso, neste momento, a única poesia que faria era algo relacionado com tristeza, melancolia e solidão; e para isso, este blog e os personagens que crio são suficientes.