segunda-feira, novembro 03, 2008

Cover up

O Cover up desta semana traz-nos uma lenda por direito próprio, um homem que marcou uma geração e que ainda hoje é o símbolo de algo de indefinível, algures entre o burlesco e o ridículo. Falo do eterno capitão Kirk, William Shatner, artista polivalente, pois já provou ser um péssimo actor e também um péssimo cantor.
O homem tem covers absolutamente péssimas e um dia, talvez ponha aqui a versão de "Rocket man" para comprová-lo. No entanto, tudo o que é horrível tem um momento de brilhantismo e Shatner encontrou o genial Ben Folds, que lhe produziu em 2007 "Has been", um álbum de covers com participações interessantes de bons músicos. Um delesé Joe Jackson, que entra em dueto com the Shat no imortal tema dos Pulp "Common people", trocando o tom Eurodisco da banda inglesa de Jarvis Cocker por um lado operático dramático que é absolutamente épico. Ficam as duas para comparação:



Respira um bocadinho, pá!


Na passada semana, andei a compôr a minha tese de mestrado, qual perdigueiro em busca de uma presa, farejando, esgadanhando e no final de tudo, preso numa caixa com espaço apenas para se deitar sem poder coçar pulgas. Esta última parte é metafórica, atenção.
Nunca fiz nada de semelhante. Os trabalhos académicos que fiz foram mínimos e o mais extenso que fiz nem sequer foi na área de História, mas sim de cinema. Não era difícl, convenhamos. Ponham-me a falar sobre cinema e é provável que, tudo transcrito, faça o Guerra e Paz parecer o Almanaque das Missões.
O meu maior medo era o de que a tese fosse um animal demasiado complexo. Não é, mas que dá um trabalho do caraças, dá, principalmente quando trabalhamos contra o relógio e temos uma orientadora que é uma das sumidades nacionais na matéria que estamos a tratar e os dois melhores alunos do nosso grupo do Mestrado estão a trabalhar com ela. Se tudo o resto quebra, uma coisa resiste em mim, e essa coisa é um ego intelectual do tamanho do mar dos Supersargaços. Estes dois pequenos pormenores abalam essa fundação do meu ser e fazem-me ter dúvidas, aquelas coisas bonitas que me assaltam com a mesmo frequência com quem penso acerca de mulheres. Logo, é pressão a dobrar. Eu não cedo sob pressão, mas não posso dizer o mesmo da minha cabeça, e por isso, andei como que zombie cerebral durante cinco dias, nem sequer saíd e casa para não me humilhar perante os outros. Já me acontece em demasia quando estou plenamente funcioonal, quanto mais nestas condições.
Mas o trabalho resultou: dois capítulos feitos e um prazo alargado para terminar o que falta. Não estamos nada mal para o que eu pensava. Mas eu presumo sempre o pior.
Respirei no fim de semana, nem sequer pensei na tese. Descomprim com escuteiros, metade da primeira temporada da série "Angel" e uma ida ao cinema, felizmente acompanhado, para ir ver "W.", um filme inesperadamente tépido de Oliver Stone. É bom de ver, mas não esperem um grande filme. Josh Brolin como o nosso Geogre W., no entanto, está fenomenal.
Hoje, volto à carga. Durante mais uma semana.Perdoem-me outro silêncio prolongado, mas aperentemente, vou doar o meu corpo à ciência mais cedo do que esperava.

Alerta


Queria aqui deixar um alerta à Liga Portuguesa de Futebol: façam uma nova verificação dos estádios, porque alguns não estão em condições. Ontem vi um pouco do Guimarães-Benfica, e pareceu-me que o campo do Dn Afonso Henriques estava inclinado como o camandro, e sempre para o mesmo lado. O futebol é para ser jogadoe m superfícies planas. Fica a nota.

domingo, novembro 02, 2008

5 more friends

By the way, if you're american, and you´re reading this: VOTE!

sexta-feira, outubro 31, 2008

This is...

Hoje é uma data americana consumista; mas segundo o calendário de bruxaria, é também uma das 4 grandes noites do ano. Hoje é...

segunda-feira, outubro 27, 2008

Cover-up

Um aviso prévio: é aproveitar que este poderá ser o meu último post num largo período de dias. Razões a serem explicadas posteriormente.
No Cover-up desta semana, voltamos a nossa atenção para um dos grandes clássicos dos anos 70: "Hotel California", dos Eagles. Este tema tem sido alvo de várias interpretações de terócios da músicas e alguns janados, que tentam, sem um consenso, descobrir o sentido da música: alguns acham que é um hino amargo à Califórnia decadente e psicadélica dos seventies; outros, o relato de alguém que está num hospício; a teoria de que esta canção é escrita por um serial-killer tem tamvém os seus adeptos.O cancro, Satanás e um hotel gerido por canibais são também avançados.
"Hotel california" tem tido outro tipo de interpretações, nomeadamente as musicais. Bandas como os Rascall Flats ou os Gamma Ray criaram a sua própria visão deste tema, entre outras bandas e artistas mais desconhecidos, mas apenas uma conseguiu criar uma cover que quase alcança o peso mítico clássico do original. Na sua génese, "Hotel California" conta a história de uma viagem; por isso, nada mais apropriado que um grupo cigano, nómada por Natureza, ter a sua oportunidade de lançar a música cigana e flamenga no meio do folk-rock norte-americano. A honra cabe aos conhecidos Gipsy kings, expoente máximo da cultura cigana na década de 80, que fazem de "Hotel california" o descrever de um sonho: pegar nas guitarras e na tralha toda da família, conquistar a Europa e depois tomar os EUA de assalto. O delicios videoclip, que envolve camiões, camionetasa, benção de um avião e histeria em recintos fechados é como o relato do triunfo da etnia cigana e da sua cultura.
No entanto, este tema não seria o mesmo se não tivesse sido escolhido pelos irmãos Coen para símbolo de um dos personagens mais memoráveis do seu excelente "The big lebowsky", um dos filmes mais bizarros dos anos 90. O nome do personagem? Jesus Quintana. Traços idiossincráticos? Craque do bowling, gosto duvidoso na escolha de guarda-roupa e passado como pederasta. Fica o vídeo como bónus.




Nobody F-ks With The Jesus - Watch today’s top amazing videos here

O debate que ninguém viu

O Tribunal Constitucional norte-americano acabou agora mesmo de decidir: este ano, não há votos para ninguém. A decisão está guardada para a pista de dança.

Preciso de...

sexta-feira, outubro 24, 2008

Cérebro em estado de liquefacção


Dizes-me que olhe para a parede branca. Eu não posso conter um riso desconfiado. Desde que compraste aquele livros de psicologia barata, escritos pelo Gustav Eriksson, ou Erik Gustafsson, nunca mais foste a mesma. Quando te conto os meus problemas, tiras algo do teu arsenal de truques baratos, guardados nessa mochila que carregas como quem parece carregar um peso qualquer que não gosta de deixar por aí. Mas não te deixas convencer com a minha cara descrente. Dizes que já nasci com ela e que vais mudá-la, nem que seja à força de cinzel. Nem o meu lema pessoal "Podes mudar o mundo, mas não me mudas" te demove. Por isso, desta vez com uma voz menos melosa e sem o teu sorriso enzimático, repetes: olha para a parede branca.
Eu olho e maravilha das maravilhas, é branca. Uau. Posso-me ir embora?
Não, não posso. Dei a resposta errada. A parede não é branca.

Ela pode ser doida. Pode não, é. Toda a gente se lembra do que aconteceu na festa de anos do Marco. Lá por se acreditar num mundo cheio de cor, isso não implicava que o pobre do rapaz tivesse de encontrar os seus cães como se tivessem saído de um catálogo da Benetton; e melhor é nem mencionar viagens de balão, porque ainda hoje estou para explicar aos meus pais como é que dois tijolos lhe entraram telhado adentro. Há maneiras mais civilizadas de resolver desacordos relativamente a pontos de vista. Principalmente quando estes envolvem o ciclo sexual dos louva-a-deus.
Voltei a concentrar o meu olhar e continuava a ver brancura. Por muito que confiasse nela, acreditava mais nos meus olhos. Não querendo desfazer, eram mais giros, e se ambos tivessem duas pernas, podiam muito bem disputara a capa da FHM com qualquer mulher gira que lá aparecesse, e também com a Luciana Abreu. OK, desisti. O que há na parede que não seja branco?
Não te vês na parede?
Muito bem: agora, para além de questionar a sua sanidade e a sua visão, tinha de questionar todos os seus professores de Física, que façharam redondamente na missão de lhe inculcar os fundamentos e leis do tempo e do espaço. À medida que este joguinho decorria, esquecera o que me tinha levado a assentar o meu arredondado rabo naquele cadeira. Para mais, uma boa prateleira e um cabelo sedoso só conseguem compensar uma série de características evaporadoras de libido, e ela já me revelara gostar da carreira de Eddie Murphy pós 1990. Só aí, uma das mamas tinha deixado de ter valor. Levantei-me e tranquei o meu olhar no dela. Ela percebeu que eu a estava a chamar de doida.

Ok, ela não é assim tão perspicaz. Penso ter murmurado uma qualquer referência ao Júlio de Matos e ela não é burra. Mas é parva. Disse-me que se só via branco, não podia estar comigo. Detestava quem não via o mundo a cores. E virou-me as costas para se ir embora. Tudo por causa de uma parede branca. É mesmo à gaja, nem faltava o gesto dramático e grandiloquente. Talvez devesse namorar um arco-íris, atirei-lhe. Persegues um sonho, nunca ninguém verá tantas cores como tu.
Ela parou. Reuni as palavras sonho e cores numa frase descrente. Era como se tivesse cometido blasfémia. Virou-se na minha direcção, furiosa e caminhou, com a mão levantada, preparando um estalo. Ela era assim, de extremos. Fora o que explicara aos dois GNR a quem ela furara os pneus do jipe, na procissão da Rainha Santa.
Agarrei-lhe a mão e encostei a minha cara à dela, deixando alguns milímetros de segurança. Ela respirava, quente, com um ligeiro odor a pizza de cebola e queijo.
És patética. Procuras cores em vez de as criares. Tens uma parede branca e pedes-me para ver cores, quando as podíamos estar a pintar. É como a Floribela, excepto eu não tendo o cabelo louro nem uma criada gorda.

Não sabia se ia chorar, se ia rir. Mas beijou-me, com uma língua que imitava as pinceladas nervosas de Van Gogh. Se aquele beijo tivesse demorado mais dez segundos, ter-me-ia feito um esboço dos desenhos da Capela Sistina no meu céu da boca.
Vamos lá então, disse ela. Ainda te lembras onde moro, não lembras? Porque não sou eu que vou a conduzir e tu vais ter muita dificuldade em prestar atenção à estrada no caminho.
Não tinha percebido nada. Nem queria perceber. Tudo começara numa parede branca.
Bem, o importante é o que se segue; e se fizer a coisa bem feita, ela vai ficar de todas as cores.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Eu vou endoidar!

segunda-feira, outubro 20, 2008

Cover up1

Os Ukulele Orchestra of Great Britain são uma banda constituída por 7 pessoas, 6 a tocar ukulele, que é uma guitarra havaiana parecida com o nosso cavaquinho, e outro que dedilha viola baixo, embora os restantes membros gostem de corrigir com "ukulele baixo". Para além de também comporem originais, os UOGB fazem covers, volta e meia; e covers, ainda por cima, bizarras, são uma perdição pessoal. Por isso, eles têm a honra de despoletar a nova rubrica deste blog, candidata a ter um dos nomes menos originais de toda a história da blogosfera.
No Youtube, podem descobrir alguns dos pequenos exercícios irreverentes destes britânicos (o twist que eles dão a "Smells like teen spirit" é delicioso, mas este tema tem tantas versões, e tão diferentes, que merecerá todo um conjunto de posts à parte), mas o que me leva a palavrear isto é uma variação híbrida de ukulele e jazz da canção "Wuthering heights", cantada com trinado falsete de quem está a sentir os seus tomates a serem esmagados pela acção de um torno mecânico por Kate Bush. Para quem não conhece o original, que mereceu um dos videclips definitivos da década de 80, aqui fica:

E agora, a releitura de 2007. Senhoras e senhores, os UOGB.

sábado, outubro 18, 2008

Separar as águas

Ontem dei por mim uma sala de cinema a ver "Burn after reading", dos irmãos Coen. Um filme divertido, uma comédia idiota sobre gente ainda mais idiota. Acho que ninguém escreve personagens idiotas como aqueles irmãos, e quando um burgesso que trabalha num ginásio responde pelo nome de Chad Feldheimer e é interpretado por um Brad Pitt com o desequilíbrio mental de alguns dos seus melhores papéis ("12 macacos", "Fight club"), estamos bem. Principalmente quando Clooney é, no filme, um atrasado mental quase do mesmo nível. Quase, disse eu.
Bom filme, à parte, esta sessão ficou marcada por um facto bizarro que nunca me acontecera: até onde a minha vista conseguia alcançar, eu era a única pessoa naquela sala que não tinham ninguém a acompanhá-lo; e quando falo em ninguém, falo na dimensão romântica do termo. Não havia amigos, não havia conhecidos ou parentes (quer dizer, podiam ser parentes, mas assim sendo, seguir-se-ão brevemente bébés com duas cabeças). Apenas e só namorados. A constituição portuguesa não o pode prever, mas este género de facto pode causar celeuma entre pessoas como eu, que tinham entrado naquela sala com o puto intuito de se esquecer de problemas e não vê-lo chicoteados na cara, de cada vez que desviava o olhar do ecrã. A fugra era impossível: ao meu lado, um rapaz, que claramente pensara que a fita era com Chuck Norris, cobrava à namorada o facto de esta ter algum gosto na escolha de filmes e penso que lhe terá feito um molde da cara em saliva. Não sei se deu tempo, o intervalo só durou sete minutos.
Este género de coisas deixa-me desconfortável. Isto é como ser pau de cabeceira num encontro, mas neste caso envolvendo dezenas de casais. Numa outra fase, podia estar pior, mas felizmente têm-me alimentado o ego às pazdas nos últimos dias. No entanto, fica aqui o meu pedido a quem de direito: salas diferenciadas para casais e solteiros. Esqueçam lá a história das quotas das mulheres no parlamento: esta sim, seria discriminação positiva, da mais necessária para o equilíbrio mental de toda uma nação.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Criar ódios - parte 1


Quero assumir duas coisas que aparentemente toda a gente gosta e eu, com toda a honestidade, não suporto. Ambas fazem parte da esfera musical e como tal, chicoteiam-me os tímpanos, que, parece, são coisas frágeis e sensíveis. Logo, são facilmente estimuláveis, para o bem e para o mal. Ainda estamos a falar de música, certo?
A primeira: os Delinda. Não me venham com a história de renovação do fado, da junção entre música popular e um toque de pop. Aquele grupo não é nada disso. São dois gajos com uma guitarra, miúda vestida de Floribela, a armar-se ao popular e com paleio intelectual e muita pose. Na canção "fon fon fon", anunciam alegremente que detestam erudição e adoram o popularucho; e no entanto, enunciam as variações Goldberg, de Glen Gould, frequentam o CCB e a Gulbenkian só para passear (a razão pela qual alguém vai a um destes sítios para ver obras de arte e é qualificado de erudito é algo que me escapa) e têm grande parte da sua base de apoio nos críticos, que se entretêm a descrevê-los em termos que o próprio Foucault não desdenharia. Em suma, são hipócritas; tudo aquilo que, por exemplo, os Gogol Bordello não são. Tocamos instrumentos populares? Tocamos, sim senhora; aproveitamos a tradição de música balcânica? Ora pois aproveitamos!; temos algum preconceito contra o intelectual? Claro que não. Hoje em dia, parece vigorar o princípio "Paliniano" de que o que é intelectual é mau e inimigo da verdade, como se os intelectuais fossem monstros inacessíveis que desprezam a maralha e ditam o bom gosto. Os bons intelectuais não; os pseudo-intelectuais sim. Como os Delinda.
A segunda coisa é a música "The story", de Brandi Carlile, a tal que parece ter sido fruto de uma limpeza da garganta da vocalista através de um piaçaba. Ideal para quem viveu ou gosta de histórias de amor assolapadas. Da última vez que fui ao cinema, uma mulher fez o favor de a cantar em plena sala durante os anúncios. Esta não sei explicar porque não gosto. Mas há qualquer coisa na voz da mulher que me irrita e na ideia de dramatismo que a música parece transmitir.

Pronto; e agora, batam-me.

terça-feira, outubro 14, 2008

O bizarro literário


O Diagram Prize foi criado em 1978 e destina-se a premiar a obra com o título mais estapafúrdio do ano editorial. É atribuído anualmente pela revista inglkesa Bookseller. Este blog apresenta aqui um top 10 pessoal dos nomes mais incríveis que este prémio aconchegou desde os seus princípios, tão fantásticos não só pelo que são, mas pelos potenciais fantásticos livros que escondem:

10 - How to avoid huge ships

9 - Higlights in the history of concrete

8 - Bombproof your horse

7 - People Who Don't Know They're Dead: How They Attach Themselves to Unsuspecting Bystanders and What to Do About It

6 - The Book of Marmalade: Its Antecedents, Its History, and Its Role in the World Today

5 - The Big Book of Lesbian Horse Stories

4 - The Madam as Entrepreneur: Career Management in House Prostitution

3 - Oral Sadism and the Vegetarian Personality

2 - Proceedings of the Second International Workshop on Nude Mice

1 - How to Shit in the Woods: An Environmentally Sound Approach to a Lost Art

domingo, outubro 12, 2008

"Desconhecido é o irmão do futuro"


Este verso de uma música de Sérgio Godinho tem ficado comigo nestes últimos dias...

(Pode ser encontrada numa tema do primeiro rapper português incluído numa saca de duteos bem interessantes neste endereço: http://www.encontrarse.pt/upa08/index.html

quinta-feira, outubro 09, 2008

Debate: parte 3

Depois do debate entre candidatos a vice-presidente e candidatos a presidente, eis que a América assiste a um terceiro embate: é dada a palavra aos presidentes ficcionais.

See more Paris Hilton videos at Funny or Die

quarta-feira, outubro 08, 2008

Acerca da minha tese

Passo uns dias a escrever muito pouco e hoje, uma overdose de posts. É como se fosse maníaco-depressivo, mas sem a parte da mania e sem a parte da depressão.
Honestamente, deicidi empenhar-me verdadeiramente no monstro que se auto-apelida de obra de génio universal, mas que eu chamo de tese (ou exterminador, conforme o grau de desespero na altura). É uma decisão arriscada, passar de uma velocidade lentinha para a vertigem do hiperespaço, mas tenho pelo suficiente para passar por Chewbacca.

No entretanto, já se começaram a espalhar rumores sobre a tese. Há já opiniões sobre o que poderá ser e apostas acerca da sua qualidade ou falta dela. Este blog conseguiu obter a opinião generalizada, que o autor subscreve quase por inteiro.

Merchandising

Este blog poderá vir a entrar proximamente no negócio das t-shirts. A estampa de uma das verdades imutáveis universais deste blog, que consabidamente é "BITCHES AIN'T SHIT", tem vindo a ser discutida de há uns tempos para cá, tendo sido apenas interrompida após uma pausa sabática de um dos seus mentores.
Por isso, passou-se já há discussão de uma segunda possibilidade que se deixa aqui aos leitores para apreciação e discussão. Não é uma verdade imutável, mas é algo que volta e meia apetece bradar, seja no emprego ou àquela pessoa cuja morte através da passagem de rolo compressor não satisfaria completamente o nosso sadismo. Neste momento, identifico-me com ela, porque estou num estado mental específico, em que o meu organismo não carbura bem a tristeza: transforma-a de imediato em raiva, e sendo assim, assenta bem neste belo estado de espírito que me torna num digno candidato a viver eternamente fechado num bunker.
Sem mais paleio, eis o espirituoso dizer:

Publicidade institucional


If I kiss you where it's sore
Will you feel better, better, better
Will you feel anything at all

Born like sisters to this world
In a town where blood ties are only blood
If you never say your name out loud to anyone
They can never ever call you by it

If I kiss you where it's sore
Will you feel better, better, better
Will you feel anything at all

You're getting sadder, getting sadder, getting sadder, getting sadder
And I don't understand, and I don't understand
But if I kiss you where it's sore
If I kiss you where it's sore
Will you feel better, better, better
Will you feel anything at all

Anything at all...

Better, Regina Spektor

terça-feira, outubro 07, 2008

Portugal reconhece a independência do Kosovo

http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1345232&idCanal=21

Eu desonfio muito seriamente da independência deste pedaço de terra do tamanho do Cabouco, mas hei, isso sou eu. Parece-me que se abre um precedente perigoso e tal, direito internacional, histórias muito mal contadas da do final da década de 90 e início do século XXI.
Mas tais considerações, vou guardá-las para um post em preparação sobre países que não são países, mas que querem ser. É um tema mais engraçado do que parece.

quinta-feira, outubro 02, 2008

Dever de voto



Num comentário paralelo: é maná para os olhos voltar a ver a Natalie com cabelo comprido solto.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Espantoso

Este anúncio da Quercus envergonha quem, neste momento, anda a criar publicidades para telemóveis cada vez mais decadentes. Consciência e uma brutal criatividade no mesmo prato da balança.
Sigam o link.

http://sound--vision.blogspot.com/2008/09/blog-post.html

Prenúncio de morte


Vem aí coisa má. Não possuo nenhum sentido-aranha, nem sou Nostradamus, mas há qualquer coisa aqui dentro que se enche como uma bolha e estás prestes a rebentar. É um certo mal-estar que se dirige a toda a velocidade contra a minha vida, batendo nos destroços actuais e transformando tudo num certo cenário apocalíptico. Estou com essa súbita impressão agora.
Porra, não me vai passar.

Chiça, que dói quase fisicamente.

Como era mesmo o título daquele livro de António Nobre?

domingo, setembro 28, 2008

Uma adenda...

... ao post anterior. Comparar Paul Newman ao Camilo não é a melhor maneira de mostrar a importância da morte deste enorme actor.
Muitas vezes se fala de James Dean e Maron Brando, que fazem parte da mesma geração de Newman, como actores que definiram o que era a interpretação, que reinventaram o ofício e são referências. Mas Newman foi tão moderno quanto eles, apenas com a diferença de que era incrivelmente discreto no que toca ao seu trabalho e à sua vida, e ao invés de ser símbolo de rebelde sem causa, era um rebelde com causas, tendo como prova as várias instutuições de caridade que criou ao longo da vida. Longe de se considerar em primeiro um actor, considerava-se um ser humano, definido não por boas intenções, mas por acções concretas. Esse é o vazio que deixa Newman: o exemplo de alguém que compreende o poder que o seu nome "sonante" tem no mundo e a responsabilidade que ele acarreta.
Para além disso, como cinéfilo, há "Gata em telhado de zinco quente", há "Butch Cassidy and Sundance Kid"; há "A golpada"; há "A cor do dinheiro"; há "Hud, o mais selvagem entre mil"; há "Cool hand luke"; há "A cor do dinheiro"; há "O veredicto"; há "The hustler".
Morre um dos maiores. Dos poucos que ainda sobram. Obrigado, senhor Newman.

sábado, setembro 27, 2008

Paul Newman: 1925-2008


E o raio do Camilo fez 60 anos de carreira há uns dias. Depois, venham falar-me em justiça...

No domingo, fui à bola

Na verdade, foi a uma quinta.
O meu irmão tem uma certa habilidade para entreter os pés com uma bola de futebol. Quando digo "uma certa habilidade", estou a ser irmão, pois claro, a diminuir-lhe as capacidades. Já há algum tempo que ele andava com vontade de exibir esse entretém numa equipa de futebol a sério; e descobriu que os júniores do Mirandense, de Miranda do Corvo, estavam a formar uma nova equipa. Após um mês de treinos, eis que surgiu o primeiro jogo, contra os seniores do Operário de Lamas. E aqui acaba a contextualização do post.
Obviamente, fui ver o prodígio em acção. O que eu tenho em auto-comiseração, tem o meu irmão em confiança, e a forma como ele fala do seu talento fá-lo parecer o Cristiano Ronaldo, sem o cabelo parolo, mas semelhante estampa física. Por isso, afastei-me do meu portátil e da minha tese e desloquei-me, em romaria com o resto da família, ao pelado do Mirandense. O estádio resume tudo aquilo pelo qual me sinto fascinado pelo futebol regional: um estádio que tem uma entrada com bilheteira e um porteiro, mas está completamemte aberto do lado oposto; uma caldeira de água quente alimentada e lenha; um campo de areia sem as marcações de linhas; uma baliza meio caminho entre uma bancada e o campo, proporcionando um perigo de traumatismo craniano ao lateral mais esbaforido.
Instalei-me nas bancadas e atrás de mim, alguns miúdos que tinham treinado uns minutos antes instalavam-se para ver a partida, ainda de fato de treino, cabelo molhado saído do chuveiro, toda uma cultura própria na antevisão do desafio. Mas antes, uma pequena discussão sobre os melhores sítios para jogar Black jack no concelho de Miranda do Corvo. Só depois soube que Giggs e Rooney jogavam nos júniores do Mirandense Aparentemente, o meu irmão não era o único craque do bando.
Quando as duas equipas entraram, percebi que Rooney e Giggs eram alcunhas derivadas de parecenças físicas; mas aquele tipo de parecenças que leva a que, ocasionalmente, eu seja confundio com o Brad Pitt na baixa de Coimbra.
O jogo começou. O meu irmão actuava a extremo-direito, mas a bola não lhe chegava. Assim, o jogo não tinha interesse. Foi aí que se deu o momento, quando pude assistir ao vivo, a cores e, infelizmente, a cheiro, à chegada do famoso Vítor do Poste. Para quem não conhece, fica a figura:

Pude comprovar que o homem é mesmo especialista: não se sentou atrás do seu fiel companheiro, mas sacou um fora-de-jogo no lance no primeiro golo do Lamas, o seu clube. A fazer ver a muito árbitro. Aqui está alguém que vive o futebol a sério, que gesticula e berra lá para dentro, enquanto manda piadas acerca da orientação sexual de alguns espectadores. Pelo meio, no banco do Mirandense, alguém começa a tentar repetir o seu belo discurso n' "A liga dos últimos". Vítor do Poste, com a calma dos sábios, corrige-o: "Não é "Nós é que sabemos. É a gente é que sabemos!" Se o futebol fosse um espírito maligno, Vítor do Poste substituiria Linda Blair em "O exorcista". Enquanto destrinça, dá orientaçoes, e a coisa resulta: o gurda-redes do Mirandense manda um frango e o Lamas chega a 2-0.
Entretanto, a bola chega em condições ao meu irmão pela primeira vez em todo o jogo. O puto fez o que sabe: deixou três tipos com o dobro do físico dele a comer poeira, puxa a culatra atrás e toma lá disto. O guarda-redes adversário, com umas estranhas botas à Vegeta, defende a custo. Mas os benjamins espectadores que assistiam na bancada erguem-se e abrem a boca. Um diz: "Foda-se, o gajo papou 3." Vira-se outro: "Claro, meu, é o Cristóvão. O gajo joga de caralho!"
Passado pouco tempo, acabou a 1ª parte. Entretanto, vim-me embora, que eram quase dez e ainda não tinha jantado. Futebol é futebol, mas não me dá de comer. No final, ficou 3-1 para o Lamas. O golo do Mirandense foi do Cristóvão, num estoiro de fora da área, que deve ter provocado novo orgasmo aos bambinos que assistiam.
E chegado a casa, o herói do jogo vinha cansado. Quis ir a um convívio no pólo II, mas a mãe não deixou. Arremeteu-se ao cansaço e foi dormir.
As comparações podem ser muito bonitas, mas ao menos, o Cristiano Ronaldo leva uma gaja para casa no final da partida.

quinta-feira, setembro 25, 2008

terça-feira, setembro 23, 2008

Contra-resposta

Fontes bem colocadas informaram este blog que a GALP vai responder à iniciativa de protesto contra o aumento do preço dos combustíveis de não abastecer neste Sábado: na sexta-feira anterior, vai dobrar o númeor normal de clientes.

TV watch


Semana e tal de ausência e o homem regressa com quê? Com séries, pois claro. No entanto, perante os resultados dos Emmys de ontem, a pertinência é muita.

"MAD MEN"

Aquela que os Emmy consideraram como a melhor série de 2008 é isso mesmo: a melhor série deste ano. Desenrolando-se na passagem da década de 50 para a de 60, ou seja, no percurso que iria acabar com a liberalização dos costumes, a luta pelos direitos civis e a emancipação da mulher, "Mad men" faz da sua temporalização um aspecto importante da trama. Isto significa, claro, que para se gostar deste série, é também preciso gostar de pensar naquilo que se está a ver. O centro da acção é uma agência de publicidade em Nova Iorque, um antro masculino por excelência, onde o fumo dos cigarros, o tilintar do gelo e os fatos impecáveis se misturam com o flirt declarado e a piada sexista, nos tempos em que a expressão assédio sexual ainda estava algures enterrada num buraco. Não há ilusões: os homens são senhores do seu mundo, e os executivos de publicidade, os chamados Mad men, são o perfeito protótipo disse.
Nesta agência em específico, a Sterling and Cooper, o exemplo acabado deste modelo de homem é Don Draper: o macho alpha do escritório, tem uma mulher uns dez anos mais nova, linda de morrer, dois filhos que parecem saídos de um poster americano, é o publicitário mais respeitado da empresa e tem vitalidade suficiente para ter um séquito de amantes. Na Sterling Cooper, temos também Peggy Olson, secretária de Don e claramente uma mulher com mais miolos do que muitos homens; Pete Campbell, fuinha que vê em Draper um herói; Roger Sterling, um dos donos da empresa e o buddy por excelência de Draper; Joan Holloway, abelha mestra da colmeia das secretárias; e mais laguns publicitários e artistas que compõem a equipa do nosso macho alpha. Claro que como qualquer boa série, há sempre um outro problema; e nesta, a questão é que o impecável, cool e fleumático Don Draper pode não ser exactamente Don Draper...
O criador da série, Matthe Weiner, fazia parte da equipa criativa que fazia mover "The sopranos" e isso nota-se: "Mad men" é, provavelmente, a série onde se passam mais coisas nas entrelinhas, onde uma frase com sete palavras pode muito bem condensar meia página de coisas que não são ditas em voz alta. É um desafio constante desfrutar plenamente da série, pois exige atenção e cuidado com pormenores. Por exemplo, há uma personagem que é gay, e isto percebe-se muito bem antes de ser mostrado, praticamente desde o primeiro episódio. A combinação entre uma escrita detalhada e um conjunto de actores esplêndido faz com que "Mad men" seja um portento de subtileza. É também a série indicada para feministas não-fanáticas, que acima de tudo percebam que estão a ver o embrião das lutas que travaram a partir daí: a série é também sobre a relação entre homens e mulheres, sobre os papéis que ambos os sexos desempenhavam na sociedade da altura e sobre a altura em que as mulheres acordam para a vida. Algumas, pelo menos.
Mas acima de tudo, tudo gira em redor de Don Draper, numa fantástica interpretação de Jon Hamm, um actor que não conhecia de lado algum e que no seu estilo, que pode ser definido como um George Clooney taciturno, projecta a mistura de carisma e ao mesmo tempo de vazio que Draper tem. É difícil definir Draper, mesmo com série e meia já vista, e isso é um triunfo de Ham, que consegue "não representar" que o comum actor desesperaria à procura de um subtexto para mostrar que está actuar alguma coisa. Encontrar o vazio de Draper e a sua vontade de sentir alguma coisa é o triunfo pessoal de Hamm, muito justamente nomeado para os Emmy deste ano, tendo perdido para Bryan Cranston, outro espantoso actor de "Breaking bad", série de que falarei proximamente. No elenco de "Mad Men", destaque para Elisabeth Moss e Christina Hendricks, como Peggy e Joan, duas mulheres de craveira superior, mas diferentes em ambições pessoas, John Slattery, o rei do engate de meia idade Roger Sterling, uma raposa grisalha que sabe bem os terrenos que pisa e como ler pessoas e January Jones como a esposa de Draper, a prova de como as bimbas louras são na verdade um disfarce forçado de tempos em que a mulher bomba era tudo o que se queria.
"Mad men" recomenda-se vivamente para quem gosta de complexidade naquilo que vê. Exige paciência, exige respeito, exige dedicação. Mas é uma enorme recompensa para quem gosta de coisas boas. Para quem gosta de ser surpreendido com pequenos pormenores e acima de tudo, para quem gosta de ler pessoas. Essa é a chave desta série.

sábado, setembro 13, 2008

quinta-feira, setembro 11, 2008

Passo maior que a perna


Esta nova experiência do CERN, com o acelerador de partículas, fascina-me, apenas porque não a percebo. Óbvio que não me refiro à componente científica (qualquer uma dos meus antigos professores de Físico-Química vos poderá explicar, sem equações e paradoxos envolvidos, que eu sou a prova da teoria da Relatividade: sou relativamente estúpido), masà necessidade.
Não me vou entrar aqui numa diatribe "NASAtica"de dinheiro gasto em ciência cara quando gente morre à fome. Vou mantar a discussão em termos científicos.
O objectivo desta experiência é recriar em tubos catódicos as condições do Big Bang, a teoria em vigor sobre a origem do Universo. Primeiro, terá de se saber se houve um Big Bang. Depois, a ter havido, eu não estava lápara assistir ao evento, mas quer-me parecer que aquilo foi coisa de excelso rebentamento. Por isso, permitam-me desconfiar do director do CERN, quando diz que não há perigo nenhum de alguma coisa dar para o torto. Claro que há: quando envolvemos máquinas e radioactivisade à escala daquele acekerador de partículas, as coisas podem acabar mal, horrivelmente mal. No início da Radioactividade como ciência, a comunidade científica também achava que aquilo não fazia mal a ninguém, e marcas de dentríficos até arcescentavam rádio à sua fórmula habitual, garantindo aos clientes que melhorava a saúde das pessoas. Hoje, sabe-se que para mexermos nos cadernos de anotações de Marie Curie, temos de vestir um fatinho protector. É por coisas dessas que desconfio sempre da radioactividade. Acho que o ser humano tem a tendência para brincar com coisas cujo potencial não entende realmente.
Depois, porque é que queremos saber tudo sobre a origem do Universo? A meu ver, isto é uma daquelas ambições que vem do Iluminismo, das ambições megalómanas da Ciência, que quer descodificar e desbravar tudo. É estranho que assim seja, pois a quantidade de coisas que sabemos sobre o nosso próprio planeta é de uma pobreza atroz. Pode ser pouca ambição, mas entre saber as origens do Universo e conseguir prever tremores de Terra com exactidão, as minhas prioridades estão estabelecidas; entre procurar o bosão de Higgs e resolver, de uma vez por todas, a questão das alterações climáticas, sou um realista; entre desvendar os segredos da matéria e os segredos de um tumor maligno, embora ambos sejam mais importantes que os segredos de "A última ceia", acho que só um deles pode realmente prolongar a vida.
Conclusão: a Ciência é espectacular, permite-me estar aqui a cortar nela através de um computador e de uma linha telefónica, mas é claramente mais cabeça no ar do que eu, e isto é dizer alguma coisa.

terça-feira, setembro 09, 2008

Appetite for destruction


É o que apetece hoje.

sábado, setembro 06, 2008

Cinema: 15 filmes a ter em atenção

A segunda metade do ano cinematográfico costuma ser normalmente dedicada aos filmes com potencial de premiação, nomeadamente com potencial de Óscares. A época de blockbusters ficou para trás e tem de se esperar pelo Natal para encontrar um ou outro espécime, que vai rareando cada vez mais nesta altura. É por isso que este post que destaca alguns dos potenciais bons filmes que estrearão entre este mês de Setembro e Dezembro no mercado norte-americano (vamos estender estreias até ao mês de Março em Portugal) focará maioritariamente fitas sérias ou pelo menos substancialmente artísticas.

"BURN AFTER READING"

Depois da consagração nos Óscares (com 3 prémios só à sua conta), os irmãos Coen seguem "No country for old men", que é pouco menos do que deprimente em termos de ambiência, com uma comédia que promete ser perfeita para apreciadores do desmiolado em celulóide, e que envolve um agente da CIA demissionário, um CD que aparentemente tem segredos governamentais, dois donos de um ginásio e Geroge Clooney como bronco de serviço. Apesar de terem ficado famosos quando entram negrume adentro, os manos têm no currículo belas comédias como "The big Lebowsky", "Raising Arizona" e "Oh brother, where art thou". Brad Pitt, George Clooney, John Malkovich, Tilda Swinton e Frances McDormand. constituem o elenco.


"RIGHTEOUS KILL"

Um motivo para se ver este filme? Al Pacino e Robert de Niro como uma dupla de polícias. Ou seja, aquela cena no café em "HEAT" expande-se para a totalidade de uma longa-metragem. Acho que isto basta.

"BLINDNESS"

José Saramago adaptado ao cinema por Fernando Meirelles? O bizarro aconteceu. Saramago não é dos escritores de que mais gosto, mas a sua ideia de uma terra de cegos onde uns poucos que vêem têm de ser reis é bastante interessante por si; pegada por Meirelles, um homem que fez duas longas-metragens arrebatadoras ("Cidade de deus" e "O fiel jardineiro"), pode vir a resultar numa fita poderosa a todos os níveis. A história de uma epidemia que começa a cegar a população mundial e as consequências no teciodo da sociedade actual é interpretada por Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Danny Glover e Sandra Oh.

"APPALOOSA"

O western tem ressurgido em força nos últimos anos. Em 2007, "3:10 to Yuma" foi um enorme sucesso de bilheteira, misturando os temas tradicionais do western com uma abordagem moderna do modo de filmar. Este ano, Ed Harris, que é um extraordinário actor, junta Viggo Mortesnsen e Jeremy Irons, que dispensam adjectivos como intérpretes, e adapta um livro de Robert Parker, que conta a história da disputa entre dois amigos (Harris e Mortensen) e um latifundiário vilanesco (Irons). Homens duros num género duro.

"MIRACLE AT ST. ANNA"

Realizar filmes de guerra é uma estreia para Spike Lee, realizador pária que voltou a cair nas boas graças do mainstream depois do sucesso de "Inside man". Para que a transição não fosse muito forçada, a história é sobre um esquadrão totalmente composto por soldados negros, algures em Itália, em plena 2ª Guerra Mundial. Para não variar, Spike Lee já começou a irritar gente. Clint Eastwood levou no maço por causa de "Flags of our fathers" e os Coen apanharam por tabela. Os italianos, esse povo que pouco tem de racista, também já se mostrou algo incomodado em ver Lee a rever-lhes a sua história do conflito. É esperar para ver, principalmente quando este filme começa a cheirar a Oscar.

"RELIGULOUS"

O realizador de "Borat" e Bill Maher, indivíduo que está para a Direita como a sarna está para os cães, num documentário declaradamente ateísta, onde ambos percorrem o mundo, questionando o porquê das crenças religiosas das pessoas? Mas este parece ser o filme incendiário do ano!

"ROCKNROLLA"

Guy Ritchie, depois de duas sovas da críticas seguidas, com "Swept away" e "Revolver" (que, batam-me, achei ser um filme interessante) regressa ao estilo que lhe trouxe a reputação: gangsters perdidos em bolandas pelos subúrbios de Londres. Soa a repetição, mas "Snatch" e "Lock, sotck and two smoking barrels" são dois grandes filmes de entretenimento até mesmo no Usbequistão. Gerald "300" Butler, "Idris "The Wire" Elba e depois Tom Wilkinson, Thandie Newton e Jeremy Piven embarcam na viagem, com uma estrela de rock drogada e a máfia russa em disputa com gangsters ingleses. Já se parece mais com os filmes de Guy Ritchie que conheço.

"BODY OF LIES"

Um thriller sobre o combate ao terrorismo no Médio Oriente, realizado por Ridley Scott e protagonizado por Leonardo Dicaprio e Russel Crowe. O suficiente, penso.

"W."

O actual presidente dos EUA ainda não saiu do cargo e já há um biopic feito sobre a sua vida. Oliver Stone é o realizador e isso já põe as pessoas de pé atrás. No entanto, há que lembrar que este é o mesmo homem que fez "Nixon", um execelente filme sobre o homónimo chefe de estado e que acabou por ser um estudo de personagem justo e surpreendente, quando se esperava o pior, e era fácil entrar pelo pior. Apesar do retrato facilitista que dele tentam fazer, Stone é um autor complexo e a interpretação de Josh Brolin como Dublia Bush parece acertar na mouche. Para mais, temos toda a entourage da mitologia Bushiana presente, e o filme estreia por altura das presidenciais de 2008.

"CHANGELING"

Clint Eastwood envereda pelo thriller sobrenatural, anos depois de "Play misty with me". Aqui, Angelina Jolie é a mãe de uma criança que desaparece de casa. Semanas mais tarde, a polícia devolve-lha. O problema é que... não é a mesma criança! Tem, pelo menos, um ponto de partida interessante.

"QUANTUM OF SOLACE"

Quem diria que algum dia conseguiriam reinventar James Bond? E que o homem mais criticado em antecipação, quando se anunciou que ia vestir a pele de 007, seria afinal o único capaz de pedir meças a Sean Connery? (Ok, eu pressenti esta segunda quando vi "Layer cake"; mas esqueci logo de seguida, por isso não foi coisa séria). "Casino Royale" foi um caso tão sério que se chegou a falar, com toda a naturalidade, de Daniel Craig podia ser nomeado para melhor actor. "Quantum of solace" é, pela primeira vez na franchise, uma continuação directa do filme anterior, e a direcção pertence ao ecléctico Marc Foster, que entre outros, fez "Finding neverland" e "Monster's ball". Desta vez, Bond procura vingança pela morte de Vesper Lynd e vai atrás do consórcio corrupto por detrás das acções de "Casino Royale". Blond Bond is back... with a vengeance.

"AUSTRALIA"

Baz Luhrman, a maníaca mente que arquitectou "Moulin rouge" e "Romeo and Juliet", experimenta agora o épico, com este filme que pretende abordar um capítulo da história do seu país, a 2ª Guerra Mundial. Nicole Kidman é uma dama inglesa que herda uma enorme quinta na Austrália e tem de aceitar, pela sua inexperiência, a ajuda de um rancheiro interpretado por Hugh Jackman. Imaginar Hugh Jackman de camisa de ganga entreaberta deve fazer ventilar algumas das leitoras, mas para os restantes, Luhrman nunca fez um filme feio e o mínimo que se pode esperar de "Australia" é uma delícia visual que supere "Moulin rouge". Para além disso, será interessante ver o que um esteta puro e iconoclasta fará com um género tão tradicional como é o épico.

"MILK"

Gus van Sant regressaa o mainstream, com este biopic sobre Harvey Milk, vereador da câmara de S. Francisco na década de 70 e que ficou para a história como o primeiro gay assumido a ser eleito para um cargo público nos EUA. Sean Penn interpreta Milk e pelo trailer, parece estar o Penn do costume, ou seja, excelente. James Franco, o ubíquo Josh Brolin e Emile Hirsch completam o cast de um filme altamente falado para a Oscar season que se avizinha.

"DEFIANCE"

Ed Zwick é um paladino de causas e de histórias esquecidas pela História, e depis de "The last samurai" e "Blood diamond", volta a pegar em factos pouco conhecidos: aqui, a resistência judaica aos Nazis na Bielorrússia. Se o tema parece à partida o costume no que toca a Holocausto, o casting levanta interesse: Daniel Craig, Liev Schreiber e Jamie Bell fazem de irmãos coragem, que de armas na mão, tentam escapar com um grupo de conterrâneos judeus para paragens mais seguras. Se Zwick não ceder às tentações do último quarto de hora de "Blood diamond", isto pode dar certo. Destaque para a direcção de fotografia do português Eduardo Serra.

"THE CURIOUS CASE OF BENJAMIN BUTTON"

David Fincher e fábulas românticas são dois conceitos normalmente incompatíveis. No entanto, este filme pode mudar isso: a adaptação de uma short story de F. Scott Fitzgerald, sobre um homem que nasce velho e percorre a sua vida sempre a rejuvenescer para morrer bébé é bizarra só por isso, e um conceito altamente interessante. Brad Pitt interpreta a personagem principal e Fincher rodeia-o por Cate Blanchett, Tilda Swinton e Julia Ormond. Blanchett parece interpretar o grande amor da sua vida e abordar todas as questões metafísicas e humanas relacionadas com o estranho padecimento de Benjamin Button será certamente a grande força do filme, tendo em conta os gostos de Fincher. O filme demorou dois anos a ser feito, sendo que Fincher estava envolvido em simultâneo com "Zodiac" e a supervisionar os efeitos especiais relativos às várias fases de rejuvenecsimento da perosnagem de Brad Pitt, numa minúcia demiurga típica do realizador. Por todos os motivos e mais alguns, é o meu filme de 2008.

terça-feira, setembro 02, 2008

Morreu... the trailer voice

E agora estamos "In a world..." onde ela não se faz ouvir.

sábado, agosto 30, 2008

O sabujo


Os Democratas acabaram o seu congresso e o candidato adversário, John McCain, já mostrou que a campanha vai ser marcada por tácticas sabujas. Nada que me espante na política norte-americana, seja ela de Democratas ou Republicanos, mas McCain inventa uma jogada tão audaciosa em perversidade como arriscada no seu possível resultado prático: anunciou para sua candidata a Vice-Presidente Sarah Palin, governadora do estado do Alasca.
isto é genialidade: no momento em que o paryido Democrata está dividido pelo fervorosos (e idiotas) apoiantes de Hillary Clinton, que se recusam a votar no candidato do seu partido porque não é Clinton, McCain oferece-lhes um clone ginecológico. Essa é aliás a única razão, a meu ver, pela qual um tipo veteraníssimo que passou a pré-campanha a criticar a inexperiência de Barack Obama escolhe uma mulher que é Governadora há apenas dois anos, ainda por cima num estado sem importância política relevante e totalmente afastado de centros de decisão política. Alguém que, há um mês, disse numa entrevista não saber o que fazia um Vice-Presidente e que defende valores totalmente contrários aos Democratas. Apenas por ser mulher. Eele está a dar a deixa aos dissidentes do partido rival para pensarem não com a cabeça, mas com a vagina. Apesar de serem homens.

Obviamente, os apoiantes de Hillary Clinton nunca ouviram Ben Folds. Mas McCain.,já.

sexta-feira, agosto 29, 2008

Decisions, decisions


Nos últimos dias a minha vida tem sido nisto.

Uma voz a martelar-me a cabeça insistente, dizendo com reprovação:

There you go, giving a fuck when it ain't your time to give a fuck

And I give.

E a voz conclui, com ar de quem vive há muitos anos:

Happy now, bitch?

Aula de catequese


quarta-feira, agosto 27, 2008

5 filmes incrivelmente másculos: parte 1

Há que definir muito bem este conceito de filme másculo antes de se começar. Para já, o critério de quantidade de homens não existe. Podemos assistir a uma cena com 100 espécimes do sexo masculino do ecrã, mas cujos cromossomas X foram apagados algures na infância, estando agora a meio caminho entre o coninhas e o frouxo.
Depois, um homem bonito não faz um filme másculo. A saga "Ocean's" tem de tudo para todos os gostos: tem Clooney, tem Pitt, tem Damon e tem Garcia e Cheadle se estiverem para aí viradas. No entanto, onde está a dureza? Se virmos o filme sem som, parece um episódio alargado de "Queer eye for a straight guy".
Por fim, que acções podem ser definidas como masculinas? Depois destes Jogos Olímpicos, jogar à bola não; e após ler notícias sobre bombistas suicidas mulheres, aleijar gente também não. Pelo menos, o aleijar no geral. Actividades específicas como "1 homem contra 100" ou psicótico assassino são bem viris. Será melhor que fiquemos pelo mais óbvio dos clichés: beber, veículos motorizados, higiene específica do homem, conversas sbre quem tem a pila maior e sobre engates e proezas sexuais... A bem da eterna simplificação do espécime masculino (porque somos todos assim, certo?), vamos arrepiar caminho por aqui. Sem mais delongas:

1 - "Goodfellas": Ora aqui está uma fita que começa com uma frase que atravessa a cabeça de muitos meninos: "As long as I can remember, I always wanted to be a gangster". O personagem de Henry Hill tem várias atitudes másculas ao longo do filme: show-off no engate (quando leva a potencial namorada a um restaurante fino, enquanto é cumprimentado por toda a gente, desde o criado ao dono do restaurante), tem várias amantes e recebe estimulação oral na cozinha, antes de sair para o trabalho. Para mais, é mafioso. No entanto, é um menino, comparado com os seus dois amigos mafiosos, Jimmy Conway e Tommy de Vitto. Conway aniquila alguém apenas porque pensa que este está a preparar alguma e Vitto porque lhe apetece. Ambos vestem fatos que não são parolos, mas também não são bons. Nada de questões de moda. Ah, e Conway e Vitto são interpretados por Robert de Niro e Joe Pesci.

2 - "Die Hard": Esta é uma escolha lógica, se pensarmos bem. John Mclane, o personagem principal do filme, tem de combater sozinho um bando de facínoras armados até aos mamilos. Nós, homens, gostamos disto. Para além disso, fá-lo descalço, o que é corajoso e idiota em simultâneo. Na sua demanda, mostra-se não razoável para com o vilão, que é o paradigma da sofisticação assassina e da capacidade de negociação (ou seja, qualidades altamente femininas), e fá-lo através de atitudes infantis e ditos que ficam no ouvido, mas não querem dizer nada (yippie-kay-ay, motherfucker). Usa um wife-beater, o que é uber testosterona. O único senão é a razão pela qual o filme se desenrola: Mclane viaja até Los Angeles para se reconciliar com a mulher. Isto é como admitir a derrota perante o inimigo. No entanto, homens mais sábios reconhecerão que esta história de lutar conra terroristas para ganhar a afeição da mulher é um daqueles esquemas malucos de engate, tão queridos ao espécime macho.

3 - "Predator": Há am hipótese série de que este é O filme mais macho de todo o sempre. Uma olhada pelo elenco bastaria para se concluir este simples facto. Quer dizer, temos Arnold Scwarzenegger, Bill Duke, Carl Weathers (hei, Apollo Creed), o antigo lutador de wrestling Jesse Ventura, o argumentista de "Arma mortífera" Shane Black, o índio dado a bulhas em bares Sonny Landham e o hispânico Richard Chaves. Isto é um concentrado de testículos multi-étnico, capaz de fazer o mais maricas dos toureiros virar homem a sério. Se isto não bastasse, o filme encarrega-se de reafirmar as credencias da fama destes semi-deuses: Bill Duke barbeia-se no meio do mato com uma faca do tamanho da minha perna, e sem qualquer tipo de espuma; Jesse Ventura usa como arma de eleição uma metralhadora Gatlin que habitualmente é utilizada em helicópteros. E carrega-a mato fora!; 64 pessoas morrem ao longo do filme; e claro, temos frases clássicas que são epítomes de masculinidade: "You're one... ugly motherfucker!"; "Stick around"; "If it bleeds, we can kill it"; "I ain't got time to bleed". Arnie acaba o filme a combater o Predador todo nu na selva. Isto é de macho.

TO BE CONTINUED...

terça-feira, agosto 26, 2008

Querido diário...


Woody Allen escreveu uma espécie de diário para o jornal New York Times, acerca da rodagem do seu mui aguardado "Vicky Christina Barcelona", um filme com Javier Bardem Penelope Cruz e Scarlett Johansson. E sim, os meus dedos começaram a arder compulsivamente quando escrevi estes três nomes. A fita tem sido bastante elogiada, com um "regresso à boa forma", que lhe dão de tr~es em três filmes... Ao que parece, podem haver Óscares envolvidos.
Ficam aqui alguns excertos das suas impressões da experiência: a sua relação com os actores, a cidade de Barcelona, as suas rotinas pessoais...

MARCH 5

Met with Javier Bardem and Penélope Cruz. She’s ravishing and more sexual than I had imagined. During interview my pants caught fire. Bardem is one of those brooding geniuses who clearly will need a firm hand from me.

APRIL 2

Offered role to Scarlett Johansson. Said before she could accept, script must be approved by her agent, then by her mother, with whom she’s close. Following that it must be approved by her agent’s mother. In middle of negotiation she changed agents — then changed mothers. She’s gifted but can be a handful.

JUNE 1

Arrived Barcelona. Accommodations first class. Hotel has been promised half star next year provided they install running water.

JUNE 5

Shooting got off to a shaky start. Rebecca Hall, though young and in her first major role, is a bit more temperamental than I thought and had me barred from the set. I explained the director must be present to direct the film. Try as I may, I could not convince her and had to disguise as man delivering lunch to sneak back on the set.

JUNE 20

Barcelona is a marvelous city. Crowds turn out in the streets to watch us work. Mercifully they realize I’ve no time to give autographs, and so they ask only the cast members. Later I handed out some 8-by-10 photos of myself shaking hands with Spiro Agnew and offered to sign them, but by then the crowd had dispersed.

AUG. 10

I suppose it comes with the territory. As director one is part teacher, part shrink, part father figure, guru. Is it any wonder then that as the weeks have passed, Scarlett and Penélope have both developed crushes on me? The fragile female heart. I notice poor Javier looking on enviously as the actresses bed me with their eyes, but I’ve explained to the boy that unbridled feminine desire for a cinema icon, particularly one who wears a sneer of cold command, is to be expected. Meanwhile when I approach the set each morning bathed and freshly scented, between Scarlett and Penélope there is a virtual feeding frenzy. I never like mixing business with pleasure, but I may have to slake the lust of each one in turn to get the film completed. Perhaps I can give Penélope Wednesdays and Fridays, satisfying Scarlett Tuesdays and Thursdays. Like alternate-side parking. That would leave Monday free for Rebecca, whom I stopped just in time from tattooing my name on her thigh. I’ll have a drink with the ladies in the cast after filming and set some ground rules. Maybe the old system of ration coupons could work.

segunda-feira, agosto 25, 2008

Umas palavras sobre o feminismo...

Bill Maher é um tipo que referi aqui há uns tempos e que, bem, diz umas verdades. Aqui, aborda o feminismo. Esta semana, estreou um documentário, "Religulous", por si conduzido, sobre o porquê de sermos religiosos. Mal posso esperar.

sábado, agosto 23, 2008

Reviews rápidas


"Wall-E"

É difícil classificar "Wall-E", porque apelidá-lo de filme de animação é entrar em terreno pantanoso. A razão? É radicalmente de qualquer filme de animação que tenham visto recentemente. Não se esforça por debitar palavras e piadas, não faz meta-referências fáceis e não tem personagens comic relief óbvios. Se alguém duvidasse da diferença, tinha o trailer de "Madagascar 2" a passar antes do filme.
A história é simples: 700 anos depois deos humanos terem deixado a Terra entulhada de lixo e portanto, impraticável para a vida, Wall-E, uma unidade robôtica de condensação de lixo, ainda trabalha, sendo o último modelos da sua marca, que, na prática, governava a Terra. Tanto tempo dotou-o de algo que se pode comparar a uma personalidade e o pequeno robô começa a imaginar se haverá algo para lá da sua tarefa e do sue mundinho. É então que aterra uma nave e chega Eve, um robô de última gereção que parece ser filha da relação entre dois Ipod.
"Wall-E" começa com 40 minutos sem qualquer diálogo que não sejam 3 palavras: Wall-E, Eva e Directiva. Parece quase bizarro que se aposte comercialmente num filme assim, e no entanto resulta. Para mais, temos um personagem robô, que não tem uma cara definida, sem qualquer um dos traços que habitualmente transmitem os nossos estados de espírito: não tem sobrancelhas, não tem boca, não tem bochechas. tem apenas uns penetrantes olhos em cima de umas linetas. Ainda assim, é mais expressivo do que boa parte dos personagens que vimos recentemente em filmes de animação. Isto é cortesia de Ben Burtt, que lhe fez os efeitos sonoros, e é conhecido por ter inventado um batalhão de línguas para os personagens da saga "Star Wars".
O filme transmite mensagens, mas nunca as atira à nossa cara. Nós percebemo-las se tivermos dois dedos de testa. O subtexto ecológico e a subtil crítica à nossa bela capacidade de não querer fazer nada se houve um comando e um sofá está presente num futuro em que toda a gente é obesa. Apesar de se aventurar pelo futuro, e envolver uma pleiade de robôs e de naves, "Wall-E" é menos um filme de ficção científica e mais uma história de amor dleicada, com apoio no musicla "Hello Dolly" e a impossibilidade que é duas unidades robóticas, Wall-E e Eve, terem mais químicas faíscante do que muitos actores de carne e osso. Duas sequências em particular estão entre as mais românticas do ano e fazem-nos esquecer por momentos que estamos a assistir a um filme de animação, algo que se no varre da cabeça à medida que o filme se desenrola.
Um triunfo da Pixar, o melhor filme da companhia, a par de "Toy story 2" (e estamos a falar do estúdio com uma taxa de praticamente 100% de obras-primas, o que não desprestigia os filems anteriores) e o vencedor antecipado da categoria de Melhor filme de animação. Wall-E, o personagem, é das criações mais deliciosas dos últimos anos, um emulador de Chaplin preso num corpo de robô; "Wall-E", o filme, é a prova de como se pode agrdar às massas e a quem gosta de cinema a sério, sem medo de voltar a ser criança e sentir o sue coração a palpitar por algo em estado puro.



"Hellboy 2"


Guillermo del Toro fez um interlúdio entre o seu magnífico "El laberinto del fauno" e a épica empreitada que vão ser os dois filmes de "O hobitt" e voltou a pegar num dos seus heróis favoritos: Hellboy, criação de Mike Mignola. O primeiro filme fora já um excelente exercício escapista, que pertencia mais à cabeça de del Toro do que aos nossos hábitos blockbusterianos: o mundo mágico de mitos, as criaturas fantásticas, os próprios freaks que são Hellboy, Abe Sapien e Liz podiam ter mesmo saído da cabeça do mexicano.
Tendo já introduzido o mundo do personagem anteriormente, "Hellboy 2" passa logo ao que se quer, ou seja, à acção. é um filme mais rápido, mais fluido, mais ritmado que o primeiro. A história envolve uma coroa que controla o temível Exército Dourado e um desejo de vingança de um príncipe elfo, Nuada, relativamente aos humanos, que com a sua ganância, vão aniquilando um mundo mágico que não sabem existir. A história é tipicamente Deltoriana, nos seus valores.
O filme ganha desde logo por pormenores triviais, como a vida no interior do BPRD (o departamento onde trabalham Hellboy e colegas), a turbulenta vida a dois entre Hellboy e Liz, e o o aprofundar do personagem Abe Sapien, que tem direito a uma história romântica neste segundo filme. Apesar de soar a um filme de grupo, o centro é Hellboy e em boa hora o realizador lhe dá mais tempo de antena, não só em cenas de acção, mas acima de tudo para demonstrar como Ron Perlman é perfeito para a sua personagem, com o seu humor seco e o seu ar de eterno adolescente que, mesmo sendo filho do Diabo, tem como grande desejo pertencer ao mundo humano, apenas para concluir que isso será impossível e que esse sonho não é sonho para ninguém: ninguém deveria querer pertencer ao nosso mundo.
Um belo filme do género fantástico, ideal para quem gosta de ver um dos melhores realizadores do género a trabalhar.

terça-feira, agosto 19, 2008

Desculpa Pequim 2008


Acho que o maior confronto deste Pequim 2008 é entre as exageradas e hiperbólicas expectativas portuguesasquando a medalhas e a óbvia incapacidade dos atletas portugueses em lidar com essa pressão. Arnaldo Abrantes, atleta dos 200 metros, disse que quando viu o estádio cheio, as pernas baquearam, que aquilo não eram condições para ele... Temos ouvido desculpas que nem precisavam de ser dadas, se tivéssemos a real noção daquilo que normalmente fazemos em Jogos Olímpicos. Na verdade, a vermos bem, não estamos muito diferentes do normal. Acho estranho, claro, que cheguemos a Pequim com campeões mundias, campeões europeus, líderes de rankings, e no fim de contas, os resultados sejam os mesmos de sempre. Mas isto parece-me sintoma de algo que não tem a ver com o valor real dos atletas. Acho que é falta de noção do noção do que éesta compettição, ond ehá atletas que abdicam de provas internacionais só para treinar. É uma diferença de mentalidade.
A melhor desculpa deste Pequim de 2008 é uma prova disto. Marco Fortes acabara de não se apurar para a final do lançamento do peso. Ninguém esperava nada dele, podia ter simplesmente aplicado qualque frase desportiva cliché, tipo "São isto os Jogos Olímpicos", ou, "Há aqui atletas em grande forma", mas saiu-se com uma "Isto não é hora para andar a lançar o peso. De manhã é para estar na caminha. Quando estava a lançar o peso, só me apeteceia esticar as pernas num colchão."

E é assim...

A pior invenção do século XX...


... foi o politicamente correcto. Uma idiotice sem fim que leva a que as sensibilidades se exagerem e que faz com que as coisas mais inocentes pareçam ofensas e que piadas destinadas a um alvo sejam desviadas para outro. Na semana passada, assistimos a organizações de deficientes malharem em "Tropic thunder", a prometedora nova comédia de Ben Stiller, pois a certa altura, Thug Speedman, personagem que no filme é uma deveta de filmes de acção grunhos, decide que está na altura de ganhar um Óscar e que o melhor é interpretar um deficiente mental. A certa altura, discute com outro personagem a melhor maneira de interpretar por causa dos prémios, e este replica-lhe que o melhor é não ir "full retard". Escusado será dizer que isto é uma grande bicada nos actores que se vendem por prémios e que se acham altamente importantes e senhores do mundo. Algumas almas viram nisto um desprezo pela condição de deficiente mental, o que, e agora vou ser incorrecto, me faz pensar essas organizações não serão elas próprias encabeçadas por deficientes mentais. Mas daqueles que não têm medo de ir "full retard".
Uma semana antes, a selecção de basquete espanhola foi chicoteada em público, por causa da foto acima exibida. Eles fazme aquilo que qualquer criança faz quando se lhe pede que interprete o chinês: puxam os olhos para o lado. Olhos em bico. A China ficou ofendida; mas aqui, com razão. A China evoluiu. Hoje, tem costumes que podiam ter sido utilizados para melhor retratar a alma oriental: a selecção espanhola podia ter dramatizado o massacre de Tiannamen; talvez a dramatização de repressão policial sobre estudantes; o aprisionamento do Dalai Lama; os postes da selecção a fazer de torres de fábricas deitando fumo para o céu. Mas escolheram os olhos em bico. Malditos jogadores! Toda a gente sabe que o desporto não desenvolve inteligência.

Para além dos chineses, jornalistas do lado de cá decidiram que era uma oportunidade a não perder de alinharem pelo lado chinês. O mesmo que fora desmascarado dias antes por ter usado um playback e efeitos digitais na cerimónia de abertura. Custou a muita gente que a cerimónia fosse um estrondo. E como pegar na questão dos direitos humanos saiu de moda (e seria, convenhamos, uma simplificação redutora daquilo que é a complexidade chinesa, uma regime opressor democráico, ou vice-versa), vamos lá a ser picuinhas. Potque toda a gente sabe que por aqui, nunca se fez aquilo em cerimónias oficias. Jamais! Respeito aos artistas! Não ao playback! Excepto nos Óscares; e nos Grammys; e nos Emmys; e na Eurovisão; e...

Como eu disse, a pior invenção do século XX.

segunda-feira, agosto 18, 2008

"The X-Files: I want to believe"


Quis esperar uns dias até fazer a crítica deste filme. Afinal, a série "The X-Files" é uma parte importante do meu processo de crescimento. Não estou a exagerar. Para além de ter sido importantíssimo no definir da minha sensibilidade de escrita, tornou-se uma das coisas com que sou identificado, para o bem e para o mal. A minha devoção a esta série é tão grande que a tentei enfiar em todos os campos da minha vida, mesmo nos escuteiros, e uma vez no secundário, quando um teste de Francês calhou no dia dos meus anos, a professora espetou um tema para fazer composição sobre a série como prenda de aniversário, apenas porque era universalmente conhecido que eu seguia Mulder e Scully como um farol.
Sim, eu sou um X-Phile. Admito-o. Mesmo com o final da série, não descansei. A primeira coisa que comprei quando a FNAC se instalou em Coimbra foram as primeiras duas tmeporadas da edição britânica da série (na altura, nenhuma luminária se lembrara de as editar em Portugal). Qualquer suspiro de Chris Carter, era para mim uma esperança de renascimento da série; e comecei a ver "Californication" apenas e só porque David Duchovny entrava (depois, como já aqui analisei, descobri que é uma bela série). Logo, a minha avaliação do filme estará contaminada. Ficam avisados
Não convém revelar pormenores da trama. Nem vou, não preciso. Digo apenas isto: este filme só será apreciado inteiramente por quem seguiu toda a saga da série, inclusivé a 8ª e 9ª tempoaradas. Isto porque o filme não se concentra num caso paranormal, como era apanágio da série. Aliás, o caso em si tem mais a ver com ciência do que com sobrenatural. O filme é acima de tudo sobre a relação de Mudler e Scully e o que aocnteceu nestes seis anos em que não tivemos a sua companhia semanal, pois o tempo real foi respeitado. Uma das críticas que vejo mais vezes apontada a esta fita é a falta de crença que os actores parecem demonstrar no filme. Meus amigo,s aquilo é propositado: Mulder e Scully estão envelhecidos e dez anos de desgaste, de levar constantemente porrada de inimigos invisíveis, de lutar contra o futuro, de procurar a verdade, têm o seu efeito. Quem estava à espera de os ver felizes e contentes, e a saltar cantando, não conhece a série devidamente; e se conhece e pensou isto, bem, não percebeu minimamente o trajecto dos personagens. Tirando um ou outro pormenor de fundo, o que é compreensível numa série com 200 episódios, o local onde os encontramos emocionalmente faz sentido. De certa forma, pergunta o que acontece aos pares perfeitos que concretizam uma tensão sexual de anos e passam a viver numa relação. Para descobrirem, vejam o filme.
Um ponto que podemos apontar como desapontante é o argumento. Mas isto é uma questão de gosto: eu queria um caso paranormal, Chris Carter não mo deu. Na verdade, isso não me surpreende. Na série, as coisas estavam bem divididas. Chris Carter está muito mais à vontade a lidar com questões científicas e filosóficas do que com terror puro e o sobrenatural a sério. "The post modern Pormetheus" e "Triangle", os dois episódios que ecsreveu e que foram nomeados para os Emmys, são exercícios de estilo sobre experimentação genética que dá para o torto e vortex temporais. Este carácter da escrita de Carter está mais evidente em "Millennium", uma série que, a nível de ambiente e temáticas, tem muito mais a ver com este "I want to believe". Daí que, por entre o melodrama de Mulder e Scully, o caso em si não respire, e é aqui que tanto fã acérrimo, como o espectador normal vão sentir o filme a coxear. Dá pena, pois apesar do pendor decorativo dos dois agentes do FBI interpretados por Amanda Peet e pelo rapper XZibit, Billy Connolly compõe um padre pedófilo que tem visões de vítimas de crimes bastante interessante.
São Mulder e Scully e a sua dinâmica que nos atraem ao filme, às suas temáticas e ao constatar que os desafios da série não desapareceram. Num pequeno pormenor delicioso, quando Mulder e Scully estão na sede do FBI, olham para uma foto de George W. Bush e imediatamente a reconhecida melodia de sete notas tonais em Ré Maior que compõem o tema da série soa. Riso garantido, e a lembrança de quem o lema "Trust no one" não morreu. Nunca morrerá. É por isso que "The X-Files" é das séries mais relevantes que o medium televisivo jamais nos ofereceu. Este filme, com pena, não é tão relevante. Mas é um presente de Chris Carter para os fãs. E por isso, obrigado Chris. 2012 está aí à espreita, um terceiro filme vinha a calhar...

sábado, agosto 16, 2008

Um senhor


"Quero agradecer aos portugueses, porque toda a gente vê as minhas provas e quero pedir desculpa, porque estão a pagar para eu estar aqui e não consegui chegar à final. É um momento mau, porque esse é o meu trabalho. Queria dar pelo menos a final. Sinto-me na obrigação de pedir desculpas, porque esse é o meu trabalho e pagam-me para fazer isto. Deixei o meu país ficar mal."

Não se queixou dos árbitros; não disse "A culpa é ds Federação, que não nos apoia"; não apontou o clima e a poluição como causa do falhanço.
Francis Obikwelu é o nosso segundo campeão olímpico.

(O primeiro fora João Neto, vocês viram o quanto o homem estava quebrado quando foi elimiado nos -79kg no Judo? Derrota psicológica por ippon!).