quarta-feira, março 19, 2008

Rendez-vous with Rama


Não conheço muito acerca de Arthur C. Clarke. Sabia que era ele o autor da short story que deu origem a "2001: uma odisseia no espaço", a genial obra de Stanley Kubrick. Há alguns dias, um amigo meu fez-me chegar às mãos um daqueles produtos que ele considerava de primeira necessidade e parecia assumir contornos vitais na definição da sua infância. Era uma série documental chamada "The mysterious world of Arthur C. Clarke", onde o escritor patrocinava um conjunto de reportagens sobre os mais variados fenómenos bizarros. De imediato, ao ver o genérico, viajei até à minha infâncioa e lembrei-me de que sim, também eu já assistira aquilo. Escondido debaixo de camadas e mais camadas de inconsciente, estava Clarke, ali, deitado no fundo da minha cabeça, ele próprio um mistério.
Talvez seja o facto de o ter redescoberto agora que lhe provocu a morte, eu tenho esse poder kármico (no entanto, permitam-me que me inocente de outro óbito de hoje, o do realizador inglês Anthony Minghella: já conhecia "O paciente inglês", "O talentoso mr. Ripley" e "Cold mountain"). Eu e Clarke partilhamos uma coisa, e não é, obviamente, a genialidade: é a curiosidade. Era isso que o movia e, em certa media, é isso que também me move, mesmo qaundo tudo na vida se augura sombrio. Diagnosticado comum tipo de poliomielite desde os anos 60, Clarke foi ganhadno dificuldades em mover-se; porém, acho que era um sintoma de que o sue corpo não podia acompanhar a mente. De certeza. O homem que coleccionava ficheiros com referências a caveiras de cristal, dragõs marinhos, serpentes gigantes, chuvas estranhas ou OVNI era como um Cahrles Fort dos tempos modernos, apenas mais popular, mas igualmente bem humorado perante aquilo que não conhecemos.
E ele conseguiu finalmente o que queria: uma maneira de ver respondidas todas as suas perguntas. Deste mundo misterios e do outro também. Se ele existir claro. Clarke projectava sempre a sobra da dúvida.

quarta-feira, março 12, 2008

Lição dos últimos tempos


Menosprezo o impacto das minhas acções na vida dos outros. De várias maneiras. O que quer dizer que também me menosprezo.

segunda-feira, março 10, 2008

Memórias

Muita gente me diz que ser adepto do Benfica é condenado a ser feliz apenas no passado, pois é lá que estão as alegrias. Na realidade, imagino-as plantadas num quintal e eu passeando por entre elas, como se fosse o refúgio de um louco feliz.
Numa altura em que o meu clube está longe de estar bem (e é imitado, como sempre de forma rasca, pelo "Sportem"), estou sentado à sombra de uma das minhas grandes memórias como benfiquista: esta aqui em baixo, e que já referi algures no ano passado. A diferença é que, desta vez, há imagens.

Final grades


Tudo o que é bom tem um fim, mesmo a melhor série da actualidade: "The wire tem hoje o seu último episódio. Acabou-se a literatura em forma de televisão nos nossos ecrãs. A série que Barack Obama confessou ser a sua preferida, o que tendo em conta o habitual tacto em não confrontar directamente lobbies instalados por parte de candidatos presidenciais, é uma afirmação elucidativa da sua linha de pensamento. "The wire" é um dos únicos fóruns públicos de discussão dos problemas das cidades actuais.
E tem personagens inesquecíveis e uma escrita de calibre balzaquiano. Por isso é mesmo boa.
Mas tinha de acabar: citando Omar Little, "It's all in the game".

domingo, março 09, 2008

sábado, março 08, 2008

Um dia delas?


Eu aplico ao Dia Internacional da Mulher a mesma lógica que aplico na minha mente ao dia dos namorados: os dias internacionais ou comemoram efemérides ou então flagelos. Por muito que o meu lado Gulherme Leite queira aqui fazer uma piada com o género feminino, abster-me-ei. Mas não porque não tenha um fundo de verdade.
Posto isto, arrepio já caminho: eu gosto de mulheres. Não lhes bato. Não as discrimino. Não as vejo como objectos. Faço piadas sobre elas, mas hei, elas também fazem, portanto comungamos do princípio da igualdade entre sexos. Faço tarefas que, por força da tradição, são despachadas para o sexo feminino: trabalhos na cozinha, estender roupa, lida doméstica; e a coisa que mais facilmente faz subir em mim a minha libido é a inteligência da rapariga. Ok, minto, é a segunda coisa.
Estamos entendidos, não estamos? Gosto de mulheres e enfim, não encaixo no cargo de porco chuavinista. Logo, um pedido às mulheres que querem advogar e falar de feminismo e queixar-se acerca do tratamento péssimo que os homens dão às mulheres: eu sou homem e consigo ver na mulher um ser igual a mim. Se querem pregar que as mulheres têm direitos e merecem igualdade, estarei lá para dizer que sim e concordar; apenas não ateiem o fogo em mato ardido: nada arde e ainda desgasta o terreno. A sério.
Outra coisa: feminismo não é bazófia acerca de como as mulheres são mais inteligentes que os homens. Se é para isso, salto fora do barco e não contem comigo. Também não é dizer: "Nós, complicadas? Vocês é que são uns complicados do caraças!". Deixem-me corrgir: nós somos ocasionalmente idiotas. Não confundir isso com complicação. Há um homem que gosta de duas raparigas e não se decide? É idiota; há um homem que vos confunde pois não se decide se é homossexual ou heterossexual? É idiota; há um tipo que gosta de vocês, mas não consegue estar convosco? É idiota... E também faz parte do grupo da segunda pergunta. Uma coisa é idiotice; outra é armadilhar os homens com perguntas como "Este vestido fica-me bem?" (um dos caminhos do Inferno vai dar a um quarto onde uma mulher pergunta isto); ou, num lampejo súbito e inexplicável (e muitas vezes, nem vocês mulheres nos explicam), não falarem para nós durante uma semana. Isso é complicação, e quando nos queixamos, é porque não percebemos. Não é porque sejamos machistas ou vos odiemos: é porque não vivemos nos vosso mundo. E desculparem a vossa complicação com a nossa intolerância é, há que dizê-lo idiota. Se o vosso desejo é igualdade, há coisas em que vos aconselho a não serem iguais a nós.
Também vos odeio ocasionalmente. A todo o género por igual. Canto "Bitches ain´t shit", quero imprimir t-shirts e tudo com a frase.
E depois, apaixono-me, e passo uma amnistia a todas por igual.

Enfim, é isto. Agora, venha histeria, irritação e porrada para o otário.

quinta-feira, março 06, 2008

À lupa


Nunca vos deu um daqueles acessos de nostalgia que vos obriga a remexer em coisas velhas?
Sim? Ainda bem, porque a mim não. Mas pus-me antes de ontem a ouvir "Lupa", originald e Sérgio Godinho, editado em 2000. Há muito que aquelas múscias não estimulavam o meu cérebro.
Godinho é um excelente escritor, literalmente falando, de canções. As suas letras contnuarão a fazer sentido e a serem obras de arte daqui a 1000 anos, se este planeta ainda girar. "Lupa" tem uma das músicas que mais gosto, cujas palavras me passam a língua pelo lóbulho da orelha. Chama-se "Dancemos no mundo" e sempre que a ouço, tenho de me sentar e bater o pé várias vezes. Podia colocar a música, mas prefiro centrar-me nas palavras. São as que mais vezes nos passam ao lado.

Isto é como tudo, não há-de ser nada
a minha namorada é tudo que eu queira
mas vive para lá da fronteira

Separam-nos cordas, separam-nos credos
e creio que medos e creio que leis
nos colam à pele papéis

Tratados, acordos são pântanos, lodos
Pisemos a pista, é bom que se insista
dancemos no mundo

Eu só queria dançar contigo sem corpo visível
dançar como amigo se fosse possível
dois pares de sapatos levantando o pó
dançar como amigo só

Por ódio passado que seja maldito
amor favorito não tem importância
se for é de circunstância

Separam-nos crimes, separam-nos cores
a noite é de horrores, quem disse que é lindo
o sol-posto de um dia findo

Sozinho adormeço e em teu corpo apareço

Pisemos a pista, é bom que se insista
dancemos no mundo

Eu só queria dançar contigo sem corpo visível
dançar como amigo se fosse possível
dois pares de sapatos levantando o pó
dançar como amigo só

Em passos tão simples trocar endereços
num mundo de acessos, ar onde sufocas
lugar de supostas trocas

Separam-nos facas, separam-nos fatwas
pai-nossos e datas e excomunhões
acondicionando paixões

Acenda-se a tua luz na minha rua

Pisemos a pista, é bom que se insista
dancemos no mundo

Eu só queria dançar contigo sem corpo visível
dançar como amigo se fosse possível
dois pares de sapatos levantando o pó
dançar como amigo só

terça-feira, março 04, 2008

Cavalos

É uma opinião muito pouco consensual, mas "Millennium" é uma grande série de televisão, das melhroes e mais criativas que já vi. Estreou em 1997 e em três temporadas, antecipu, de uma assentada, as séries que carregam forte na medicina forense e os dramas místicos sobre sociedades secretas. O autor? Deus )para quem nnãoe stá familiarizado, Chris Carter)
O maior ponto fraco de "Millennium" era a sua heterogeneidade enquanto conjunto: de facto, cada temporada parece uma série à parte, habitada por dois ou três personagens comuns. Se a primeira temporada é uma análise pura da essência do mal e a terceira um manuel de sobrevivência ao desepero, a segunda é a que aposta mais na mitologia do chamado "Millennium group", uma empresa privada que tem interesses altamente obscuros e que serve como motor da série no seu todo.
O último episódio desta temporada contém uma sequência que ficou gravada na minha mente desde a primeira vez que a vi e que se tem tornado impossível de esquecer. Um dos personagens, a visionária Lara Means, interpretada por Kirsten Cloke, está trancada num quarto de hotel, enquanto uma aparente epidemia mortífera grassa no exterior. Acaba de lhe ser revelado o que acontecerá no Apocalipse. O que se segue são nove minutos de um tour de force apocalíptico apropriadamente ao som de "Horses", de Patti Smith. São nove minutos que nunca irei esquecer e que me deixam com pele de galinha de cada vez que os vejo.
Os cavalos também lá estão. Quatro. E assim como em 1997, também nos dias de hoje eles se passeiam pelo nosso planeta.

Empreendimento

O tema do resto de ano pioneiro vai ser a cor, em todas as suas valências e significados. Fica aqui, para celebrar isso, um videoclip com um engenhoso trabalho de câmara, de uma das mais recentes cantautoras femininas a triunfar na cena musical indie norte-americana: Feist. O realizador é Patrick Daughters e a canção é simplesmente "1,2,3,4". Entra no ouvido à primeira.

segunda-feira, março 03, 2008

Esquisito


Sentir que estão neste momento diversos eus a viverem várias vidas deles dentro da minha. Não conseguir descobrir qual desses eus sou mesmo eu. E saber que nenhum deles é o eu adulto que devia estar a enfrentar a minha vida neste momento.
No entretanto, cada um deles me vai trazendo coisas diferentes, que já não tinha há algum tempo, ou que nunca tive. Como se a minha personalidade tivesse decido estilhaçar-se e dar uma volta por avenidas na vida que, burro, não queria percorrer. E agora que as percorro, tenho de finalmenten me perguntar o que sou eu, quem sou, o que quero. Olhar em volta e ver opções das pessoas e perguntar se estas são "normais" e se eu quero ser "normal". Se o ser "normal" me basta; ou se, pelo contrário, a "normalidade" matará alguns dos meus eus, sem que outros saiam fortalecidos.

Pois é, já estavam fartos de cinema e sentiam falta destas merdas, não é? :)

sábado, março 01, 2008

Conectivity

A Converse faz 100 anos em 2008 e para celebrar o facto, a empresa (que pertence à Nike, não sabia disto) decidiu fazer uma campanha baseada em ícones que estão ligados ao uso da famosa marca de sapatilhas. Todos diferentes, todos ligados uns aos outros por um par de calçado.



Da esquerda para a direita: Hunter S. Thompson, Dwayne Wade, Sid Vicious, M.I.A, James Dean, Karen O., Common, Joan Jett e Billie Joe Armstrong

Intermission



"Longview", Lea Delaria (o original pertence aos Green Day)

quinta-feira, fevereiro 28, 2008

Conclusões de uma noite de Óscares


1 - Os Óscares começam a tornar-se cada vez mais uma Academia do mundo. Nenhum dos intérpretes vencedores nas categorias de interpretação são americanos: Day-Lewis é irlanfês e Tilda Swinton é escocesa, o que em si não é grandemente estranho, mas o espanhol Bardem e a francesa Marion Cottillard são de uma esfera europeia que não tem uma presença assim tão forte em Hollywood. Isto pode ser explicado por vários factores, a começar pelo trabalho de estudos nacionais na promoção dos seus filmes nos EUA. O fenómeno estendeu-se para as categorias técnicas, onde a maior parte foi limpa por europeus , alguns a trabalhar em filmes europeus, outros em produções norte-americanas. Se os americanos não se põem a pau, a festa deixa de ser mesmo deles.

2 - Os Óscares tiveram a sua audiência mais baixa em 20 anos. Têm surgido várias justificações para este facto, desde a baixa popularidade dos filmes nomeados até ao apresentador, que tem um nicho demográfico específico para o seu humor. Mas a verdade é que há dois grandes culpados, a meu ver: a própria Academia e, incrivelmente, os grandes estúdios. A Academia manté o memso modelo de cerimónio há uns 50 anos, quando o que era Grande era sinónimo de Popular. Hoje em dia, vivemos numa época de transmissões televisivas em que uma cerimónia com quase 4 horas não resulta. Na verdade, o déficit de atenção que vai afectando o cidadão do século XXI acaba com qualquer hipótese de esta resultar. Eu próprio, que tenho acomapnhaod várias cerimónias nos últimos anos, reconheço que a principal dificuldade é aguentar os prémios menos importantes, e os númeors de dança, e afins. Bem cortado, o que interessa nos Óscares podem encaixar-se em duas horas, talvez um pouco menos. Por este andar, qualquer dia os Óscares tornam-se numa espécie de Natal dos Hospitais, o alvo de piadas de stand-up comedians facilististas.
Os grandes estúdios são culpados, porque fazem o que é costume: não apoiam os filmes menores, que habitualmente têm mais qualidade e são nomeados. Sendo assim, é óbvio que não chegam ao público. O objectivo dos Óscares é precisamente reconhecr mérito artístico. É estúpido pedir à Academia que nomeie filmes conforme a sua popularidade. Se assim fosse, teríamos "Transformers" a receber o prémio de Melhor filme, e eu não queor imaginar que tipo de silêncio embaraçoso se estabeleceria no Kodak Theatre se isso acontecesse. "Juno" provou, este ano, de que o público norte-americano não é tão estúpido como parece: é. afinal, um filme palavroso, sobre uma adolescente grávida, e com um aspecto indie que rendeu mais de 100 milhões de dólares, o que o torna um hit. Mesmo filmes como "No country for old men" e "There will be blood" rondaram os 50 milhões de dólares em receitas, o que é bastante bom para filmes tão negros, complexos e violentos. Urge uma reflexão sobre este aspecto, que será importante não só para os Óscares, como também para os estúdios e, por conseguinte, para o futuro do cinema.

3 - 3 Óscares para "The Bourne ultimatum", mesmo sendo técnicos. 0 para "Transformers". Mesmo nas catgeorias técnicas, a qualidade efectiva de um filme começa a pensar.

4 - Jon Stewart esteve brilhante. Muito mais à vontade que na sua primeira aparição como host há dois anos, esteve aquilo que o seu papel requere: o dono da casa que recebe os convidados, atira umas alfintedas, enquanto os faz sentir bem acerca da festa onde estão.

5 - Nunca tinha reparado em como Tilda Swinton é mesmo estranha; e os irmãos Coen parecem extraterrestres caídos neste planeta.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

A resposta

Depois de Sarah Silverman ter anunciado o seu segredo envolvendo Matt Damon, é a vez de Jimmy Kimmel, o seu namorado, revelar algo ainda mais escandaloso. A novela promete continuar.

sábado, fevereiro 23, 2008

E cá estão elas!

Os Óscares são já amanhã. Há um mês, aquando do anúncio das nomeações, olhei para a tigela de água do meu cão, qual Nostradamusiso que olhando a bacia de zinco, e espreitei o futuro das nomeações. O meu fiel companheiro canino, infelizmente, tem o hábito de deixar pedaços da sua comida a boiar na tigela, e por isso as previsões turvaram um pouco. Espero que desta vez, as coisas saiam mais correctinhas.
Aviso que será difícil nalgumas categorias. Se há Óscares que já estão entregues desde há pelo menos três semanas, outros estão aí para lançar a confusão e a discussão. Aliás, os prognosticadores de prémios adoram confusão, inventando-a até onde ela não existe. Tem surgido uma corrente que está a tentar inventar vencedores para melhor filme, quando esse prémio está mais que decidido.
Tentando encurtar o paleio, que eu sei que sou muito palavroso, deixo aqui uma lista daqueles que prevejo serem os vencedores da 80ª edção dos Óscares.

Melhor filme: "No country for old men" - A única margem de dúvida é a habitual, porque já se sabe, até ao contar dos cestos, é vindima. Mas ele tem ganho a esmagadora maioria dos prémios percursores dos Óscares, tem apoio crítico, tem toda a gente com os irmãos Coen. Pouca gente acredita numa reviravolta.

Melhor actor: Daniel Day-Lewis, "There will be blood" - É que nem que Cristo desça à Terra e diga que el não leva o prémio. Aquele que estavam a prever como spoiler na categoria, George Clooney, já veio anunciar que Lewis tem mesmo a melhor interpretação do ano.

Melhor actriz: Julie Christie, "Away from her" - A coisa parecia certa até há duas semanas, mas entrevistas a alguns votantes anónimos e prémios recentes lançam Marion Cotillard como ameaça. De facto, eu até a colocaria aqui, senão fosse a aversão da Academia em dar prémios a interpretações em língua estrangeira.

Melhor actor secundário: Javier Bardem, "No country for old men" - Nem que Hal Holbrook chore.

Melhor actriz secundária: Cate Blanchett, "I'm not there" - A grande encasinação da noite. Qualquer uma pode realmente ganhar, embora a pequena Saoirse Ronan, por "Atonement" seja a que tem menos hipóteses. Cate Blanchett e Amy Ryan têm dividido entre si a maior parte dos prémios e são por isso as grande favoritas, mas nunca é de subestimar o aura que as categorias secundárias de intepretação têm como prémio carreira. Por isso, Ruby Dee tem algumas hipóteses. Tilda Swinton ganhou o Bafta e paira a dúvida sobre se isso poderá significar algo aqui. No entanto, as duas nomeações de interpretação de Cate Blanchett mostram que a mulher é adorada e glorificada em Hollywood. Esse maior profile deverá dar a vantagem sobre a desconhecida Amy Ryan, que, entre outras coisas, entra na grande série "The wire" e só por isso, merecia qualquer coisa.

Melhor realizador: Joel e Ethan Coen, "No country for old men" - Apesar de ser raro uma dupla de realizadores ganhar um Óscar (que me lembre, só aconteceu com "West side story"), a lógica prevalecerá. Só se Julian Schnabel conseguir o voto de simpatia todo é que algo de estranho poderá acontecer.

Melhor argumento original: Diablo Cody, "Juno" - Tem sido a grande senação do ano, com um argumento diferente e original. No entanto, atenção a Tony Gilroy e o seu "Micahel Clayton.

Melhor argumento adaptado: Ronald Harwood, "The diving bell and the butterfly" - Outra grande encasinação. Os Coen e Paul Thomas Anderson estão nomeados e são, à partida, os grandes favoritos. O guião de "Atonement" tem também o seu valor pela dificuldade em adaptar um livro onde a fronteira entre a realidade e a ficção é tão ténue. No entanto, a tarefa mais complicada era mesmo a de Ronald Harwood, que teve de transformar em filme um livro de pensamentos misturado com memórias. Para além disso, este filme é amado e Ronald Harwood, há uns anos, conseguiu fazer uma gracinha, ganhando com "O pianista" quando ninguém o esperava.

Melhor filme de animação: "Ratatouille" - Mais que lógico, visto que se este filme aparecesse nos 5 nomeaods para melhor filme, não seria crime algum.

Melhor documentário: "Sicko" - Este parece-me que é entre a obra de Michael Moore e "No end ins sight", um dos 4 documentários sobre a guerra do Iraque nesta categoria. No entanto, parece-me que o facto de a mesma academia que vaiou Moore há 5 anos, aquando do seu discurso contra a guerra quando este ganhou por "Bowling for Columbine", ser este ano assumidamente anti-belicista nas sas escolhas, poderá dar-lhe a vitória.

Melhor filme estrangeiro: "The counterfeiters", Áustria - E ainda gostava que me explicassem como é que "Persépolis" e "4 meses, 3 semanas e 2 dias" não estão aqui....

Melhor fotografia: Roger Deakins, "The assassination of Jesse James by the coward Robert Ford" - Outra categoria com cinco possíveis vencedores: Roger Deakins luta contra si próprio em "No country for old men", Seamus McGarvey, em "Atonement", Janusz Kaminsky, em "The diving bell and the butterfly" e Robert Elswitt em "There will be blood". Elswitt ganhou o prémio do Sindicato de Cineamtografia e seria em teoria o grande candidato, mas não reconhecer Roger Deakins num ano em que tem dois excelentes trabalhos, parece-me criminoso, mesmo tendo em conta o que a academia tem feito nos últimos anos (vide: Eduardo Serra em "Girl with a peal earring"). Assim, quero acreditar que será com o filme com melhor fotografia de 2007.

Melhor direcção artística: "Sweeney Todd: the demon barber of Fleet strett"

Melhor montagem: Christopher Rouse, "The Bourne ultimatum" - Seria uma vitória justa, para um filkme que já ganhou o prémio do Sindicato de Montagem. Roderick Jayens (ou melhor, os irmãos Coen com um pseudónimo) poderão estragar a festa, mas acho que a Academia vai recompensar um filme ao qual deram mais duas nomeações em categorias técnicas.

Melhores efeitos especiais: "Transformers"

Melhor guarda-roupa: "Atonement"

Melhor caracterização: "La vie em rose"

Melhor som: "Transformers"

Melhor montagem sonora: "No country for old men"

Melhor banda sonora - Dario Marianelli, "Atonement"

Melhor canção - "Falling slowly", "Once"

Melhor curta-metragem de animação - "I met the walrus"

Melhor curta-documental - "La corona"

Melhor curta-metragem - "At night"

E é assim... :)

terça-feira, fevereiro 19, 2008

Cantorias


Mayra Andrade é uma jovenzinha que se define como cabo-verdiana (li isto em qualquer lado...) que assim só por acaso, está nomeada para os prémios de música da BBC, na categoria de revelação do ano. Ou seja, daqui a uns anos vai ser um fenómeno, pois canta bem, tem boa música e ainda por cima é gira.
Dia 29 de Fevereiro, ela vai actuar em Coimbra, em pleno Paviljão Multi-Usos, no âmbito de uma digressão que está a fazer por Portugal. O bilhete custa 10 euros. Esta moça, que daqui a uns anos também será um fenómeno, vai; o gandulo aqui também. Quem quiser vir, é dizer. É aproveitar, antes que tenham de pagar um balúrdio para assistir a um concerto dela...

segunda-feira, fevereiro 18, 2008

"There will be blood"


Paul Thomas Anderson, desde que surgiu, tem sido apontado como o herdeiro de uma série de grandes realizadores, desde Scorsese a Robert Altman. Se isto, por um lado, atesta o seu enorme talento como cineasta, por outro reduz o valor da sua originalidade, e coloca-lhe um peso acrescio de ter de manter a comparação. Nas crítcias que leio a "There will be blood", Anderson volta a ser comparado a outro grande realizador da História do cinema, John Ford, e aí eu pensei: o que faz este homem para que seja equiparado a 3 artistas tão diferentes no seu estilo e nas suas temáticas? Está claro que isso é a prova definitiva da polivalência de Anderson como homem do cinema. "Boogie nights", "Magnolia" e "Punch-drunk love" têm como única ligação concreta passarem-se em S. Fernando Valley, a zona da cidade de Los Angeles onde normalmente se desenrolam os seus filmes.
"There will be blood" pode até passar-se em S. Fernando Valley, mas uns 100 anos antes de todos os filmes de Anderson terem lugar. Quando o filme começa, estamos na California de 1892 e acompanhamos um prospector chamado Daniel Plainview (Daniel Day-Lewis) em plena actividade de exploração. Os primeiros 20 minutos são absolutamente mudos e de uma economia de caracterização de personagem absolutamente notável: quando Plainview cai num poço de extracção, parte uma perna e encontra um pedaço de prata, julgamos que a sua maior pressa é ir ao médico. Claro que sim, mas só depois de se arrastar atéà cidade mais próxima e se dirgir ao Gabinete de Prospecção para registar a sua descoberta. Plainview é um maníaco do sucesso e da riqueza; é profundamente obcecado com os seus objectivos; e não parece haver grande espaço para sentimentos no seu interior. Está lançado o mote para um longo de estudo de personagem que dura duas horas e meia. Seguimos a carreira de Daniel e do filho adoptado H.W, que seguem comprando terras onde se situam lençóis de petróleo, por toda a Califórnia. É nesse percurso que encontram aquele que é o outro grande personagem da história, Eli Sunday, auot-imposto pastor evangélico, que funda um pequeno culto numa aldeia onde se encontra um larog lençol de petróleo que Plianview quer explorar. O confronto entre estes dois personagens é o que faz avançar a segunda metade do filme e coloca, simbolicamente, duas forças em confronto: o capitalismo, representado pela sede de riqueza de Plainview, e a religião, simbolizada por Eli Sunday. No entanto, ambos são colocadas desvirtuadas: Plainview vai a extremos na sua ânsia, seja a extorquir aldeões das suas terras, seja na sua maneira de ser anti-social, onde chega a dizer que a razão pela qual quer se rico é para nunca mais ter de falar com ninguém. De facto, este é um homem cujos únicos lampejos de humanidade são vistos através da sua relação com o filho, mas isto apenas ao início. Á medida que o filme se desenrola, sentimos que perdemos Plainview por completo, para um buraco mais escuro que o petróleo que procura. Eli é a religião manipulativa, um falso profeta com manias de grandeza, mas que se auto-ilude. Usa as pessoas para conseguir ser alguém na vida e vê em Daniel uma fonte de dinhieor que poderá elevar a sua Igreja da pequenez de um lugar perdido no meio do deserto. O confonto de vontades entre estes dois homens, na luta pela influência nas pessoas de Little Boston e posterior uso mútuo daquilo que ambos têm de melhor, ressoa obviamente dois dos grandes pilares do espírito americano, o direito de cada um a enriquecer e a imensa força da religião na vida das pessoas. Anderson consegue, assim, um raro exemplar de épico intimista, grande nas ideias e temas, pintado a pinceladas largas, mas nunca se afastando do seu centro de gravidade, que é, Daniel Plainview.
Acho que falar do trabalho de Day-Lewis neste filme é uma imensa redundância. Vão ler aqui o que já leram noutros lados: o homem é o maior, ponto final. Trabalha muito pouco, mas quando aparece, pega em personagens que nunca ningguém se lembrou de criari, transfigura-se e dá performances tão boas que nos fazem querer levantar a meio e bater palmas pelo que estamos a ver. Paul Dano é que merece palvras elogiosas e tem recebido poucas, pois é difícil desviar a atenção do Day-Lewis show. Dano consegue ser carismático como pastor e patético como personagem, um paradoxo que nunca deixa de ser credível. Para além disso, nunca perde o pé quando tem de se confrontar com "the man" himself. No entanto, a interpretação de Lewis quase faz esquecer aquilo que torna este filme verdadeiramente poderoso: Paul Thomas Anderson. Naquele que é o seu melhor filme (e com a carreira deste homem, é muito dizer isto), Anderson, que é habitualmente palavroso e utiliza uma fartura de gimmicks visuais, consegue ser seco, profundamente visual de uma economia de planos absolutamente impresssionante. Vê-lo utilizar apenas um plano para uma cena quando realizadores de menos categoria utilizariam 5 ou 6 deixa um cinéfilo abismado. Não vou dizer crimes de lesa-majestade, como que Anderson é melhor que Fincher (como realizador, não é), mas este filme prova, a quem tinha ignorado "Magnolia" e o muito subestimado "Punch-drunk love" que Anderson está a caminho de se tornar num dos grandes da história do cinema recente. Só alguémde categoria terminaria um largo épico numa cena que desenrola entre dois personagens numa sala, com quase um quarto de hora de diálogo. A sério.

Um filme que, pelo menos assim a frio, não é um dos melhores filmes da História do Cinema. Para lá caminhará. Não pertenço à categoria de fãs hiperbólicos de Anderson. Mas "There will be blood" é desde já uma das grandes obras cinematográficas do século XXI, sem dúvida, um filme com uma pulsão barrativa fora do comum e um daqueles personagens fascinantes capazes de criar culto no Youtube e de permanecer connosco muito depois de o filme terminar. E sim, também vocês vão sair da sala com vontade de gritar "I drink your milkshake! I drink it up!!!".

domingo, fevereiro 17, 2008

Queixem-se!


"Tropa de elite" ganhou o Urso de Ouro, que premeia o melhor filme em competição do prestigiado Festival de Berlim. Quando estão a concurso "There will be blood" (que já vi, deixarei a crítica amanhã) e o novo documentário de Errol Morris (que, calculo, continue a senda de brilhantismo do melhor documentarista da actualidade). E nem que não estivessem: o filme brasileiro é agitado, quanto muito, com um vazio de mensagem correspondente à quantidade de propaganda que faz às vedetas do filme, o BOPE. Nem sequer se pode gabar de ter uma excepcional de realizaçÕ. Fernando Meirelles escreveu a Bíblia em 2002 com "Cidade de Deus" e os apócrifos não têm tido grande qualidade.
Agora queixem-se que os Óscares são injustos e bendigam os sempre infalíveis prémios europeus. Força!

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Sobre o amor


É melhor ser o amante ou amado? Nenhuma das duas, se o colesterol passar dos seiscentos. Quando me refiro ao amor refiro-me, evidentemente, ao amor romântico – ao amor entre homem e mulher, e não entre mãe e filho, ou entre um rapazinho e o seu cão, ou entre dois criados de mesa.
O que é maravilhoso é que quando se está apaixonado se sente um impulso para cantar. Deve-se resistir a isso com todas as forças, e deve-se também ter o cuidado de evitar que o macho ardente “recite” as letras das canções. Ser-se amado é, evidentemente, diferente de se ser admirado, pois pode-se ser admirado à distância, mas para amar verdadeiramente é preciso estar no mesmo quarto que a outra pessoa, agachado atrás das cortinas.
Para se ser um amante verdadeiramente bom tem de ser simultaneamente terno e forte. Forte até que ponto? Suponho que chega ser-se a ser-se capaz de levantar cerca de vinte quilos. É preciso não esquecer que também para o amante a amada é sempre a coisa mais bela que se pode imaginar, mesmo que um estranho não a possa distinguir de uma qualquer variedade de salmonídeos. A beleza está nos olhos do espectador. Se o espectador tiver falta de vista, pode perguntar à pessoa que estiver mais perto quais as raparigas mais giras. (Na verdade, as mais giras são na maior parte das vezes as mais chatas, e é por isso que algumas pessoas acham que Deus não existe.)

in "Prosa completa", Woody Allen