quarta-feira, outubro 13, 2010

Porque no exílio, Napoleão montou umas duquesas...

..aqui vão algumas das pequenas coisas boas da estadia na Madeira:

1 - Em 80% da viagem no primeiro autocarro que apanho diariamente, tenho vista directa para o mau, com direito a odor salino nos cinco finais. Há poucas maneiras melhores de se cmoeçar o dia.

2 - Descobrir que afinal, fazer compras do quotidiano pode ser extremamente relaxante.

3 - ter sol na maior parte dos dias.

4 - Poder ver "The daily show" sem que ninguém me chateie.

5 - Ver os jogos do Benfica rodeado de desconhecidos, num café

6 - Sentir algum orgulho quando se apanha um daqueles alunos com potencial para fazer coisas no limiar do espectacular

E por enquanto, é isto!

quinta-feira, outubro 07, 2010

Ferro a arder pelos olhos dentro


Uma novela da TVI foi nomeada para um Emmy internacional. Não vou repetir. Não quero. Teria de encher a boca de ácido. E não, isto não é piada.

segunda-feira, outubro 04, 2010

Madeira 1

No início da minha terceira semana no desterro basáltico, sinto-me pior do que Napoleão em Santa Helena, até porque ele, por esta altura, já tinha aviado três mulheres de embaixadores, pelo menos. A minha cabeça já se resignou o suficiente para perceber que estarei aqui até fevereiro, só irei para o continente pleno de mau tempo (e por aqui, um sol daqueles) em Dezembro e o melhor é visitar coisas, aproveitar o que aqui há e ir entretendo a vida durante seis meses.
Os fins de semana acabam por ser o ponto mais baixo dos meus dias aqui, neste início: vou aprendendo a ser dona de casa, mas sem vagina. Passo roupa, faço comida para a semana, limpo chão e móveis, e ainda tenho tempo para ir às compras a dois hipermercados diferentes. A minha mãe deve-se estar a rir agora em casa, e eu serei gozado pela blogosfera em pso quando todos se aperceberem que escrevi que ir às compras para casa é um momento que anseio todos os fins de semana. E porquê? Porque saio de casa para fazer alguma coisa. É o quao animadora é a minha vida na Madeira.
No entanto, há compensações diárias, pequenas coisinhas que me alimentam o espírito. por exemplo, o primeiro autocarro que apanho passa mesmo à beira do mar e todos dias, vejo aquilo que me acalma, mas ao mesmo tempo me separar do que deixei em Portugal... Continental (erro e correcção quase pavloviana, antes que me espetem um soco. Este percurso que faço é bem o retrato de como tem sido a minha vida aqui: um tédio de betão, pontuado por entrevistas de coisas boas; e não, não estou a falar do facto de a Madeira ter mais MILF por metro quadrado do que qualquer outro local em Portugal!

segunda-feira, setembro 27, 2010

Mensagem oficial

Caros fãs e pessoas cujo maior erro foi confiar no Google search

Bem sei que faz algum tempo que não palro aqui. Um dos leitores deste blog é testemunha de que havia um muito bem urdido plano para relançar em força a torrente escrita no estaminé, mas eventos imprevisíveis lançaram isso para segundo plano. Ao que parece, estou num rochedo em pleno oceano Atlântico, a que dão o nome de Madeira. Não, ainda não travei conhecimento com o balofo dirigente aqui do granito e não, não me vou casar com nenhuma madeirense. Cheguei cá inteiro, estou em casa própria faz amanhã uma semana e ando numa fase de adaptação, hum, custosa. A coisa meio que vai (tem de ir) e até Fevereiro, é seguir em frente, trabalhar (não desmaiem de emoção, tenho um emprego) e tentar aprender alguma coisa pelo caminho.
Posteriormente, trarei impressões, que não digitais, e fascinantes relatos (ou apenas daqueles de encher chouriços) aqui para este canto. Quis apenas relembrar que não me esqueci deste meu filho, e ele não será uma Maddie, perdida nas praias de calhau negro deste bocado a que Gonçalves Zarco chamou um dia "Estás-me a enganar! Saltai da gávea para levar açoites.... Vamos bater!!!". Chamaram-lhe Madeira, apenas porque mais curto.

A gerência

sexta-feira, agosto 20, 2010

Intelecto 2


Acabei de ler aquela que considero ser uma obra científica de enorme qualidade, importante nos tempos que decorrem, e que será, evidentemente, ignorada. Falo da trilogia "Dimensions/Confrontations/Revelations", porventura o testamento do astrónomo francês Jacques Vallee no que diz respeito à investigação da temática OVNI. Tentando resumir muitíssimo brevemente, "Dimensions" aborda a presença quase eterna do fenómeno na história humana e traça paralelos entre folclore universal e relatos actuais (incluindo milagres religiosos), para além de retratar vagas de observações de dirigíveis e outras veículos aéreos em épocas onde seria impossível tal acontecer; "Confrontations" é o relato das investigações no terreno feitas pelo Dr. Vallee, nomeadamente casos que se destacam pela sua impossibilidade e alguns acontecimentos na bacia do Amazonas no final da década de 80; "Revelations" aborda o lado negro do fenómeno, ou seja, a manipulação humana do mesmo, que ser seja através de cultos, quer da estratégia de descredibilização feitas por algumas entidades públicas e privadas.
A razão pela qual esta trilogia é essencial prende-se com um aspecto muito simples: intelecto. Vallee, que se classifica dentro da ovnilogia como um "herético entre heréticos" age como um cientista real e procede a uma recolha de provas no terreno, em vez de mandar bitaites do seu cadeirão ou laboratório. Quem, perante a barragem de provas que ele apresenta, ainda se atrever a dizer que todo este fenómeno é mania ou má interpretação por parte de sujeito, deve ser automaticamente designado de absolutamente idiota. Não é uma boa sensação, sei-o por experiência, mas é realmente a única maneira possível de classificar tal estupidez. O cientista gaulês não teme ninguém, crentes e não crentes. Limita-se apenas a pegar nos dados existentes e a analisá-los directamente, como se estivesse a tratar do assunto mais credível do mundo. É essa falta de medo, e consequente presença de espírito e seriedade, que falta em muitos campos da ciência actual. Vallee procede a trabalho de campo, fala com testemunhas e demonstra uma saudável curiosidade, e necessária dose de cepticismo, essencial quando se navega num terreno tão pantanoso como é a ovnilogia. Em suma, não fica num cadeirão a fazer dos outros parvos, e dizer que o planeta Vénus é a explicação a dar quando alguém diz que viu um objecto sólido e metálico a umas dezenas de metros dos olhos.

Aconselha-se a leitura para interessados e não interessados. Os interessados poderão prosseguir na certeza de que estamos realmente perante uns dos fenómenos científicos mais fascinantes dos tempos recentes; os nãop interessados poderão confrontar sem complexos os próprios preconceitos relativamente a este campo. Quando a ciência se retira voluntariamente de uma área de conhecimento, dá espaço a que lunáticos a tomem como sua e lancem as sua sloucas teorias, colocando em risco a segurança da sociedade. Só por isso, Jacques Valle mereceria ser mais conhecido do que é. Como no caso de Tony Judt, é pena que intelecto verdadeiro tenha um câmbio tão baixo nos dias que correm.

Intelecto 1


Tony Judt , um dos meus intelectuais e historiadores preferidos, faleceu há umas semanas, no dia 6 de Agosto. Em primeiro lugar, deixem-me saudar, por um lado, o destaque que a sua morte teve na imprensa escrita, e lamentar a falta dele na restante. A morte de um dos pensadores mais importantes do nosso tempo, ainda por cima um que dedicou o seu esforço mental a fazer-nos compreender questões tão importantes para nós como o futuro da União Europeia, merecia mais.
De certo modo, este defeito é apenas o reflexo de um dos alertas que Judt nos deixou: o intelectual, e falo do verdadeiro indagador de respostas, é não só uma espécie quase extinta, mas também uma voz no deserto. Pseudo-intelectuais, que confundem inacessibilidade e palermices com verdadeiro esforço de pensar e gosto, pululam por aí, distorcendo o significado desta função. Judt soube ser sempre um, com toda a classe: polemista como poucos, sem medo de afirmar à boca grande o que se comentava à bica pequena, a sua crítica à política de Israel tornou-o num judeu muitas vezes apelidado de anti-semita, como se tivesse um ódio à sua própria origem. Ele, melhor do que ninguém, sabia do que falava: um sionista convicto, a sua vida num kibbutz durante a Guerra dos Seis Dias abriu-lhe a pestana para a realidade. Ao contrário de muitos intelectuais actuais, ele viveu o que pensava. Parecendo que não, isso faz a diferença.
Na memória futura, no entanto, ficará Tony Judt, o historiador. A sua cabeça, o último bastião atingido pela esclerose lateral amiotrófica que veio a vitimá-lo, continha uma das mentes mais ágeis do nosso tempo, e uma enciclopédia permanente. Isso, e uma rara habilidade para escrever História, explica a excelência da monumental obra "Pós-guerra - História da Europa desde 1945", que será durante muitos anos o livro definitivo acerca do tema. Mesmo que o seu tema predilecto fosse a intelectualidade francesa do século passado, Judt revelou-se um historiador político, como poucos. O seu outro livro traduzido para português, "O século XX esquecido" contém vários ensaios sobre tudo, desde Hannah Arendt, passando pelo caso de Alger Hiss e acabando no declínio da esquerda norte-americana no pós 11 de Setembro.
Longe de ser um espectador, Judt fez viver a sua crença de que o intelectual é interventivo e lutador, e usa o seu ponto de vista como algo de atingível e real, por muito utópico que possa parecer. A sua defesa do Estado-Providência, o modelo de governo que preferia, devia ser a leitura de cabeceira de Pedro Passos Coelho. Sim, caro Tony: Portugal não tem George W. Bush, mas se fosses dos nossos, tinhas aqui muito pateta sobre o qual discutir. Se intelectualmente, é outra questão. Mas de qualquer forma, até Estaline fica melhor na fotografia quando o descreves.

segunda-feira, agosto 09, 2010

"Inception"


Usar o trocadilho "filme de sonho" é fácil com "Inception", a obra mais recente de Christopher Nolan, mas nem essa categoria é alcançada, nem este blog vos habituou a trocadilhos fáceis. Ou será que habituou, e esta análise é apenas um sonho? Hum...
Não querendo desvendar grande coisa acerca de "Inception", pois grande parte do prazer que se retira ao vê-la vem do assistir às curvas e contracurvas do enredo, tudo gira em redor de uma das histórias mais antigas de todas, um assalto, mas com um twist: os criminosos entram no inconsciente das pessoas e roubam-lhe ideias. Ao líder, Cobb, é proposto que reúna um grupo para concretizar algo nunca tentado: implementar uma ideia no cérebro de alguém, sem que esta note. A partir daí, temos o encontro entre o heist movie e o thriller de ficção científica. Mesmo assim, sem nunca forçar a mão, Nolan ainda lhe lança algum romance retorcido. Normalmente, esta palavra e o realizador inglês andam de mãos dadas.
O resultado é um filme que sabe a muito e sabe ligeiramente a pouco. "Inception" será, visualmente, o mais espantoso filme do ano. A quantidade de sequência absolutamente arrancadoras de olhos deste filme é a maior por metro quadrado deste ano. É filme soberbo de técnica e de estilo. Nolan finalmente encontra o local ideal para gravar uma cena de luta decente (a gravidade zero) e aproveitando o génio do técnico de efeitos especiais Chris Courbold e a elegante fotografia de Wally Pfister, vai espalhando magia. Uma cena em particular, num elevador, provoca um assombro quase infantil ao espectador. Nolan mostra ser também um exímio gestor de história. Propõe-se a fazer de malabarista de 4 níveis diferentes de consciência e quando parece que vai deixar cair a bola, mostra capacidade para aguentar tudo até ao fim, com o edifício bem estruturado e uma história que, vamos deixar-nos de tretas, se percebe perfeitamente num primeiro visionamento. Só quem desistiu de pensar as mimagens que vê ou está desabituado a ser intelectualmente estimulado num filme é que pode sugerir que o argumento tem algo de trasncendente. Vejam "Mulholland drive" e depois venham-me falar de filmes complicados de perceber.
Escrevendo a história com o irmão Jonah, a mesma dupla de escribas do último "Batman", o que Nolan faz é utilizar o inconsciente para estudar o sentimento de culpa de Cobb, excelsamente interpretado por Leonardo di Caprio, relativamente (spoiler alert!!!!!!!!!!!!!!) à morte da mulher Mal. Utilizá-la como uma espécie de espectro que tem no filme a mesma função que o tubarão ,tinha em "Jaws", ou seja, lançar a confusão, é um achado narrativo de todo o tamanho, e uma piscadela segura ao film noir (fim de spoiler). Di Caprio é o nosso homem na história. É o lado humano da mesma: sem ele, aquilo são brincadeiras sem alma. E o filme não é uma entidade fria e racional. É, com di Caprio, um objecto de melancolia, disfarçado de filme de grande acção. Todo o "Inception" é grande espectáculo, mas o que realmente o faz mover é a dificuldade que um homem tem em largar a culpa, e também o seu desejo em voltar a ganhar o que um dia teve.
O ponto fraco do filme começa a partir daqui. Os personagens que rodeiam di Caprio são imagens. Há ali interessantes pontos de partida, e excelentes actores (Joseph Gordon-Levitt, Cillian Murphy, Ken Watanabe, Ellen Page), mas em última instância, os potnos de partida ficam-se por aí. Pode-se argumentar que estamos em território pleno de "Cobb show", mas fiquei com a sensação de que o filme podia ser mais rico se algumas ligações entre personagens fossem aprofundadas, ou mesmo expliacas. Art5hur, o personagem de Levitt , é anunciado como o melhor amigo de Cobb, e no entanto nunca temos essa sensação ao longo do filme. São falhas que podem ser perdoadas porque há muitas história a contar, mas pode-se questionar se a quantidade de história não podia ser reduzida em favor disto. Ou se, algures na sala de montagem de Nolan, não estará a peça que falta no puzzle.

"Inception" recomenda-se para quem gosta de cinema estimulante, e histórias originais num tempo onde a maior parte do cinema comercial começa a ser sequela mal amanhada ou reciclagem de reciclagem. Há que louvar o esforço de Nolan em criar um conceito novo, arriscar e tudo e ser bem sucedido. O terceiro Batman já começa a parecer tardio.

quinta-feira, agosto 05, 2010

Mais uma pergunta pertinente

As pessoas ainda sabem o que significa a palavra subtil? (principalmente quando a aplicam a descrever algo relacionado com arte)

Obrigado!

Uma aventura na escola


Tive uma educação razoavelmente tradicional. Sou, nas minhas raízes, um menino da aldeia, mesmo que as minhas neuroses sejam dignas de quem vive na urbe. Os meus pais ensinaram-me coisas simples e valores ainda mais simplificados. Não me tornei agnóstico por causa dele, e todo o tipo de filosofias de vida que tomei a partir da idade em que pensamos que sabemos tomar decisões sozinhos (seja ela qual for) só muito indirectamente deles deriva.
Uma coisa que me ensinaram desde cedo foi: não tenhas negativas. Mas tive-as. Foi aí que percebi que só existem, duas razões para as pessoas se aplicarem na escola: gosto ou medo. O gosto vem do prazer que se retira em aprender e conhecer mais coisas; o medo vem de castigos, bordoadas ou de ficar retido um ano. Ainda sou do tempo em que chumbar era um papão, e os alunos realmente se esforçavam perante essa perspectiva. A natureza humana e os seus sucessos devem muito mais ao medo que à curiosidade, por muito triste que seja; e na escola, uma montra do que que cada um vai ser quando um dia tiver idade de juízo, não é excepção.
A ministra Isabel Alçada acha que isto é uma tolice, e que reter um aluno que não cumpre os objectivos está errado. Propõe acabar com este hábito, que é comum à maior parte dos sistemas e ensino europeus, e instaurar aulas de reforço, estudo acompanhado e quiçá, uma fé ingénua de que os alunos vão desejar aprender por vontade própria. Isabel Alçada escreveu claramente livros juvenis, pois só um optimismo tonto pode fazê-la acreditar neste plano. Existem várias razões assim óbvias, e sem ter de se perceber muito de educação (grupo onde me incluo sem vergonha), para esta minha opinião: a falta de matéria humana docente (já esticada com avaliações, outras aulas de apoio, exposições, substituições e reuniões); a gradual falta de interesse que os alunos têm pela escola; a falta de qualidade do nosso ensino ((lá porque é uma coisa é dada em maior quantidade, não deixa de ser má); o culto da falta de meritocracia, cultivado desde que somos pequenos, e que atinge o auge com esta medida.
Se a ministra faz má figura com esta ideia, que dizer da Confederação de Associações de Pais, poposamente chamando a esta ideia a maior revolução educativa desde o 25 de Abril. Pais a querer ver os seus filhos semi-analfabetos a serem bem sucedidos? É sempre boa pedagogia.

Na sua colecção "Uma aventura", Isabelinha criou o forte Chico; o astuto João; as perspicazes gémeas; o inteligente Pedro; o fiel Faial; e o Caracol, que servia de arma de arremesso. Isabel Alçada podia ser o caniche, mas nem para arma de arremesso me parece ter talento.

terça-feira, agosto 03, 2010

sexta-feira, julho 09, 2010

Only one man dared to challenge their power: Hercules!


Nas últimas noites, Kevin Sorbo tem salvo a minha vida. Por muito manhoso que isto soe, é verdade. Sorbo e a série "Hercules - the legendary journeys", por ele protagonizada, têm evitado que em muitas destas noites passadas vá para a cama com ataques de choro. Não consigo explicar como, mas a minha mente fica aliviada de pois de uma dose hercúlea.
Lembro-me quando a via em adolescente e que já na altura aquilo me entretinhaa. Hoje consigo explicar o porquê: cenas de pancadaria que parecem ser um upgrade das dos filmes de Bud Spencer; o pano de fundo de Grécia Antiga, com os sue smitos e lendas; mulheres de considerável substrato em praticamente todos os episódios; Kevin Sorbo, sempre ele, como Hércules. Físico correspondente ao personagem, uma maneira de lidar com one-liners reminiscnete do actual governador da Califórnia e talento de representação suficiente para se elevar acima de canastrão. O actor perfeito para interpretar Hércules.
A série tem também um par de secundários engraçados e com talento, e há episódios que são mais dementes do que esperaríamos, mostrando que quem escreve aquilo tem a perfeita noção do que é a série e se mostra capaz de brincar com isso. Terminar os meus dias com isto tem sido bastante saudável e noto quando não o faço. É como a droga, mas esta é ingerida por via ocular.

Acho que vou tentar encarar isto de sair do buraco como os doze trabalhos do indivíduo interpretado pelo senhor Sorbo. O primeior é recuperar o talento que ainda tinha a escrever, porque como se vê este post, ele anda algures entre a Patagonia e Shangri-la.

quarta-feira, junho 30, 2010

História cíclica


Ronaldo jogou mal (e mostrou ser alguém intratável), a Espanha é claramente superior a nós, Simão quase não existiu e Ricardo Costa é um tumor. Posto estas razões para termos perdido o jogo de ontem, vamos à deliciosa história que compõe este post.
Um dos meus regozijos relativamente ao curso que tirei é o facto de, por mais futuro que tenhamos, o passado nunca foge e está condenado a repetir-se. Já ouvi piadas sobre a falta de importância das coisas mortas, mas na verdade, elas estão apenas adormecidas. Só esperam a altura certa para reaparecerem. Quando Carlos X da Suécia, com a Rússia à sua mercê, decidiu invadi-la no Inverno, num erro estratégico grosseiro, não esperava que Napoleão e Hitler fizessem o mesmo, nos séculos seguintes, com resultados igualmente catastróficos para os respectivos planos de conquista. Em ambos os casos, ficámos a ganhar. A isto chama-se "ironia histórica", e é um fenómeno que acontece com frequência, passando muitas vezes despercebido à generalidade do público. Ontem, na Cidade do Cabo, voltou a surgir em todo o seu auge, envolvendo um estratego que se julga Péricles, um condutor de homens brilhante e carismático como poucos: Carlos Queiroz.
Quando, ao minuto 58, com o jogo empatado a zero, o Professor retirou de campo Hugo Almeida para colocar Danny, dando assim espaço total a Piqué para subir no terreno e baralhar o nosso meio-campo, Queiroz espalhou-se ao comprido. Falamos de Queiroz, não admira. Mas imediatamente recordei um outro momento de puro queirosismo, em que uma pequena alteração de jogadores criou uma outra auto-estrada e virou um jogo do avesso, transformando-o numa hecatombe napoleónica. Penetro na bruma da memória e recupero a noite de 14 de Maio de 1994. No antigo Estádio de Alvalade, o clube da camisolas de lonas de praia e o Sport Lisboa e Benbfica confrontavam-se. Em jogo, estava o título. Moralizados, os viscondes tinham um estrádio cheio a puxar por si e defrontavam um Benfica que embora estando em segundo lugar, era claramente um outsider. O clube verdasco era claramente favorito. No entanto, uma primeira parte, com metade daquela que viria a ser a melhor exibição individual que já vi a um jogador, João Pinto carrega o Benfica às costas até uma vitória de 3-2. Queiroz era na altura o treinador do Sporting e já tinha feelings. Por isso, pressentiu que o segundo tempo seria de reviravolta e desencantou uma das ideias mais brilhantes da história.
Carlinhos tira um lateral esquerdo, Paulo Torres, para colocar Pacheco um extremo. Tal como no jogo de ontem contra a Espanha, o efeito prático foi colocar uma via aberta em campo, que o bíblico Isaías do Benfica aproveitou para marcar dois golinhos à lagartagem. Num dos seus passes de magia e saber táctico, Queiroz conseguiu que o melhor plantel do campeonato, jogando em casa e claramente favorito, sofresse a sua pior derrota contra o Benfica nas últimas décadas. Se isto não é de génio, não sei o que será. Queiroz pode pretender saber muito de navegação e dos Descobrimentos Portugueses, mas decerto queimou os restantes compêndios de história. Homens mesquinhos e arrogantes estão condenados não só a repetir os erros dos seus próprios pares, mas também os seus próprios erros. Da próxima vez, Carlos, mantém o bigode, que esse ao menos até te granjeava simpatia.

quinta-feira, junho 24, 2010

Melhores momentos

E a grande vitória da Coreia do Norte sobre o Brasil?

Pelo menos de acordo com o copacto da televisão estatal norte-coreana)

domingo, junho 20, 2010

quarta-feira, junho 16, 2010

Lição número...


Já é lugar comum dizer que Portugal é um país de analfabetos. Se isto deixou de ser verdade com o passar dos anos, ainda se mantém inegável o facto de um viveiro onde analfab rutos pululam. A nossa língua já não é a nossa Pátria; aliás, é apátrida, pois com acordos e acordozinhos ortográficos, depojámo-la das suas raízes e daquilo que a fazia verdadeiramente nossa, um pedaço de transformações históricas, uma marca inegável da passagem do nosso tempo cultural. No entanto, não é disto que venho falar. Serve este facto de sintoma de um mal muito maior de que padece Portugal. É um mal que se reflecte na polémica nova lei que permite a alunos do 8º ano de escolaridade saltarem o 9º através de um simples exame.
Antes de mais, não percebo de onde vem a polémica. Para haver polémica, era preciso surpreender, o que não acontece., É uma lei filha de dois pais: a noção de que passar de ano deve equivaler a uma idade limite, e também à utópica "ninguém pode ficar para trás, não há alunos burros". Este princípios moldam a noção de escola à portuguesa. O esforço dos que têm melhores notas é recompensado pelos resultados, mas o esforço dos alunos medianos é ignorado. São alunos que, apesar das suas limitações, acreditam que o trabalho os poderá compensar para serem bem sucedidos. O que esta lei faz, basicamente, é dizer: aguentem uns anos, relaxem, que fazem um testezinho e vão para o Secundário - não trabalhem. Promove-se o laxismo e castiga-se a competência de várias maneiras neste nosso cantinho, mas penso que estamos a tentar começar o mais cedo possível a fazer isso.
Reparem que consigo entender a famosa noção de "escola inclusiva", onde todos os alunos devem ser apoiados para progredirem pedagogicamente, mas na minha cabeça, isso fez confusão, proque o ensino é não só um direito, mas também uma aprendizagem em si. Ensinam-se conteúdos, mas também valores. Define-se o que é justo e o que não é. Professores injustos fizeram mais pelo desinteresse dos alunos do que qualquer programa escolar dito "secante". Muito alunos não se dedicam à escola, simplesmente por achar que não vale a pena.
Ora, é aqui que regressamos ao início. A Educação é tratada neste país como a Cultura: algo que se tem de garantir, mas sem grande esforço e planeamento. Há uma fórmula geral, que se considera certa, e não se mexe muito. Nem vale a pena. Esta lei vem, como disse, nesta corrente de pensamento. A de que "deixa andar, vamos passar este mal para outro" e o processo de ensino, que devia ser construtivo, é um vê se te avias e disperso. Num país onde se queixa que os miúdos não querem aprender, começa ser demasiado gritante o desnorte na hora de ensinar. Isto, em si, é uma lição para quem ainda acredita que tudo corre bem actualmente. Ou melhor, atualmente, como alguns senhores querem que se escrevba agora.

quinta-feira, junho 10, 2010

"Justified"


Há uma cena no primeiro episódio de "Justified" em que disse para mim:"Sim, claro que vou ver esta série até ao final." Nela, Rayland Givens, o principal personagem da série, aguarda a oportunidade de interrogar uma mulher acerca de eventos sangrentos referidos anteriormente. Givens acaba de ser despachado de Miami para o seu Kentucky natal, após um tiroteio muito à margem da lei. Givens saiu do Kentucky aos 19 anos por uma razão e ter de voltar é um custo. Por isso, quando um labrego neo-nazi entra pela casa da testemunha adentro com claras intenções hostis, ele não perde a compostura e mantém um laconismo quase espirituoso( sample dialogue "You're an undertaker?"/Well, I might be undertakin' this situation here") e uma autoridade que culmina a cena com a cara do neo-nazi no volante do próprio carro. Tudo sem ter de puxar a arma, sem grandes cenas de acção. Só com presença: pura badassery. Eu estava conquistado.
E porquê? Porque "Justified" é uma série à moda antiga, daquelas em vias de extinção. Baseada numa short story de um dos gurus actuais da literatura criminal norte-americana (Elmore Leonard, o autor do livro em que Tarantino se baeou para escrever "Jackie Brown")tem um protagonista que se inclina perigosamente para o lado dos cowboys (de facto, nunca abdica do seu Stetson), é de uma economia de diálogos e narrativa admirável e descreve acutilantemente o south way of style do Bible Belt norte-americano, enveredando por temáticas morais e religiosas com dose de entretenimento e alimento para o cérebro. A série aborda a culpa, a redenção, a raiva e relações familiras (com especial enfoque em pais abusivos) sem carregar na pregação. É, espantosamente, uma série policial sem paneleirices científicas e uma análise de personagens mais através de hábitos que de grandes discursos. Resumindo, apesar do ar clássico, é bem refrescante.
A escrita e realização da série são excelentes, mas é sem esforço que, num competente elenco, Timothy Olyphant se destaca como o U.S marshall Rayland Givens. Lembrando um Clint Eastwood com mais charme e uma voz menos agreste e granítica, Olyphant regressa ao território que o revelou em "Deadwood", depois de um desvio infeliz como protagonista do filme "Hitman". Olyphant capta o principal do personagem com mestria: a pose, o sotaque southern, o olhar, o ritmo do diálogo. Olyphant tem de caminhar uma linha muito ténue entre a coolness e frieza de Givens e um âmago em ebulição de raiva, abanado por um interesse amoroso complicado, pela sua ex-mulher, pelo melhor amigo criminoso (excelente Walton Goggins) e pela sua relação muito pouco afectuosa com o seu pai. É muito difícil gerir estas duas dimensões com sucesso e numa e outra vez, Olyphant consegue fazê-lo.

"Justified" recomenda-se a quem quer descansar a cabeça de enigmas complicados e crimes com análises de ADN, comparações de trajectória de balas e também personagens mal amanhados. Recomenda-se vivamente a quem aprecia boas histórias, tensão a partir de coisas simples e diálogos do mais cool que há. Coisas como isto:

Raylan: I can only imagine how hard it has been for you to get where you are in the Marshal service
Rachel: Because I'm black or because I'm a woman?
Raylan: Because you're an idiot.

quarta-feira, junho 09, 2010

Ahm, 9 de Junho, não é?


"A beautiful girl can make you dizzy, like you've been drinking Jack and Coke all morning. She can make you feel high full of the single greatest commodity known to man - promise. Promise of a better day. Promise of a greater hope. Promise of a new tomorrow. This particular aura can be found in the gait of a beautiful girl. In her smile, in her soul, the way she makes every rotten little thing about life seem like it's going to be okay."

segunda-feira, maio 24, 2010



Esperei uma semana para escrever sobre isto, para não estar emocional.Mas não consigo. Nem sei por onde começar quando chega este momento de descrever o que foi "Lost" para mim nos últimos. Posso começar por letras; e assim sendo, foi um mistério; foi uma tábua de salvação; foi mais um motivo para chatear os outros; foi um gozo; foi um vício; um divertimento; e uma razão para o meu gosto pessoal ser questionado ocasionalmente.
Por tudo isto, tenho de concordar com um amigo meu que, perante o último episódio de "Lost", desprezou a sua fé e renegou a ilha. Nada mais em consonância com o espírito de uma série que não admitiu os meios-termos na sua labiríntica viagem por um mundo que nunca se chegou a compreender completamente. Avisados por este facto, recebam aminha opinião sobre o final da série: eu gostei bastante. Talvez porque é o final adequado a pessoas como eu, que seguem a série há anos, desde os seus inícios, e que se afeiçoaram a estes personagens como se fossem pessoas a sério. Para mim, "Lost foi sempre mais uma história de pessoas do que uma história de mistérios, embora entenda porque há uma franja imensa de gente para quem estes últimos são fundamentais em absoluto. São aquilo que tornou um seriado que parecia um derivado mal amanhado do reality show "Survivor" em algo que se tornou no maior fenómeno de pop culture televisiva deste início de século.
Para mim, tornou-se numa causa pessoal. Espalhei-a por vários amigos, divulguei a palavra. Fui como Locke: acreditei na ilha e embora tenha apanhado alguns percalços (sim, Rodrigo Santoro, falo de ti), nunca perdi a minha fé. No final, fui recompensado. "Lost" nunca me desiludiu, o que é mais do que posso dizer de boa parte das pessoas que conheço. Em determinada altura, como disse aqui no blog, foi a única coisa para a qual olhava num tempo futuro e que me fazia dizer "Não, viver não pode ser assim tão mau, enquanto houver um episódio de Lost para ver". Felizmente, hoje tenho mais uma ou outra coisa, mas sei que vou sentir a falta de "Lost"; ou talvez me vá faltar sentir esta série, da mesma maneira que preciso de doses de "The X-Files" ocasionalmente.
Uma amiga minha disse-me que achava estranho como conseguia sentir mais emoção com séries de ficção do que com a vida real. Se calhar, é outro mistério da ilha que vai ficar sem resolução.Que se lixe! A maior lição que "Lost" me deu é que o mistério está, de facto, nas pessoas. Tudo o resto que há de misterioso é um cenário que torna a vida mais complexa e saborosa.
E continuo a sentir a falta...