terça-feira, fevereiro 23, 2010

Family values



Gostava de deixar aqui uma dúvida. Já aqui admiti várias vezes que sou algo burrinho, e no que toca ao funcionamento da sociedade, sou um armário de pinho envernizado. Vi imagens de manifestações do um movimento anti-casamento gay (que, segundo os seus organizadores, não anda ali para discriminar ninguém... quero reforçar isto) algures em Lisboa. Exigem um referendo à recente lei que permite o matrimónio entre duas pessoas do mesmo sexo, enquanto saltam e pulam ao som de "We are family". Queria deixar a estes senhores apenas um apontamento relativo à banda sonora: o tema escolhido pode falar de família, mas se tivessem escolhido o "YMCA", dos Village people, teria sido menos gay.
A minha dúvida prende-se com a argumentação usada para justificar este movimento, vá lá, cívico. Segundo eles, o casamento gay vai destruir a Família. Sim, sim, Bruno, é preciso ser muito estúpido para não perceber isto. OK, está bem, mas sigam as minhas inquietações até ao final.
Fui criado por um pai e por uma mãe. Pode-se argumentar que sou uma prova de que as famílias heterossexuais não são assim tão fiáveis quando criam filhos, mas isso toda uma outra discussão que não envolve os meus pais. Lembro-me que a minha mãe várias vezes me alertou contra vários perigos, desde drogas até nunca aceitar boleias de estranhos. Nunca por nunca me recordo de tê-la ouvido dizer "Bruno, tem cuidado quando saíres à rua, que os gays andam aí e querem dar cabo da gente!"
Não sei como é que os gays podem destruir famílias. Será que roupa demasiado vistosa mirra o esperma dos heterossexuais? Demasiada cultura de musicais impede primeiras comunhões? Desconheço. Mas gostava de compreender melhor esse flagelo da sociedade, se me ajudassem. Falo dos movimentos cívicos patetas, claro.
Obrigado.

sábado, fevereiro 20, 2010

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Carvalhal no Facebook


Um original encontrado aqui.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

It's time to really get lost


Em 2004, sacrifiquei a minha amla num altar de onde devia ter recuado mal vi as primeiras imagens. Isto porque me apercebi que era um altar que estava condenado a adorar, e adorar, e adorar. Li na revista Entertainment weekly que esta série, aparentemente muito boa, estava a fazer grande sucesso. Tinha actores bem parecidos e grandes avlores de produção, mas era acima de tudo um mistério. I'm a sucker for enigmas; e o nome parecia dizer tudo e não dizer nada: "Lost".
Hoje, "Lost" é, provavelmente o maior fenómeno televisivo da década. É a pop culture inovadora e forte, numa era de geeks e nerds. Servi alegremente de hospedeiro deste vírus e infectei mais gente com isto. Penei por vários anos, tive de aguentar desaforos infindáveis ("Heroes é melhor do que "Lost"!!"), mas qual John Locke em redor de uma escotilha aberta, a minha paciência foi recompensada e posso contar aos meus netos que quando era mais novo, presenciei um milagre televisivo quase sempre consistente, uma série que é não só um thriller muito bem construído e uma história com personagens complexos e interessantes, mas também um brutal enigma metafísico desenhado para quem gosta de se dedicar paralelamente aalgo de inútil. "Lost" é isto. Regressa hoje, nos Estados Unidos, e amanhã surgirá por aí por acidente. Excepto que não será acidente. Tudo acontece por uma razão.

domingo, janeiro 31, 2010

Nomeações para os Óscares


A Academia de Artes e Ciências cinematográficas revela, na próxima terça-feira, os nomeados deste ano para os Óscares. Como já vem sendo tradição, este blog aventura-se em terrenos adivinhatórios do cinema e lança os seus palpites relativamente aos possíveis nomes anunciados. Este ano, há uma importante alteração ao esquema geral das coisas: os Óscares alargam o seu leque de cinco nomeados para dez. Isto significa a entrada em competição de filmes que, possivelmente, nuca teriam hipótese de outra maneira, e torna a corrida deste ano muito mais imprevisível do que poderia ser.
Sem mais delongas, aqui ficam as minhas apostas.

Melhor filme de animação (pela primeira vez, vamos ter cinco nomeados, porque conseguiu-se cumprir um mínimo de 15 filmes a concurso)

"Up"
"Coraline"
"The fantastic Mr. Fox"
"The princess and the frog"
"9"

Melhor actor secundário

Christoph Waltz - "Inglourious basterds"- O principal favorito à vitória
Matt Damon - "Invictus" - Recompensa que tem uns dois anos de atraso
Stanley Tucci - "The lovely bones" -Um vilão absolutamente horrível, por um daqueles actores invisíveis que sabe sempre bem honrar com uma nomeação
Woody Harrelson - "The messenger"- Desde o início que tem sido consistenmente indicado em prémios percursores
Christopher Plummer - "The last station" - A nomeação mais frágil, mas parece-me que o misto de veterania e papel real lhe valerá a nomeação

Melhor actriz secundária

Mo´nique - "Precious" -A favorita à vitória final
Anna Kendrick - "Up in the air" - Consistente desde o início de temporada de prémios
Vera Farmiga" - "Up in the air"- Este é um filme de actores, uma dupla nomeação não surpreenderá
Melanie Laurent - "Inglourious Basterds" - Neste filme que é claramente apoiado por actores, como o indicam o prémio do SAG, alguém será nomeado. Aposto em Melanie Laurent, porque acredito que haverá uma surpresa na categoria. E essa surpresa poderá incluir Diane Kruger.
Penelope Cruz - "Nine" - No difícil quinto lugar, aposto que aparecerá alguém do elendo de "Nine". É um filme de actores, e Penelope Cruz será a que terá melhor hipótese. Ela ou Marion Cotillard. E nunca, nunca descartar Julianne Moore, em "A single man".
Melhor actriz

Meryl Streep- "Julie and Julia" - La Streep está garantida
Sandra Bullock - "The blind side" - A rival de La Streep este ano, também (medo!)
Carey Mulligan - "An education" - A jovem revelação britânica está também garantida
Gabby Sidibe - "Precious" - Confirmada
Emily Blunt - "The young Victoria" - O traiçoeiro quinto lugar. Na minha opinião, isto é entre Emily Blunt e Helen Mirren, em "The last station". Ambas são britânicas e interpretam personalidades reais. No meu caso, a aposta em Blunt é uma questão de feeling.

Melhor actor

Jeff Bridges - "Crazy heart" - Certinho, e o provável vencedor
George Clooney" - "Up in the air" - Confirmado, a estrela de "Up in the air" e um daqueles gajos de quem toda a gente gosta
Morgan Freeman - "Invictus" - O respeitadíssimo Freeman a interpretar Mandela num filme de Eastwood. É como seguir uma fórmula.
Jeremy Renner - "The hurt locker" - Ele carrega "The hurt locker", o grande favorito dos Óscares deste ano
Colin Firth - "A single man"- Desde que recebeu o prémio de Melhor actor em Veneza que Firth está na linha da frente, mas cuidado com a ultrapassagemd e Viggo Mortensen, em "The road"

Melhor realizador

Kathryn Bigelow - "The hurt locker" - A favorita à vitória neste momento e a primeira mulher com uma hipótese real de ganha ro Oscar de melhor realizador
James Cameron - "Avatar"- Garantido, com o filme mais rentável da história
Quentin Tarantino - "Inglourious basterds" - O auteur terrible também está garantido num filme adorado por actores
Jason Reitman" - "Up in the air" - Um filme clássico que cai bem entre realizadores conduzirá Reitman à sua segunda nomeação em três anos
Lee Daniels - "Precious" - A lógica indica que Daniels ocupe este lugar, mas um bichinho na minha cabeça alerta para Neill Blomkamp, realizador de "District 9", numa possível surpresa
Melhor filme

"The hurt locker"
"Avatar"
"Up in the air"
"Inglourious basterds"
"Precious"
"District 9"
"Up"
"Invictus"
"An education"
"A serious man"

Aqui é a categoria mais divertida de prever. Penso que os cinco primeiros filmes são caso encerrado. A partir daí, é um jogo de adivinhar. Pelos prémios percursores e feeling geral na indústria, "District 9" receberá uma nomeação, algo impensável há uns meses. A Pixar, que no ano passaod esteve à porta com "Wall-E", conseguirá finalmente sair do ghetto da animação com "Up". "Invictus" é um filme tão tradicionalmente oscarizante que me parece impossível ficar de fora. "An education" preenche a quota britânica, que ultimamente tem dominado os Óscares. O último lugar é uma grande incógnita."A serious man", dos Coen, parece-me ter a dianteira de momento, mas dois candidatos podem destroná-lo: "Star Trek" (sim, leram bem: "Star Trek") ou "A single man", a obra moody de Tom Ford. É preciso ter atenção.

sábado, janeiro 23, 2010

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Possuído

Se eu quisesse tirar esta música da mona, até era capaz. Mas muito honestamente, para o Bornéu com a racionalidade, e deixem-me estar aqui possuído à vontade. Preferencilamente pela Marion Cotillard, nada contra os homens que compõem os Franz Ferdinand.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Virgem Santísima, Jesus Senhor, o Diabo a sete!


Não é o meu estado civil, mas sou agnóstico. É a melhor forma de definir espiritualmente. Não tenho grande crença em Deus, ou deuses, mas não estou completamente convencido de que vivamos no mundo material. Dou o benefício da dúvida e reservo-me ao direito de não ser dogmático.

Não quero com isto dizer que não me abespinhem as religiões, ou que não as ache ilógicas ou parvas. Na sua grande maioria, são-no. Aquela em que fui criado, a Católica, é um imenso de novelo de falta de sentido, tudo muito bem embrulhado com uma Trindade Santíssima que não convém questionar. Na fase final da adolescência, era um ateu irritado e irritante. Achava que tinha de enfiar aquilo em que acreditava pelos olhos das pessoas adentro, como se estivessem adormecidas. Escusado será dizer que isso me causou dissabores (e ainda causa). Foi aí que decidi estar mais caladinho no que toca a estas coisas e dar um ar neutro, que não compromete. Com a minha decisão de me ter tornado dirigente escutista, esse ar neutro mostrou ser ainda mais necessário.

No entanto, há coisas que me irritam profundamente, para lá de tudo; e outras que mostram ser absolutamente necessário quebrar a minha neutralidade e partir a loiça. Nesta segunda categoria, está uma lei irlandesa que entrou em vigor no primeiro dia do ano, e que está a ser cohecida como "a lei da blasfémia". Reduzindo ao básico, afirma que a blasfémia é um crime punível legalmente. A definição deste crime é lapidar: blasfémia é considerado todo e qualquer acto que pela sua publicação ou proclamação possa ofender intencionalmente as crenças religiosas das pessoas. Se o arguido for condenado, pagará uma multa que pode ir até aos 25.000 euros.

A palavra medieval é várias vezes usada sem razão, mas aqui é totalmente aplicável: isto é o regresso à Idade Média das teocracias e de uma separação muito obscura entre o estado laico e a religião. Estávamos habituados a ver isto nos EUA e, de uma forma mais exagerada, em certos estados árabes (numa ironia, no mês de Dezembro, o ministro irlandês Michael Martin chamara à atenção, numa ruenião da UE, para a falta de tolerância religiosa no mundo árabe). Claramente, os irlandeses têm memórica curta, porque nunca devem ter tido problemas com luas religiosas...

Está na altura de acabarmos com o politicamente correcto e dizer: basta!! Há um direito a ser-se respeitado por crenças religiosas, mas eu quero ver contemplado o direito à descrença e à liberdade de proclamar isso se assim apetecer. Não me importa que se diga que há coisas absolutamente parvas na religião. Porque há! Nas mãos de homens, é hipócrita, é selectiva e discriminatória. A Bíblia diz que a sodomia é crime? Diz pois; mas no Levítico, comer crustáceos (como o camarão) dá direito ao Inferno. Se querem guiar a vossa vida pelo que diz um livro, ao menos sejam honestos e levem-no à letra. Querem-me dizer que Cristo é amor e aceita todos? Tudo bem, mas vamos falar então de quando Cristo manda dar uma volta àqueles que não o aceitam; querem afirmar que S. Paulo metece ter esse S. antes do Paulo? Supimpa, mas vamos falar do seu lado misógino e de filho da mãe invejoso. Se vamos levar tudo o que existe à letra na religião, discutam-se as coisas abertamente e chamem-se as coisas pelos nomes. Isto não é blasfémia: é ser honesto. Porque no mundo religioso, a verdade pode ser a pior ofensa de todas.

Sinto-me agradecido por Portugal, país bastante religioso, me permitir escrever isto num sítio público sem temer represálias; agradeço que haja pessoas de bom senso a não me expulsarem de um local por estas mesmas razões, quando têm toda a legitimidade insitucional para fazê-lo. Mas esta lei da basfémia, nascida em plena União Europeia de valores e liberdade para todos, pode ser a primeira peça de dominó que começará a cair. Já vi esse dia mais longe. E se não posso rezar para que não aconteça, posso ao menos barafustar. Enquanto for à borla.

P.S Fica o seguinte e interessante artigo - http://blasphemy.ie/2010/01z/01/atheist-ireland-publishes-25-blasphemous-quotes/

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Flying to 2/2/2010 - The Lost supper


Este poster promocional da última temporada de "Lost" chuta rabos; e merece especulação teórica. Por isso, may the games begin!

What goes around, comes around


Estive novamente em sabática. Vários motivos originaram isso e ainda vos devo dois tops da década que passou. Estão a ser elaborados, tenhai paciência. Retomarei com programação habitual, para gáudio de alguns.

Há uns tempos, neste belo pedaço de prosa (http://lostintheisland.blogspot.com/2007/11/modas.html), saltei de bastão em punho sobre cadernos Moleskine. Uma boa amiga minha provou-me que de facto, aquilo que dizemos se pode voltar contra nós quando menos esperamos. Deu-me uma prenda, que muito agradeço, em forma de um dilema de valências várias.
Primeiro, prendou-me com um objecto que critiquei aqui. Obviamente, vou usá-lo. No fundo, fez-me pensar bem no que aqui escrevo; e tendo passado este ano num exercício de auto-censura acerca de algumas coisas, temo ficar sem temas sobre os quais discorrer.
Em segundo, há que reconhecer que saber previamente que aquilo é uma espécie de Maserati dos cadernos me causa problemas. Usá-lo passou a ser uma coisa elevada, de necessidade específica apenas para assuntos decentes, tiradas interessantes, ideias geniais. Isto é algo que, vamos lá com honestidade, não abunda em mim. Terei o ocasional rasgo neste blog, mas no dia a dia, o meu cérebro ando meio que adormecido e torpe. De facto, 2010 vai ser um ano em que empreenderei uma busca pelo meu encéfalo.

Pensando bem, talvez este Moleskine seja o submarino ideal para tal coisa. Não é amarelo, é bem preto, mas foi-me dado com carinho, de certeza. Se há coisa que preciso respirar nma busca pelo meu cérebro, acho que é isso mesmo.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

A maçonaria com GPS


Desde o dia sete de Julho deste ano que me iniciei numa espécie de irmandade secreta, que em nada contribui para a minha ascensão social. Fui desviado por amigos, pois até participara nas suas iniciativas sem ser membro, e fiquei fascinado em como uma coisa tão simples e mesmo infantil podia enfeitiçar tanto homem feito adulto. Eles têm códigos próprios, nomes específicos de irmandade e até cumprimentos especiais, como DNF ou FTF. Têm objectos de adoração, chamados geocoins e travelbugs, que guardam como os Templários guardavam Jerusalém. Tratam os não iniciados de forma diferente, apelidando-os de muggles, mas raros são aqueles que usam de preconceito contra eles, preferindo tentar convertê-los à sua causa. Andam por aí com aparelhómetros da mão à procura de tupperwares, invólucros de rolos fotográficos e outras embalagens que designam como containers.
São gente estranha.
Eu, como gajo estranho, tinha de aderir, pois claro. Criei para mim um desses nomes próprios da irmandade e agora saio ocasionalmente em aventuras por sítios e lugares, ocasionalmente olhando a morte nos olhos (como descrevi há uns dias), conhecendo pessoas e acima de tudo, recuperando um certo sentido de mistério de deslumbramento que só se alcançam viajando e conhecendo sítios novos. Faz até lembrar escutismo, mas aquele que fazia quando era bem mais novo, em caças ao tesouro.
Esta coisa chama-se Geocaching. Rouba tráfego de satélite que até pode servir para salvar vidas só para encontrar umas vulgares caixinhas. Quanto mais penso, mais me lembra a Maçonaria. Mas duvido que alguma vez tipos de barrete, frontal e impermeável venham a influenciar os destinos de Portugal

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Não há cá boas festas para ninguém...

...mas se eu tivesse um grama de espírito natalício no meu corpo, seria algo tipo isto.

terça-feira, dezembro 22, 2009

domingo, dezembro 13, 2009

O Geocaixão


Tornei-me já há algum tempo aficcionado do geocaching, uma brincadeira/desporto/maluqueira/substituto de droga (riscar o que não interessa) que me levou a comprar um GPS que não me servirá para mais nada que não isto. Investimentos que dão frutos: esse era o meu nome do meio até o meu pai ter sugerido Simões.
O geocaching consiste em caixas que uns escondem e outros procuram através de coordenadas GPS. Alguns geocachers (o nome das criaturas que brincam a isto) colocar-me-ão em fogueirs por reduzir o jogo a esta simplificação, mas é exactamente o que a coisa é. Eu fazia disto nos escuteiros, chamava-se "Caça ao tesouro". Aqui, juntamente com uma maior elaboração dos esconderijos, não tenho é de andar fardado nem pretender que tenho crenças que não possuo.
Costumo praticar isto com uns amigos e vamos por aí cachar. Bela vida. Só que há uns dias, ia-se transformando, numa bela morte.
Estávamos nós a percorrer um trilho pelo meio do mato, quais sete anós (só que sendo cinco), num final de tarde que já parecia noite cerrada, quando a coisa se deu. Um passo dado em segurança que rapidamente se transformou numa queda livre barreira abaixo.
Não sei se me apercebi do que estava a acontecer, honestamente. Sei que apesar de estar a mergulhar para uma morte certa, não gritei, disseram-me mais tarde. Apenas me viram desaparecer, e pensaram que era brincadeira. Eu também devo ter pensado isso.
Uns quatro, cinco metros depois, aterrei em algo que me pareceu folhagem. Como disse, era de noite, estava escuro. Mas sei que havia mais espaço para preencher até ao chão. Passara lá de dia e tinha essa memória. Aquele colchão estava parado ali, em pleno ar, como uma mão estendida para apanhar as minhas costas. Uma pessoa mais impressionável teria sido obrigada a reconsiderar a sua falta de fé. Trepei barreira acima e encontrei os meus companheiros incrédulos, a perguntar-me se estava bem. Não tinha um arranhão e na minha cabeça, aquilo fora tão anormal como acordar de manhã.
Isso foi o mais estranho. O não sentir nada de anormal. Aliás, eu não senti o que quer que fosse durante o tempo de queda: não senti medo, raiva, tristeza. Nem sequer senti que podia morrer e isso ter grande consequência nop meu estado de consciência. Era como se me fosse indiferenre morrer ou viver. Talvez tenha sido choque, não sei. Mas essa é a coisa que guardo desta experiência: será que não tenho não vontade de viver? Sei que não quero morrer. Devo estar num limbo entre estas duas coisas.
Enquanto não descubro a solução disto, faço caixas. Pode ser que nalgumas delas esteja a solução do enigma.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

A década dos zeros - Televisão, 1


A década que finda agora em 2009 marca um renascimento da televisão como meio de entretenimento. Assistimos a uma idade de ouro da ficção televisiva, principalmente na ficção dramática. A quantidade de boas séries desta década parece uma improbabilidade estatística. O mais impressionante é que podemos encontrar qualidade não só em programas criados e desenhados para serem obras de arte em si, mas também naqueles que,procurando audiências, não descuram o seu valor como objectos artísticos.
Não sendo minha especialidade teorizar largamente sobre media e afins, é melhor passar ao que este post quer tratar: as séries em si. Nesta primeira parte, deixam-se quatro séries que, na minha opinião, definiram a década que passou. Não serão necessariamente as melhores, por isso calma lá com os cavalinhos. São apenas pistas que marcaram os 2000´s, lançando modas e tendências.

"24" - A série criada por Joel Cochran e Joel Surnow foi a primeira vítima do 11 de Setembro. Uma das histórias que se desenrolava no episódio piloto retratava a queda de um avião no deserto de Mojave,e à conta da brincadeira, a sua estreia foi adiada um mês. Foi um prenúncio para o que "24" simbolizou: o drama televisivo em maior sintonia com o espírito político do seu tempo. Aparte a sua estrutura dramática revolucionária (cada temporada são 24 horas de um mesmo dia, cada episódio uma hora em tempo real), teve em Jack Bauer o reflexo da administração Bush: um homem patriota até à medula, que acredita que na altura de parar o "mal", os meios justificam os fins e que quem comete um crime, atira os seus direitos pela janela. No entanto, foi a primeira a preconizar um presidente negro, um presidente mulher e na mudança dos tempos, a vilanizar um presidente totalmente bushiano em espírito. Sem ela, o cinema de acção seria diferente do que é hoje, e a adrenalina televisiva das séries de acção não existiria com a mesma pujança.

"CSI" - Da lavra de Anthony E. Zuiker e Carol Mendhelsson, "CSI" abriu uma caixa de Pandora, que parece inesgotável na sua fartura de criar ficções em redor da ciência forense aplicada a investigação criminal. O pai de todos os "procedurals" da década que agora finda é muito simples e tem uma fórmula intemporal: crime cometido, investigação realiza-se, criminoso apanhado. A sua diferença reside no foco que existe no trabalho que habitualmente era subentendido em séries policiais, ou seja, o de laboratório. "CSI" junta a fórmula antiga e a moderna de forma eficaz, utilizando um estilo de realização apelativo e a beleza sinistra de Las Vegas para se criar e criar um sucesso que gerou duas spinoff (em Miami e Nova Iorque, cada uma com um estilo independente, nomeadamente a versão capitaneada pelo inenarrável Horatio Caine), mas nenhuma superior à original, e Gil Grissom continua a ser a razão pela qual tantos espectadores se sentem atraídos pelo original. "CSI" apela ao nosso instinto básico de vermos os malvados sempre punidos e sem ela, não haveria toda um década de crimes por resolver por dezenas de polícias ficcionais.

"House" - Hoje já não é novidade, mas quando surgiu, "House" era uma série irreverente. Seis anos já deram para nos habituarmos ao rezingão da bengala, mas em 2004, haver um personagem arrogante e abrasivo a liderar uma série era diferente. Não é que fosse a primeira vez que tal acontecia: "Profit", uns anos antes, usara este esquema, mas fora um fracasso. Nas comédias, o esquema é habitual. "Seinfeld" utiliza 4 personagens principais cheiinhas de defeitos e picuinhices, mas a comédia lida melhor com estes personagens como fonte de riso. Agora, o drama televisivo, e ainda por cima hospitalar, a ser varrido por sarcasmo e ridicularização? Parecia blasfémia! Mas vingou, provando que o nosso gosto como espectadores mudou bastante. "House" tem também alguns dos one-liners mais inspirados pós-Woody Allen e em Gregory House/Hugh Laurie um das melhroes combinações personagem/actor da década, numa fusão estranha entre comédia e construção dramática que resulta estrondosamente. Sem "House", não haveria "Lie to me", "Mental" ou mesmo "Dexter".

"Lost" - Uma série que mistura uma ilha bizarra, viagens no tempo, ursos polares, ficção científica, foca 14 personagens e ainda por cima segue um esquema de serial, nunca por nunca poderia dar um produto de sucesso em televisão. Isto seria verdade, se não tivesse surgido "Lost" para subverter a lógica de que uma série de grandes audiências tem de ser obrigatoriamente simples, episódica e com episódios com história contida. A criação de Damon Lindeloff e J.J Abrams surgiu do nada, com a adrenalina dos melhores thrillers, a complexidade de um enigma bem esgalhado e um tratamento dramático de personagens que nunca é esquecido por todas as reviravoltas da história. Este equilíbrio entre o apelo da nerdland e aquilo que faz o gosto do espectador comum fez com que "Lost" tivesse uma média de 15 milhões de espectadores na primeira season e apesar de o número ter vindo sempre a decair, foi gerindo o culto com o arrojo de quem sabe estar a contar uma história e não cede perante ninguém. É preciso tomates para isto. Sem "Lost", não existiriam "Heroes", "Flashforward", ou a nova versão de "V".

segunda-feira, novembro 30, 2009

Opções


Não porque há tanta excitação em redor da saga "Twilight". É uma coisa bastante simples de facto, e possível de finir numa frase: é a escolha que uma adolescente tem de fazer entre bestialismo e necrofilia.

O destino será cumprido



Esta promo está sensacional e encapsula em meio minuto quase tudo o que me leva a delirar com "Lost.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Um prego pelos tímpanos


Agora toda a gente fala das escutas a Sócrates e de como elas são ilegais e o camandro. É tudo uma treta. Se escutar Sócrates fosse ilegal, então escutar Ricardo Pereira a falar português seria desumano!