sábado, maio 08, 2010

Promoção 1

Associamos a promoção mais ao cinema do que ao pequeno ecrã. Normalmente, somos brindados, neste segundo médium, por fotos simples com o cast principal e o suficiente para sabermos ao que vamos: mistério, romance, o que raio é aquela xaropada de "Grey's anatomy". No entanto, de quando em vez, a arte e o sentido de humor chegam à publicidade das séries de televisão. Ficam aqui alguns exemplos.







A excitação da vida militar

Uma verdadeira tragédia


Na semana passada, estreei-me em plenas funções na capacidade de actor trágico. Tivera, há uns bons anos, uma ligeira aventura por tais territórios, mas muito basicamente, limitava-me a ser humilhado em palco, e morto fora dele. Tendo tudo em conta, acabava por não ser um grande esforço de fingimento de actor, pelo que me acontecia nessa altura.
No entanto, este ano, meti na cabeça que queria fazer algo de diferente. Eu sou espectacular quando essa ideia me começa a escarafunchar o cérebro. Da última vez que isso aconteceu, acabei com uma putativa tese no colo, que nunca mais consigo despachar. Tenho a capacidade de planeamento de uma harpa e isso acaba sempre por me sair caro. No caso de que falo neste post, saiu-me do corpo e do próprio orgulho. Um papel dramático envolve, claro está, drama; e este, o de um rei que (SPOILER ALERT)encontra a mulher morta quando chega a casa, expulsa o filho e depois, acaba por matá-lo e ter de lamentá-lo, ( FIM DE SPOIELR) obriga-me a exercitar certos músculos do meu coração que estão povoados de mini-aneurismas vários: tristeza, luto, dor, evitar cantar a mim próprio "Bitches ain't shit". Eu não sou muito bom a exprimir tristeza de qualquer tipo. Sou mais sorumbático e chateado, não tanto "ai ai ai, choro e ranger de dentes". O que este papel me obriga a fazer, de actuação para actuação, é ser um fingidor. Sei que não sinto completamente aquilo, por isso faço figura de urso, umas caras de tristeza, embasbacamento e raiva, e tento que a plateia à minha frente acredite naquilo. Ou pelo menos, não pense "Meu, aquele Diogo Morgado é mesmo bom actor comparado com este gajo!".
A noite de estreia foi um exercício de fingimento perfeito. À minha volta, gente tremendamente nervosa, a perguntar-me se também estava.; eu, o centro estóico em mundos a tremelicar, dizia que não, que nunca ficava nervoso, e parecia o Mourinho no centro do relvivado em Milão, a olhar o medo nos olhos. No entanto, por dentro, depenava-me todo. Quando me junto com a tristeza, as probabilidades de espectáculo deprimente aumentam tão vertiginosamente quanto o decote da Scarlett Johansson. Havia excelentes hipóteses de aqui o menino entrar em palco, vestindo uma roupa que se assemelha ao bibe da primária de um garoto transmontano, e descarrilar uma peça que vinha a correr bem até então, pelo simples motivo de ser simplesmente mau. É o tipo de coisas que pode fazer pessoas mais impressionáveis fazer esculturas de matéria fecal nos joelhos.
A coisa, vá lá, nem me correu mal. Ao que parece, ninguém ficou a pensar que estava a apertar flatulência em palco, e isso só pode ser bom. Apesar de ter sido numa tragédia, foi engraçado sobreviver a um certo arrepio de medo que me atravessou a espinha durante algumas semanas; e ter de beijar uma rapariga em palco, ainda por cima com os meus pais a ver (pergunta de pai no jantar do dia seguinte: "Ouve lá, mas tu beijaste mesmo aquela rapariga? Está bem, está...") e de trabalhar com um grupo de pessoas que achincalho todas as semanas, mas que no fundo, até nem são más de todo.
A sério: isto não sou eu a fingir. Disfarço, mas não sou assim tão bom.

quinta-feira, abril 29, 2010

"Kick-ass"


"Kick-ass" é um filme em cuja palavra "demência" pode ser usada para explicar basicamente o que nos inspira, enquanto o vemos. Porquê? Poderão ler em várias críticas coisas que envolvem palavras como "meta-diegética" e "desconstrução". São giras, mas claramente uma tentativa de intelectualizar o parzer culpado de se gostar de um blockbuster. A BD de Mark Millar e John Romita na qual o filme é baseado presta-se a isso, a essa análise. Mas quem é honesto, admite que o filme é demente, porque tem uma miúda de onze anos a matar mauzões como se não houvesse amanhã.
Mas lá chegaremos. O filme conta em traços gerais a ideia parva que um adolescente nerd tem de se transformar um super-herói. Para ele, basta vontade e um fato parolo enviado pelo correio. Claro que o primeiro pensamento é "Oh não, mais um daqueles filmes em que não damos nada pelo herói e afinal, ele sempre teve os poderes dentro dele", mas o filme rapidamente afasta essa ideia e enquanto se entretém a satirizar os fenómenos de popularidade internética, mostra-nos que o adolescente, Dave Liszewski, é mesmo tótó. É quando os verdadeiros heróis do filme surgem que a coisa passa do mundo adolescente para o dos super-heróis a sério. Big Dady e Hit-girl, um pequeno prodígio da matança que com a sua katana dupla, entra realmente a matar no filme, têm, ao contrário de Kick-ass, capadidades para deter criminosos. Mas também muito pouca sanidade. rapidamente os três entram em rota de colisão com o mafioso da cidade, Frank d'Amico, e também o seu filho, Chris.
A mensagem do filme é simples: "Sem grande poder, vem uma grande responsabilidade", um riff aos filmes do Homem-Aranha. Matthew Vaughn, o realizador, é um cruzamento bizarro entre o John Woo de Hong-Kong e um Michael Bay com juízo: aproveitando habilmente um orçamento relativamente magro, ele transforma "Kick-ass" num pequeno concentrado de loucura visual e de história, com Nicolas Cage a imitar o Batman de Adam West e Hit-girl, a miúda acima referida. Ela mata gente, diz palavrões à bruta e aceita a destruição como brincadeira. No entanto, nunca nos esquecemos de que ela é realmente uma miúda, como se fosse a filha perdia da noiva de "Kill Bill" e a Mathilda de "Léon". Isto pode abespinhar moralistas e gente que considera que sempre que se mostra uma arma num filme, as pessoas correm a matar algué, mas é no fundo um espelho da nossa própria identidade fílmica, de aceitar a violência nos filmes como algo de normal e natural. Nesse sentido, o filme é mais paródia ao cinema violento do que ao cinema de super-heróis. Mas consegue ser bem sucedido em ambos os esforços. Louva-se também o retrato mais ou menos natural do que é a vida de um nerd numa escola, sem exageros. Há apenas uma sub.-intriga envolvendo homossexualidade que achei meio cliché... Mas que ainda assim, tem a sua piada.
É um filme que se recomenda a quem gosta de entretenimento delirante e não tem uma sensibilidade particular a um ou outro tabu. Ah, e não fica revoltado quando vê isto:

http://www.youtube.com/watch?v=BGxLHyk6_h4

terça-feira, abril 27, 2010

Mariquinhas


Ao que parece, um vulcão islandês decidiu tossir o catarro cá para fora, atrapalhar a vida dos europeus e passar por uma coisa assustadora e perturbante, capaz de alterar as vidas quotidianas das pessoas. Este blog,apenas para colocar as coisas na sua devida perspectiva, tem o prazer de apresentar cinco erupções vulcânicas ocorridas nos tempos recentes (os últimos 2000 anos) que arreliaram bem mais do que este escarrinho de nada.

Tambora, 1815 - Um festival. Apenas e só, a maior erupção registada desde a invenção da escrita. 160 quilómetros cúbicos de cinzas explidas, no total. Em 1816, não houve Verão em todo o mundo, porque as cinzas ainda se encontravam em suspensão na atmosfera. Ah, e o pormenor de terem ficado 71.000 mortos pelo caminho, entre os resultantes da erupção propriamente dita e os restantes em consequência de efeitos derivados da mesma. Ah, e Tambora fica na Indonésia, o que não impediu que fosse o principal causador da pior fome do século XIX no Hemisfério Norte europeu e norte-americano. Uma jóia de vulcão.

Krakatoa, 1883 -Continuamos na Indonésia para mais um festival de destruição.Uma erupção tão poderosa que destruiu todo o vulcão e a ilha onde este se encontrava. Explosões tão violentas que foram ouvidas em Perth, Austrália, a 3500 km de distância, e nas Ilhas Maurícias, a 4800 km. A pressão causada pela poderosa explosão final rebentou com tímpanos de marinheiros no estreito de Sunda, Indonésia e foi registada em barómetros por todo o globo, inclusivé cinco dias depois do evento, oq ue não é admirar, visto que a velocidade calculada da onda foi de 1086 km/h. O vulcão expeliu cinza a uma altura de 80 km. Parte dessa cinza, ainda ardente, caiu numa ilha próxima e matou perto de 1000 pessoa,s num fenómeno raríssimo. O resultado mais evidente desta erupção é a existência de Krakatau, uma ilha mais pequena do que Krakatoa, completamente formada pela lava desta erupção.

Hatepe, 180 - Na Nova Zelândia, este brincalhão achou que seria espectacular expelir 120 kuilómetros cúbicos de material piroclástico e assim, transformou os céus de Roma numa vermelhidão brilhante. A coluna da erupção tinha 50 km de altura, o que a transforma numa das maiores erupções dos últimos 5000 anos.



Monte Pelée, 1902 - Na Martinica, arquipélago de ilhas paradisíacas no Pacífico, houve show de bola: a erupção mais detsruidora do século XX; mais de 30.000 mortos; uma cidade destruída por completo apenas à conta de piroclastos; na rota directa do vulcão, sobreviveram apenas dois indivíduos.

Nevado del Ruiz, 1985- Um dos principais cuspidores do grupo de vulcões andeanos, esta coisinha colombiana com nome fofo entrou em actividade séria, derretendo as calotas glaciares que estavam no seu topo. O resultado foi uma avalanche de lama e lava que soterrou por completo a cidade de Armero, no sopé do vulcão. 23000 mortos, na segunda maior tragédia vulcânica do século XX, e a quarta da História.

sábado, abril 17, 2010

Pequenino


Gosto de sentir uma música a tamborilar dentro de mim. Como se tocassem isto num piano que está algures entre os meus queixos e o meu umbigo.

terça-feira, abril 13, 2010

Como descarrilar um país

Trailer Cinema "Pare, Escute, Olhe" from Pare, Escute, Olhe on Vimeo.



Uma das minhas actividades preferidas na minha carreira de escuteiro desenrolou-se para as bandas de Trás-os-montes. Alguém achou que seria uma ideia danada percorrer a pé as margens do rio Tua. Bendita a pessoa e a ideia. Tive a oportunidade de visitar aquela que continua a ser, para mim, uma das mais belas zonas de Portugal, e percorrer um pedaço de caminho único: a linha de caminho de ferro do Tua. As suas curvas sinuosas a contornar montes, os seus carris estreitos onde não parece caber um comboio e a vista sobre o rio que lhe dá o nome são três razões, entre mais, que levam quem por lá caminha (e na altura em que o fiz, ainda não era ilegal) a julgar que passou um portal qualquer e entrou num dimensão à parte.
Li há algum tempo no jornal que esta expressão que utilizei, "pedaço de caminho único", poderá deixar de fazer sentido literalmente: planos de construção de uma barragem ameaçam submergir esse pedaço único de história portuguesa. Não estou a exagerar. A contrução da linha do Tua fez parte de um plano, que alguns chamaram ambicioso, de acabar com a desertificação do interior transmontano e criar assim uma ligação com o resto do país, evitando o envelhecimento populacional. Como parece que esse problema está mais do que resolvido, resolveu-se em primeiro desactivar a Linha e agora querem ver-se livres dela metendo-a debaixo de água. É assim que s eplaneia o rumo e o futuro de um país.
Pode-se chamar a isto de crime. Um crime ambiental, social e de roubo de identidade. Mas tem sido prática em Portugal desactivar esta linhas ferroviárias de média e pequena dimensão e apostar em ferrovias de alta velocidade e grande dimensão. Como se ligar Portugal ao país vizinho fosse mais importante do que manter as pequeunas comunidades nacionais interligadas. Quase como se no slato para a Europa, Portugal se esquecesse de si mesmo e de aquilo que o compõe.
Como já se viu, não sou nenhum especialista em reflexões. Por isso, recomendo o visionamento do documentário de que deixo o trailer neste post. O realizador é Jorge Pelicano, o mesmo de "Ainda há pastores?", e tem todo o ar de poder ser algo de muito interessante sobre esta matéria. Quando lhe puser a vista em cima, logo me alongarei sobre este assunto. Porque embora não seja fascinado por comboios, sou fascinado por beleza; e o betão não me faz cócegas do lobo frontal.

Um blog que tem andado a dormir

segunda-feira, abril 05, 2010

Ah, destes outra vez... Vou ali pôr Tokyo Hotel a tocar e já volto!


A minha visão do mundo assenta em pilares sólidos. Uns são jónicos, outros coríntios; alguns ainda são de mármore de Carrara. Um dos principais, porém, é feito de granito e nem sequer foi trabalhado. É um bloco bruto, puro, de orige,m não modificado e rijo. É feio como o caraças e ninguém gosta de vê-lo, mas ele por ali continua, pois nuncalevou uma marretada suficientemente forte para ir abaixo. Esse pilar tem um post-it escrito a dizer "Ninguém me curte".
Tem muitos anos, este pilar, e fundações imensas. Não sei de onde veio, e já várias vezes me perguntei quem o arrancou e de que formação rochosa surgiu ele, vigoroso, indestrutível e dominante. Muito tempo matutei nestas questões. Cheguei a pensar que num acesso de loucura, eu próprio fiz este pilar; ou que, num twist digno de "Fight lub", o pilar não existe e eu é que o vejo lá; que tal como o Jack do filme, se eu der um tiro no pilar, ele deixa de existir e posso cirandar por aí. A verdade não é essa. A verdade é que por cada ocasião em que penso "Esta merda tem de ir abaixo", aparecem logo vinte betoneiras de cimento a fixá-lo ainda com mais força. Gostava de percebê-lo e estudá-lo, para, enfim, tentar destruí-lo, ou pelo menos transladá-lo para um local mais discreto e menos importante que as minhas fundações. No entanto, é impossível.
Costumo chamar a este pilar o meu inimigo escondido. Porque o é. É um adversário contra o qual luto diariamente. Nunca sei se me diz a verdade, se me fala mentiras através dos buracos por onde o vento sopra e dá ilusões de vozes. O certo é que ele estálá: parado e imponente, inamovível e sem que possa fazer algo para desviá-lo. Houve tempos em que escrever me ajudava. Agora, nem isso. Ultimamente, pensei que conviver aliviava o fardo. Um pouco, mas não o suficiente para que não haja dias em que me apetece adormecer e acordar uns dias depois. Não sei se preciso de truques novos para lidar com este pilar ou simplesmente ignorá-lo. Porque de uma coisa sei: ele vai continuar, a cada dia que passa, com mais calhaus fixá-lo, um após o outro, enquanto se vai tornado a única coisa que consigo ver debaixo de mim. Tenho a certeza que não caio; mas andar sobre brasas nunca pode sr uma experiência agradável. A não se quer se seja um faquir havaiano; e eu tenho a certeza de que nunca estive em Honolulu.

P.S: Parte de mim sabe que mereço esta coisa de estar sozinho. Mas a outra parte de mim que é implicativa, pequena mas com força, não se quer conformar com isso. Acho que é aí que está a raiz do problema: o conflito entre aquilo que mereço e aquilo que parte de mim julga dever merecer. Apelo a mediadores de conflitos entre personalidade que intervenham em sugestões de solução para este conflito quase tão gravoso como os que decorrem no Corno de África.

terça-feira, março 23, 2010

Omedetou, mestre Akira


Perfeccionista para lá do aceitável, intratável, arrogante, mas acima de todos os seus defeitos, um realizador genial. Imperador Kurosawa faria 100 anos, se fosse vivo.Bruno de Figueiredo, a secção de comments é tua para escreveres o post que sou incapaz de lavrar.:)

The fog of war


Estreou há uma semana um dos grandes eventos de media deste ano: "The pacific", a mini-série da HBO que vem com a recomendável chancela "Dos mesmo produtores de "Band of brothers". É como quem diz, Steven Spielberg e Tom Hanks."Band of brothers", para quem sofreu de privação sensorial nesta última década, ou simplesmente não liga a boa televisão, é a extraordinária criação de dez episódios que retrata as desventuras da Easy Company, desde que entram na recruta, passando pelas suas deambulações no teatro de operações europeu da 2ª Guerra Mundial, e acabando no último dia da guerra. É um marco do género, é a guerra como ela é, na sua dureza e violência, mas também camaradagem e espírito de sacrifício. Ficou certamente na memória de quem a viu. Por isso, "The pacific" era aguardada com grande ansiedade.

Depois de ter visto o segundo episódio hoje, estou mais à vontade para fazer uma apreciação. Em primeiro lugar, tenho visto gente a cair na facilidade da comparação com "BoB". É natural fazê-lo, mas apesar de virem as mesmas mãos, são dois tipos de besta muito distintas. "BoB" acaba por ser, à distância, o feel good da guerra: permanecemos com o mesmo grupo de personagens a série toda (camaradagem), conhecemos razoavelmente a história desta Guerra na Europa (identificação pessoal) e é um facto que a guerra na Europa foi de um tipo diferente, com combates em moldes tradicionais, de espera e avanço.Para além disso, havia uma noção da importância daquilo que se conquistava: eram países, logo alvos que compreendemos.

"The pacific" não tem nenhuma destas vantagens. Acompanha maioritariamente três personagens (John Basilone, o herói de guerra; Robert Leckie, o escritor metido nas trincheiras; Eugene Sledge, o rapaz doente que quer desesperadamente servir o seu país) e por isso, é muito mais esporádico e subtil na camaradagem; passa-se no espaço do Pacífico, que é praticamente desconhecido para o espectador comum de séries e filmes de guerra, envolvendo um inimigo muito diferente dos nazis em mentalidade e que envolveu táctias de guerrilha e resistência; e o que os soldados fazem é basicamente conquistar... calhaus. Nâo parece tão apelativo.

Mas é, pelo menos para mim. "The pacific" é a fusão possível entre dois dos melhores filmes de guerra de sempre: "Saving private Ryan" e "The thin red line". Envolve a brutalidade e realiasmo violento de um, e a meditação sobre o que é a guerra e porque parece tão natural à condição humana de outro. O espaço de selva, no regresso ao que é mais primitivo e despojado no ser humano, acentua essa reflexão. O tema é o da resistência do espírito humano, contra os elementos, as doenças e a pressão de numa questão de dias, um leiteiro ser confrontado com a obrigação de se tornar uma máquina assassina no outro lado do mundo. Por isso,passa tempo com os soldados antes de estes serem mobilizados. É menos sobre ser herói e mais sobre relações humanas.

Para os amantes de adrenalina, o primeiro episódio tem apenas uma escaramuça (e uma in-joke muitoóbvia para quem se habituou à visceralidade e tiques de "Saving private Ryan", maso segundo apresenta uma longa sequência que mostra a particular brutalidade e carnificina que se desenrolaram em Guadalcanal,o primeiropalco de batalha abordado na série. É todo um desenrolar de morte e tiros e confusão que nos deixa tal e qual como aqueles soldados: verdadeiramente abananados. E, se numa época em que quase tudo o que vemos na televisão nos quer dar o conforto de estarmos numlugar seguro, algo nos consegue fazer sentir realmente qualquer coisa, para mim já vale muito a pena. Mal posso esperar pelas restantes oito partes de "The pacific"!

segunda-feira, março 22, 2010

Dêem um prémio ao homem!


Dizer que esta carta do Papa, a condenar os padres irlandeses que cometerem pedofilia e assumindo vergonha, mostra coragem é tão lógico como afirmar que os alemães que reconheceram que Hitler até matou uns quantos judeus durante a 2ª Guerra Mundial são uns gajos com um par de tomates imenso.
Quando a coisas mais lógica parece um acto de coragem, parece-me um certo sinal de bater no fundo moral. E o pior é que este posto vem logo a seguir a um anterior que abordava o mesmo tema.

quinta-feira, março 18, 2010

Admiração


Os jornais dizem em parangonas "Oliveira e Costa vai mesmo a julgamento". Eu penso que é realmente triste quando o facto de um criminoso ser realmente julgado virar notícia.

sexta-feira, março 12, 2010

Óbitos


O meu avô morreu de segunda para terça. Isto em termos técnicos, se entendermos a morte de um ponto de vista biológico como o fim dos trabalhos do corpo e transformação do respectivo em cadáver. Na verdade, o meu avô morreu há alguns anos, quando o seu cérebro, devido a complicação de um acidente de mota que ele teve há algumas décadas, lhe pregou a partida definitiva e enterrou aquilo de que eu me lembro dele no pior cemitério de todos: a própria mente. Roubado de si próprio, incapaz de funcionar por si mesmo, o meu avô estava num lar e de cada vez que o visitava, procurava nos olhos dele qualquer coisa que se pudesse assemelhar ao passado. Mas o passado, quando queremos recuperá-lo, acaba sempre por fugir-nos. Só aquele que não interessa é que cai sobre nós aos trambolhões.
Os olhos são um pormenor que me liga ao meu avô. De facto, e recuando três ou quatro gerações, eu e ele somos as únicas pessoas do lado familiar da minha mãe a não ter olhos castanhos. Acho que sempre senti que, de certa forma, algo dele tinha entrado em mim, geneticamente falando. Conseguiu desviar-se de quatro filhos, e encaixou em mim, o seu primeiro neto. Nada mais apropriado, pois vivi equilibradamente entre os meus pais e os meus avós maternos até aos dez anos. Com a morte da minha avó há três anos, e com a dele agora, a infância parece ainda mais longínqua. A memória ainda é a única defesa que temos contra o tempo, mas quando se perdem as referências, parece que também se perde a memória. Ainda mais quando a pessoa que conhecemos já não existe no cadáver que vemos num caixão há algum tempo.
Ainda assim, sem sabê-lo, o meu avô acabou por confortar-me na morte. Há algum tempo que venho a duvidar que o que quer que gere os meus sentimentos está irremediavelmente partido. Há alturas em que devia ser suposto sentir algo e simplesmente pareço um bloco de calcário, mas menos giro quando sujeito a transformação. Mas quando eu vi o caixao do senhor Carlos Albino a descer para a cova, uma arreliação qualquer começou a nascer e de facto, o avô Carlos confirmou que sim, que ainda sou humano. Até quando? Não sei. De qualquer forma, é bom que descubra. Ou então a ausência de eu mesmo é outra coisa que terei de partilhar com ele.E de certeza que, mesmo debilitado da mente, ele teria compaixão suficiente para querer que isso me acontecesse.
Uma coisa é morrer obrigatoriamente; outra é por opção. Esta última é muito mais cadavérica.

segunda-feira, março 08, 2010

O desmancha-prazeres


Entro já a pés juntos e digo que acho que o mulheres a celebrar o dia da Mulher é algo de tão, tão engraçado! Falarem do feminismo e das conquistas das mulheres, nesse mundo onde os homens são vilões saídos de filmes de capa e espada, e no final de contas, saltam aos pinotes com um gesto de paternalismo e condescendência. É giro, isso.
Gosto de ouvir falar do "ser mulher" nos dias de hoje. É basicamente o mesmo que sempre foi, mas com salários. É triste, mas é verdade. Poucas mulheres conseguem escapar ao seu próprio ghetto, e fazem-no porque, normalmente, percebem que ninguém quer ouvir falar de guerra de sexos. Olhem Kathryn Bigelow, por exemplo, que se tornou ontem na primeira mulher a ganhar o Oscar de melhor realização: ela não ganhou o Oscar por ser mulher, ou por querer ser feminina. Ganhou porque construiu o melhor filme dos nomeados, numa área que tem muito pouco de gaja. Foi bem sucedida, porque é competente e não anda a fazer alardes feministas. Como o dia da Mulher.
Enfim, mulheres... Diz-se que são enigmas, e é adequado, porque têm várias semelhanças com a série "Lost": oferecem mais perguntas do que respostas, suhjeitam-nos a uma experiência intensa num ambiente selvagem e a sua ausência de clarificação diexa-nos frustrados, mas quando é bom, há poucas coisas no mundo que me deixam mais aos saltinhos como se tivesse acabdo de comer peta-zetas. Embora as peta-zetas me sejam mais acessíveis.

domingo, março 07, 2010

Previsões: parte 2


Melhor actor secundário e actriz secundária: Na verdade, são duas categorias tão óbvias que prevê-las é perder tempo. Christoph Waltz, por "Inglourious Basterds", e Mo'nique, por "Precious", são os dois vencedores mais óbvios da noite

Melhor actor: Em teoria, Jeff Bridges tem este na sacola. Tem tudo a seu favor: é admirado por todos, há o sentimento que lhe devem um prémio e a sua interpretação é mesmo boa. Quem poderá estragar a festa é Colin Firth, por "A single man". Mas não contem com isso...

Melhor actriz: Ora cá está o primeiro imbróglio da noite; e quem diria que chegávamos ao dia da cerimónia a escrever a expressão "Sandra Bullock é a principal favorita à vitória"? Mas é verdade! Sozinha, conseguiu meter um filme banal nos dez nomeados e tem um charme que resulta estrondosamente com os votantes, superando mesmo Meryl Streep. No entanto, Sandra Bullock a ganhar um Oscar parece ainda algo de demasiado estranho para aceitar de repente. E embora tenha um apoio considerável, é prciso não esquecer que do outro lado há "la Streep". Sim, já ganhou dois Óscares, mas o último foi há quase 25 anos. Os Óscares são mais admiração do que outra coisa. Bullock está nomeada só à conta disso. Mas será suficiente para poder ganhar? Bullock tem alguma vantagem, mas suspeito que Meryl Streep poderá dar a volta. Num terceiro cenário, os votos podem dividir-se e uma terceira opção surgirá. Aí, Gabby Sidibe, em Precious", está muito bem posicionada

Melhor realizador: Por muito que queiram retorcer esta categoria, não me parece que haja grande escapatória e Kathryn Bigelow fará história, ao tornar-se na 1ª mulher a ganhar este Oscar. Lee Daniels, o realizador de "Precious", e Jason Reitman, por "Up in the air", estão logo fora. Tarantino e Cameron são os adversários óbvios, mas ninguém curte muito Cameron, e Tarantino está predestinado a tornar-se no Scorsese do século XXI. Bigelow ganhou o DGA e mesmo os seus adversários dizem: "Dêem o Oscar à mulher". Ajuda que o filme seja extraordinário e que o trabalho de Bigelow seja o principal responsável por isso.

Melhor filme: Ora aqui está a grande discussão da noite. A lógica aponta para o navio no qual irei até ao fundo, mas confusões de secretaria lançaram a confusão na última semana de votações e posição do meu "The hurt locker" parece frágil quando entramos neste domingo decisivo. Campanhas negativas por parte das equipas que gerem "Avatar" e "Inglourious Basterds" (os malvados Weinstein) abanaram o pequeno David, que enfrenta sucessos comerciais e mastodontes comerciais. A luta nesta categoria é essencialmente entre o filme de Kathryn Bigelow e Avatar. Na minha opinião, é um confronto pela alma do cinema. De um lado, um filme tecnicamente revolucionário, que muda as regras do jogo cinematográfico, fazendo rios de dinheiro com novas tecnologias; por outro, um filme sobre a guerra do Iraque, muito bem feito, excelente naquilo que faz dos filmes obras de arte: argumento, realização e realização. "Avatar" não tem nomeações em categorias de interpretação, nem de argumento. Tem uma base de suporte técnico. "The hurt locker" é levado pela crítica. Tem ganho prémios em argumento e realização e há uma noção de que é um dos melhores filmes do ano. No entanto, o seu baixo box-office é um grande handicap naqueles que são os prémios dados por uma indústria.
Por isso surgem dúvidas, mas eu aposto no meu cavalo até ao final: "The hurt locker" vencerá melhor filme. Num mundo perfeito para quem realmente gosta de cinema.

Previsões: parte 1


Os Óscares deste ano são, ao mesmo tempo, os mais fáceis de prever na generalidade(aparentemente... porque ninguém sabe de nada) e aqueles que mais convulsões têm sofrido. Nos últimos anos, tem acontecido aparecer um filme que lidera a matilha durante toda a temporada de prémios, para depois chegar aos Óscares e ganhar com naturalidade o de Melhor filme, e tornar-se o filme mais ganhador da noite. Este ano, tal não tem acontecido. A liderança tem rodado entre vários filmes, em diversas alturas cruciais (nomeadamente entre "Avatar", "The hurt locker" e "Inglourious Basterds") e é um facto que chego a este fim de semana sem certezas de quem levará o galardão máximo.
Como em tudo, terei de me guiar pelo meu instinto. Ele não é muito confiável, mas numa altura em que todos os cenários parecem lógicos, é uma medida tão certa como qualquer outra. Na verdade, tomarei uma atitude de carácter e irei ao fundo com o meu barco. Mas lá chegaremos
Passar-se-á o seguinte: deixarei os meus palpites em categorias técnicas, de filme de animação e documentário, numa primeira parte, e demorarei um pouco mais nas principais, mas essencialmente nas duas grandes incógnitas da noite. Vamos à primeira parte.

Melhor curta-documental: "China's unnatural disaster: tears of Szichuan"
Melhor curta de animação: "A matter of loaf and death"
Melhor curta: "The door"
Melhor canção: "The weary kind" - do filme "Crazy heart"
Melhor caracterização: "The young victoria"
Melhores efeitos visuais: "Avatar"
Banda sonora: "Up" - Michael Giachinno
Melhor guarda-roupa: "Nine"- Colleen Atwell
Melhor montagem sonora: "The hurt locker"
Melhor som: "The hurt locker"
Melhor direcção artística: "Avatar"
Melhor montagem: "The hurt locker"
Melhor fotografia: "The hurt locker" - Barry Ackroyd
Melhor documentário: "The cove"
Melhor filme de animação: "Up"
Melhor filme estrangeiro: "El secreto de tus ojos" (Argentina)-alternativa: "Un prophet" (França)
Melhor argumento adaptado: "Up in the air" - Sheldon Turner e Jason Reitman
Melhor argumento original: "The hurt locker" - Mark Boal (mas iguais hipóteses tem Quentin Tarantino...)

sábado, março 06, 2010

People vs luminary


A pessoa que um dia quiser apresentar um caso em tribunal a favor de me tornar o maior inepto em conhecer raparigas que jamais existiu tem excelentes hipóteses de contsurir um sólido caso nesse sentido. Lembrei-me hoje disto enquanto me mediam a tensão arterial. Yes, random thought...

terça-feira, fevereiro 23, 2010

Family values



Gostava de deixar aqui uma dúvida. Já aqui admiti várias vezes que sou algo burrinho, e no que toca ao funcionamento da sociedade, sou um armário de pinho envernizado. Vi imagens de manifestações do um movimento anti-casamento gay (que, segundo os seus organizadores, não anda ali para discriminar ninguém... quero reforçar isto) algures em Lisboa. Exigem um referendo à recente lei que permite o matrimónio entre duas pessoas do mesmo sexo, enquanto saltam e pulam ao som de "We are family". Queria deixar a estes senhores apenas um apontamento relativo à banda sonora: o tema escolhido pode falar de família, mas se tivessem escolhido o "YMCA", dos Village people, teria sido menos gay.
A minha dúvida prende-se com a argumentação usada para justificar este movimento, vá lá, cívico. Segundo eles, o casamento gay vai destruir a Família. Sim, sim, Bruno, é preciso ser muito estúpido para não perceber isto. OK, está bem, mas sigam as minhas inquietações até ao final.
Fui criado por um pai e por uma mãe. Pode-se argumentar que sou uma prova de que as famílias heterossexuais não são assim tão fiáveis quando criam filhos, mas isso toda uma outra discussão que não envolve os meus pais. Lembro-me que a minha mãe várias vezes me alertou contra vários perigos, desde drogas até nunca aceitar boleias de estranhos. Nunca por nunca me recordo de tê-la ouvido dizer "Bruno, tem cuidado quando saíres à rua, que os gays andam aí e querem dar cabo da gente!"
Não sei como é que os gays podem destruir famílias. Será que roupa demasiado vistosa mirra o esperma dos heterossexuais? Demasiada cultura de musicais impede primeiras comunhões? Desconheço. Mas gostava de compreender melhor esse flagelo da sociedade, se me ajudassem. Falo dos movimentos cívicos patetas, claro.
Obrigado.

sábado, fevereiro 20, 2010

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Carvalhal no Facebook


Um original encontrado aqui.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

It's time to really get lost


Em 2004, sacrifiquei a minha amla num altar de onde devia ter recuado mal vi as primeiras imagens. Isto porque me apercebi que era um altar que estava condenado a adorar, e adorar, e adorar. Li na revista Entertainment weekly que esta série, aparentemente muito boa, estava a fazer grande sucesso. Tinha actores bem parecidos e grandes avlores de produção, mas era acima de tudo um mistério. I'm a sucker for enigmas; e o nome parecia dizer tudo e não dizer nada: "Lost".
Hoje, "Lost" é, provavelmente o maior fenómeno televisivo da década. É a pop culture inovadora e forte, numa era de geeks e nerds. Servi alegremente de hospedeiro deste vírus e infectei mais gente com isto. Penei por vários anos, tive de aguentar desaforos infindáveis ("Heroes é melhor do que "Lost"!!"), mas qual John Locke em redor de uma escotilha aberta, a minha paciência foi recompensada e posso contar aos meus netos que quando era mais novo, presenciei um milagre televisivo quase sempre consistente, uma série que é não só um thriller muito bem construído e uma história com personagens complexos e interessantes, mas também um brutal enigma metafísico desenhado para quem gosta de se dedicar paralelamente aalgo de inútil. "Lost" é isto. Regressa hoje, nos Estados Unidos, e amanhã surgirá por aí por acidente. Excepto que não será acidente. Tudo acontece por uma razão.

domingo, janeiro 31, 2010

Nomeações para os Óscares


A Academia de Artes e Ciências cinematográficas revela, na próxima terça-feira, os nomeados deste ano para os Óscares. Como já vem sendo tradição, este blog aventura-se em terrenos adivinhatórios do cinema e lança os seus palpites relativamente aos possíveis nomes anunciados. Este ano, há uma importante alteração ao esquema geral das coisas: os Óscares alargam o seu leque de cinco nomeados para dez. Isto significa a entrada em competição de filmes que, possivelmente, nuca teriam hipótese de outra maneira, e torna a corrida deste ano muito mais imprevisível do que poderia ser.
Sem mais delongas, aqui ficam as minhas apostas.

Melhor filme de animação (pela primeira vez, vamos ter cinco nomeados, porque conseguiu-se cumprir um mínimo de 15 filmes a concurso)

"Up"
"Coraline"
"The fantastic Mr. Fox"
"The princess and the frog"
"9"

Melhor actor secundário

Christoph Waltz - "Inglourious basterds"- O principal favorito à vitória
Matt Damon - "Invictus" - Recompensa que tem uns dois anos de atraso
Stanley Tucci - "The lovely bones" -Um vilão absolutamente horrível, por um daqueles actores invisíveis que sabe sempre bem honrar com uma nomeação
Woody Harrelson - "The messenger"- Desde o início que tem sido consistenmente indicado em prémios percursores
Christopher Plummer - "The last station" - A nomeação mais frágil, mas parece-me que o misto de veterania e papel real lhe valerá a nomeação

Melhor actriz secundária

Mo´nique - "Precious" -A favorita à vitória final
Anna Kendrick - "Up in the air" - Consistente desde o início de temporada de prémios
Vera Farmiga" - "Up in the air"- Este é um filme de actores, uma dupla nomeação não surpreenderá
Melanie Laurent - "Inglourious Basterds" - Neste filme que é claramente apoiado por actores, como o indicam o prémio do SAG, alguém será nomeado. Aposto em Melanie Laurent, porque acredito que haverá uma surpresa na categoria. E essa surpresa poderá incluir Diane Kruger.
Penelope Cruz - "Nine" - No difícil quinto lugar, aposto que aparecerá alguém do elendo de "Nine". É um filme de actores, e Penelope Cruz será a que terá melhor hipótese. Ela ou Marion Cotillard. E nunca, nunca descartar Julianne Moore, em "A single man".
Melhor actriz

Meryl Streep- "Julie and Julia" - La Streep está garantida
Sandra Bullock - "The blind side" - A rival de La Streep este ano, também (medo!)
Carey Mulligan - "An education" - A jovem revelação britânica está também garantida
Gabby Sidibe - "Precious" - Confirmada
Emily Blunt - "The young Victoria" - O traiçoeiro quinto lugar. Na minha opinião, isto é entre Emily Blunt e Helen Mirren, em "The last station". Ambas são britânicas e interpretam personalidades reais. No meu caso, a aposta em Blunt é uma questão de feeling.

Melhor actor

Jeff Bridges - "Crazy heart" - Certinho, e o provável vencedor
George Clooney" - "Up in the air" - Confirmado, a estrela de "Up in the air" e um daqueles gajos de quem toda a gente gosta
Morgan Freeman - "Invictus" - O respeitadíssimo Freeman a interpretar Mandela num filme de Eastwood. É como seguir uma fórmula.
Jeremy Renner - "The hurt locker" - Ele carrega "The hurt locker", o grande favorito dos Óscares deste ano
Colin Firth - "A single man"- Desde que recebeu o prémio de Melhor actor em Veneza que Firth está na linha da frente, mas cuidado com a ultrapassagemd e Viggo Mortensen, em "The road"

Melhor realizador

Kathryn Bigelow - "The hurt locker" - A favorita à vitória neste momento e a primeira mulher com uma hipótese real de ganha ro Oscar de melhor realizador
James Cameron - "Avatar"- Garantido, com o filme mais rentável da história
Quentin Tarantino - "Inglourious basterds" - O auteur terrible também está garantido num filme adorado por actores
Jason Reitman" - "Up in the air" - Um filme clássico que cai bem entre realizadores conduzirá Reitman à sua segunda nomeação em três anos
Lee Daniels - "Precious" - A lógica indica que Daniels ocupe este lugar, mas um bichinho na minha cabeça alerta para Neill Blomkamp, realizador de "District 9", numa possível surpresa
Melhor filme

"The hurt locker"
"Avatar"
"Up in the air"
"Inglourious basterds"
"Precious"
"District 9"
"Up"
"Invictus"
"An education"
"A serious man"

Aqui é a categoria mais divertida de prever. Penso que os cinco primeiros filmes são caso encerrado. A partir daí, é um jogo de adivinhar. Pelos prémios percursores e feeling geral na indústria, "District 9" receberá uma nomeação, algo impensável há uns meses. A Pixar, que no ano passaod esteve à porta com "Wall-E", conseguirá finalmente sair do ghetto da animação com "Up". "Invictus" é um filme tão tradicionalmente oscarizante que me parece impossível ficar de fora. "An education" preenche a quota britânica, que ultimamente tem dominado os Óscares. O último lugar é uma grande incógnita."A serious man", dos Coen, parece-me ter a dianteira de momento, mas dois candidatos podem destroná-lo: "Star Trek" (sim, leram bem: "Star Trek") ou "A single man", a obra moody de Tom Ford. É preciso ter atenção.

sábado, janeiro 23, 2010

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Possuído

Se eu quisesse tirar esta música da mona, até era capaz. Mas muito honestamente, para o Bornéu com a racionalidade, e deixem-me estar aqui possuído à vontade. Preferencilamente pela Marion Cotillard, nada contra os homens que compõem os Franz Ferdinand.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Virgem Santísima, Jesus Senhor, o Diabo a sete!


Não é o meu estado civil, mas sou agnóstico. É a melhor forma de definir espiritualmente. Não tenho grande crença em Deus, ou deuses, mas não estou completamente convencido de que vivamos no mundo material. Dou o benefício da dúvida e reservo-me ao direito de não ser dogmático.

Não quero com isto dizer que não me abespinhem as religiões, ou que não as ache ilógicas ou parvas. Na sua grande maioria, são-no. Aquela em que fui criado, a Católica, é um imenso de novelo de falta de sentido, tudo muito bem embrulhado com uma Trindade Santíssima que não convém questionar. Na fase final da adolescência, era um ateu irritado e irritante. Achava que tinha de enfiar aquilo em que acreditava pelos olhos das pessoas adentro, como se estivessem adormecidas. Escusado será dizer que isso me causou dissabores (e ainda causa). Foi aí que decidi estar mais caladinho no que toca a estas coisas e dar um ar neutro, que não compromete. Com a minha decisão de me ter tornado dirigente escutista, esse ar neutro mostrou ser ainda mais necessário.

No entanto, há coisas que me irritam profundamente, para lá de tudo; e outras que mostram ser absolutamente necessário quebrar a minha neutralidade e partir a loiça. Nesta segunda categoria, está uma lei irlandesa que entrou em vigor no primeiro dia do ano, e que está a ser cohecida como "a lei da blasfémia". Reduzindo ao básico, afirma que a blasfémia é um crime punível legalmente. A definição deste crime é lapidar: blasfémia é considerado todo e qualquer acto que pela sua publicação ou proclamação possa ofender intencionalmente as crenças religiosas das pessoas. Se o arguido for condenado, pagará uma multa que pode ir até aos 25.000 euros.

A palavra medieval é várias vezes usada sem razão, mas aqui é totalmente aplicável: isto é o regresso à Idade Média das teocracias e de uma separação muito obscura entre o estado laico e a religião. Estávamos habituados a ver isto nos EUA e, de uma forma mais exagerada, em certos estados árabes (numa ironia, no mês de Dezembro, o ministro irlandês Michael Martin chamara à atenção, numa ruenião da UE, para a falta de tolerância religiosa no mundo árabe). Claramente, os irlandeses têm memórica curta, porque nunca devem ter tido problemas com luas religiosas...

Está na altura de acabarmos com o politicamente correcto e dizer: basta!! Há um direito a ser-se respeitado por crenças religiosas, mas eu quero ver contemplado o direito à descrença e à liberdade de proclamar isso se assim apetecer. Não me importa que se diga que há coisas absolutamente parvas na religião. Porque há! Nas mãos de homens, é hipócrita, é selectiva e discriminatória. A Bíblia diz que a sodomia é crime? Diz pois; mas no Levítico, comer crustáceos (como o camarão) dá direito ao Inferno. Se querem guiar a vossa vida pelo que diz um livro, ao menos sejam honestos e levem-no à letra. Querem-me dizer que Cristo é amor e aceita todos? Tudo bem, mas vamos falar então de quando Cristo manda dar uma volta àqueles que não o aceitam; querem afirmar que S. Paulo metece ter esse S. antes do Paulo? Supimpa, mas vamos falar do seu lado misógino e de filho da mãe invejoso. Se vamos levar tudo o que existe à letra na religião, discutam-se as coisas abertamente e chamem-se as coisas pelos nomes. Isto não é blasfémia: é ser honesto. Porque no mundo religioso, a verdade pode ser a pior ofensa de todas.

Sinto-me agradecido por Portugal, país bastante religioso, me permitir escrever isto num sítio público sem temer represálias; agradeço que haja pessoas de bom senso a não me expulsarem de um local por estas mesmas razões, quando têm toda a legitimidade insitucional para fazê-lo. Mas esta lei da basfémia, nascida em plena União Europeia de valores e liberdade para todos, pode ser a primeira peça de dominó que começará a cair. Já vi esse dia mais longe. E se não posso rezar para que não aconteça, posso ao menos barafustar. Enquanto for à borla.

P.S Fica o seguinte e interessante artigo - http://blasphemy.ie/2010/01z/01/atheist-ireland-publishes-25-blasphemous-quotes/

quarta-feira, janeiro 06, 2010

Flying to 2/2/2010 - The Lost supper


Este poster promocional da última temporada de "Lost" chuta rabos; e merece especulação teórica. Por isso, may the games begin!

What goes around, comes around


Estive novamente em sabática. Vários motivos originaram isso e ainda vos devo dois tops da década que passou. Estão a ser elaborados, tenhai paciência. Retomarei com programação habitual, para gáudio de alguns.

Há uns tempos, neste belo pedaço de prosa (http://lostintheisland.blogspot.com/2007/11/modas.html), saltei de bastão em punho sobre cadernos Moleskine. Uma boa amiga minha provou-me que de facto, aquilo que dizemos se pode voltar contra nós quando menos esperamos. Deu-me uma prenda, que muito agradeço, em forma de um dilema de valências várias.
Primeiro, prendou-me com um objecto que critiquei aqui. Obviamente, vou usá-lo. No fundo, fez-me pensar bem no que aqui escrevo; e tendo passado este ano num exercício de auto-censura acerca de algumas coisas, temo ficar sem temas sobre os quais discorrer.
Em segundo, há que reconhecer que saber previamente que aquilo é uma espécie de Maserati dos cadernos me causa problemas. Usá-lo passou a ser uma coisa elevada, de necessidade específica apenas para assuntos decentes, tiradas interessantes, ideias geniais. Isto é algo que, vamos lá com honestidade, não abunda em mim. Terei o ocasional rasgo neste blog, mas no dia a dia, o meu cérebro ando meio que adormecido e torpe. De facto, 2010 vai ser um ano em que empreenderei uma busca pelo meu encéfalo.

Pensando bem, talvez este Moleskine seja o submarino ideal para tal coisa. Não é amarelo, é bem preto, mas foi-me dado com carinho, de certeza. Se há coisa que preciso respirar nma busca pelo meu cérebro, acho que é isso mesmo.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

A maçonaria com GPS


Desde o dia sete de Julho deste ano que me iniciei numa espécie de irmandade secreta, que em nada contribui para a minha ascensão social. Fui desviado por amigos, pois até participara nas suas iniciativas sem ser membro, e fiquei fascinado em como uma coisa tão simples e mesmo infantil podia enfeitiçar tanto homem feito adulto. Eles têm códigos próprios, nomes específicos de irmandade e até cumprimentos especiais, como DNF ou FTF. Têm objectos de adoração, chamados geocoins e travelbugs, que guardam como os Templários guardavam Jerusalém. Tratam os não iniciados de forma diferente, apelidando-os de muggles, mas raros são aqueles que usam de preconceito contra eles, preferindo tentar convertê-los à sua causa. Andam por aí com aparelhómetros da mão à procura de tupperwares, invólucros de rolos fotográficos e outras embalagens que designam como containers.
São gente estranha.
Eu, como gajo estranho, tinha de aderir, pois claro. Criei para mim um desses nomes próprios da irmandade e agora saio ocasionalmente em aventuras por sítios e lugares, ocasionalmente olhando a morte nos olhos (como descrevi há uns dias), conhecendo pessoas e acima de tudo, recuperando um certo sentido de mistério de deslumbramento que só se alcançam viajando e conhecendo sítios novos. Faz até lembrar escutismo, mas aquele que fazia quando era bem mais novo, em caças ao tesouro.
Esta coisa chama-se Geocaching. Rouba tráfego de satélite que até pode servir para salvar vidas só para encontrar umas vulgares caixinhas. Quanto mais penso, mais me lembra a Maçonaria. Mas duvido que alguma vez tipos de barrete, frontal e impermeável venham a influenciar os destinos de Portugal

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Não há cá boas festas para ninguém...

...mas se eu tivesse um grama de espírito natalício no meu corpo, seria algo tipo isto.

terça-feira, dezembro 22, 2009

domingo, dezembro 13, 2009

O Geocaixão


Tornei-me já há algum tempo aficcionado do geocaching, uma brincadeira/desporto/maluqueira/substituto de droga (riscar o que não interessa) que me levou a comprar um GPS que não me servirá para mais nada que não isto. Investimentos que dão frutos: esse era o meu nome do meio até o meu pai ter sugerido Simões.
O geocaching consiste em caixas que uns escondem e outros procuram através de coordenadas GPS. Alguns geocachers (o nome das criaturas que brincam a isto) colocar-me-ão em fogueirs por reduzir o jogo a esta simplificação, mas é exactamente o que a coisa é. Eu fazia disto nos escuteiros, chamava-se "Caça ao tesouro". Aqui, juntamente com uma maior elaboração dos esconderijos, não tenho é de andar fardado nem pretender que tenho crenças que não possuo.
Costumo praticar isto com uns amigos e vamos por aí cachar. Bela vida. Só que há uns dias, ia-se transformando, numa bela morte.
Estávamos nós a percorrer um trilho pelo meio do mato, quais sete anós (só que sendo cinco), num final de tarde que já parecia noite cerrada, quando a coisa se deu. Um passo dado em segurança que rapidamente se transformou numa queda livre barreira abaixo.
Não sei se me apercebi do que estava a acontecer, honestamente. Sei que apesar de estar a mergulhar para uma morte certa, não gritei, disseram-me mais tarde. Apenas me viram desaparecer, e pensaram que era brincadeira. Eu também devo ter pensado isso.
Uns quatro, cinco metros depois, aterrei em algo que me pareceu folhagem. Como disse, era de noite, estava escuro. Mas sei que havia mais espaço para preencher até ao chão. Passara lá de dia e tinha essa memória. Aquele colchão estava parado ali, em pleno ar, como uma mão estendida para apanhar as minhas costas. Uma pessoa mais impressionável teria sido obrigada a reconsiderar a sua falta de fé. Trepei barreira acima e encontrei os meus companheiros incrédulos, a perguntar-me se estava bem. Não tinha um arranhão e na minha cabeça, aquilo fora tão anormal como acordar de manhã.
Isso foi o mais estranho. O não sentir nada de anormal. Aliás, eu não senti o que quer que fosse durante o tempo de queda: não senti medo, raiva, tristeza. Nem sequer senti que podia morrer e isso ter grande consequência nop meu estado de consciência. Era como se me fosse indiferenre morrer ou viver. Talvez tenha sido choque, não sei. Mas essa é a coisa que guardo desta experiência: será que não tenho não vontade de viver? Sei que não quero morrer. Devo estar num limbo entre estas duas coisas.
Enquanto não descubro a solução disto, faço caixas. Pode ser que nalgumas delas esteja a solução do enigma.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

A década dos zeros - Televisão, 1


A década que finda agora em 2009 marca um renascimento da televisão como meio de entretenimento. Assistimos a uma idade de ouro da ficção televisiva, principalmente na ficção dramática. A quantidade de boas séries desta década parece uma improbabilidade estatística. O mais impressionante é que podemos encontrar qualidade não só em programas criados e desenhados para serem obras de arte em si, mas também naqueles que,procurando audiências, não descuram o seu valor como objectos artísticos.
Não sendo minha especialidade teorizar largamente sobre media e afins, é melhor passar ao que este post quer tratar: as séries em si. Nesta primeira parte, deixam-se quatro séries que, na minha opinião, definiram a década que passou. Não serão necessariamente as melhores, por isso calma lá com os cavalinhos. São apenas pistas que marcaram os 2000´s, lançando modas e tendências.

"24" - A série criada por Joel Cochran e Joel Surnow foi a primeira vítima do 11 de Setembro. Uma das histórias que se desenrolava no episódio piloto retratava a queda de um avião no deserto de Mojave,e à conta da brincadeira, a sua estreia foi adiada um mês. Foi um prenúncio para o que "24" simbolizou: o drama televisivo em maior sintonia com o espírito político do seu tempo. Aparte a sua estrutura dramática revolucionária (cada temporada são 24 horas de um mesmo dia, cada episódio uma hora em tempo real), teve em Jack Bauer o reflexo da administração Bush: um homem patriota até à medula, que acredita que na altura de parar o "mal", os meios justificam os fins e que quem comete um crime, atira os seus direitos pela janela. No entanto, foi a primeira a preconizar um presidente negro, um presidente mulher e na mudança dos tempos, a vilanizar um presidente totalmente bushiano em espírito. Sem ela, o cinema de acção seria diferente do que é hoje, e a adrenalina televisiva das séries de acção não existiria com a mesma pujança.

"CSI" - Da lavra de Anthony E. Zuiker e Carol Mendhelsson, "CSI" abriu uma caixa de Pandora, que parece inesgotável na sua fartura de criar ficções em redor da ciência forense aplicada a investigação criminal. O pai de todos os "procedurals" da década que agora finda é muito simples e tem uma fórmula intemporal: crime cometido, investigação realiza-se, criminoso apanhado. A sua diferença reside no foco que existe no trabalho que habitualmente era subentendido em séries policiais, ou seja, o de laboratório. "CSI" junta a fórmula antiga e a moderna de forma eficaz, utilizando um estilo de realização apelativo e a beleza sinistra de Las Vegas para se criar e criar um sucesso que gerou duas spinoff (em Miami e Nova Iorque, cada uma com um estilo independente, nomeadamente a versão capitaneada pelo inenarrável Horatio Caine), mas nenhuma superior à original, e Gil Grissom continua a ser a razão pela qual tantos espectadores se sentem atraídos pelo original. "CSI" apela ao nosso instinto básico de vermos os malvados sempre punidos e sem ela, não haveria toda um década de crimes por resolver por dezenas de polícias ficcionais.

"House" - Hoje já não é novidade, mas quando surgiu, "House" era uma série irreverente. Seis anos já deram para nos habituarmos ao rezingão da bengala, mas em 2004, haver um personagem arrogante e abrasivo a liderar uma série era diferente. Não é que fosse a primeira vez que tal acontecia: "Profit", uns anos antes, usara este esquema, mas fora um fracasso. Nas comédias, o esquema é habitual. "Seinfeld" utiliza 4 personagens principais cheiinhas de defeitos e picuinhices, mas a comédia lida melhor com estes personagens como fonte de riso. Agora, o drama televisivo, e ainda por cima hospitalar, a ser varrido por sarcasmo e ridicularização? Parecia blasfémia! Mas vingou, provando que o nosso gosto como espectadores mudou bastante. "House" tem também alguns dos one-liners mais inspirados pós-Woody Allen e em Gregory House/Hugh Laurie um das melhroes combinações personagem/actor da década, numa fusão estranha entre comédia e construção dramática que resulta estrondosamente. Sem "House", não haveria "Lie to me", "Mental" ou mesmo "Dexter".

"Lost" - Uma série que mistura uma ilha bizarra, viagens no tempo, ursos polares, ficção científica, foca 14 personagens e ainda por cima segue um esquema de serial, nunca por nunca poderia dar um produto de sucesso em televisão. Isto seria verdade, se não tivesse surgido "Lost" para subverter a lógica de que uma série de grandes audiências tem de ser obrigatoriamente simples, episódica e com episódios com história contida. A criação de Damon Lindeloff e J.J Abrams surgiu do nada, com a adrenalina dos melhores thrillers, a complexidade de um enigma bem esgalhado e um tratamento dramático de personagens que nunca é esquecido por todas as reviravoltas da história. Este equilíbrio entre o apelo da nerdland e aquilo que faz o gosto do espectador comum fez com que "Lost" tivesse uma média de 15 milhões de espectadores na primeira season e apesar de o número ter vindo sempre a decair, foi gerindo o culto com o arrojo de quem sabe estar a contar uma história e não cede perante ninguém. É preciso tomates para isto. Sem "Lost", não existiriam "Heroes", "Flashforward", ou a nova versão de "V".

segunda-feira, novembro 30, 2009

Opções


Não porque há tanta excitação em redor da saga "Twilight". É uma coisa bastante simples de facto, e possível de finir numa frase: é a escolha que uma adolescente tem de fazer entre bestialismo e necrofilia.

O destino será cumprido



Esta promo está sensacional e encapsula em meio minuto quase tudo o que me leva a delirar com "Lost.

segunda-feira, novembro 23, 2009

Um prego pelos tímpanos


Agora toda a gente fala das escutas a Sócrates e de como elas são ilegais e o camandro. É tudo uma treta. Se escutar Sócrates fosse ilegal, então escutar Ricardo Pereira a falar português seria desumano!

sábado, novembro 21, 2009

Espirros colados com muco


A tosse é o novo preto, e não coloco isto como uma afirmação estética. É uma declaração de ostracização. De cada vez que estou no meio de um aglomerado de gente e decido tossir (ou melhor, decide a minha boca por mim), sou olhado de lado como se fosse um afro-americano a passear-se pela Georgia ou Alabama nos inícios do século passado. A diferença é que não anda aí nenhum grupo de indivíduos encapuçados a querer o meu sangue: eles hoje usam fatos hazmat e não andam tão disseminados pelas avenidas.
Tenho uma simples constipação. É uma coisa que me dá todos os anos durante o Inverno e já a espero resignado, antecipando espirros que me deslocam a retina, ranho suficiente para encher os diques holandeses e uma espécie de deserto do Atacama que se instala pela minha garganta abaixo. Pensei que estávamos todos habituados a ela. Infelizmente, esta gripe A veio alterar o paradigma (quem pensava que este blog se andava a afastar da intelectualidade rejubila, pois o uso da palavra paradigma em textos eleva-os automaticamente ao nível ensaístico superior). Tossidor é como se fosse um leproso e cria à sua volta uma certa área de segurança, o que não dispiciendo quando nos encontramos em elevadores e detestamos contacto corporal desnecessário.
A minha constipação já me é desgradável, a última coisa de que precisava era deste estigma que se tem de carregar apenas porque o nosso nariz está tão atulhado que cria o reflexo de fungar. Já me basta com a constipação arrede grande parte da minha coerência interna; não necessito que me arruine a externa também. E porque é que estão a ler esta encasinação toda? Por causa dela mesma, da maldita fungadora espirradora.
Hum... talvez a designação de epidemia não seja tão exagerada assim então...

quarta-feira, novembro 11, 2009

40 anos


A minha infância agradece profundamente.

terça-feira, novembro 10, 2009

"Fight club"


Um tipo com a mania das importâncias como eu tem obrigatoriamente o dia em que calhou nascer. 9 de Novembro tem de tudo: eleições históricas, atribuições de prémios Nobel, golpes de estado decisivos, assinaturas de armistícios e, o mais conhecido, quedas de muros que durante décadas separaram a capital de um determinado país do centro da Europa.
Há uma década, uma outra efemérida juntou-se a esta lista: estreou em Portugal um filme que concentrava em si a angst do fim de século, um certo mal-estar entre pessoas com a idade a rodear os trinta anos, e que se viria a tirnar o filme definitivo de culto para o século seguinte. Lembro-me de ter ido mais um amigo meu vê-lo, cm celebração do meu aniversário. Atraiu-me porque gostava do realizador e o trailer pareceu-me enérgico e divertido. Quando saí daquela sala, estava transfigurado. O filme batera-me com determinada força e soube aí, de certeza, que iria estar a falar de "Fight club" durante muito tempo.
Revi-o na semana passada e fiquei espantado pelo facto de o seu poder anárquico não ter desaparecido. De facto, continua a manter a sua subversão dez anos depois, mostrando que o mundo não mudou tanto assim e que certas coisas na natureza humana se mantiveram inalteradas: o materialismo, um certo desenraízamento e uma falta de tomates para mudar as coisas. Outra das suas forças continua também, que é a incapacidade que temos de categorizá-lo. É um thriller? É um filme de luta? É uma comédia? O que defende afinal? Valores de esquerda? Valores de direita? E será que defende alguma coisa? De qualquer forma, consegue ser um paradoxo interessante: um anúnio de publicidade muitíssimo bem feito, estilizado, acerca do materialismo.
As razões que o levaram a transformar-se num filme de culto definitivo também esperam teorização. "Fight club" foi inicialmente um fracasso comercial; quando os executivos da FOX, o estúdio que o produziu, viram o produto final, começaram a perguntar-se como teria sido possível terem dado luz verde a uma obra tão transgressora. Raramente se terãolido críticas tão revoltadas a um filme, principalmente do ponto de vista moral. Nem Michael Bay, que faz pornografia artística, terá alguma vez tido tal reacção. O filme estreou na pior altura possível, poucas semanas depois do tiroteio no liceu de Columbine, e falava a uma geração de alienados, que viam outros como eles a embarcar alegremenete em actos que podem ser considerados terroristas. No entanto, teve uma fortíssima recepção em DVD, vendendo seis milhões de cópias, e entou na cultura popular. A frase "The first rule fo Fight Club is you do not talk about Fight Club" é facilmente citável, entre outras tiradas do filme ("I'm Jack raging bile duct"; "You're not your fucking kakhis!"); o estilo de moda de Tyler Durden, ícone stylish encarnado por Brad Pitt, com o seu casaco de cabedal vermelho e as suas camisas havaianas, inspirou estilistas e o cidadão comum; e a proliferação de mitos urbanos acerca de clubes de combate reais garantiu a sua imortalidade. Para além disso, segundo Chuck Palahniuk, o autor do livro que dá origem ao filme, é o filme de namoro perfeito. Fincher descobriu que, estranhamente, são as mulheres jovens que mais atingem o sentido de humor do filme, talvez por este girar em torno da postura macho da criatura masculina.
Um enorme filme, e isso é o que interessa, para lá de todas as teorias e relevâncias socio-políticas. Fincher no topo das suas faculdade, Pitt e Norton com uma química imparável e um final que dispensa qualquer epíteto de tão emblemático: em 11/9/2001, eu recordei-me disto. Não pode ter sido por acaso.


P.S: Tim Burton pode ser o marido e rei do estranho, mas ninguém utilizou tão bem a bizarria inerente a Bonham-Carter como David Fincher o fez neste filme