terça-feira, janeiro 31, 2006

Pequenas notas sobre as esperadas nomações...

- A Academia envolveu-se num paradoxo interessante: escolheu filmes arriscados politica e socialmente, mas não conseguiu ter grandes surpresas na lista de nomeações. Excepto William Hurt, por "A history of violence", a Academia mostrou que há vícios que não larga: nomear Francis McDormand para actriz secundária é voltar a um veçho culto, desprezando novas actrizes que tiveram trabalhos tão bons este ano, como Scarleytt Johansson, em "Match Point", ou Maria Bello, em "A history of violence"; só nomear "Sra wars, ep. III" só na categoria de Melhor Caracterização é crime: pelo menos direcção artística, efeitos visuais e efeitos sonoros deviam ter sido incluídos; deixar de fora Woody Allen e David Cronenberg da lista de realizadores nomeados mostra ainda mais a antipatia que a Academia nutre por estes dois malditos; Ralph Fiennes e Fernando Meirelles também de fora porquê? Parece como há 4 anos, quando Baz Luhrmann, principal responsável por Mulin Rouge, não é nomeado, e o filme tem 7 nomeações; "Grizzly man", o excelente documentário de Werner Herzog, fica de fora; Janusz Kaminsky, director de fotografia de "Munich", de fora;

- Como previsto, a Disney e a Dreamworks ficam de fora de filme de animação, destronadas por 2 filmes de claymation e um de 2-D. Novamente, a malta que anunciava a era do computador na animação vai ter de rever as suas previsões...

- Woody Allen torna-se em definitivo no argumentista mais vezes nomeado pela Academia, ultrapassando Billy Wilder, com quem estava empatado a 12: leva já 13 nomeações. Estranhamente, a Academia parece gostar da ecsrita de Woody Allen, embora ignore os seus filmes...

- George Clooney com 4 nomeações: produtor, realizador e argumentista por "GNAGL" e actor secundário por "Syrianna"

- Apenas 3 canções nomeadas. Provavelmente, para diminuir o tempo da cerimónia. Ainda quero ver quem vai ao palco cantar o temna de "Hustle and flow", intitulado "It's hard out there for a pimp"

- "Munich", contrariando alguns arautos da desgraça, acabou mesmo por aparecer em destaque

- Nenhum dos filmes nomeados para melhor filme teve resultados fabulosos no box-office, e exceptuando "Munich", todos com orçamentos inferior a 30 milhões de dólares. Dá para Hollywood ir pensando...

- "Batman begins", em melhor fotografia. Bravo!

Aamanhã, será chocante, mas não totalmente impossível...

... que surjam estes nomes nas nomeações. São mesmo hipóteses malucas, embora com alguma réstia de credibilidade. Será pouca, mas não me importava nadinha de errar as minhas previsões se elas acontecessem. Afinal, Johnny Depp não chegou a ser nomeado para o Óscar por "Pirates of the caribbean"?

Melhor filme - "KING KONG"; "HUSTLE AND FLOW"; "THE MARCH OF THE PENGUINS"; "THE THREE BURIALS OF MELQUIADES ESTRADA";


Melhor actor - VIGGO MORTENSEN, "A HISTORY OF VIOLENCE"; ERIC BANA, "MUNICH"; CILLIAN MURPHY, "BREAKFAST IN PLUTO"; ROBERT DOWNEY JR., "KISS KISS, BANG BANG"; STEVE CARELL, "THE 40 YEAR OLD VIRGIN"

Melhor actriz - NAOMI WATTS, "KING KONG"; CLAIRE DANES, "SHOPGIRL"

Melhor actriz secundária - ANNE HATHAWAY, "BROKEBACK MOUNTAIN"; DAKOTA FANNING, "WAR OF THE WORLDS"; LYNN COHEN, "MUNICH"

Melhor actor secundário - MICKEY ROURKE, "SIN CITY"; DONALD SUTHERLAND, "PRIDE AND PREJUDICE"; WILL FERRELL, "THE PRODUCERS"; JEFFERY WRIGHT, "BROKEN FLOWERS"; CHRIS COOPER, "CAPOTE"; VAL KILMER, "KISS KISS, BANG BANG"

Melhor realizador - CHRISTOPHER NOLAN, "BATMAN BEGINS"; TERRENCE MALICK, "NEW WORLD"; WONG KAR-WAI, "2046"; WOODY ALLEN, "MATCH POINT" (sei que o apontei como possibilidade, mas foi mais gosto que hipótese...); NICK PARK; "WALLACE AND GROMITT, THE CURSE OF THE WERE-RABBITT"; TIM BURTON, "CHARLIE AND THE CHOCOLATE FACTORY"

segunda-feira, janeiro 30, 2006

As nomeações são amanhã...



... e esta é a minha última palavra no que toca a previsões. Poucas alterações tenho a fazer ao post que fiz há um mês. As entregas de prémios que se deram entretanto foram-me elucidando quanto a possiveis vencedores, mas isso fica para outras calendas. Aqui fica então a minha antevisão:

MELHOR FILME

"BROKEBACK MOUNTAIN"
"GOOD NIGHT AND GOOD LUCK"
"MUNICH
"CRASH"
"THE CONSTANT GARDENER"


Há quem argumente que "Munich" pode estar em perigo, mas muito sinceramente parece-me que é um filme demasiado importante para ser esquecido pela Academia. POrtanto, a maior dúvida é entre "The constant gardener" e "Capote". Parece-me que o poder crescente da Focus Features fará com que o primeiro leve a avante.

MELHOR ACTOR

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN - "CAPOTE"
JOAQUIN PHOENIX - "WALK THE LINE"
HEATH LEDGER - "BROKEBACK MOUNTAIN"
DAVID STRATHAIRN - "GOOD NIGHT AND GOOD LUCK"
TERRENCE DASHON HOWARD - "HUSTLE AND FLOW"


Ralph Fiennes e Jeff Daniel ainda podem ter uma palavra a dizer, mas Howard tem um capital de simpatia impressionante e o apoio da comunidade de actores. Atenção a ultrapassagens na última curva por parte de Russel Crowe.

MELHOR ACTRIZ

FELICITY HUFFMAN - "TRANSAMERICA"
REESE WHITHERSPOON - "WALK THE LINE"
JUDI DENCH - "MRS. HENDERSON PRESENTS"
CHARLIZE THERON - "NORTH COUNTRY"
JOAN ALLEN - "THE UPSIDE OF ANGER"


Este ano, não vamos ter estrangeiras nesta corrida. No entanto, Joan Allen, pesar de amada pela Academia, poderá saltar para dar lugar a Zhangh Ziyi. A ver vamos como "Memoirs of a geisha" se porta nas categorias técnicas...

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO

PAUL GIAMATTI - "CINDERELA MAN"
GEORGE CLOONEY - "SYRIANNA"
MATT DILLON - "CRASH"
JAKE GYLENHALL - "BROKEBACK MOUNTAIN"
DON CHEADLE - "CRASH"


Cenários alternativos: Terrence Howard não é nomeado para melhro actor e aparece aqui, saltando Don Cheadle; neme Howard nem Cheadle são nomeados e Bob Hoskins em "Mrs Henderson presents" faz saltá-los borda fora.

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA

RACHEL WEISZ - "THE CONSTANT GARDENER"
MICHELLE WILLIAMS - "BROKEBACK MOUNTAIN"
CATHERINE KEENER - "CAPOTE"
AMY ADAMS - "JUNEBUG"
SCARLETT JOHANSSON - "MATCH POINT"

Gong Li em "Memoirs of a geisha" e Maria Bello em "History of violence" poderão intrometer-se, portanto atenção...

MELHOR REALIZADOR

ANG LEE - "BROKEBACK MOUNTAIN"
GEORGE CLOONEY - "GOOD NIGHT AND GOOD LUCK"
STEVEN SPIELBERG - "MUNICH"
PAUL HAGGIS - "CRASH"
FERNANDO MEIRELLES - "THE CONSTANT GARDENER"


Não mexo em nada, mantenho que Cronenberg, Allen e Bennett Miller poderão vir aqui meter o bedelho

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO

"WALLAVE AND GROMMITT: THE CURSE OF THE WERE-RABBITT"
"TIM BURTON'S THE CORPSE BRIDE"
"HOWL'S AND THE MOVING CASTLE"

E sim, acredito que vão mandar Disney e Dreamworks dar uma volta...

Outras categorias importantes:

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL:

WOODY ALLEN - "MATCH POINT"
PAUL HAGGIS E ROBERT MORESCO - "CRASH"
GEORGE CLOONEY E GRANT HESLOV - "GOOD NIGHT AND GOOD LUCK"
STEPHEN GAGHAN - "SYRIANNA"
NOAH BAUMBACH - "THE SQUID AND THE WHALE"


MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO

LARRY MCMURTRY E DIANA OSSANA - "BROKEBACK MOUNTAIN"
JEFFERY CAINE - "THE CONSTANT GARDENER"
TONY KUSHNER E ERIC ROTH - "MUNICH"
DAN FUTTERMAN - "CAPOTE"
FRAN WALSH, PHILIPPA BOYENS E PETER JACKSON - "KING KONG"


Parece-me que é assim que fica. Comentários e sugestões já se sabem: aí em baixo.

domingo, janeiro 29, 2006

Road to the Oscars: "Match point"



Antes de mais, e dexai-me que vos diga para arrepiar caminho: que filmaço!!! É preciso que Woody Allen faça uma grande obra para percebermos como todos os filmes que medeiam entre "As faces de Harry" (vá lá, "Celebridade" e "Small time crooks" tinham o seu quê) e este são obras muito pouco conseguidas. É um risco que se corre quando se faz um filme por ano; e é também uma bofetada nos fãs ceguetas de Woody Allen, em que me incluo que tendem a superlativar as virtudes que existam nos sue spiores filmes para eles não perecerem tão maus.
A história é conhecida, e até relativamente simpls a nível esquemático: A ama B, que ama C... A partir daí, é que as coisas se complicam. A é Emily Mortimer, a doce filha de um milionário inglês, dona de uma grande empresa e que se apaixona por B, Jonathan Rhys Meyers, um professor de ténis que perante o interesse dela, se vê com possibilidades de subir na vida. O problema é que entra em acção C, Scarlett Johansson, a loura bombástica que está noiva do irmão de Emily Mortimer, Matthew Goode, que é só um dos melhores amigos de Meyers. A partir daqui, a intriga romântica operática, rapidamente evolui para um certo erotismo (as cenas envolvendo as relações sexuais entre Meyers e Johansson são particularmente potentes)e na última secção do filme, para o thriller sufocante.
Os grandes temas do filme são a fidelidade e o sentimento de culpa, com um toque de "Crime e castigo", de Dostoievsky: devemos abandonar tudo o que temos de bom na vida em prol de uma mulher pela qual sentimos um desejo avassalador? Allen pega nesta pergunta e no conceito com que inicia "Match point", (num magnífico plano de uma bola que bate numa rede de ténis e balança incertamente e que mais tarde será recuperado num espectacular raccord), ou seja, é preferível um indivíduo ter sorte a ser bom no que quer que seja, e desenvolve-os exemplarmente, com uma desenvoltura como já não lhe víamos há muito, e num estilo perfeitamente britânico, o que se adapta ao novo modelo de produção em que está inserido agora, o da BBC. Além do excelente argumento, Allen revela um olho incrível para filmar Londres quase tão bem como filma Nova Iorque) e na gestão dos sentimentos que atravessam a película. A última secção do filme, por exemplo, em que uma caçadeira entra em cena, é monumental no controlo dos elementos de thriller dignos de Hitchcock.
O elenco cumpre à risca o seu papel: Johansson é uma femme fatale à la carte e tem uma interpretação muito boa e autêntica; Mortimer enjoa por vezes no papel de menina muito doce e inocente, mas acaba por umcprir essa função no filme; Rhys Meyers é um arrivista, por vezes com olhos de carneiro mal morto, mas exemplar na sua composição de homem atormentado por dilemas conjugais e a culpa moral de quem vai fazer algo muito mau, esnbanjando o seu capital de empatia com o espectador até ao final do filme.

Filme para Óscares? A Academia e Woody Allen não são propriamente um casamnento feliz, mas pode-se esperar numa nomeação pelo argumento e quem sabe pela realização e actriz secundária, para Johansson. Esperam-se surpresas.

A lei de Chuck Norris



Chuck Norris vai processar a NBC, pois afirma que o título da série "Law and Order" contém duas palavras com direitos de autor, pois são o nome das suas pernas direita e esquerda.

Para alguém especial...



"Vi-te hoje; e esqueci-me de respirar"

(Bruno Nogueira, in Corpo dormente)

sexta-feira, janeiro 27, 2006

Rir

Sei que ficaste lisonjeado com um post, mas dedico-te dois, visto que nem blog tens para te poder responder: obrigado por me fazeres rir, pá, com a análise que de mim fazes. A partir do momento em que o direito de resposta é usado como casmurrice e não aceitar opiniões alheias, compreendo porque dizes que a ntureza do mal está dentro de ti. E de nós. E essa observação do abismo: sou assim tão pouco subtil? :)

Ah, e este é mesmo o último post que escrevo sobrte ti. Não é por nada de mal, apenas não estou muito na onda de alimentar discussões. Além disso, gosto de ti, pá, quem quer que sejas. Juntamente com o Quisto, formam o duo dinâmico deste blog! O que eu consegui em apenas meio ano...

Contagem decrescente



E parecendo que não, já só falta uma semana...

Esclarecimento

Para o/a natureza do mal: primeiramente, obrigado pelo comment! É sempre bom quando venho ao blog e tenho comments de outras pessoas. É uma das maravilhas da Internet: podermos comunicar uns com os outros. Podia falar da pornografia, mas ainda não começámos a trocar fotos.
Quanto à referência à palavra Mestrado... se aquilo que eu lá estou a fazer se chama-se Terapia dos 12 passos ou Bacalhau à Zé do Pipo, ou Desencabrestamento, podia aplicar qualquer uma destas palavras ou expressões. Como é Mestrado, vejo-me resignado a usar tal palavra. Não será porventura das mais belas do nosso idioma, mas tenho de me contentar com isso.
Acho até que nem referi muitas vezes que estou a fazer Mestrado. Não é coisa que me encha de orgulho, nem pela qual sinta que deva ser visto com respeito pelas outras pessoas. Como referi num post anterior, ser tratado por Senhor ou Senhor Doutor é algo que me irrita profundamente. Quanto ao narcisismo... Bem, o blog é um exercício narcisista, em que o utente olha o seu umbigo e sobre ele disserta. Se não fosse assim, não seria o meu blog. Seria o de outro qualquer.
E acho que é tudo. Já agora, belo título o do teu blog. Qual achas que é a natureza do mal?

quinta-feira, janeiro 26, 2006

Apertado

De um lado, trabalho de Mestrado sobre tribunais ad hoc; do outro, trabalho de Mestrado sobre História Húngara; do outro, decorar alfabeto árabe; do outro, estudar para o exame. (Porra, são mesmo muitos lados). Já há algum tempo que njão estava sob pressão, mas não sentia falta nenhuma.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Pelourinho



Porque a vontade de bater em alguém é também um direito alienável e um traço caracteristicamente humano e inalterável (a vontade, não o acto. Aí é que já se começa a abusar um bocadinho...), está inaugurada mais uma rubrica neste blog, o Pelourinho. Historicamente, o pelourinho era não só a marca concelhia de uma determinada localidade, mas também o local de punição pública de criminosos. Todas as semanas, chamarei aqui um determinado género de pessoas em quem me apetece bater. Metaforicamente falando, claro. No hard feelings, mas como certamente há pessoas que têm vontade de me fazer o mesmo, no regrets. Esta semana, vão ao Pelourinho:

"PESSOAS QUE ACHAM QUE A VIDA ACABOU, OU QUE ENTRAM NUMA DE AUTO-COMISERAÇÃO, APENAS PORQUE A PESSOA DE QUEM GOSTAM AS DEIXOU, NÃO LHES LIGA, QUER VER O FUTEBOL E ELAS NÃO DEIXAM, QUER IR ÀS COMPRAS, MAS ELE É UM CHATO QUE SÓ SABE RESMUNGAR, QUE NÃO TÊM GRANDES OBJECTIVOS NA VIDA DEVIDO A ISSO OU QUE PENSAM QUE O AMOR É O ESSENCIAL NA VIDA, ESQUECENDO NO ENTANTO QUE O OXIGÉNIO É MUITAS VEZES SUBVALORIZADO"

Em suma, malta que pensa que pode encontrar no amor uma cura para os males da sua vida. Ah, só apetece citar Ornatos Violeta...

Carnaval



Não é nenhuma fantasia extraordinária, mas é assim que me sinto: se for a alguma festa de Carnaval, vou vestido como senhor aí de cima; e garanto que levo o meu trabalho de actor até ao fim e o imito e tudo! Não me é difícil...

5 maldições quotidianas



1 - O meu irmão a maltratar o idioma materno e a insistir que está no seu direito e que ele é que está certo

2 - Ser olhado com paternalismo por gente daminha faixa etária

3 - Pessoas que acham que sabem tudo, inclusivé História, mesmo que sejam de cursos como Engenharia

4 - Chamarem-me "Senhor" ou "Senhor doutor"

5 - Profissionais incompetentes em tarefas tão simples que até o Sharon como está as faria

5 pequenos prazeres



1 - Fazer caretas ao espelho, enquanto faço playback das minhas músicas favoritas

2 - Ter conversas sérias com pessoas

3 - Receber alguma mensagem de telemóvel (é muito, muito raro)

4 - Escrever cartas a algumas pessoas fora do país...

5 - Encontrar filmes em DVD à venda em promoções inacreditavelmente milagrosas

terça-feira, janeiro 24, 2006

Road to the Oscars: "Good night and good luck"



O ponto de partida: George Clooney decide realizar sobre um filme que conta a epopeia de um jornalista norte-americano, que num tempo em que o Governo do seu país condiciona subtilmente a liberdade de imprensa, denuncia a perseguição generalizada a uma minoria ideológica por entidades governamentais e também a errada actuação das mesmas. Já agora, contextualizo, para que não haja confusões: o filme passa-se na década de 50...
"Good night, and good luck", a segunda experiência de Clooney atrás das câmaras, retrata essa luta, travada por Edward R. Murrow, apresentador de um programa jornalístico da CBS, contra os abusos do Macartismo, cuja figura de proa era o senador Joe Mcarthy, figura anedótica que calcorreou a América em busca de comunistas e inquiriu dezenas de pessoas em nome da erradicação dos "vermelhos (ou "pinkos", na versão americana), transformando os EUA, a chamada pátria da democracia e da liberdade de expressão, num país em que se podia ser despedido ou ter a vida condenada ao fracasso simplesmente por se tere leves simpatias esquerdistas.
Esta luta, épica, é filmada por Clooney num irrepreensível modo minimalista, nunca deixando uma história que se dá ao chavão "maior que a vida" sair da esfera humana, restrita aos homens da CBS nela envolvidos, nomeadamente Murrow, o seu produtor Fred Friendly e o director Bill Paley, passando pelos vários jornalistas que de uma forma ou de outra foram tocados pela polémica. O filme é muito eficaz nesta denúncia, que apesar de se centrar nos anos 50, não deixa de lançar o debate sobre o actual estado do jornalismo norte-americano, e talvez mundial, principalmente nas palavras e monólogos da personagem de Murrow. Onde acaba por falhar em certa medida é na construção de personagens para lá desse círculo, sendo que algumas sub-intrigas (nomeadamente o casamento oculto entre o personagem de Patricia Clarkson e o de Robert Downey Jr.) a não serem mais que metáforas para a mensagem que se quer transmitir, o que provavelmente acaba por se ajustar nos objectivos de Clooney, ao comprometendo por isso a sua visão de realizador. Incrível ver um homem que é símbolo do satr system hollywoodesco a querer ser um auteur de uma forma tão determinada.

No elenco, há vários nomes conhecidos: desde Clooney a Frank Langella, passando pelos já referidos Clarkson e Downey Jr, e acabando em Jeff Daniels e Ray Wise, mas o destaque vai obviamente para a composição da figura de Murrow efectuada por David Strathairn, o sempre subestimado actor fetiche de John Sayles e um dos segredos mais bem guardados do cinema independente norte-americano. Fisicamente, está perfeito, na pose, no olhar e na voz; e interiormente, aparenta a calma rochosa tradicional de Murrow e uma obstinação que se nota em pequenos pormenores de expressão facial, gestos ou voz, num minimalismo de quem percebe mesmo do assunto. É incrível.

Em suma, um filme que de certeza está lá nessa noite. Clooney é o homem do ano para a Academia e este ano é para os filmes denúncia. resta saber o que limpará. Strathainr, a não ser nomeado pelo menos, será um roubo. De qualquer forma, os meus parabéns ao doutor Ross!

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Road to the Oscars: "The Constant Gardner"



Começo aqui a rubrica onde analiso os filmes com maior possibilidade de nomeação para os Óscares deste ano, tentando cobrir o maior número possível de estreias, de visionamentos em DVD e em DIVx.

"The constant gardner", em traço muitos gerais, trata primeiramente da história de uma mulher entusiasta e bem alternativa, cuja grande ocupação é combater as injustiças. Acaba por escolher como alvo as grandes companhias farmacêuticas, que escolhem África como um campo de testes alargadodos seus últimos medicamentos, ainda em fase experimental. É então que, de súbito, aparece morta. O seu marido, um fleumático diplomata inglês, mais preocupado com as as suas plantas e a neutralidade britânica (que não existe na prática), fica devastado, mas ao começar a compreender que a morte da mulher foi um homicídio horrendo perpatrado pelos homens que ela comabtia, reage como seria de esperar e parte para a luta, à procura dos responsáveis, e para acabar o trabalho que a mulher deixou a meio.

A intriga do filme é aparentemente a de um thriller, mas a grande surpresa do espectador é constatar que "The constant gardner" é acima de tudo uma história de amor. Primeiro, entre um diplomata e a sua esposa; depois, entre o mesmo diplomata e o fantasma da mulher. Fernando Meirelles, o realizador, gere estes dois planos da componente romântica com uma mestria assinalável, com um estratagema utilizado normalmente por Alejandor Gonzalez Iñarritu, o flashback constante durante a película entre momentos passados e presentes.
A escolha do realizador brasileiro é, aliás, certeira, pois o seu domínio da intriga fragmentada e complexa é visível no filme que o tornou famoso mundialmente, "Cidade de Deus", e a pergunta era se o seu estilo de montagem de rápida e fotografia saturada e vívida se coadunava com a escrita de John Le Carré, normalmente mais sofisticada e britânica. Resulta mesmo, o que se deve também à adaptação feita por Jeffrey Caine. A prova de que Meirelles não se vendeu, como acontece com muitos realizadores estrangeiros que vêm trabalhar para Hollywood (hmm, John Woo é o que me dói mais, pois sou fã dele em Hong-Kong e até agora, para louvar, só tenho "Face off" e pouco mais), levou César Charlone, o brilhante director de fotografia e cameraman de "Cidade de Deus", o que só favorece o filme.
No entanto, há algo que se repara de imediato: Fernando Meirelles filma bem de qualque maneira, mas menos nos meios urbanos de Londres e bem mais quando é deixado à solta nos bairros de lata quenianos, onde mostra o ambiente em que vivem aquelas pessoas de forma fascinante, dando a ver a podridão, mas também a alegria das pessoas e a forma como tentam encarar a vida com optimismo, no meio da sua miséria e da luta diária pela sobrevivência. Brilhante a sequência do teatro de rua, praticamente no início do filme.
Os outros grandes responsáveis pela qualidade do filme são Ralph Fiennes e Rachel Weisz. O primeiro é espantoso a nível da composição interior de um homem que aguenta a emoção até onde pode. Quando ele vai reconhecer a mulher à morgue, a sua fleuma, a sua ausência de sentimento, arrepia-me mais do que se ele começasse a chorar feito desalmado, mas sinto claramente algum pesar nele. Estamos a falar do mesmo homem que interpreta Amonh Goeth, o nazi carniceiro de "A lista de Schindler", que se entretinha a vir à janela de manhã para atirar sobre trabalhadores judeus. A sua obsessão é patenteada ao longo do filme, mas sem nunca perder o fio da personagem, aquilo que lhe é natural, dando-se, naturalmente, a transformação do gélido diplomata num ser humano totalmente aberto aos problemas do mundo. Já Weisz, inexplicavelmente atirada para a categoria de Actrzi secundária, é um poço de vida como Tessa Quayle, a activista que dá a vida pela sua causa e caminha naquela fina linha que separa a utópica chunga da mulher de causas que compreendemos e apoiamos com uma segurança incrível, criando uma mulher-criança a que não resistimos. Ambos os personagens, Justin e Tessa, são plenos de emoção e de intimidade. Meirelles mostra, para além da grande história, a petit histoire quotidiana neste casal. Notável a sequência em que Ralph Fiennes, imitando Jacques Cousteau, filma Weisz grávida, na banheira, como uma webcam. Há uma química genuína entre estes dois actores.
O pior do filme é mesmo o final. Não vou aqui revelá-lo, mas um filme realista usa um final que sai claramente da lógica de mundo real onde "The constant gardner" se movimenta.

É, no entanto, um excelente filme, que em nada me defraudou. É não só um filme denúncia, mas uma obra com um enorme coração. Fernando Meirelles continua a mostrar porque é considerado um cineasta brilhante e poderá chegar aos Óscares. Num ano onde a qualidade parece imperar, acredito piamente nisso.

Portugal de rir

10 nomes de terras que me deixam imediatamente com um sorriso na cara, não me perguntem porquê (e não, não vou falar das estafadíssimas Picha, nem Coina, nem S. Lourenço de rio Cabrão)

Alter do Chão

Samora Correia

Freixo de Espada à Cinta

Alfândega da fé

Almijofa

Fogueteiro

Aborim

Tamel S. Veríssimo

Caçarilhe

Mamoa

O presidente dos outros



Não posso dizer que este seja o meu presidente, porque não votei nele. Quando o avô Cavaco anunciou que seria candidato à Presidência da República, não houve grande surpresa. O especialista em tabus mantinha-se fiel a si próprio e provava à saciedade porque era considerado o Hitchcock da política portuguesa. Confesso que esperei ver o Hal-2000 do filme "2001 - Odisseia no espaço" chegar-se à frente, para poderem concorrer dois seres robotizados, mas esse meu desejo nunca se chegou a cumprir.
No entanto, a situação ficou mais normalizada quando chegou o anúncio de que o seu mandatário nacional era João Lobo Antunes, o conhecido neurocirurgião, famoso também pelo seu olho Electrónico. Um especialista em doenças do cérebro que lida com robótica... Era o homem de mão perfeito de Cavaco Silva; e mostrando como em 2005, a sua cabeça estava noutros tempos, convidou uma fadista, Kátia Guerreiro, para ser sua mandatária da juventude, visto que o fado é, claramente, um elo de ligação entre o poder político e os jovens do nosso país...
Durante a campanha e a pré-campanha, Cavaco passeou-se como aquilo que se anunciava: um vencedor antes da vitória. Esfregou as mãos com a cisão do PS e notou com gosto que a habitual teimosia da Esquerda continuava em alta. Portanto, calculando com o cinismo e a frieza que a sua lide com números em papel lhe calejou o intelecto, foi gozando a certeza de que a malta esquerdista se dividiria e que a lógica trataria do resto. A sua danação seria a 2ª volta, mas com os candidatos de Esquerda a atirarem uns sobre os outros, o que havia a temer?
Nadinha. Nada de nada.

Por isso, após a apoteose de hoje, prevejo já o primeiro dia de Cavaco como Presidente dos outros: às 6 da manhã acorda e sem acordar a mulher, veste-se à século XVI e toma um rápido pequeno-almoço; de seguida, dirige-se à sua base subterrânea, onde guardou o "Branquinho" para esta ocasião. Após montar o "Branquinho, com força como se pede a um monarca, avanaçará a trote até à cidade de Lisboa, com um jovem mensageiro à frente (jovem ou baixote, pelo que a visão de Marques Mendes a cumprir esta função não deverá parecer tão surpresa assim) a dar alvíssaras e a gritar "Glória a El-rei D. Sebastião, glória a El-rei D. Sebastião", tudo em grande aparato, a que se juntará uma imensa comitiva do PP e do PSD vestidas a rigor, caravelas no Estuário do Tejo, a Ordem Jesuíta ressuscitada, Kátia Guerreiro a entoar cantigas de amigo (talvez "Flores de verde pino"), Pacheco Pereira como Cristóvão de Távora e talvez uma ou outra pessoa de valor. Resta a confirmação dos restantes candidatos no papel de mourama agrilhoada.
O nevoeiro vai ser tal que os lisboetas não poderão ir trabalhar; e no entanto a economia do país crescerá imediatamente a partir do momento em que Cavaco entre em Lisboa. Descerá em frente ao Palácio de Belém e saudará Jorge Sampaio, dizendo: "Bons dias, alcaide." Sampaio estranhará, mas rapidamente é expulso à espadeirada. De seguida, o homem de Boliqueime anuncia que Alcácer-Quibir é culpa de Soares, pois na altura ele não era primeiro-ministro, e que José Cid é imediatamente condenado ás galés por ter criado a malfadada música sobre o acontecimento. No meio do reboliço, auto-proclamar-se-á como Imperador de um V Império com 3 centros: Boliqueime, Lisboa e porventura Viseu (com a alternativa Madeira ainda em aberto, no entanto instável). Vasco Graça Moura será o padre António Vieira e Santana Lopes fará de bobo. Enfim, o costume
E no meio de tudo isto, Portugal entra para a OPEP, para o G-8, expulsando a Rússia e o Conselho de Segurança da ONU. George das Américas tratará Cavaco estranhamente como "dirty Dick" e Cavaco forçará a Inglaterra, a França e a Alemanha a dar 10% do seu PIB a Portugal. O futuro apresenta-se radioso e neste momento em que escrevo, sinto já que o meu nível de qualidade de vida é praticamente igual aod os Países Nórdicos. Afinal, somos governados por um bloco de gelo.

domingo, janeiro 22, 2006

A propósito de abstenção...

A certeza que de que esta país não anda muito bem politicamente é quando, num dia de eleições, a pergunta que nos fazemos não é "Em que é que vou votar", mas sim "Porque é que vou votar."

sábado, janeiro 21, 2006

Presidenciais: o balanço



Apesar de nunca o ter refrido anteriormente, este blog fez uma cobertura atenta de cada campanha dos vários candidatos ao cargo de Presidente da República. Uma conclusão é certa: vamos perceber melhor o que diz qualquer um destes candidatos relativamenete ao discurso erudito de Jorge Sampaio, o que é uma vantagem. Um ponto forte também é o facto de todas as esposas dos candiadtos serem mais baixas que eses, o que evita novo imbróglio "Maria José Ritta".

Para aqueles que se admiraram pelo facto de esta campanha ter sido praticamente insultos, converda fiada e ataques, tenho a dizer: Welcome to Portugal! Mas que se passa convosco? O insulto é a nossa principal forma de comunicação e a conversa fiada uma cadeira esencial em Ciências Políticas, apenas tem um nome carote: Retórica! Apesar das diferenças partidárias, eles fizeram todos o curso na mesma escola. Por isso, que esperavam?
Estas eleições fecham também um ciclo de dinosauros políticos e a confirmação de dois novos: Cavaco e Soares regressam, um mais sebastianista que outro; Louçã e Jerónimo afirmam-se como o papa-camapnhas dos respectivos partidos, não dando hipótese a qualquer outro militante de representar a máquina partidária. Saúda-se Joana Amaral Dias, pelo belo palminho de cara e pela emancipação: VIVA!

Este blog vai agora proceder à entrega de alguns prémios "Presidenciais - 1ª volta". Sim, porque acredito que se seguirá uma sequela! Além disso, vários amigos meus precisam mesmo dos 70 euros pagos para ficarem nas mesas de voto. Aqui vai:

MELHOR CANDIDATO

Não é necessariamente aquele em que vou votar, mas tenho de confessar que Garcia Pereira me surpreendeu. Com um estilo sóbrio, ácido q.b e discurso de quem sabe que 0 1% nos resultados seria algo de histórico, o líder do MRPP esteve igual a si próprio, o que se ocmpreende porque se continuou a chamar Garcia Pereira durante toda a campanha. Além disso, teve tomates e vociferar contra a RTP e fazer com que a Judite de Sousa deitasse fora uma das suas folgas para o entrevistar, a ver se o calava.

PRÉMIO COMBATIVIDADE

Mário Soares merece: tanto se malhou na idade deste homem que surpreende ainda etsar vivo após ter dado a volta ao país. Será que quanto mais viaja, mais jovem fica? é mistério. No entanto, enfrentou sem medo as multidões, os ataques e as rezas do terço da mulher.

PRÉMIO COMÉDIA

Sem dúvida, Cavaco Silva. A sua citação de Álavro Cunhal foi um golpe genial e uma mina de ouro para os humoristas nacionais. Além disso, foi curioso observar o seu domínio do humor físico, na luta constante daquele robô cavaquista em torna-rse humano, o senhor Cavaco.

DESILUSÃO DA CAMPANHA


Jerónimo de Sousa. Voltou a desbobinar a cassete comunista e quando quis disfarçar isso, mostrando a sua família, esqueceu-se de que isso prejudicaria o seu charme no eleitorado feminino acima dos 55. Além disso, faltou-lhe o golpe de asa da afonia.

PRÉMIO REACCIONARISMO/ "MEMORIAL 25 DE ABRIL"

Novamente, o tio Jerónimo. Com a ausência de Paulo Portas da vida política activa, Jerónimo toma o sue lugar de pateta-mor e torna-se num dos reaccionários que diz combater, ao querer transformar Cunhal num Deus e Grândola, vila morena num hino marcante como o Messiah de Haendel, com exclusivo monopólio comunista.

PRÉMIO QUERO SER COMO TU

Nunca poderia adivinhar que o sonho de Franciso Louçã era ser Michale Moore. Mas os tempo de antena do BE não enganam. Só nos resta apoiá-lo: já tens os óculos, pá! Agora vence a ideologia e toca a almoçar todos os dias no McDonalds.

PRÉMIO SAPOS

Manuel Alegre. Se ele leva Cavaco à 2ª volta no Domingo, vai faezr engolir muitos dentro do PS. Já faltou mais para ver José Sócrates saltar feito bailarina.

PRÉMIO PROFETA

Ex-aequo Manuel Alegre e Cavaco Silva. Um tem o visual Moisés perfieto e uma voz modulada e vibrante como se quer; o outro é um Messias com rebanho, mas sem auréola.

FRASE DA CAMPANHA

Mário Soares in the house: "Eu não tenho qualquer interesse em ser Presidente da República, mas penso ser a melhor pessoa para o cargo e ajudar o país." É um bacano, este gajo! MP3 4ever!