sábado, abril 26, 2008

Um dia de idiotas


Chega o 25 de Abril e a blogosfera portuguesa, nomeadamente a esquerdista, congratula-se, rejubila e parece regressar ao Largo do Carmo, mesmo não tendo lá estado em 1974. Permitam-me que se lhes junte, tirando a parte do Largo do Carmo (o comboio para Lisboa está caríssimo) e celebre esta data à minha maneira.
Quando me sento a ver televisão e vejo as reportagens alusivas às comemorações deste dia de liberdade, chego à conclusão isto é afinal um dia de idiotas. Antes de se atirarem pidescamente à minha pessoa, tenham a bondade de me ouvir e de não queimar beatas nos meus braços.

De um lado, temos os que levam a sério esta data. Neste grupo, estão os comunistas, os capitães de Abril (e já agora, alguém sabe, em concreto, quem são os capitães de Abril, ou qualquer um que fosse capitão no dia 25 de Abril pode auto-intitular-se como tal? Dentro do exércio português, quem manda mais: um general ou um capitão de Abril?), figuras públicas que estão porque sim e gente altamente chateada com o governo. Há palavras de ordem, canta-se "Grândola, vila morena" e ouve-se "Fascismo nunca mais", enquanto se seguram umas faixas a protestar contra o actual governo. Um miúdo, que não tem mais de oito anos, grita contra fascistas, e não percebe o que está a dizer. Depreende-se o o governo actual é que é fascista. A certa altura, não sei o que é aquilo: se uma celebração do 25 de Abril, ou uma manifestação política de gente que ainda não sabe que aconteceu a 25 de Abril. Jerónimo de Sousa, intelectual e eloquente como sempre, revolta-se contra o facto de o 25 de Abril ser apenas alvo de um parágrafo nos livros da escola. Para além de estar a mentir (ele pode ser um saudosista de Abril, mas, convenhamos, é político, e a tradição é mais forte que a liberdade), esquece-se que a Restauração da Independência, evento histórico tão ou mais importante que este, sofre um tratamento semelhante. Como cidadão, quero revolta igual por isso. A não ser, claro, que o PCP tenha o monopólio exlusivo do 25 de Abril e não possa tratar da defesa da restante história. Mas esta ideia é parva. Qualquer dia, ouvíamos Jerónimo de Sousa a insurgir-se contra a utilização de "Grândola vila morena" por gente de direita. Que estúpido momento esse seria!
Claro que se este governo fosse fascista, esta manifestação nem teria ocorrido antes de mais. Ou sido sequer transmitida pela televisão. Por 3 estações diferentes. Mas podemos continuar a usar este adjectivo até ele perder a importância. Ou pelo menos, até os 10% que ainda sabem o que ele siginifica realmente se esquecerem disso.

Do outro lado, a malta que aproveita o feriado para ir à praia. Com o calor que estava, até eu ia. E depois de estar na praia, inquiridos sobre o que aconteceu no dia 25 de Abril, mostram uma ignorância cataclísmica. Inclusivé uma mulher com os seus 50 anos, que, a não ser que estivesse num coma ou em sono criogénico, viveu os momentos da revolução, e não sabia o que se comemorava. Pessoas da minha idade, e um bocadinho mais novas, atiravam barro à parede a ver se pegava. fim da 1ª Guerra Mundial, Independência relativamente a Salazar (o 4º país da Península Ibérica, talvez?)... Um fartote. E eu sem saber se ria, ou se fique revoltado...

Entre as duas facções, esta é uma data que, temo, vai passar a ser uma como tantas outras. Na fuga em direcção ao futuro, em que os últimos governos têm insistido, passado parece não ter lugar. Um país sem passado é um país sem memória; e um país sem memória é um pedaço de terra com gente a morar lá. Que nem sequer se lembra porque pode estar a ler isto, vindo de alguém que não tem uma pistola apontada à cabeça simplesmente porque quer transmitir uma ideia. Esta ideia. Estes insultos; e pode estar certa que vai deitar-se na sua cama para acordar amanhã de manhã e ir à sua vidinha. Tristemente, não sabemos o valor certo da liberdade. Nem os que sabem que a temos, nem os que não fazem ideia que há uma palavra que designa o estado de direito em que vivem.

quarta-feira, abril 23, 2008

O fenómeno


Quem tem o convencimento de que gosta de música a sério deve olhar para o tema "Umbrella", de Rihanna, com desprezo e asco. O certo é que esta música é um fenómeno que merecia ser estudado com interesse. A quantidade de covers que tem gerado, dos mais diversos quadrantes (e a música tem para aí um ano) é impressionante, mesmo para a era de mashups em que vivemos. Rihanna, que até canta bem e é, assumamos, boa, teve a sorte de ver uma canção pop que é eficientemente escrita cair-lhe nas mãos, depois de Britney Spears, na sua fase tresloucada (esperem.... fase?) a ter recusado. É uma canção que tem um certo apelo e fará parte do catálogo pop musical da nossa memória durante algum tempo.
Manic Street Preachers, The Klaxons, Mandy Moore, Marie Digby (uma jovenzinha que daqui a uns tempos vos vai entrar com força nos ouvidos, cortesia da Mega FM e da RFM), , Plain White T's (sim, os irritantes da "Delilah"), My chemical romance, Linkin Park, os ídolos country Keith Urban e Carrie Underwood, as revelações indie Tegan and Sara, entre outros desconhecidos que se podem encontrar todos no Youtube. Gostava de destacar dois takes na música, completamente diferentes.
O primeiro é por parte de Hillary Clinto e Barack Obama, explicando o que realmente existe entre ambos. Ok, não é bem.

O segundo vem de um pianista nova-iorquino que faz pequenos milagres munido de músicas pop orelhudas e o seu piano. Chama-se David Sides e descubram mais sobre ele.


Sugiro, por fim, que escrevam no Youtube "Umbrella bamboos". Vão descobrir porque é que nunca ouviram falar da indústria musical tailandesa.

terça-feira, abril 22, 2008

WMD

domingo, abril 20, 2008

Ocorreu-me

Será que os fala-barato usam palavras caras?

terça-feira, abril 15, 2008

Linka-me

Agora é moda usar uma ferramenta do blogger que transforma em link palavras ou expressões. Todo o blog a utiliza e este segue essa mania.
Parece útil, mas acaba por desviar atenção do texto, ao abrir-se para enquadrar a leitura. O autor não se lembra e armadilha-se automaticamente, mais à obra. Assassina-a. O destruidor do próprio trabalho. Imaginem um post completo cheio de sublinhados, esperando click. Isso sim é terror, destruição, apocalipse.

Intermission

Toca-me cá dentro. Revolve-me, e começa a empurrar lágrimas para os olhos. Felizmente, consigo pará-las. É o segundo movimento da 7ª sinfonia de Beethoven, aqui interpretado pela Orquestra de Berlim, conduzida por von Karajan.
Beethoven era surdo, sim senhor, mas devia ser isso o que lhe permitia ouvir realmente o seu coração.

CIP: part deux!


Alguns pontos a destacar desta segunda sessão:

- Olhar para pessoas que conhecem escutismo há um ano e pouco e constatar o entusiasmo delas recorda-me da minha pessoa há uns bons anos atrás, quando tudo era novidade no mundo mirim e eu achava piada a tudo e julgava que nada corria mal. Mas enfim, 17 anos nisto fazem com que uma pessoa tenha de abrir os olhos e se torne céptico relativamente a algumas coisas. No entanto, o seu entusiasmo contagia-me, pelo menos durante um fim de semana. Depois regresso à vida real, onde sei que o escutismo não é nada cor de rosa. Apesar da fama abichanada que temos.

- A minha patrulha ainda não me demitiu como guia. Acho que ninguém quer tomar o ingrato lugar, embora tenha a certeza que todos já repararam na minha inaptidão para o cargo. Num momento em que tive de lhes ensinar nós que aprendera minutos antes, entrei em pânico, pois eu e os nós temos uma relação tão próxima como a religião e a lógica. Felizmente, o guia não é o centro da patrulha e as qualidades estavam bravamente dispersas pelos vários elementos, equilibrando a situação e levando as coisas a bom porto. Por outras palavras, ainda bem que o Célio é um perito em nós e amarrações.

- Uma rapariga da minha idade começa a falar do seu futuro nos escuteiros usando termos como "situação familiar estável" e "conjunto de factores". E não, essa situação familiar não envolve o pai e a mãe. Já está a falar daquela outra família...

- Pessoas que, estranhamente, confiam em nós ao primeiro encontro. Não estou habituado a isto. Mas lá está, também não estava habituado a guiar o que quer que seja. Sinto sempre que estou a representar uma outra personagem quando vou para isto.

sábado, abril 12, 2008

Trust no one, but the complex guy 1

Mais uma voltinha, mais uma rodada...


E mais um fim de semana no exílio de Serpins. Contarei novidades quando chegar Domingo. No entretanto, liguem o televisor no Domingo, às 19.00, na RTP 2. Façam-me esse favor e depois falamos sobre isso.
Até jááááááááá! (à la Jorge Gabriel)

quinta-feira, abril 10, 2008

10...

... papéis icónicos que podiam não ter sido tão icónicos quanto isso.
E isto porquê? Porque a alquimia que se desenrola durante o processo de casting não é nenhuma ciência. É pura, pura sorte. Aqui vos deixo dez personagens cinematográficas, por todos conhecidas, e emblemáticas, e os actores que inicialmente estavam para as interpretar. A história, como a conhecemos, podia ter sido tão diferente...

INDIANA JONES

Interpretado por: Harrison Ford
Mas podia ter sido: Tom Selleck
JAMES BOND

Interpretado por: Sean Connery
Mas podia ter sido: Cary Grant


WOLVERINE

Interpretado por: Hugh Jackman
Mas podia ter sido: Dougray Scott
CAPTAIN JACK SPARROW

Interpretado por: Johnny Depp
Mas podia ter sido: Jim Carrey
ELLEN RIPLEY

Interpretada por: Sigourney Weaver
Mas podia ter sido por: Veronica Cartwright

DANA SCULLY

Interpretada por: Gillian Anderson
Mas podia ter sido: Pamela Anderson
JOHN MCLANE

Interpretado por: Bruce Willis
Mas podia ter sido: Richard Gere
HAN SOLO

Interpretado por: Harrison Ford
Mas podia ter sido: Al "fucking" Pacino
DON VITO CORLEONE

Interpretado por: Marlon Brando
Mas podia ter sido: Frank Sinatra
MAXIMUS

Interpretado por: Russel Crowe
Mas podia ter sido: Mel Gibson

Quem é quem 2


Para quem não conseguiu adivinhar, ou se esqueceu de clicar na foto, a extremamente maquilhada personalidade da semana passada era Charlize (ou Charlise...) Theron, certamente numa altura onde não sonhava vir a ser eleita a mulher mais sexy do mundo pela revista Esquire. Com aquele aspecto, seria difícil.
A desta semana é mais fácil.

quarta-feira, abril 09, 2008

E isso me envaidece

Tenho guardado uma série de assuntos em mim, nos últimos dias, para espalhar neste blog. Tem-me faltado vontade e indecência para o fazer. No entanto, vamos a um deles.
Como todos sabem, o Porto ganhou o campeonato. Parabéns aos jogadores que correm em campo e suam, porque esses jogam à bola (na verdade, dos 3 grandes, são os únicos que o fazem; nem é uma questão de o fazerem bem. Se o fizessem, tinham ganho ao Schalke, a pior equipa nos oitavos de final da Liga dos Campeões.)
Depois, o presidente desta agremiação desportiva regional recebeu uma nota de culpa por causa de um processo de corrupção. No mesmo fim de semana, o meu clube é vergonhosamente roubado e os seus dois adversários directos na luta pelo segundo lugar beneficiados nos respectivos jogos.
Após pensar qual o melhor ângulo para abordar o assunto, decidi dar voz a alguém que é claramente melhor que eu eu não só a escrever, mas a gozar com a injustiça e a vergonha alheia. Ricardo de Araújo Pereira, na sua crónica d' "A bola" de sábado escreveu assim:

Futebol para intelectuais

Um clube cujo presidente é acusado de corrupção activa sagrou-se campeão frente a uma equipa cujos jogadores têm os salários em atraso. Viva o futebol português!

Há países em que o futebol se resume aos pontapés que se dão na bola. Uma tristeza. Aquela frase com que as mulheres costumam definir o nosso passatempo preferido, para amesquinhar o jogo e quem gosta de o ver, não se aplica ao futebol português: «Isso são 11 homens a correr atrás de uma bola.» Nada mais falso. Além dos jogadores a correr atrás da bola, parece que há juízes a correr atrás de um bilhete grátis, advogados a correr atrás de uma brecha na lei, juristas em geral a correr atrás de uma prescrição. É preciso saber muito de leis para compreender o futebol português. A mim, que sou um pobre ignorante, faltam-me muitos conhecimentos para o entender.

Primeiro, faltam-me noções de direito. No código penal português, como é lógico, a tentativa de corrupção tem uma pena maior do que a coacção. Na justiça desportiva, coacção dá descida de divisão e tentativa de corrupção implica perda de seis pontos. Só um jurista muito sofisticado pode compreender o espírito destas leis. No futebol português, uma equipa acusada de ter um jogador inscrito irregularmente, como o Belenenses, arrisca perder seis pontos. Uma equipa acusada de corromper dois árbitros, como o Porto, arrisca perder os mesmos seis pontos. Um erro burocrático tem a mesma pena que um crime. É possível que um homicídio, no âmbito de um jogo de futebol, em Portugal, valha ao assassino uma admoestação verbal. No máximo, um cartão amarelo.

Depois, faltam-me conhecimentos de português. O presidente da Liga de clubes, Hermínio Loureiro, cuja eleição foi apoiada por Pinto da Costa há mais de um ano, prometeu celeridade a lidar com este caso baseado nas escutas que se conhecem, também, há mais de um ano. Celeridade, notem bem. Eu pensava que celeridade queria dizer rapidez. Afinal, significa 14 meses.

Finalmente, faltam-me conhecimentos de xadrez. O futebol português ficou de tal modo sofisticado que parece o jogo dos reis. Reparem: o Benfica joga hoje com os axadrezados sem saber se um ou mais dos antigos dirigentes do Boavista vão, ou não, passar algum tempo no xadrez. Há notícia de árbitros que vão a casa de dirigentes buscar um cheque que, não sendo cheque-mate, pode ser suficiente para matar um jogo. Não sei se hei-de recomendar ao Chalana a táctica do 4-4-2 ou a do gambito do rei.

P.S.: No Paços de Ferreira-Guimarães, o Paços teve um golo mal anulado e um penalty não assinalado. Na minha opinião, o jogo mais interessante da época vai ser o Guimarães-Porto. Será curioso descobrir qual das duas equipas será mais beneficiada.»

RAP

domingo, abril 06, 2008

A dança das notícias

Num estação de televisão local em Cicinatti, quando chega o relato do estado do trânsito e não há nada a falar, há uma tradição fabulástica. É ver para crer.



Pagava dinheiro para ver a Clara de Sousa e o Rodrigo Guedes de Carvalho em algo assim.

sexta-feira, abril 04, 2008

The others


Tenho-me apercebido de que este blog está a chegar muito mais longe do que pensei ao início. Não falo da comunidade internacional que ocasionalmente passa por aqui.
(Embora isso, em si, desse um post interessante. Gente dos EUA, Irão, Malásia, Tailândia, Brasil, Alemanha, Polónia, Itália, Índia, Benim, Angola, México, China... Todos passarm por aqui. A que me orgulha mais, honestamente, é a China. Afinal, a Internet sofre escrutínio governamental e eu imagino sempre um jovem chinês, rebelde, utópico, ligando-se e contornando inúmeros obstáculos só para ler o meu último post... Enfim, divago.)
Pessoas que nunca me viram na vida, ou só me conhecem de ouvirem os amigos dizer "Há um tipo que eu conheço, tão pateta, que escreve um blog de rir à gargalhada de parvoíce...." passam aqui, lêem, comentam e, espanto vindo da cúpula celeste, gostam. Por um lado, não estranho. Tenho descoberto que consigo atrair as pessoas através da escrita, o que confirma a minha teoria de que eu sou realmente bom através de eieos indirectos. O ecrã do computador dá um reflexo distorcido daquilo que sou, e pareço ser um gajo porreiro.
Pronto, sou um gajo no limite entre o porreiro e o espancável. O equilíbrio com que caminho titubeante nessa linha fez com que fosse recentemente contactado pelo Cirque du Soleil para os espectáculos cá em Portugal.
Aos que se foram aproximando de mim um pouco através do blog, antes de mais, as minhas desculpas. Não fiz de propósito. O blogger é gratuito, gosto de escrever e a coisa proporcionou-se. Aos que ainda por cima sentiram curiosidade em conhecer-me, quem anda à chuva molha-se. Quem me está a chamar interiormente de estúpido por estas
palavras... Há uma razão pela qual o título é "I'm a complex guy". Talvez não seja por ser complexo, mas, como disse uma amiga minha hoje, complexado. Uma outra amiga que acha que sou pouco complexo, no fim de contas, ia concordar.

Mas fiquem por aí. Os que me conheciam e os que me passaram a conhecer. São mais importantes vocês a ler que eu a escrever. Acreditem. E isto não tem nada de complexo.

A estrear brevemente...

terça-feira, abril 01, 2008

Quem é quem


Sugestões de identidade na secção de comments

1 de Abril


Neste dia, há blogs que metem petas. Alguns autores vão mais longe e dizem que desistiram de escrever mais e se vão embora. Depois, é tudo mentira. Na verdade, éo manifestar de um dos mais velhos desejos do ser humano: saber o quanto são amados, através dos pedidos que se seguirão dos seus leitores, para que reconsiderem e voltem atrás.
Aqui, toda a gente sabe que eu não preciso que me digam que gostem de mim (mentira nº1). Este blog consagra-se ao serviço público (mentira nº 2) e por isso, vou tentar explicar a origem do dia 1 de Abril como festividade de todos os mentirosos compulsivos.
A sua origem poderá estar estar no equinóicio vernal, que decorria de 25 de Março a 2 de Abril, no calendário pagão. Mas o seu concretizar num dia apenas é encontrado apenas em documentos franceses e holandeses do séculos XVI, onde se faz referência a piadas generalizadas que decorriam durante o dia 1 de Abril. Há quem defenda que o dia das Manetires, tal como o conhecemos hoje, vem de uma tradição britância do século XVIII chamada "caçar o cuco" e que consistia em pessoas a pregar partidas umas às outras. Os engandos era os "cuckoos", palavra que tem um significado depreciativo na língua inglesa.
É costume ntre os órgãos informativos fazer partidas do 1 de Abril, que resultam devido ao facto de considerarmos credíveis as notícias que estes nos transmitem. Algumas tornaram-se famosas: em 1998, o boletim da Aacademia de Ciências Mexicana fazia referência ao artigo de um matemático norte-americano informando de que o Estadpo do Alabama tinha votado a alteração do valor do Pi. Datava de 1961 e tinha sido uma mentirinha...
Em 1957, o programa Panorama, da BBC, mostrou agricultores suíços a colher esparguete das árvores; um outro programa holandês anunciou que a Torre de Pisa tinha caído: centenas de telespectadores telefonaram, chocados, pedindo mais informações; uma estaçãod e rádio inglesa, em 2004, noticou que os Alemães tinham abandonado o Euro e como o Marco já não existia, estavam a negociar com a Inglaterra o uso da libra. Ouvintes telefonaram para a estação, bradando um assalto à soberania inglesa.
Enfim, vários exemplos. Podem encontrar outros aqui.

O dealbreaker


O último suplemento "Sunday Book Review", do jornal "new York Times", traz um artigo que se debruça sobre um eterno problema das relações: a forma como diferentes gostos de dua spessoas que gostam uma da outra pode arruinar uma relação. No caso específico, aplicao aos livros. deita até exemplos. Uma pessoa que idolatra o minucioso Marcel Proust e o seu épico "Em busca do tempo perdido" (um dos únicos títulos de livros francês que fica bem com a expressão "Indiana Jones..." atrás), por exemplo, jamais combinará com outra para quem Jodi Picoult, a melosa autora de best-sellers que trepam tops de livros com a mesma destreza com que os macacos sobem às árvores, está apenas um degrau abaixo de Danielle Steel. Da mesma maneira, quem gosta de Jane Austen, chocará com os amantes de Dean Koontz.
O tema parece superficial, mas não o é. De facto, tão importante como a empatia com a outra pessoa, são os gostos que temos em comum. Parece-me que um fã de Iron Maiden dificilmente poderá partilhar o mesmo espaço com uma apreciadora de Celine Dion. A não ser que construam duas salas à prova de som na casa onde morarem. E parece-me impossível que alguém que goste de Arte e História possa passar feérias de Verão com alguém que idolatre desportos radicais ao ponto de só viver para isso. Só com muita flexibilidade de ambas as partes, e penso ser do senso comum que jamais duas pessoas flexíveis encetaram uma relação amorosa. É um pouco como procurar o monstro de Loch Ness: pode existir, deve andar por aí, alguns juram tê-lo visto, mas provas concretas, está quieto.
Num nível pessoal, confesso que sou picuinhas, e até nem devia sê-lo. Afinal, não estou em posição para isso. No entanto, uma rapariga que admita adorar Paulo Coelho coloca um severo turn-off sobre a possibilidade de encaixarmos. À partida, alguém que não goste de cinema poderá ter sérios problemas comigo. Na realidade, não é totalmente certo que mesmo alguém que goste não possa ter hipóteses. Agora que penso, embora não seja fundamentalista, não me parece que seja capaz de gramar com qualquer filme. Mais do que os livros, os filmes são o meu dealbraker. Sou muito esquisito com os filmes que vou ver a uma sala de cinema. Como disse a um amigo meu, sou incapaz de assistir a um filme que não queria mesmo ir ver, mesmo que haja hipótese de algum tipo de acção se desenrolar entre mim e a rapariga. Vai completamente contra a minha natureza. Quem não consiga ter sentido de humor suficiente para perceber porque gosto de filmes de acção dos anos 80, esqueça; se odiarem Spielberg ou Fincher, fiquem longe; ou o humor de Woody Allen. E é melhor nem entrar nas séries de televisão.

E quanto a vocês, leitores, qual é o vosso dealbraker? Onde estabelecem os limites quando a possibilidade de se relacionarem com uma pessoa aparece?

sexta-feira, março 28, 2008

Teasing

quarta-feira, março 26, 2008

Benning


Benjamin Linus, da série "Lost", é proventura o melhor vilão da actualidade televisiva. A sua vilania vai para lá da mesquinhez dos seus actos e da incapacidade que temos em confiar nele: o facto de conseguir ler perfeitamente as pessoas e conseguir prever os seus actos futuros baseado nessa habilidade é o que mais arrepia e aspecto e, num mundo onde existe um monstro de fumo negro, complicações magnéticas, baralhações do continuum espaço/tempo e um homem que tem flashes do tempo que há-de vir, essa é a parte mais sobrenatural de "Lost". Porque ninguém consegue ler as pessoas de forma tão clara.
Conheço uma ou outra pessoa que o fazem razoavelmente bem. Espanta-me a maneira como o fazem, mas acertam nas suas previsões. Algum calo de relações humanas ou simplesmente perspicácia natural ajudam a explicá-lo. Escusado será dizer que eu não tenho nem uma, nem outra. À minha incapacidade de ler pessoas, junta-se o facto de estas serem todas complicadas e imprevisíveis. Quando se julga conhecer alguém, eis que nos puxam o tapete debaixo dos pés e ficamos ali no chão, à nora, sem saber muito bem o que se passou. Mas não vimos isso chegar.
Ora, nos últimos tempos, tenho-me abstido de falar de um assunto que era o pão nosso de cada dia desde o início deste blog: a minha vida pessoal, suas desventuras e o eterno Mar dos Supersargaços em que esta navega. Foi propositado, até porque tinha assunto sobre o qual escrever. No entanto, tomei a decisão de que algumas coisas que sentia e vivia devia guardá-las para mim. Uma opção. Continuo a achar isso, mas algumas reflexões que tive durante esse período andam a saltar demasiado alto para que as continue a prender com uma corrente, como faço ao meu cão.
Começo por frisar desde já um facto na minha personalidade que é por demais evidente: sou emocionalmente imaturo. Algumas mulheres mais espirituosas terão logo a piada "Claro, és homem", mas isto mostra que, além de gostarem da piada fácil, têm muito pouca capacidade de auto-análise. A minha imaturidade emocional, que me faz, aos 25 anos, lidar com os sentimentos como se tivesse 12, é normal: eu não lido muito com pessoas, ainda por cima no caso de sentimentos ais extremos. Por isso, aprendi algo que é universalmente conhecido: quando raspamos em alguém de forma mais intensa, mesmo que seja por pouco tempo ou com intenções que nada têm a ver com sentimentos, não podemos prever o resultado. Só uma obrigatoriedade, que é a de que vamos arranjar problemas. Para nós e para a outra pessoa. É inevitável, é tão certo como o Edcarlos falhar aquele golo de baliza aberta. Eu pensava que não, mas é verdade, verdadinha.
Uma outra ideia que tinha era a de que só eu é que era emocionalmente imaturo, ou que tinha incapacidade em lidar com os meus sentimentos e os dos outros. Ok, sou egocêntrico. Já sei, não precisam olhar co esse ar reprovador. Há mais gente assim. O interessante é encontrar pessoas que não são nem melhore,s nem piores do que eu a lidar com o que sentem. São apenas diferentes, e nós temos de expandir a nossa mente se quisermos perceber porque é que algumas pessoas agem da maneira como agem. Por ves, há que pareça estar desculpar-se perante nós, quando na verdade está a dar desculpas a si própria. Eu sei o que isso é, também me acontece. Mas eu estou aqui a admitir isso.
Ok, afinal não sou tão emocionalmente imaturo como penso. Podia ser bem pior.
Por fim, para não alongar mais isto, descobrir que não somos aquilo que dizemos ser é interessante. Cria um dilema moral que dá dores de barriga (literalmente), mas uma vez que nos habituamos, percebemos que há mais na vida do que aquilo que está no ecrã de um computador. Não que passemos a perceber melhor as pessoas por causa disso, mas de repente, a vida parece-nos mais suportável e andamos mais calmos durante um tempo.

Ah, uma lição extra: o Dr. Dre, através do Ben Folds, tem toda a razão. Não é, Vitó?

sexta-feira, março 21, 2008

Satisfação pessoal

Estou sem telemóvel há uma semana e posso dizer, orgulhosamente, que ainda não entrei em paranóia, nem me deu vontade de bater num professor.
Acho nalgumas coisas que ainda pertenço ao século XIX . Quando eu entrar na modernida, ou seja começar a trepar pelas paredes, avisarei. Até lá, a novela continua.

Perfil: Jesus Cristo


Não é fácil ser o Messias. Que o digas Jesus Cristo. "O pior mesmo é quando nem nos chamam pelo nosso nome. A minha mãe baptizou-me de Emanuel!" queixa-se, meio a brincar. De facto, a alcunha vem do seu tempo de convivência com os apóstolos, ou como Jesus gosta de recordar, "Um pouco como a série "Entourage", mas sem Hollywood". Cristo tinha uma péssima pronúncia francesa, pois nunca andara na escola. Em vez de dizer "Je suis", dizia "Je sus". E a coisa pegou. Pedro foi o principal responsável. Galhofeiro como era, tratou logo de espalhar a brincadeira por toda a Galileia. O próprio Cristo só se apercebeu quando foi aclamado em ramos por Jerusalém. Por isso é que inicialmente nem pensou ser ele o Messias. Pensara que, na realidade, era um vizinho seu chamado Brian.

Quando estamos prestes a comemorar 2008 anos sobre a sua morte, Jesus relembra como um dos jantares mais conhecidos de sempre esteve até para não acontecer: "O Tiago estava para reservar o restaurante, mas entretanto, um centurião tinha conquistado a Dalmácia e de repente, havia comezainas por todo o lado. Apenas arranjámos aquele à última hora, porque eu conhecia o dono e ocasionalmente, transformava-lhe alguns barris de água em vinho."
Sempre que é entrevistado, a sua recusa em falar em todo o processo que conduziu à sua execução é clara: "Não gosto de alimentar polémicas sobre o estado da justiça na Palestina." No entanto, adianta que o Sinédrio não terá conduzido o processo da melhor maneira, e que Pilatos era, nas suas palavras, "um banana." E não fala da ressurreição, porque "os verdadeiros mágicos não revelam os seus segredos." Adianta, porém, que guardar o seu corpo físico depois da morte foi uma prerrogativa de que não abdicou: "A mente pode ter as ideias e as aspirações todas, mas o corpo é que se diverte."

No entanto, Cristo revela-se frontal em tudo o resto. Quando instado a comentar o trabalho de outros colegas, não há papas na língua: "Maomé é um porreiro, um amigalhão, mas irrita-se com facilidade. Mas eu percebo-o: se eu tivesse milhões de pessoas a deturpar a minha mensagem, também ficava naquele estado. O Buda é muito mais calmo, é um parceiro de sueca extraordinário, porque nunca sabemos o que está a pensar. No entanto, ultimamente, tem andado mais tenso. No outro dia, apanhámo-lo mesmo a dizer "Bolas", só para verem o grau de exasperação a que chegou." Comentando também o cristianismo hoje, Jesus é claro: "Podia estar melhor. Se eu quisesse que fôssemos todos extremistas, não me teria chateado com os fariseus e deixava tudo como estava. Acham que isto tem piada?", pergunta-nos, mostrando as chagas. "Quando vou fazer jogging com o meu pai, começa a doer a partir de uma certa altura e ele farta-se de gozar comigo, a correr de costas. Como pensam que me sinto quando um velhote com centenas de milhar de anos me ganha numa corrida?"
Sobre Maria Madalena: "Não confirmo, nem desminto. O Dan Brown é que é esperto!"
No final da entrevista, Jesus Cristo exigiu que lhe fizéssemos um inquérito de Verão, embora estejamos a entrar apenas na Primavera. "Famoso que é famoso tem de responder a um inquérito de Verão nos dias que correm. E quem é o gajo mais famoso do mundo, quem é?" questiona, enquanto aponta discretamente para si.

Local para uma férias de sonho: "O Lago Tiberíades. Se não fosse isto da missão messiânica, ia viver para lá. Mas lá está, deixava de ser um local de férias se lá morasse."

Com quem não passaria férias: "Com o Herodes. Chatinho, o homem."

Praia ou campo?: "Campo. Já tive areia que chegue, e para tirar aquilo no banho, não é nada fácil. Perdia mais tempo nisso do que a compôr parábolas."

Que roupa usa mais no Verão?: "Túnica branca. Espera, isso uso eu todo o ano."

Comida e bebida preferidas: "O pão e o vinho. Desculpem, sou um nostálgico."

Livro preferido: "Neste momento, ando a reler a obra completa de Arthur C. Clarke. Falei com o tipo ontem e ele moeu-me a cabeça! Mas normalmente, gosto de coisas mais ligeirinhas, como os livros em que inventam sobre a minha vida. Gosto de me rir, sobretudo, sou um amigo da paródia. Na verdade, fui eu que inspirei a ideia de Santana Lopes ter sido primeiro-ministro. Não pensei era que as pessoas acreditassem que a brincadeira era a sério."

Filme preferido: "Academia da Polícia 5". Estou a brincar, eu disse que era um gozão. Gosto muito do "Fight club", porque me lembra a camaradagem masculina do apostolado; e também do "E.T" e "Alien Ressurrection", porque nunca tive oportunidade de ver alguém a ressuscitar do lado de fora. No entanto, não apreciei "A paixão de Cristo". Se eu tivesse levado uma coça daquelas, nem comigo podia, quanto mais com a cruz. O Mel Gibson precisava de andar com um mono de madeira com 300 e tal quilos no lombo. Aí, ia ver o que era."

Banda preferida: "Adoro Jesus and Mary Chains. Também estou muito numa onda de Madredeus, ultimamente."

Se não tivesse esta profissão, qual escolheria?: "Carpinteiro. Tinha muito jeito para aquilo, mas infelizmente, não pude conciliar."

O que espera que Deus lhe diga quando entrar no céu?: "Só agora?"

La mala educacion


Não sei qual o ângulo pelo qual devo abordar o caso da professora "brutalizada." Normalmente, quando escrevo neste blog sobre casos da vida real a sério, retorço-os um bocado, acabando por dar um toque de humor negro à coisa. O problema é que toda esta situação é um desfile de anedotices pegadas.
Quando leio a palavra brutalizada, espero algo de violento. Imaginei a professora a levar estalos, ou a ser deitada ao chão. Isso sou eu, que tenho sempre expectativas altas. Em vez disso, ela anda de um lado para o outro, como uma aluna a tiracolo, a gritar agarrada ao telemóvel e a berrar como se tivesse 2 anos e quisesse o biberão, só que utilizando vocabulário extremo que, nem mesmo nos dias de hoje, crianças de 2 anos conhecem. Claro que o verbo "brutalizar" fica sempre bem na venda de uma notícia, principalmente quando somos o "Expresso".
Não estou aqui a desdramatizar o caso: a miúda não merecia um par de estalos, merecia que a Inquisição Espanhola aparecesse e a levasse por uns minutos. Na verdade, toda a turma merece isso. O rapaz que filma o acontecimento com um telemóvel (o que dá um tom irónico à situação) ri-se, comenta alarvemente o que se passa, chama "gorda" e "estúpida" a duas colegas que se colocam à frente da câmara, apenas porque querem afastar a colega da docente... Enfim, um festival.
A DREN (Direcção Regional de Educação do Norte) parece não ter Internet, ou saber o que é o Youtube, pois disse não ter conhecimento da situação até hoje de manhã, quando uma cidadã enviou um e-mail à instituição. O próprio Conselho Executivo da escola Carolina Michaelis no Porto (que ou muito me engano, ou ficou classificada no último top das dez melhores escolas públicas do país, caindo assim o velho mito que estas situações só se dão em bairros de delinquentes ou estabelecimentos de ensino perdidos no meio de lugares onde a civilização não chegou) só teve conhecimento através da própria DREN, o que deixará os professores da escola extremamente descansados. E pelos comentários que li ao vídeo no Youtube, vamos ter aqui grandes discussões sobre a forma como educamos as nossas crianças, mas pelos caminhos errados: em vez de abordarmos o laxismo com que se trata a avaliação dos alunos; e o falhanço do sistema de ensino como forma de integrá-los a todos de maneira semelhante; e a formação deficiente e teórica dos docentes; e a própria acção dos pais junto dos filhos; em vez disso, grita-se que nunca deviam ter sido retirados crucifixos das escolas, e que as penas físicas deviam voltar.

Peço desculpa: tentei não anedotizar isto, mas eu avisei que seria impossível.

Ter olho para a questão


Amiudemente me apanham aqui a louvar quem cria e escreve séries. É merecido. Mas uma posição tão importante, seja em televisão, seja no cinema, é a de director de casting. Ter de escolher os actores certos para os personagens é mais complicado do que parece. Alguém imagina, por exemplo, outro actor que não Leonarod di Caprio em "Titanic"? Ou outra que não Julia Roberts em "Pretty woman"? Esteve para acontecer.
No entanto, o director de casting supremo é não só aquele que sintoniza papel com actor, mas que vai mais longe e vai arrancar os intérpretes das entranhas do desconhecido, criando-lhes uma carreira. O prémio de "supremo" terá de ir para Alexa L. Fogel. Eu não sei quem é, nunca a vi, mas foi ela quem escolheu os actores de "Oz", espantosa série ambientada em cenário prisional (7 anos antes de "Prison break"), de um realismo extremo, excelentemente bem escrita e bem à frente do seu tempo. Poucos se lembram, mas este foi o primeiro hit de culto da então tímida HBO, que é hoje um canal de cabo poderosíssimo e de quem se esperam as coisas mais transgressores. Pois amigos, a transgressão começa aqui: desde criminosos que não são totalmente maus, linguagem extrema, violações, nudez masculina, homossexualidade, uso de drogas ou conflitos-étnico-religiosos a sério, a caixa de Pandora foi aberta aqui.
O conjunto de actores que deu literalmente o corpo ao manifesto é hoje conhecido de boa parte dos telespectadores através de outros programas, e essa é uma das marcas de genialidade desta série. Passa na SIC Radical, às quintas à noite, e este blog aconselha vivamente.
Os actores de "Oz" entram em "Lost", "The wire", "Law and order", "Rescue me", "Scrubs", "Band of brothers", "The sopranos", "Dexter", "24", ... Um regalo.

quarta-feira, março 19, 2008

A curta

Já realizei várias coisas que se podem comparar a curtas-metragens. Tenho demasiado respeito pelo cinema para lhes dar um nome tão pomposo, mas tudo o que fiz para os míticos Óscares é, desde os filmes com mísero meio minuto até aos gloriosos épicos de 20 minutos que dão pelo nome de "Ceira witch project" e "Crimes invisíveis" tem um lugar aqui guardado, como pequenos andores que me transportam mais além naminha criatividade.
O Fantasporto e a TMN fizeram o favor de organizar um concurso em que o comum cidadão, armado da câmara de uma telemóvel e obdecendo à temática do terror e do fantástico, tem de filmar uma curta-metragem com o tempo máximo de 3 minutos. Dentro da minha cabeça complicada, 3 minutos é muito pouco. Mas encorajamento geral, vindo de diversos quadrantes, fez-me vencer essa maquineta derrotista e preguiçosa que trabalha dentro de mim e deitar mãos à obra.
O resultado é uma obra de demência óbvia e um regressar a outros tempos. Deu-me um prazer enorme filmar isto, a sério, foi como se tivesse regressado uns anos atrás. Apesar das limitações do telemóvel (o que se reflecte na qualidade visual), creio ter feito algo que pelo menos entretém. A história? Tentem descobrir por vós próprios, será um teste à minha própria capacidade como realizador. O desafio maior que se pode fazer a alguém que é palavroso por natureza é ter de usar o mínimo de palavras possível para contar uma história. Penso ter sido razoavelmente bem sucedido.
Os meus agradecimentos aos meus acolegas do Thíasos, o grupo de teatro que é dono do meu coiro às terças e quintas à noite e que, por uma hora, me deixou ser o patrão do coiro deles. Espero não os ter envergonhado, embora, claro, isso seja utópico.
Sem mais delongas, cá está ela. Espero que gostem e votem. Quanto mais não seja, por despeito.

Rendez-vous with Rama


Não conheço muito acerca de Arthur C. Clarke. Sabia que era ele o autor da short story que deu origem a "2001: uma odisseia no espaço", a genial obra de Stanley Kubrick. Há alguns dias, um amigo meu fez-me chegar às mãos um daqueles produtos que ele considerava de primeira necessidade e parecia assumir contornos vitais na definição da sua infância. Era uma série documental chamada "The mysterious world of Arthur C. Clarke", onde o escritor patrocinava um conjunto de reportagens sobre os mais variados fenómenos bizarros. De imediato, ao ver o genérico, viajei até à minha infâncioa e lembrei-me de que sim, também eu já assistira aquilo. Escondido debaixo de camadas e mais camadas de inconsciente, estava Clarke, ali, deitado no fundo da minha cabeça, ele próprio um mistério.
Talvez seja o facto de o ter redescoberto agora que lhe provocu a morte, eu tenho esse poder kármico (no entanto, permitam-me que me inocente de outro óbito de hoje, o do realizador inglês Anthony Minghella: já conhecia "O paciente inglês", "O talentoso mr. Ripley" e "Cold mountain"). Eu e Clarke partilhamos uma coisa, e não é, obviamente, a genialidade: é a curiosidade. Era isso que o movia e, em certa media, é isso que também me move, mesmo qaundo tudo na vida se augura sombrio. Diagnosticado comum tipo de poliomielite desde os anos 60, Clarke foi ganhadno dificuldades em mover-se; porém, acho que era um sintoma de que o sue corpo não podia acompanhar a mente. De certeza. O homem que coleccionava ficheiros com referências a caveiras de cristal, dragõs marinhos, serpentes gigantes, chuvas estranhas ou OVNI era como um Cahrles Fort dos tempos modernos, apenas mais popular, mas igualmente bem humorado perante aquilo que não conhecemos.
E ele conseguiu finalmente o que queria: uma maneira de ver respondidas todas as suas perguntas. Deste mundo misterios e do outro também. Se ele existir claro. Clarke projectava sempre a sobra da dúvida.

quarta-feira, março 12, 2008

Lição dos últimos tempos


Menosprezo o impacto das minhas acções na vida dos outros. De várias maneiras. O que quer dizer que também me menosprezo.

segunda-feira, março 10, 2008

Memórias

Muita gente me diz que ser adepto do Benfica é condenado a ser feliz apenas no passado, pois é lá que estão as alegrias. Na realidade, imagino-as plantadas num quintal e eu passeando por entre elas, como se fosse o refúgio de um louco feliz.
Numa altura em que o meu clube está longe de estar bem (e é imitado, como sempre de forma rasca, pelo "Sportem"), estou sentado à sombra de uma das minhas grandes memórias como benfiquista: esta aqui em baixo, e que já referi algures no ano passado. A diferença é que, desta vez, há imagens.

Final grades


Tudo o que é bom tem um fim, mesmo a melhor série da actualidade: "The wire tem hoje o seu último episódio. Acabou-se a literatura em forma de televisão nos nossos ecrãs. A série que Barack Obama confessou ser a sua preferida, o que tendo em conta o habitual tacto em não confrontar directamente lobbies instalados por parte de candidatos presidenciais, é uma afirmação elucidativa da sua linha de pensamento. "The wire" é um dos únicos fóruns públicos de discussão dos problemas das cidades actuais.
E tem personagens inesquecíveis e uma escrita de calibre balzaquiano. Por isso é mesmo boa.
Mas tinha de acabar: citando Omar Little, "It's all in the game".

domingo, março 09, 2008

sábado, março 08, 2008

Um dia delas?


Eu aplico ao Dia Internacional da Mulher a mesma lógica que aplico na minha mente ao dia dos namorados: os dias internacionais ou comemoram efemérides ou então flagelos. Por muito que o meu lado Gulherme Leite queira aqui fazer uma piada com o género feminino, abster-me-ei. Mas não porque não tenha um fundo de verdade.
Posto isto, arrepio já caminho: eu gosto de mulheres. Não lhes bato. Não as discrimino. Não as vejo como objectos. Faço piadas sobre elas, mas hei, elas também fazem, portanto comungamos do princípio da igualdade entre sexos. Faço tarefas que, por força da tradição, são despachadas para o sexo feminino: trabalhos na cozinha, estender roupa, lida doméstica; e a coisa que mais facilmente faz subir em mim a minha libido é a inteligência da rapariga. Ok, minto, é a segunda coisa.
Estamos entendidos, não estamos? Gosto de mulheres e enfim, não encaixo no cargo de porco chuavinista. Logo, um pedido às mulheres que querem advogar e falar de feminismo e queixar-se acerca do tratamento péssimo que os homens dão às mulheres: eu sou homem e consigo ver na mulher um ser igual a mim. Se querem pregar que as mulheres têm direitos e merecem igualdade, estarei lá para dizer que sim e concordar; apenas não ateiem o fogo em mato ardido: nada arde e ainda desgasta o terreno. A sério.
Outra coisa: feminismo não é bazófia acerca de como as mulheres são mais inteligentes que os homens. Se é para isso, salto fora do barco e não contem comigo. Também não é dizer: "Nós, complicadas? Vocês é que são uns complicados do caraças!". Deixem-me corrgir: nós somos ocasionalmente idiotas. Não confundir isso com complicação. Há um homem que gosta de duas raparigas e não se decide? É idiota; há um homem que vos confunde pois não se decide se é homossexual ou heterossexual? É idiota; há um tipo que gosta de vocês, mas não consegue estar convosco? É idiota... E também faz parte do grupo da segunda pergunta. Uma coisa é idiotice; outra é armadilhar os homens com perguntas como "Este vestido fica-me bem?" (um dos caminhos do Inferno vai dar a um quarto onde uma mulher pergunta isto); ou, num lampejo súbito e inexplicável (e muitas vezes, nem vocês mulheres nos explicam), não falarem para nós durante uma semana. Isso é complicação, e quando nos queixamos, é porque não percebemos. Não é porque sejamos machistas ou vos odiemos: é porque não vivemos nos vosso mundo. E desculparem a vossa complicação com a nossa intolerância é, há que dizê-lo idiota. Se o vosso desejo é igualdade, há coisas em que vos aconselho a não serem iguais a nós.
Também vos odeio ocasionalmente. A todo o género por igual. Canto "Bitches ain´t shit", quero imprimir t-shirts e tudo com a frase.
E depois, apaixono-me, e passo uma amnistia a todas por igual.

Enfim, é isto. Agora, venha histeria, irritação e porrada para o otário.

quinta-feira, março 06, 2008

À lupa


Nunca vos deu um daqueles acessos de nostalgia que vos obriga a remexer em coisas velhas?
Sim? Ainda bem, porque a mim não. Mas pus-me antes de ontem a ouvir "Lupa", originald e Sérgio Godinho, editado em 2000. Há muito que aquelas múscias não estimulavam o meu cérebro.
Godinho é um excelente escritor, literalmente falando, de canções. As suas letras contnuarão a fazer sentido e a serem obras de arte daqui a 1000 anos, se este planeta ainda girar. "Lupa" tem uma das músicas que mais gosto, cujas palavras me passam a língua pelo lóbulho da orelha. Chama-se "Dancemos no mundo" e sempre que a ouço, tenho de me sentar e bater o pé várias vezes. Podia colocar a música, mas prefiro centrar-me nas palavras. São as que mais vezes nos passam ao lado.

Isto é como tudo, não há-de ser nada
a minha namorada é tudo que eu queira
mas vive para lá da fronteira

Separam-nos cordas, separam-nos credos
e creio que medos e creio que leis
nos colam à pele papéis

Tratados, acordos são pântanos, lodos
Pisemos a pista, é bom que se insista
dancemos no mundo

Eu só queria dançar contigo sem corpo visível
dançar como amigo se fosse possível
dois pares de sapatos levantando o pó
dançar como amigo só

Por ódio passado que seja maldito
amor favorito não tem importância
se for é de circunstância

Separam-nos crimes, separam-nos cores
a noite é de horrores, quem disse que é lindo
o sol-posto de um dia findo

Sozinho adormeço e em teu corpo apareço

Pisemos a pista, é bom que se insista
dancemos no mundo

Eu só queria dançar contigo sem corpo visível
dançar como amigo se fosse possível
dois pares de sapatos levantando o pó
dançar como amigo só

Em passos tão simples trocar endereços
num mundo de acessos, ar onde sufocas
lugar de supostas trocas

Separam-nos facas, separam-nos fatwas
pai-nossos e datas e excomunhões
acondicionando paixões

Acenda-se a tua luz na minha rua

Pisemos a pista, é bom que se insista
dancemos no mundo

Eu só queria dançar contigo sem corpo visível
dançar como amigo se fosse possível
dois pares de sapatos levantando o pó
dançar como amigo só

terça-feira, março 04, 2008

Cavalos

É uma opinião muito pouco consensual, mas "Millennium" é uma grande série de televisão, das melhroes e mais criativas que já vi. Estreou em 1997 e em três temporadas, antecipu, de uma assentada, as séries que carregam forte na medicina forense e os dramas místicos sobre sociedades secretas. O autor? Deus )para quem nnãoe stá familiarizado, Chris Carter)
O maior ponto fraco de "Millennium" era a sua heterogeneidade enquanto conjunto: de facto, cada temporada parece uma série à parte, habitada por dois ou três personagens comuns. Se a primeira temporada é uma análise pura da essência do mal e a terceira um manuel de sobrevivência ao desepero, a segunda é a que aposta mais na mitologia do chamado "Millennium group", uma empresa privada que tem interesses altamente obscuros e que serve como motor da série no seu todo.
O último episódio desta temporada contém uma sequência que ficou gravada na minha mente desde a primeira vez que a vi e que se tem tornado impossível de esquecer. Um dos personagens, a visionária Lara Means, interpretada por Kirsten Cloke, está trancada num quarto de hotel, enquanto uma aparente epidemia mortífera grassa no exterior. Acaba de lhe ser revelado o que acontecerá no Apocalipse. O que se segue são nove minutos de um tour de force apocalíptico apropriadamente ao som de "Horses", de Patti Smith. São nove minutos que nunca irei esquecer e que me deixam com pele de galinha de cada vez que os vejo.
Os cavalos também lá estão. Quatro. E assim como em 1997, também nos dias de hoje eles se passeiam pelo nosso planeta.

Empreendimento

O tema do resto de ano pioneiro vai ser a cor, em todas as suas valências e significados. Fica aqui, para celebrar isso, um videoclip com um engenhoso trabalho de câmara, de uma das mais recentes cantautoras femininas a triunfar na cena musical indie norte-americana: Feist. O realizador é Patrick Daughters e a canção é simplesmente "1,2,3,4". Entra no ouvido à primeira.

segunda-feira, março 03, 2008

Esquisito


Sentir que estão neste momento diversos eus a viverem várias vidas deles dentro da minha. Não conseguir descobrir qual desses eus sou mesmo eu. E saber que nenhum deles é o eu adulto que devia estar a enfrentar a minha vida neste momento.
No entretanto, cada um deles me vai trazendo coisas diferentes, que já não tinha há algum tempo, ou que nunca tive. Como se a minha personalidade tivesse decido estilhaçar-se e dar uma volta por avenidas na vida que, burro, não queria percorrer. E agora que as percorro, tenho de finalmenten me perguntar o que sou eu, quem sou, o que quero. Olhar em volta e ver opções das pessoas e perguntar se estas são "normais" e se eu quero ser "normal". Se o ser "normal" me basta; ou se, pelo contrário, a "normalidade" matará alguns dos meus eus, sem que outros saiam fortalecidos.

Pois é, já estavam fartos de cinema e sentiam falta destas merdas, não é? :)

sábado, março 01, 2008

Conectivity

A Converse faz 100 anos em 2008 e para celebrar o facto, a empresa (que pertence à Nike, não sabia disto) decidiu fazer uma campanha baseada em ícones que estão ligados ao uso da famosa marca de sapatilhas. Todos diferentes, todos ligados uns aos outros por um par de calçado.



Da esquerda para a direita: Hunter S. Thompson, Dwayne Wade, Sid Vicious, M.I.A, James Dean, Karen O., Common, Joan Jett e Billie Joe Armstrong

Intermission



"Longview", Lea Delaria (o original pertence aos Green Day)